
Capítulo 105
Assassino Atemporal
As próximas semanas na academia passaram rapidamente para Leo e seu grupo, enquanto se acostumavam ao ritmo implacável da vida acadêmica.
Todas as manhãs, o Professor Marvin empurrava seus corpos até quase o limite da exaustão, mas a diferença entre agora e algumas semanas atrás tornava-se cada vez mais evidente.
Durante sua primeira sessão de treinamento, Leo tinha dificuldades em completar 100 voltas no campo de treino carregando um colete de 40 kg.
Agora, ele conseguia fazer a mesma distância com um colete de 60 kg — e isso com relativa facilidade, pois a diferença entre ele, Su Yang, Mu Shen e o restante da turma crescia assustadoramente, enquanto seu progresso deixava os demais lutando para acompanhar.
Se antes eles conseguiam completar as 100 voltas à frente da turma por uma margem de 1,5 a 2 voltas, agora mantinham uma vantagem dominante de 5 a 7 voltas, que só aumentava a cada semana, à medida que a diferença entre talentos de linhagem superior e inferior começava a ficar evidente.
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Na aula de Fundamentos da Percepção, a primeira avaliação foi feita pelo Professor Powell, onde 15 estudantes não conseguiram dominar a técnica de percepção ensinada, enquanto Leo se destacou como o único a atingir a Maestria Intermediária em [Visão Absoluta], conquistando a nota máxima na primeira avaliação.
Para ser gentil, o professor concedeu uma semana de prazo para os estudantes que haviam falhado aprenderem a técnica — após esse período, a falha resultaria na expulsão da Classe de Elite.
Enquanto isso, ele passou os demais alunos para o próximo tópico: aplicação prática das habilidades de percepção na detecção de inimigos ocultos.
A cada dia, ele escondia 15 assassinos disfarçados pela sala de aula e entregava a cada estudante uma folha de papel para marcar onde percebiam a presença dos assassinos — transformando a aula em um exercício prático que os obrigava a aprimorar suas habilidades recém-adquiridas e aprender a distinguir iscas de originais, preparando-os para situações reais.
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Na aula de Teoria da Magia, o Professor David aprofundou-se nos princípios essenciais da magia, explicando como ela podia ser utilizada para criar, modificar e influenciar a vida, assim como as várias espécies sencientes do universo evoluíram após o contato com a mana, aprendendo a dominar seu poder ao longo do tempo.
Essas lições eram extremamente esclarecedoras, pois explicavam os fundamentos da magia, detalhando o que permitia que humanos e outras criaturas sencientes manipulassem sua imensa força.
No entanto, com o viés contra Leo e Su Yang mantido pelo Professor David, ele quase não comparecia às aulas, muitas vezes sendo expulso nos primeiros cinco minutos, já que David sempre buscava qualquer desculpa, por menor que fosse, para afastá-lo.
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Após ser expulso da aula de David, Su Yang insistia sempre em treinar sparring com Leo, pois queria testar suas melhorias, mas, toda vez, Leo educadamente recusava.
Em vez disso, passava seu tempo na biblioteca da universidade, estudando textos antigos e registros históricos em busca de menções a 'Kaelith' e ao 'ChakraVyuh'.
Porém, o que descobriu nas duas semanas seguintes foi absolutamente chocante.
Por suas visões, Leo tinha certeza de que Kaelith era um homem de família, tinha um pai e um irmão mais novo, mas nenhum dos livros que consultou sequer mencionava sua origem familiar.
Em todos os registros, Kaelith, o Soberano Eterno, era reverenciado como um dos três deuses principais que apoiavam o Governo Universal, uma entidade divina que se mantinha como apoio firme na Aliança Racional e um dos poucos personagens históricos sem vínculos diretos com as Seis Grandes Clãs.
Os livros o retratavam como um guerreiro da justiça, um defensor da ordem, uma força inabalável contra o caos.
Mas nenhuma narrativa falava sobre sua traição.
Não há qualquer registro que mencione ele ter massacrado seu próprio pai.
E quanto ao 'ChakraVyuh', simplesmente não existe.
Pelo menos, não em qualquer história escrita.
Por mais que Leo aprofundasse suas pesquisas, os laços familiares de Kaelith estavam completamente apagados do conhecimento público, e o conceito da formação de matar deuses simplesmente desaparecera.
Era como se alguém tivesse cuidadosamente apagado todas as provas desses eventos da história — como se a própria verdade tivesse sido deliberadamente suprimida, enterrada tão profundamente que até as menções a esses fatos haviam desaparecido da memória coletiva do universo.
E, ao perguntar ao bibliotecário se Kaelith tinha um irmão mais novo, o homem riu sem jeito.
"Se o Soberano Eterno tivesse um irmão mais novo — nós saberíamos! Hahaha!"
Essa resposta desdenhosa deixou Leo incomodado.
Porque Leo sabia disso.
Ele tinha visto com seus próprios olhos.
E, no entanto, nessa era, ninguém mais parecia saber. Isso o levou ao próximo e mais importante problema que o assombrava atualmente.
'Alguma coisa no meu sangue está diferente.'
Os pensamentos de Leo fervilhavam enquanto uma sensação de desconforto profundo apertava seu peito.
'Não gosto de saber que uma das minhas memórias mais importantes de linhagem vem da noite em que a Aliança Racional se uniu para executar um deus solitário.'
Porque isso só pode significar uma coisa — ou minha linhagem é a mesma de Kaelith, o que também a torna a linhagem do deus morto que foi seu pai…
Ou… minha linhagem é diretamente a do próprio deus morto.'
Um silêncio pesado tomou conta de sua mente ao compreender a realidade.
'O que significa que talvez eu esteja do lado errado da Aliança Racional.'
Leo concluiu, com o humor consideravelmente mais sombrio diante dessa ideia.
Somente pessoas com passados perigosos e ocultos precisavam apagar suas identidades.
E o fato de ele ter que tomar medidas tão extremas — apagando sua própria memória só para entrar na academia — aliado ao Sonho Fantasma que testemunhara, pintava um quadro inquietante.
Fazia Leo suspeitar fortemente que ele não era apenas um passageiro aleatório preso em uma disputa de poder político.
Não — ele começava a acreditar que sua própria existência representava uma ameaça à própria Aliança Racional.
E, se isso fosse verdade...
Então, ele poderia estar muito mais envolvido com o Culto do Mal do que jamais quis admitir.
'Ignorância é bênção — talvez essas sejam as palavras mais verdadeiras já ditas.'
À medida que Leo ia juntando as peças do quebra-cabeça, uma sensação de inquietação aumentava — porque ele não gostava do quadro que se formava diante dele.
'Tenho medo de que, se continuar cavando essa toca do coelho … a resposta no final talvez não seja a que eu espero.'
Ele exalou lentamente, um suspiro profundo escapando dos lábios.
Conforme sua vida na academia avançava e sua força aumentava, também crescia a sensação de angústia que se apoderava dele.
Ele começava a perceber uma verdade assustadora — que estava vivendo por empréstimo de tempo.
Por mais forte que estivesse ficando, cedo ou tarde, seu destino seria ser um fugitivo, uma pessoa em fuga, sem um lugar para chamar de lar.
E só de pensar nisso, ele quisresignar-se de novo.
Esse não era o futuro que desejava para si.
Mas, se suas suspeitas fossem verdadeiras…
Não seria mais uma questão de escolha dele.
Por ora, para passar em todas as avaliações psicológicas futuras, Leo tentou conscientemente evitar esse assunto, como se estivesse vivendo por empréstimo de tempo. Ele planejava aproveitar ao máximo enquanto pudesse.