
Capítulo 146
Assassino Atemporal
(Academia Militar de Rodova – Dia de Seleção da Equipe de Circuito)
O dia de seleção do Circuito na Rodova sempre foi uma mistura estranha de esperança e decepção, enquanto cadetes que treinavam há meses—às vezes até a vida inteira—para os circuitos—se reuniam na Grande Arena de Rodova com um único sonho na cabeça: chegar ao Circuito Interestelar!
O Circuito Interestelar era a chance de se destacar sob os holofotes da galáxia, de ser observado por bilhões, de lutar na maior arena e de ter seu nome sussurrado nos halls de recrutamento espalhados pelas estrelas.
E por isso, quase todos os estudantes que ingressavam na Rodova — quase sempre — competiam para tentar entrar nos circuitos, pois era realmente um torneio diferente de todos os outros.
Para os 125 estudantes inscritos na academia este ano, hoje era o dia em que seu sonho de chegar ao circuito poderia se concretizar—ou se apagar silenciosamente, como poeira ao vento, já que Rodova operava sob uma meritocracia rigorosa, onde talento reinava absoluto e força era a moeda única.
Na Rodova, até mesmo os atuais membros da equipe do Circuito—apesar de representarem a academia em todas as partidas de pré-temporada—podem perder suas vagas hoje para outro, se forem derrotados na batalha.
Pois a Rodova oferecia essa última oportunidade para todos, onde quem tivesse força poderia conquistar seu lugar na equipe.
Não importava se você era um calouro.
Não importava se você era um estudante do segundo ano que não foi selecionado para o acampamento de verão ou para a equipe até agora.
Se você conseguisse garantir sua vaga hoje… ainda poderia participar do circuito.
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O salão de visualização fora da arena vibrava com uma energia nervosa. Dezenas de cadetes ficavam lado a lado, com equipamentos bem ajustados, todos os olhos fixos nas telas de classificação, enquanto nomes continuavam a carregar.
"Ouvi dizer que duzentos e trinta e três pessoas se inscreveram para enfrentar o lutador mais fraco da equipe do circuito deste ano," murmurou alguém.
"Quase o dobro do ano passado... Então eu até tenho pena deles—pois terão que lutar entre si antes de enfrentarem o Enzo."
Um calouro apertou os punhos. "Por favor, não me colocam com um do segundo ano…"
"Segundo ano? Cara, se eu acabar na faixa do Leo, vou desistir antes mesmo da campainha tocar."
Uma risada tentou aliviar a tensão, mas logo se dissipou.
Mesmo sem entrar na arena, Leo Skyshard e Su Yang já haviam mudado o torneio só por existirem.
Ambos haviam atingido o status de Grande Mestre—algo nunca visto em calouros—e os rumores de seus duelos de treinamento com instrutores eram lendas nos corredores.
"O Su Yang nem foi classificado ainda, e todo mundo diz que ele é mais forte que a maioria dos estudantes de Genebra."
"O Leo é ainda pior. Eu perdi a visão dele enquanto ele treinava com o Professor Powell uma vez, e de repente… ele desapareceu. Acho que nem usa mais as mesmas métricas que a gente."
De repente, as conversas pararam ao ouvir um som familiar que cortou o burburinho.
Claque. Claque. Claque.
Major Hen entrou com uma prancheta na mão e uma expressão de quem carregava uma arma carregada. Ele não falou imediatamente—apenas olhou a sala como se estivesse esperando o silêncio tomar conta.
"Escutem," finalmente disse, movimentando o pulso, enquanto dez retratos flutuavam na sua frente—cada um representando um dos membros atuais da equipe do Circuito. Cargo. Ano. Estatísticas de combate.
"Vocês já escolheram seus oponentes para hoje.
E antes que reclamem ou resmunguem, aviso que suas escolhas agora estão definidas.
Não haverá novos sorteios, nem pedidos de mudança—" Hen falou, enquanto alguns murmúrios nervosos se espalhavam pela sala.
"Se você for o único desafiante de determinada vaga, parabéns—you luta direto contra o membro da equipe.
Vencer, e a vaga na equipe do Circuito de Rodova é sua."
"Mas se vários cadetes desafiarem o mesmo membro… vocês lutarão entre si primeiro. Num combate de eliminação."
Somente um de vocês terá o direito de finalmente enfrentar o membro da equipe."
Ele fez uma pausa, passando o olhar pela sala.
"Então, quem escolheu propositalmente o oponente mais fraco para derrubar, saiba que podem haver muitos outros com a sua mentalidade, e agora vocês estarão presos em uma longa batalha de eliminação antes mesmo de desafiar o membro da equipe.
E quem desafiar um oponente acima do seu nível… parabéns, vocês têm um encontro marcado com o diabo—." Hen falou, enquanto uma voz do fundo, ouvindo seu discurso, imediatamente resmungou: "Putz, devia ter escolhido alguém mais obscuro... Sabia que o Enzo ia encher o pacote…"
Outro cadete sussurrou, "Por favor… só quero evitar o Leo ou o Yang na minha disputa. Qualquer outro, eu dou conta…"
Não existia aposta segura. Apostar no mais fraco era uma guerra sangrenta sem regra.
Seguir pelo mais forte significava possível derrota—mas com menos passos até lá.
E agora, as escolhas eram definitivas.
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Em um corredor separado, os dez atuais membros da equipe do Circuito aguardavam.
Vestidos. Silenciosos.
Suas armaduras brilhavam sob as luzes do domo—mas não havia orgulho em suas posturas. Apenas tensão.
Pois, para eles, aquilo não era sobre glória.
Era sobre sobrevivência.
Uma luta ruim, uma sorte azarada, e tudo acabava. Um ano de sacrifício, treinos, política e prática—apagados.
'Que besteira,' pensou um deles, cerrando a mandíbula atrás da viseira. 'Participei de cinco partidas preparatórias. Liderei treinos. Fiquei de fora das aulas para treinar para esses circuitos…'
'E agora um calouro consegue me tirar da equipe porque teve um crescimento de sorte?'
Eles odiavam o sistema. Mas não podiam negar—Rodova não ligava pra quem você era ontem. Só importava quem você era hoje.
E, embora odiando admitir, naquele momento a maioria dos membros apenas rezava para não terem que enfrentar Leo ou Su Yang.
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(Domo de Combate de Rodova – Zona de Aquecimento Interna)
Longe da multidão, em um espaço privado de aquecimento, Leo respirou fundo enquanto girava o pescoço, cada movimento preciso e controlado.
Ao seu lado, Mu Shen sentava com as duas lâminas cruzadas no colo, olhos fechados, meditando. Enquanto Su Yang se apoiava na parede, girando o ombro, com a boca numa linha fina.
Eles não falavam.
Não precisavam.
Leo não se preocupou em verificar os brackets. Já sabia quem iria enfrentar. Seus punhos se cerraram suavemente enquanto a mana pulsava sob a pele.
'Está na hora de me redimir.'
A energia vibrava dentro dele—mais forte, mais densa, mais limpa do que jamais fora.
'Hoje, vou trocar golpes com ele… Sem truques. Sem técnicas. Só força bruta.'
Um sorriso discreto apareceu em seus lábios enquanto seus olhos brilhavam.
Pela primeira vez em meses, ele ansiava por uma luta.
Su Yang, por sua vez, não pensava nos circuitos. Nem na equipe. Nem mesmo no torneio.
Ele pensava nela.
Minerva.
A única oponente que o havia derrotado. Publicamente. Brutalmente.
Hoje não era sobre provar nada para a academia. Era sobre provar algo para si mesmo.
Todo mundo tinha dito para ele não tentar. Que enfrentá-la era uma loucura. Que se lutasse contra qualquer outra, ganharia fácil.
Mas Yang não buscava uma vitória fácil.
Ele buscava redenção.
Mesmo que suas ações arriscassem prejudicar a maior equipe do circuito da Rodova—mesmo que isso significasse que apenas três Grandes Mestres conseguissem passar, em vez de quatro—ele não se importava.
Não era sobre a academia. Não era sobre estratégia.
Era algo pessoal.
E, seja vencendo ou perdendo, Su Yang não tinha intenção de sair daquele arena sem a resposta que buscava.