
Capítulo 106
Assassino Atemporal
(Academia Militar Rodova, Os Fundamentos da Aula de Assassinato)
Três semanas após o início na academia, a aula que Leo mais gostava até então era a palestra do Professor Severus sobre assassinatos e preparação de venenos.
Ao contrário de outras disciplinas, onde o conhecimento frequentemente era vago, teórico ou carregado por histórias desnecessárias, as lições de Severus eram diretas, práticas e absolutamente letais.
O homem não ensinava apenas sobre venenos—ele vivia e respirava eles, falando de substâncias mortais com a mesma paixão com que um artista fala de suas obras-primas.
E hoje não era diferente.
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Severus entrou na sala de aula com sua energia imprevisível habitual, seus robes escuros esvoaçando atrás dele enquanto seus olhos brilhavam com uma excitação doentia.
Em sua mão acorrentada, ele segurava uma pequena ampola de vidro, o líquido lá dentro girando com uma tonalidade iridescente e doentia—uma cor que parecia oscilar entre um verde profundo e um preto total a cada lance de luz.
"Aula—" começou, sua voz carregando aquela alegria familiar e perturbadora que deixava os alunos nervosos.
"Hoje… apresento a vocês um dos venenos mais evasivos, mais destrutivos e mais CAROS do universo conhecido."
Ele levantou a ampola, inclinando-a levemente para que a luz refletisse seu conteúdo cintilante.
"Este—" disse, com um sorriso, "é o veneno do Sapo do Pântano Antigo."
Uma onda de apreensão passou pela turma.
Alguns alunos claramente já tinha ouvido falar dele antes, e suas expressões mudaram de curiosidade para profundo desconforto.
Leo, contudo, simplesmente estreitou os olhos, intrigado, enquanto Severus ria, claramente saboreando o efeito de suas palavras.
"Agora, sei o que alguns de vocês podem estar pensando—" continuou, caminhando lentamente na direção da turma. "O que há de tão assustador em um sapo?"
De repente, virou-se de calcanhar, jogando a ampola na mesa com força, fazendo alguns alunos saltarem.
"Ah, ingênuos pequenos, " zombou playful, "O Sapo do Pântano Antigo não é um sapo comum. É uma criatura que até dragões temem. Foi classificado como a besta mais indomável por três anos consecutivos pela Associação dos Domadores de Bichos, pois, ao atingir a maturidade, pode alcançar a força de um Guerreiro de Nível Transcendente."
Severus fez uma pausa, deixando a informação assimilar, antes de prosseguir.
"E a razão?" ele perguntou, com um sorriso que se alargou.
"Porque o Sapo do Pântano Antigo é a única espécie que evoluiu para matar dragões por esporte."
Deixou essas palavras pairarem no ar, satisfeito ao observar os estudantes ficarem tensos.
"Eles são instáveis mentalmente, imprevisíveis e extremamente violentos. Seu veneno é tão poderoso que pode derreter rochas, e mesmo diluído a uma concentração de 1/1000, uma única gota é suficiente para matar um Guerreiro de Nível Grande-Mestre em menos de dez minutos."
Ele girou a ampola entre os dedos.
"O veneno do Sapo do Pântano Antigo não mata pela toxicidade física como a maioria dos venenos. Não, não, não. Esse veneno ataca as vias de mana—cortando-as, rompendo-as de dentro para fora—antes de gerar um calor insuportável dentro do corpo, fazendo que todos os órgãos internos falhem um após o outro."
Severus inclinou-se para frente, sua voz ficando mais baixa.
"Um dragão adulto, de alçada superior? Se cuspir nele um veneno do Sapo do Pântano Antigo?"
Ele sorriu de forma maldosa.
"Morto em menos de dez minutos."
Um silêncio mortal tomou conta da sala.
Alguns estudantes engoliram duro, suas faces ficando pálidas enquanto Severus soltava uma risada satisfeita.
"Ah, adoro essa expressão de medo. É realmente linda, não é?" refletiu antes de acenar com a mão de luva, como quem despede.
"Claro, conseguir esse veneno é quase impossível. Na verdade, é mais fácil conseguir uma escama de dragão do que uma única gota deste veneno."
Ele tocou suavemente a ampola.
"Esse—essa pequena quantidade aqui? Custa mais do que um navio de guerra de alta tecnologia, militar e totalmente aprimorado."
Gritos de espanto ecoaram pela sala.
"Por isso, devemos agradecer à Academia Militar Rodova por nos dar essa oportunidade única na vida de aprender a neutralizar esse veneno hoje."
Severus declarou, enquanto o choque e sussurros se espalhavam entre os estudantes.
Então—
Com um gesto de pulso, apontou para a frente da sala, onde uma fila de microscópios e kits de alquimia estavam cuidadosamente alinhados.
"Cada um de vocês receberá uma pequena amostra diluída—uma que não irá matar vocês, mesmo que engulam acidentalmente, mas que causará bloqueios de mana agonizantes se for mal-manuseada."
Ele juntou as mãos, seu sorriso se ampliando.
"Sua tarefa?" perguntou, com os olhos brilhando.
"Criar um soro antiveneno. E fazê-lo perfeito. Porque, se vocês falharem—"
A expressão dele virou totalmente maliciosa.
"Não vou dar o prêmio bem especial que tenho para quem conseguir hoje."
A turma ficou tensa.
Porque um Severus animado por algo nunca era um bom sinal.
Leo, no entanto, apenas sorriu de canto, encolhendo os ombros ao dar um passo à frente, já ansioso para começar.
Porque enquanto todos os outros viam isso como um desafio assustador…
Leo via uma oportunidade.
Uma chance de entender um veneno temido até mesmo por dragões.
E talvez… uma arma que ele poderia usar algum dia para si mesmo.
Nas últimas três semanas, Severus já tinha ensinado à turma como criar antiveneno para qualquer veneno específico que tivessem em mãos, já que a teoria sobre neutralização de venenos era fundamentalmente bem simples.
Debaixo do microscópio, o veneno podia ser observado como uma substância altamente reativa, frequentemente contendo cadeias moleculares instáveis que atacavam estruturas orgânicas ou vias de mana ao contato.
A chave para sua neutralização era identificar os agentes ativos específicos do veneno—se atacavam tecido nervoso, canais de mana, ou estruturas celulares—e, depois, aplicar os contra-agentes corretos, químicos ou baseados em mana, para desativá-los.
Severus treinou a turma várias vezes nesse conceito.
"Todos os venenos compartilham uma fraqueza," dizia ele com seu drama habitual. "São, por natureza, reativos. E o que fazemos com substâncias reativas, turma?"
"Estabilizamos," responderam, em uníssono, os alunos.
"Exato!" Severus sorriu. "Ao introduzir uma substância química ou um inibidor à base de mana que se ligue aos elementos ativos do veneno, interrompemos sua capacidade de agir. Quando o veneno perde sua reatividade, deixa de ser uma arma e vira apenas resíduos inofensivos."
Para a maioria dos venenos, soluções alquímicas simples—como bases alcalinas, agentes oxidantes ou proteínas de ligação—eram suficientes para desmontar seus efeitos letais. Porém, venenos à base de mana, como o do Sapo do Pântano Antigo, eram muito mais difíceis de neutralizar.
Os estudantes fitavam seus microscópios, assistindo os amostras de veneno se contorcerem como organismos vivos.
O veneno do Sapo do Pântano Antigo era particularmente agressivo, pulsando com uma tonalidade verde escura, mudando e corroendo construções de mana microscópicas ao seu redor. Era diferente de qualquer veneno que eles tinham trabalhado antes—quase como se tivesse vontade própria.
Leo estreitou os olhos, analisando cuidadosamente a amostra enquanto se lembrava das instruções de Severus.
Etapa um: Identificar o agente reativo principal.
O principal efeito destrutivo do veneno era sua capacidade de cortar as vias de mana. Ele não atacava apenas tecidos biológicos; especificamente, desmontava o fluxo de mana pelo corpo, tornando a cura quase impossível após a ação do veneno.
Etapa dois: Introduzir um agente estabilizador.
Leo pegou uma ampola de Extrato de Lírio Lunar, uma base neutrizante comum usada para ligar-se a toxinas de alto nível. Misturou cuidadosamente algumas gotas na amostra sob o microscópio e observou a reação.
No início, nada aconteceu.
Depois—de repente—a toxina começou a reagir de volta.
Em vez de se neutralizar, o veneno reagiu violentamente, se contorcendo em tendões escuros e queimando o estabilizador como ácido.
Leo franziu o cenho.
"Claro, uma base comum não funcionará. Esse veneno não é apenas um composto químico—é um veneno de mana de alto nível. Ele resiste ativamente às substâncias estrangeiras. Se quiser neutralizá-lo, preciso atacá-lo no nível de mana, não só no químico." Reconheceu, adaptando sua abordagem.
Ativando um pequeno pulso de mana, canalizou cuidadosamente nela através dos condutores de mana microscópicos ligados à estação de alquimia.
Inicialmente, o veneno reagiu ao invasor, mas então, ao invés de resistir, perdeu suas propriedades agressivas, ficando lento.
Seus olhos se agudizaram.
"Ele responde à interferência de mana. Isso significa… que pode ser acalmado antes de ser neutralizado."
Então, pegou uma segunda substância—Óleo de Urtiga Celeste, uma solução alquímica rara que, quando combinada com técnicas de supressão infusionadas em mana, poderia forçar uma reação.
Com delicadeza, pingou o óleo na amostra de veneno enquanto também modulava sua saída de mana em um pulso controlado.
No instante em que o óleo tocou o veneno, a reação foi imediata.
O veneno, que antes era violento, silenciou.
Seu brilho verde escuro desapareceu, tornando-se uma lama cinza opaca e inerte.
Leo sorriu.
"Peguei você."
Ele recostou-se, observando o resultado de seu trabalho com satisfação, enquanto Severus, que assistia silente à turma, de repente, soltou uma risada divertida.
"Ora, ora, ora… Parece que temos nosso primeiro sucesso."
Leo virou-se para ver dezenas de estudantes ainda lutando, suas amostras rejeitando violentamente as tentativas de estabilização, muitos ainda sem entender que o veneno exigia um método duplo de supressão química e de mana para ser neutralizado corretamente.
Severus bateu palmas, seus olhos brilhando de empolgação.
"Parece que alguém nesta turma realmente tem cérebro."
Seu olhar fixou-se em Leo.
"Skyshard, meu caro aluno, você receberá seu prêmio especial após a aula! Encontre-me na minha cela de contenção... e não se atrase. Você não gostaria de me desapontar, gostaria?" Severus disse, sorrindo de forma mais sinistra do que Leo jamais vira antes.