Assassino Atemporal

Capítulo 179

Assassino Atemporal

(Escritório do Comandante Jackson – Meio-dia, dentro de um quartel-general militar confidencial)

A fumaça de charuto se contornava em espirais preguiçosas pelo ambiente, misturando-se ao som distante de fãs torcendo na transmissão do enorme telão na parede.

A transmissão ao vivo da Arena Sky-God rolava silenciosamente, mostrando os destaques da última partida do Circuito Interestelar.

Enquanto o comandante Jackson estava reclinado atrás de sua mesa, com uma perna cruzada sobre a outra, ao seu lado um copo de uísque envelhecido quase no fim.

Ele fazia uma tragada lenta, saboreando o gosto do charuto, quando um som suave de 'campainha' interrompeu seu momento de paz.

O monitor holográfico embutido na mesa acendeu, projetando um relatório confidencial em letras vermelhas negritadas sobre o vidro.

Assunto: Leo Skyshard – Auditoria de Histórico Financeiro (Solicitação: Alta Prioridade)

Jackson ergue uma sobrancelha. "Ah, finalmente. Vamos descobrir qual facção dentro do Clã Mu está apoiando o garoto," murmurou, tocando na tela para abrir o relatório.

De início, escaneou rapidamente as primeiras linhas do documento, mas após alguns segundos, franziu o rosto, deixando o charuto de lado e sentando-se ereto.

"...O quê?"

Ele tocou na tela novamente, ampliando a seção de histórico de crédito, enquanto suas sobrancelhas se franziram ainda mais a cada segundo que passava.

A única razão para ter solicitado uma auditoria no histórico financeiro do garoto era porque, normalmente, quando o Clã Mu enviava seus descendentes ao universo sem memórias, eles carregavam suas contas bancárias com uma quantidade enorme de zeros.

Era uma espécie de desafio: eles tinham que encontrar sua conta bancária sem memórias, e quando conseguiam, recebiam somas absurdas, de 200 a 500 mil MP.

E, embora a conta de Leo fosse semelhante, com um saldo exorbitante de 920 mil MP, a origem daquela transação não vinha do Clã Mu, mas sim do Departamento Universal de Imigração e Transporte Interestelar.

"O quê?"

Jackson murmurou novamente, perplexo, pois aquilo não fazia sentido para ele.

O departamento de transporte só pagava dinheiro aos seus funcionários ou passageiros que tinham trabalhado em trabalhos braçais durante suas viagens pelo universo nos navios do departamento, e mesmo que Leo tivesse feito isso, seria impossível ganhar 920 mil em uma única transferência.

As pessoas trabalham toda a vida para ganhar esse dinheiro, não era algo que se conquistava de uma hora para outra.

"Hmm… Queria identificar qual facção do Clã Mu está apoiando ele, plausível via auditoria de histórico financeiro."

Mas isso não era o que eu esperava—" disse Jackson, dando mais uma tragada em seu charuto, sem conseguir entender o que estava acontecendo.

Seus olhos permaneciam fixos na linha :-

Origem dos Fundos: Governo Universal – Departamento de Imigração e Transporte Interestelar.

Sem conseguir evitar, balançou a cabeça em decepção.

"Tanya, querida," disse, esticando a mão até o botão de comando na mesa.

"Descubra quem, no Departamento de Imigração e Transporte Interestelar, autorizou uma transação de 920 mil MP para um homem chamado Leo Skyshard. Não me importa o quão escondidos estejam os registros—investigue até o topo. Quero nomes. Quero marcas de horário. E se tiver algum rato do Clã Mu escondido lá dentro? Quero ele demitido antes do pôr do sol." Disse, recebendo uma resposta doce e feminina do outro lado: "Sim, comandante."

"Ótimo—" disse Jackson, recostando-se novamente, com o olhar escurecendo.

"As agências do governo universal foram infiltradas por fiéis aos seis grandes clãs?" Jackson ponderou, desconfiado, temendo que os seis grandes clãs pusessem espiões em todas as instituições do governo.

"Vou precisar descobrir a verdade disso—" concluiu, pois não gostava nem um pouco da ideia de que havia leais aos grandes clãs infiltrados no governo.


(Enquanto isso, em uma taverna em um planeta distante)

Um homem encapuzado estava encurvado numa mesa do bar, com os ombros caídos e os dedos tremendo levemente—menos de frio, mais pelo lento desgaste da fome e do cansaço que o consumiram nas últimas semanas.

"Uma cerveja… e um pão, por favor," ele pediu, com voz áspera, como se carvão fosse arrastar por metal.

O barman, um orc grande, de olhos bondosos e coração mole, olhou-o por um momento, antes de concordar com a cabeça.

Logo depois, voltou com uma caneca espumante e duas fatias grossas de pão quente com manteiga—a porção dobrada do normal.

"Parece que vai desmaiar de fome a qualquer momento, amigo," falou o orc suavemente.

"Coma com calma. Tire seu tempo e me avise se precisar de mais. Não há vergonha em pedir," ofereceu de forma gentil, enquanto o homem assentia em silêncio, pegando uma fatia com mãos instáveis.

*Nom*

A primeira mordida foi pequena, cautelosa.

Mas assim que o pão quente tocou sua língua, um som calado escapou involuntariamente, que parecia uma mistura de suspiro e soluço.

"Agh…" ele sussurrou, aliviado, quando naquele momento, a pouca resistência que tinha pareceu desaparecer.

Ele devorou a refeição em segundos, consumindo o pão e esvaziando a caneca com uma ânsia que deixava claro que não tinha uma refeição decente havia dias. Talvez semanas.

E, ao limpar a boca com o punho da manga, deixando um pouco de dinheiro no balcão para pagar o orc, o gentil bartender se inclinou com uma proposta.

"Se precisar de um quarto… ou mais comida, tenho ambos. Gratis, se você me ajudar a cortar lenha lá atrás com essa espada que carrega."

O orc ofereceu, mas o homem apenas balançou a cabeça em resposta, oferecendo um sorriso fraco em troca.

"Não posso ficar agora. Mas… obrigado pela oferta," disse, virando-se para sair.

Porém, ao se deslocar em direção à porta, seus olhos captaram algo familiar na antiga televisão do bar.

Era a transmissão da Sky-God Arena—reprises do início do dia.

E a câmera tinha focado um jovem no campo de batalha, com cabelo preto bagunçado, punhais na mão, olhos frios e focados enquanto a multidão gritava seu nome.

O homem encapuzado ficou sem ar ao olhar para a tela.

Primeiro, deu um passo à frente.

Depois, outro.

"…Leo?"

O nome saiu antes que pudesse se conter, quase um sussurro.

Suas pernas se moveram sozinhas enquanto se aproximava da tela, coração acelerado.

O homem na transmissão—desmantelando adversários com graça aterrorizante e precisão calma—era Leo.

Seu irmão.

Seu irmão mais novo.

Vivo.

Lutando.

Prosperando.

Seus dedos se estenderam lentamente, tocando a borda da tela como se ela pudesse se dissolver ao piscar.

Seu toque ficou no rosto de Leo, que brilhava levemente na luz intermitente da transmissão, enquanto uma montanha-russa de emoções dominava seu peito—luto, alívio, culpa, orgulho—todos entrelaçados como um nó que aguardava meses para ser desfeito.

Ele não via aquele rosto há tanto tempo.

E agora, lá estava… sendo transmitido para o universo inteiro como testemunho.

Porém, justo quando começava a aproveitar o momento—

"Está bem?" a voz suave do bartender orc veio de trás, trazendo-o de volta ao presente.

O homem piscou.

A tela permaneceu.

O próximo adversário de Leo já estava caindo.

Mas o momento passou, enquanto ele se virava, puxando o capuz um pouco mais pra baixo.

"Estou bem," respondeu, com a voz vazia mais uma vez, e sem dizer mais nada, saiu da taverna, nem mesmo olhando para trás.

Não podia ficar.

Era um homem procurado, com recompensas e cães farejadores atrás dele, o que fazia ficar parado muito tempo significar se arriscar a se enfiar em correntes voluntariamente.

Mas, mesmo ao sair na fria luz do crepúsculo, enquanto sumia pelo beco, sombras se agarrando a seus calcanhares, um pequeno sorriso surgiu em seu rosto pela primeira vez em muitas semanas.

Leo estava vivo e prosperando.

E, de alguma forma, só essa certeza fazia o caminho à frente parecer um pouco menos solitário para Luke—porque, no fundo, ele tinha certeza de que Leo viria procurá-lo e aos outros da família em breve.

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