
Capítulo 125
Assassino Atemporal
"Cobras Negras…" Leo murmurou após acordar, o nome grudado aos seus pensamentos como uma sombra que não vai embora.
"Não é aquela organização na qual eu devo entrar depois de me formar em Rodova?" ele sussurrou, segurando a cabeça enquanto tentava manter a respiração sob controle.
Seu coração ainda batia forte no peito, os resquícios do pesadelo horrível se recusavam a desaparecer.
No entanto, com a [Indiferença do Monarca] funcionando a todo vapor, logo ele recuperou o controle, começando a destrinchar seu sonho, tentando extrair de tudo aquilo o que fosse valioso.
"Noah enfrentou aqueles oponentes de nível Transcendente—" Leo lembrou, enquanto sua mente reproduzia as sequências de luta que ele acabara de observar.
"No mesmo nível, Noah era indiscutivelmente mais rápido, mais forte e mais afiado do que seus adversários, tornando impossível derrubá-lo, a não ser que centenas de pessoas se juntassem para derrotá-lo—" Leo analisou, de repente percebendo o quão forte Noah realmente era.
Porém, por mais forte que fosse dentro de seu próprio nível… a diferença entre reinos era uma barreira intransponível, até mesmo para ele.
Contra um Monarca, ele tinha sido reduzido a nada mais do que uma criança lutando para acertar um golpe sequer.
Como aquele homem frio e implacável do Núcleo das Cobra Negra não só o derrotara—ele o desmontara, peça por peça.
Leo respirou fundo, a memória ardia em sua mente.
Era um fato conhecido neste mundo que lutar contra um oponente um nível acima do seu era quase suicídio.
No entanto, Leo sempre achou que isso era mais um conselho de prudência—uma sabedoria geral, e não uma regra inquebrável.
Porém, ele estava errado.
Completamente errado.
Porque se um homem tão monstruosamente talentoso quanto Noah não conseguia sequer arranhar um adversário um nível acima…
Então, não era apenas difícil.
Era realmente impossível.
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Após sua experiência de sono fantasma, Leo ficou ainda mais cauteloso com todos e tudo ao seu redor, inclusive Muiyan Faye, pois não gostava da ideia de precisar se juntar a uma organização que provavelmente tinha envolvimento com o assassinato de sua linhagem.
Aquele sonho reforçou seu desejo de manter algumas coisas escondidas de Faye, caso um dia ela o traísse, pois Leo deixou de se sentir completamente à vontade perto dela.
Em vez disso, ele se sentia ainda mais motivado a crescer e alcançar níveis de força superiores, pois, no final, sua única força que nunca o trairia seria a que ele mesmo cultivasse.
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(Próximo dia, Academia Militar Rodova, Aula do Professor David)
Leo foi pego de surpresa quando, ao invés de ser expulso sumariamente da aula de David, como esperava, foi permitido ficar.
Ainda mais surpreendente, Su Yang também foi autorizado a participar.
Era uma anomalia— já que David nunca permitira que eles assistissem às suas aulas.
E, no entanto, hoje, numa virada inesperada, parecia estar numa disposição estranhamente boa.
Um sorriso lento e deliberado surgiu nos lábios do professor enquanto ele se dirigia ao centro do auditório, com as mãos atrás das costas.
A sala estava tensa.
Ninguém se atrevia a mexer um músculo. Ninguém murmurava. Nem mesmo respirava alto demais.
Porque cada estudante nesta sala tinha passado por uma das famosas crises de ira de David antes.
E ninguém—absolutamente ninguém—queria ser o responsável por acioná-la hoje.
Hoje era a última aula antes das avaliações do meio do semestre, e David fez o impensável—convidou Su Yang e Leo para assistir à sessão.
Não por generosidade.
Nem porque de repente se tornou justo.
Mas porque queria observar.
Para ver o momento exato em que o desespero entrasse nos olhos deles.
Para testemunhar a compreensão de quão realmente estavam condenados.
O olhar dele varreu o salão, permanecendo tempo suficiente em cada estudante para que sentissem o peso de sua presença.
Depois, com uma voz tão lisa quanto aço polido, começou.
"A prova de meio de semestre de Fundamentos de Teoria da Magia será uma avaliação escrita valendo 80 pontos," anunciou, sem empatia, mas com uma diversão inegável na voz.
No começo, os alunos permaneceram em silêncio. Então, alguns murmúrios começaram a se espalhar pela sala—até que David levantou um dedo, silenciando tudo instantaneamente.
"Deixa eu explicar pra vocês."
Ele virou-se para o quadro e, com um movimento de pulso, um roteiro brilhante apareceu no ar.
5 perguntas valendo 7 pontos cada.
6 perguntas valendo 4 pontos cada.
7 perguntas valendo 3 pontos cada.
Alguns estudantes franziram o cenho ao ver a distribuição. Alguns tentaram rapidamente fazer as contas na cabeça, enquanto outros aguardavam a pegadinha que certamente viria.
David riu-se, um som seco e condescendente. "Se você está se perguntando por que não há perguntas valendo 1, 2 ou 5 pontos—deixe-me explicar."
Ele virou-se de volta para a turma, seu sorriso se alargando.
"Veja bem, não acredito em 'correção parcial.' Ou você sabe a resposta, ou não sabe. Ou é competente, ou não é." Sua voz gotejava de diversão. "Portanto, meu sistema de avaliação será absoluto."
Uma onda de pavor percorreu os estudantes.
"Se sua resposta estiver totalmente correta, você ganha a pontuação integral da questão," continuou David, fazendo uma pausa dramática. "Se sua resposta estiver parcialmente correta—ou, Deus me livre, incorreta—você não leva nada."
Silêncio absoluto.
Então, um gemido vindo de algum lugar no fundo.
O sorriso de David se intensificou. "Sim, sim. Eu sei. É uma tragédia, realmente. Mas essa é a realidade. Não há troféus de participação na minha sala. Nenhum dinheiro do papai consegue comprar notas de avanço, mas você pode tentar—"
Alguns estudantes cerraram os punhos, outros olhavam para suas anotações, como se estudar de última hora fosse salvá-los desta matança acadêmica.
Leo, assistindo do lado, trocou um olhar com Su Yang, que simplesmente segurou a cabeça, desesperado.
Su Yang já tinha perdido toda esperança neste momento, mas, como se o sistema de avaliação já não fosse ruim o suficiente, as coisas pioraram ainda mais, pois David não havia acabado.
"Para passar," continuou David, "é preciso alcançar pelo menos 50 pontos. Abaixo disso, você reprova o exame do meio do semestre—perdendo uma parte considerável da sua nota final."
Um murmúrio de pânico baixou na turma, mas David apenas entrelaçou as mãos atrás das costas, claramente gostando da tensão no ar.
"Agora," disse ele, inclinando-se um pouco à frente, com uma voz quase conspiratória, "não espero que todos vocês passem. De fato—" seu sorriso se alargou, "—ficaria chocado se pelo menos a metade conseguir."
Ele fixou o olhar especificamente em Leo, enquanto uma onda de ressentimento passava pelos estudantes, mas ninguém teve coragem de contesta-lo.
Porque eles sabiam.
Eles sabiam que David não estava apenas falando besteira.
Que ele levava a sério cada palavra que dizia.
E que, quando as provas finalmente chegassem à sua mesa—ele iria aproveitar cada fracasso, pois era exatamente um desses sádicos.
"Vocês terão duas horas para fazer a prova amanhã, e cada minuto extra será descontado na pontuação."
"Então, dêem o seu melhor—" disse, rindo de forma diabólica, antes de virar-se para escrever o tema da aula no quadro.
"Dobrando Metal com Magia"
Ele escreveu, e como se sua aula até então não fosse deprimentemente suficiente, reforçou dizendo, "Aliás, essa aula também conta para o exame do meio do semestre de amanhã… Pode aparecer uma questão de sete pontos aqui—"
Para deixar a turma ainda mais desanimada.