Assassino Atemporal

Capítulo 126

Assassino Atemporal

Academia Militar Rodova – Refeitório da Escola, Um Dia Antes da Prova de Meio Semestre

O refeitório estava incomumente silencioso, mas não pela falta de pessoas.

Cada mesa estava cheia. Cada cadeira ocupada.

E ainda assim, apesar do espaço lotado, o habitual barulho animado e as risadas inconsequentes tinham desaparecido.

Em vez disso, o que restava era um silêncio opressivo e sufocante—pontuado somente pelo ocasional gemido de desespero ou pelo garatujar frenético de anotações de última hora.

Todo o refeitório parecia uma funerária.

E por uma boa razão.

Amanhã seria a prova de meio de semestre do Professor David.

E ninguém estava preparado para ela.

"Quarenta e nove pontos de oitenta," murmurou alguém na mesa ao lado, com a voz vazia de incredulidade. "Quarenta. Sem marcação parcial. Como diabos isso é justo?"

"Não é," respondeu outra voz rapidamente. "Ele só é um idiota mesquinho. A gente sabe disso."

"Ouvi dizer que o David riu enquanto preparava a prova," sussurrou uma garota, horrorizada. "De verdade—uma risada de vilão."

"Quer dizer como essa?" perguntou outro estudante, emitindo uma risada baixa e maníaca, só para levar uma colher na cara instantaneamente.

"Leia as anotações, ao invés de fazer piada, seu idiota! Estamos morrendo aqui!" reclamou alguém do outro lado do salão, claramente pouco se importando com a confusão.

Em outra mesa, um rapaz sentado curvado sobre seu caderno, murmurava equações como uma oração.

Em outra ainda, uma garota tinha a cabeça enterrada nos braços, gemendo: "Deveria ter me matriculado na Academia Militar Clarence. Por que escolhi o Rodova? Por quê?!"

O ambiente inteiro cheirava a estresse, desespero e abuso de poções de resistência.

E então, do centro de tudo—

ESTALADO!

Um estrondo forte reverberou pelo refeitório enquanto Su Yang fechou seu livro-texto com tanta força que até Leo se assustou momentaneamente.

"Por que estou até tentando?!" exclamou Su Yang, com a voz carregada de puro desespero, quase sem filtro.

Seus olhos, vermelhos pelo estresse, focaram rapidamente em Leo.

"Não há esperança para nós, Skyshard," declarou. "Nenhum futuro. Nenhuma luz no fim desse túnel infernal."

Leo levantou uma sobrancelha, mastigando seu alimento rapidamente.

"...Então você está dizendo que vai reprovar?" interveio Mu Shen nesse momento, ao ver Su Yang virando-se para ele.

"Já reprovei!" retrucou Su Yang, apontando um dedo para o peito.

"Você não entende, Shen? Somos homens mortos andando. Eu e Skyshard... Mesmo que acertemos as respostas, o David vai marcar tudo como errado—nosso fracasso está garantido," declarou Su Yang, enquanto Leo solta um pequeño som de diversão.

"Ousadia sua achar que eu também vou reprovar," rebateu Leo, enquanto Su Yang resmungava tão forte que quase soava insulto.

"Ah, por favor," ele agitava a mão de forma displicente. "Vamos nos enganar menos. Você, meu irmão, vai acabar indo junto comigo."

Leo sorriu de lado, balançando a cabeça levemente.

"Eu te levo comigo no próximo ano também," acrescentou Su Yang de forma sombria, inclinando-se para frente, com a voz quase conspiratória agora.

"Se a gente fail novamente, eu digo que a gente queima essa porra de academia até o chão." propôs Su Yang, enquanto Leo quase engasgava com a comida, não de pavor, mas de rir.

*Risada maligna–*

"Não, não, escuta aqui," sussurrou Su Yang dramaticamente.

"Nem seria tão difícil assim. Começamos pequeno. Uma pequena explosão na biblioteca. Um incêndio leve no prédio da administração. E então, quando o caos atingir o auge, a gente sai sorrateiramente—libertos mais uma vez." propôs Su Yang, parecendo mais ter planejado aquilo do que estudado para a prova.

"Claro–" disse Leo, já fuxicando os olhos, embora concordasse superficialmente com Su Yang, internamente a cabeça estivesse em outro lugar completamente diferente.


Academia Militar Rodova – Quarto de Leo, à noite

Mais tarde naquela noite, Leo sentou-se de pernas cruzadas no chão, respirando devagar e de forma constante enquanto meditava.

Porém, pela primeira vez—não estava focado na meditação em si, mas sim em trapacear.

O formato da prova do David era brutal. O sistema de avaliação rígido tornava quase impossível passar. Mas se havia uma coisa que Leo aprendeu nesse mundo, era que sempre existe uma brecha.

E Leo tinha encontrado uma.

Jim Choo.

O aluno mais inteligente da turma, que aparentemente era querido por David.

Choo vinha de uma origem humilde e conseguiu uma bolsa de estudos para chegar a Rodova.

Infelizmente, ele tinha apenas talento de nível 'Grandmaster' (Grande Mestre), com um futuro pouco promissor.

Era sabido que Choo era bom nos estudos, e que se esforçava ao máximo para agradar David, razão pela qual Leo acreditava que, se alguém fosse passar nesse pesadelo de prova, era ele.

E com [Visão Absoluta] quase na perfeição, Leo poderia acompanhar cada movimento do lápis de Jim em tempo real.

Nem precisaria ver as respostas diretamente.

Bastava imitar a maneira como a mão de Jim se movia, e copiar todas as respostas, sem olhar para o seu próprio caderno, e ninguém perceberia!

Era uma solução que veio a ele em um momento de inspiração durante a aula de hoje.

Assim como o fato de o David finalmente ter permitido que Leo sentasse na sala, Leo percebeu que podia copiar perfeitamente as anotações do Jim Choo usando [Visão Absoluta].

Isso era uma benção, pois ele era o único na turma em posição única para usar suas habilidades assim. Apesar de toda a turma ter aprendido habilidades de percepção, somente ele e Su Yang possuíam [Visão Absoluta] avançada o suficiente para rastrear com precisão os traços do lápis em tempo real.

O fator-chave para fazer isso funcionar era a velocidade do ciclo de [Visão Absoluta], que era levemente abaixo de 0,2 segundos—rápido o suficiente para acompanhar movimentos em tempo real.

Se estivesse no nível (Básico) e levasse mais de um segundo para completar o ciclo, Leo não conseguiria acompanhar a escrita, perdendo pontos nas conexões entre as letras, sem conseguir uma trilha completa.

Enquanto técnicas de visão de nível inferior simplesmente não funcionariam, pois:

[Visão Periférica] → Apenas detectava movimento e não podia fazer rastreamento preciso.

[Visão Completa] → Não capturava os movimentos finos da mão necessários para cópia exata.

Somente [Visão Absoluta] tinha a precisão necessária.

Porém, mesmo com essa vantagem—Leo não era idiota.

Se ele copiasse palavra por palavra, David o descobrira imediatamente ao verificar sua folha. Então—Leo sabia que precisava ser inteligente.

Seu plano:

  1. Respondesse o que realmente soubesse por conta própria.
  2. Usasse [Visão Absoluta] apenas para as perguntas mais difíceis, acompanhando os movimentos do Jim.
  3. Sutilmente, alterasse as respostas para evitar suspeitas.

Era arriscado, com certeza.

Mas também era arriscado falhar.

E Leo não tinha intenção de reprovar se pudesse passar.


Academia Militar Rodova – Sala de Exame, manhã seguinte

A atmosfera na sala de exames na manhã seguinte era de pura opressão.

Os alunos se moviam inquietos, com rostos pálidos, sem dormir bem, parecendo mortos por dentro.

Alguns apertavam as anotações como se fossem uma tábua de salvação, folheando-as enquanto caminhavam.

Outros simplesmente ficavam sentados em suas mesas, encarando a frente como prisioneiros à espera de execução.

Su Yang jogou-se na cadeira ao lado de Leo.

"Leo," sussurrou com seriedade.

"Pois não?"

"Aceitei meu destino."

Leo inclinou a cabeça. "...Que bom para você. Dizem que aceitação é o primeiro passo para seguir em frente."

"Sim," assentiu Su Yang solenemente.

"Decidi imbuir em mim as virtudes de um monge." Disse, enquanto Leo revirava os olhos.

Então—

As portas se fecharam com força.

E uma presença familiar entrou.

Professor David.

Com expressão calma. Passos lentos.

E ainda assim—só sua presença fazia toda a sala apertar de medo.

Ao caminhar até a frente do auditório, bateu as provas na mesa com um estrondo alto, antes de escanear o ambiente como um predador à caça de sua presa.

Depois, pause, sorriu.

"Vamos começar?"

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