
Capítulo 128
Assassino Atemporal
(Academia Militar de Rodova – Sala dos Professores da Faculdade, Cabana do Professor David)
A sala dos professores estava assustadoramente silenciosa, salvo pelo som ocasional de penas riscando pergaminhos e o baixo zumbido das lâmpadas encantadas acima.
Na hora avançada, a maioria dos outros professores já tinha terminado a preparação de suas aulas ou simplesmente abandonado o esforço, deixando o trabalho para outro dia.
Mas e o Professor David?
Ele prosperava em momentos como aquele.
Havia algo catártico em corrigir provas, em segurar o futuro de seus alunos nas mãos, em decidir quem passaria e quem sofreria, que lhe trazia uma satisfação sadística.
Era sua própria versão do dia do juízo.
E ele gostava disso.
Por isso, mesmo com o relógio se aproximando da meia-noite, ele continuava corrigindo as provas, saboreando cada marca que retirava dos papéis dos estudantes de grande linhagem privilegiada.
*SCRATCH*
Com um movimento treinado, ele abriu de uma vez a próxima prova — uma tentativa miserável de um estudante da família Du passar na prova de meio de semestre.
48 pontos.
Os lábios de David se curvaram em uma sobrancelha de desprezo enquanto ele chegava à última questão.
Se estivesse sendo misericordioso, poderia achar uma forma de conceder três pontos extras pelo esforço — talvez na Questão 3, onde a resposta do aluno, embora tecnicamente incorreta, pelo menos mostrava o raciocínio correto.
Porém…
David não estava se sentindo misericordioso hoje, pelo menos não com os estudantes de família grande.
'Fracassar forma caráter—'
Pensou, enquanto com um único traço de tinta vermelha marcava a prova com um cruel 48/80, antes de escrever um comentário curto e impassível:
"Quase conseguiu. Esforce-se mais na próxima."
E com isso, jogou o papel na pilha de alunos que reprovavam, com uma satisfação absoluta estampada no rosto.
"Vamos para a próxima!" Ele declarou, enquanto puxava a próxima prova do monte, que por acaso era de Su Yang.
"Ah? É meu aniversário adiantado—" disse David, lendo o nome na prova, enquanto seu sorriso irônico se ampliava até formar um sorriso genuíno ao abrir o papel.
"Ah? Isso está errado... Está errado... Ridiculamente errado... É um poema..." disse David em voz alta, enquanto preenchia a prova de Su Yang com marcas vermelhas e comentários sarcásticos.
Ele já esperava que fosse divertido, baseado na reação de Su Yang ao escrever a folha de respostas, mas não imaginava que seria TÃO divertido.
Pontuação final - 9/80.
Por um momento, David apenas encarou a prova, antes de soltar uma risada lenta e deliberada.
Su Yang tinha sido tão catastrophicamente ruim que quase o divertia.
As respostas estavam horrivelmente erradas, cheias de contradições, palpites aleatórios e, em um ponto — o que parecia uma tentativa de poesia ao invés de uma explicação de circulação de mana.
"Ah, com certeza vou levar essa prova para a aula amanhã... Para mostrar ao mundo que o gênio da batalha, Su Yang, é na verdade um idiota nos estudos!"
O que ele disse no primeiro dia? Cuidado com sua vida fora das paredes desta academia?
Saber seu lugar?
Bem, vou fazer com que a reputação dele como um estudante burro em disciplinas teóricas vire tópico mais comentado do que suas habilidades de combate nas rodas sociais," disse David, jogando a prova de Su Yang numa pilha especial, reservada exclusivamente para humilhar estudantes.
Ele já conseguia imaginar:
Na aula de amanhã, quando ele dissesse—
"Aula, vejam! A pior tentativa de prova que já corrigi! Senhores e senhoras, Su Yang conseguiu o impossível—ele é o primeiro estudante na história de Rodova a não atingir dígitos sequer no exame intermediário!"
Em uma verdadeira aula épica de desprezo.
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David continuou sua blitz implacável de correção, distribuindo reprovações como um deus da desgraça generoso, enquanto sua tinta vermelha cortava as respostas sem misericórdia.
Um 12/80 aqui, um 23/80 ali, um 42/80 para um aluno pobre, que chegou tão perto de passar, mas ainda assim ficou tão longe, enquanto a pilha de reprovações só crescia.
E então—ele chegou ao próximo.
A prova de Leo Skyshard.
Ao pegar aquela folha, seu sorriso se desfez instantaneamente, ao ler o nome, seu humor azedou.
*Crinkle*
David apertou o papel com força, como se fosse uma ofensa pessoal, como se, dependendo dele, iria rasgá-lo sem checar uma única resposta, mas sabia que isso lhe traria sérios problemas, então controlou-se.
"Skyshard está respondendo corretamente pelo que pude ver — no tempo que olhei…" murmurou David, ao abrir a prova com uma feição claramente preocupada.
"Espero que ele fracasse tão miseravelmente quanto Su Yang—" rezou.
Porém, ao ler as primeiras respostas, sua expressão apenas escureceu mais.
Correto.
A primeira resposta era impecável, frustrando David, ao passar a página e percorrer as respostas bem escritas.
Correto.
Próximo.
Correto.
De novo.
Correto.
As sobrancelhas de David se ergueram profundamente enquanto página após página, resposta após resposta, a prova de Leo voltava com zero erro, fazendo seu humor despencar a cada pontuação confirmada.
Não fazia sentido lógico para ele. Parecia simplesmente impossível.
Sabia que Leo não tinha assistido à maioria das aulas dele, mas algumas das frases exatas nas explicações — a formulação precisa que ele usou na aula — de alguma forma, estavam na prova de Leo.
Não eram de livros. Não eram de conhecimento geral.
Eram de suas próprias aulas.
O que significava—
Leo não só sabia o conteúdo, como sabia exatamente como David queria que fosse respondido.
E isso, com certeza, não podia ser coincidência.
Era uma prova de que Leo Skyshard havia colado.
"É impossível que ele tenha obtido anotações detalhadas das aulas de alguém… E mesmo que tivesse, é impossível memorizá-las com tanta precisão—" pensou David, folheando as páginas com crescente irritação, enquanto a frustração fervia dentro dele.
Sabia que Leo tinha colado.
Simplesmente não podia provar.
E isso o enfurecia.
Por um instante breve, a tentação entrou em sua mente—
'Posso reprová-lo de qualquer jeito—'
'Basta marcar algumas respostas erradas. Quem vai me impedir?'
Mas então—ele sabia exatamente quem o impediria.
Órgão de Ética.
Se Leo recorresse da nota e o acusasse de injustiça, a academia teria que revisar a teste de forma imparcial, e se descobrissem que David deliberadamente reprovou um aluno que respondeu tudo corretamente—
Sua reputação, seu cargo, sua carreira—
Tudo se desmoronaria em um instante, e David não podia correr esse risco.
*Gritar*
Com os dentes cerrados, ele forçou-se a continuar corrigindo com precisão, seu humor piorando a cada resposta certa que era obrigado a reconhecer, a cada ponto que tinha que marcar.
E finalmente—
61/80.
Leo conseguiu uma nota de aprovação.
Uma nota alta de aprovação.
E só de escrever isso na folha, David se sentiu enjoado, incapaz de aceitar a ideia de passar um student que nem tinha assistido a 20% de suas aulas.
Não era justo. Não era correto.
Leo com certeza tinha colado.
Mas, até que pudesse provar isso ao conselho de ética, não tinha importância.
*Crack*
David apertou a caneta com força, enquanto seu olhar queimava buracos na prova, pensamentos acelerados, sangue fervendo, sua mente clamando por uma resposta que se recusava a aparecer.
"Malditos desonestos… Eu sei que você colou de alguma forma…"
"Só não consigo descobrir como."
Seus dedos cerraram-se tanto em volta da caneta que ela quebrou ao meio, mas, apesar de toda frustração, não tinha algo concreto que ligasse Leo a uma traição por ora.
No entanto, David se recusava a deixar o assunto passar, e internamente começou a pensar em todas as possíveis formas de Leo ter colado, determinado a descobrir sua fraude.