Assassino Atemporal

Capítulo 127

Assassino Atemporal

(Academia Militar Rodova – Sala de Exames, Início do Exame de Meio de Período)

No momento em que David pronunciou aquelas palavras temidas — "Podemos começar?" — uma tensão sufocante tomou conta da sala de provas, como uma névoa densa.

Os estudantes estavam curvados sobre suas mesas, segurando suas canetas com as mãos brancas e firmes, como se estivessem se preparando para uma batalha.

O som do papéis sendo distribuídos foi o único ruído que quebrou o silêncio opressivo, seguido pelo virar lento e hesitante das páginas e pelos risquinhos agudos das canetas, que tentavam desesperadamente conquistar o impossível.

Então — ouviu-se o primeiro suspiro de desespero. Sons suaves, quase contidos, de estudantes que já haviam virado a primeira página e sabiam que estavam fadados.

E foi nesse momento que Leo finalmente recebeu seu caderno de provas e o virou.

Seus olhos percorriam as perguntas, procurando por tópicos familiares.

E, como ele esperava — David não estava poupando esforços nesta prova.

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Pergunta 1: Explique os princípios fundamentais por trás da convergência e dispersão de mana durante conjurações de alta densidade. (7 pontos)

Pergunta 2: Em quais situações a magia de moldar metal se torna menos eficiente, e como um mago pode compensar essas limitações? (4 pontos)

Pergunta 3: Calcule o consumo de mana necessário para sustentar uma barreira defensiva de nível médio por 3 minutos, considerando que a capacidade máxima de mana do conjurador é de 2200 unidades e seu núcleo opera a 62% de eficiência. (3 pontos)

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Leo quase clicou a língua de irritação ao ler a prova.

David não estava brincando. Essas não eram perguntas apenas teóricas — eram feitas de modo a serem verdadeiros pesadelos.

Mesmo que alguém conhecesse os conceitos, ainda precisaria executá-los à perfeição para ganhar algum ponto, o que tornava essa prova muito difícil de passar, especialmente para estudantes como ele, que quase não assistiam às aulas e tinham que recorrer a livros externos para complementar seus conhecimentos sobre o assunto.

No entanto, apesar da aparência assustadora da prova, Leo identificou pelo menos 3 questões que tinha certeza de poder responder por conta própria, somando 13 pontos, e começou por elas—

Mas, quinze minutos depois, ao chegar às perguntas realmente brutais — aquelas onde um erro só já zerava a questão, e ele não tinha total confiança em suas respostas — ele não hesitou.

Sem vacilar, ativou [Visão Absoluta], mudando de forma perfeita para sua percepção aprimorada.

E então, o verdadeiro jogo começou.

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Jim Choo estava duas filas à frente, já escrevendo furiosamente, completamente empolgado com a própria concentração.

Leo não precisava ver a prova dele.

Ele só precisava das mãos.

Com [Visão Absoluta] ativada a cada 0,2 segundos, Leo acompanhava com facilidade os movimentos do lápis de Jim, espelhando cada traço com detalhes minuciosos.

Sua caneta deslizando sobre o papel em sincronia — um eco do trabalho de Jim, mas com pequenas modificações feitas por Leo na hora, para não ser detectado.

E durante a primeira meia hora?

Estava tudo indo perfeitamente bem.

Então —

David se mexeu.

Leo sentiu antes mesmo de vê-lo.

Uma mudança sutil no ar. O som silencioso dos passos suaves sobre o piso polido.

Será que David achava suspeito que ele estivesse escrevendo sem parar?

No entanto, Leo não olhou para ele… Em vez disso, confiou na [Visão Absoluta] para monitorar seus movimentos, enquanto sentia toda a sala ficar ainda mais opressiva, como se tivesse encolhido literalmente.

Enquanto David passava ao lado dos estudantes, eles se erguiam visivelmente tensos, com as mãos tremendo um pouco, evitando olhar para a figura imponente do professor.

Leo, por sua vez, não parou de escrever.

Não pausou. Não hesitou.

Porque o segredo para colar não era apenas ser inteligente — era agir como se você não estivesse colando.

Mantinha o corpo relaxado. A respiração controlada. O olhar fixo na prova, sem nunca vacilar para Jim Choo ou qualquer outro.

E, no entanto—

David parou exatamente ao lado dele, espiando profundamente sua folha, na tentativa de aplicar uma pressão psicológica extra sobre Leo.

Ele procurava por qualquer dica, qualquer material que Leo pudesse estar usando para colar.

Porém, apesar de o professor estar ao seu lado, Leo continuou escrevendo, enquanto os minutos passavam.

Inicialmente, Leo achou que David iria se mover após ficar ao seu lado por alguns minutos. Contudo, David, sempre o supervisor sádico, permaneceu ali por tempo demais — mais do que com qualquer outro — lendo cada resposta que Leo escrevia, cada traço de caneta que fazia.

Os olhos de David alternavam entre a caligrafia de Leo e seu rosto, claramente procurando por alguma pista. Uma dica. Uma rachadura. Qualquer sinal de culpa.

No entanto, Leo não deu sinal algum de nervosismo.

"Você pode ficar aí o dia todo, velhote, que não vou vacilar," pensou Leo, enquanto sua mão permanecia firme e seus movimentos controlados.

"Vejo que você está confiante, Skyshard… Está escrevendo pra caramba pra alguém que não assistiu muitas aulas," comentou David, tentando quebrar o ritmo de Leo, mas sem sucesso.

Com [Indiferença do Monarca] ativo, a concentração de Leo era absoluta.

Ele não se deixou tomar pelo pânico, nem sua postura se quebrou; sem perder o ritmo, respondeu a David como se suas palavras não tivessem impacto algum.

"Não é um assunto complicado, na verdade… Entendi tudo o que precisava pelas livrarias do colégio—"

"Acho que, no final das contas, nem precisei assistir às suas aulas," concluiu Leo, com voz arrogante, deixando a expressão de David azeda.

Naturalmente, David não gostou da resposta de Leo, mas, por ora, não podia fazer nada. Depois de uma eternidade, soltou um suspiro e foi embora.

Fazendo os lábios de Leo se curvar na menor das sorrisos.

"Xeque-mate, seu safado," pensou Leo, enquanto continuava a escrever na velocidade máxima.

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Durante a hora seguinte, a prova se estendeu.

Minutos se fundiram enquanto Leo continuava sua execução impecável, equilibrando cuidadosamente respostas reais com cópias disfarçadas.

Ele parafraseava o suficiente, mudava a estrutura por pouquinho, nunca permitindo que uma reprodução exata do trabalho de Jim Choo surgisse na sua prova.

Quando foram anunciados os últimos cinco minutos, Leo já tinha terminado suas respostas, revisando sua folha mais uma vez.

Por ora — tudo parecia perfeito.

Sem padrões suspeitos. Sem plágio palavra por palavra duvidoso.

Sem erros óbvios. Parecia que tinha copiado de forma cuidadosa.

E foi nesse momento que David chegou à frente da turma, olhando para o relógio.

"Fim de prazo para todas as canetas." anunciou, enquanto uma mistura de alívio e apreensão percorreu a sala.

Alguns estudantes estavam visivelmente felizes por terminar, enquanto outros estavam desapontados por terem falhado.

Leo, do primeiro grupo, recostou-se com um sorriso, alongando os dedos.

Já Su Yang, do segundo grupo, segurou a cabeça com desânimo enquanto David pegava sua prova, arrancando-a de debaixo do braço.

"Você nem escreveu metade da folha, Yang… O que aconteceu? Não estudou o suficiente?" zombou David enquanto caminhava, chegando à mesa de Leo, cujo papel foi recolhido sem comentários maldosos.

Porém, por um breve momento, ao recolher a prova de Leo, David parou para observar sua folha de respostas.

E, naquele instante, Leo sentiu com certeza.

A suspeita não dita.

Um desafio silencioso.

Mas Leo apenas sorriu para si, sabendo que não havia como ser pego.

"Boa tentativa, professor. Mas boa sorte para provar que eu colei," pensou Leo, enquanto, por mais que David duvidasse dele, ele não seria pego hoje.

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