
Capítulo 107
Assassino Atemporal
(Academia Militar Rodova – Célula de Reclusão do Professor Severus, Subsolo D-1)
Poucos minutos após a aula, Leo chegou até a entrada do Bloco D-1 do subsolo, que era a seção restrita da academia onde ficavam os membros do corpo docente considerados “menos respeitáveis”.
Atualmente, havia apenas um desses membros na instituição, sua cela protegida por um guardião de contenção vestido com armadura completa.
Quando Leo se aproximou, o guardião levantou o visor para confirmar sua identidade, antes de soltar um suspiro profundo.
"Você deve ser o Skyshard," murmurou o guardião, cruzando os braços e falando com uma voz cansada.
Leo assentiu, enquanto o guarda exalava novamente, massageando a têmpora antes de falar em tom baixo e firme.
"Escuta aqui, garoto. Qualquer coisa que aquele lunático ali dentro diga pra você, não seja boazinho. Não passe notas pra ele, não leve suprimentos, e, o mais importante—não confie nas histórias que ele contar."
O guardião avisou, enquanto Leo levantava uma sobrancelha, claramente não impressionado com o alerta.
"Acho que dou conta de me defender—" respondeu Leo, logo imediatamente desprezado pelo guardião, que bufou.
"Se defender? Contra aquele lunático? Nem pensar—" Disse ele, aproximando-se mais, sua voz quase um sussurro.
"Fico aqui há três semanas, Skyshard. Ouvi os cochICHOS dele enquanto dorme, as teorias rabiscadas naquelas paredes. O Severus não quer ser professor."
Leo permaneceu em silêncio.
"Ele está planejando algo. Não é questão de se—mas de quando," continuou o guarda. "Assim que encontrar uma brecha, vai tentar fugir, e pode apostar, esse colossal vai levar alguém na fuga."
O guardião recuou, retornando à sua postura rígida enquanto passava seu crachá sobre a trava selada por magia, e a porta deu um apitinho ao se abrir.
*ASSOBIO—*
"Se você for esperto," murmurou o guarda, "mantenha distância."
Ele avisou, enquanto Leo não respondeu nada e entrou na cela.
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No instante em que Leo entrou na cela de Severus, o aroma de papel antigo e tinta o dominou.
Todo o espaço estava coberto por papéis de aula, espalhados pelo chão, pregados nas paredes, empilhados em torres instáveis sobre qualquer superfície disponível.
As manchas de tinta na mesa tinham mancheado a madeira ao longo do tempo, deixando cicatrizes profundas e escurecidas.
Vários frascos de tinta, alguns cheios, outros vazios, alinhados em padrões estranhos, como se Severus tivesse usado-os para algum tipo de experimento, e não para escrever de fato.
E, no meio do caos controlado, no centro da sala, estava Severus. Ele descansava confortavelmente no beliche cedido pela academia, braços cruzados atrás da cabeça, como se fosse um rei na sua throne.
"Ahhh, Skyshard, chegou na hora certa," ele comentou, sem sequer levantar os olhos. "Meu pequeno guardião te avisou sobre mim?"
"Ele avisou." respondeu Leo, enquanto Severus sorriu, finalmente se sentando.
"Ótimo. Então estou fazendo bem o meu trabalho." Disse Severus, enquanto esfregava as mãos animadamente, levantando-se e começando a percorrer o cômodo a passos largos.
Os olhos de Leo percorreram a sala e observou que, além de tinta e papel necessários para planejar a próxima aula, a academia praticamente não permitia que Severus tivesse mais alguma coisa.
E como se estivesse seguindo seu olhar, Severus imediatamente começou suas artimanhas.
"Ah, a opressão! O sofrimento! Uma mente brilhante como a minha, reduzida a nada além de papel e tinta!" Ele gesticulou grandiosamente em direção à bagunça ao seu redor, dando uma olhada de pena falsificada para Leo.
"Eu choraria se ainda tivesse lágrimas, mas, infelizmente, todas secaram anos atrás," acrescentou, fingindo enxugar lágrimas, embora não houvesse nada ali.
*Riso contido*
Leo riu, achando sua atitude divertida, enquanto Severus sorria de volta, achando graça de sua postura despreocupada.
"Mas nem tudo aqui é tinta e papel—" Severus disse, seu olhar se tornando aguçado, enquanto lentamente puxava uma garrafa de veneno escondida dentro de suas vestes, que Leo imediatamente identificou como o frasco do veneno diluído do Sapo do Pântano Antigo — presente a todos os alunos para prática na aula de hoje.
Observando a garrafa, Leo afinou os olhos; no entanto, Severus apenas piscou para ele, enquanto pegava uma das potes de tinta de sua escrivaninha e a invertia, esvaziando seu conteúdo no chão.
Ping… ping… ping…
Após a última gota de tinta, ele cuidadosamente destravou o frasco e despejou dentro o veneno, substituindo o conteúdo anterior.
Depois, sem dizer uma palavra, levantou um dedo aos lábios.
"Shhh…" sussurrou, enquanto Leo revirava os olhos, o que fez Severus rir de forma sombria, recolocando o pote de tinta e voltando sua atenção para Leo.
"Agora," disse, sorrindo como quem acabou de sair ileso de um crime grave, "vamos falar por que você está aqui."
Ele puxou debaixo do colchão um documento envelhecido, amarelado, que parecia antigo, mas mantido com cuidado extremo.
O pegou e estendeu para Leo, que o pegou desconfiado.
E, bem ao topo, escrito na letra afiada de Severus, estava o título:
[As Algemas Invisíveis]
Leo se sentiu confuso ao lê-lo.
"O que é isso?" perguntou, enquanto Severus se inclinava um pouco, com um sorriso que nunca se apagava.
"O veneno mais perigoso que já criei. É algo que o mundo ainda não conhece, algo que quero passar adiante para você, que é a pessoa mais próxima que tenho do meu próprio génio—" sussurrou, enquanto Leo apertava o papel com mais força.
"Veja bem, a maioria dos venenos mata. É pra isso que existem, sua única função. Mas este?" Ele deu um tapinha na folha. "Ele não mata. Não deixa rastro. Não apresenta sintomas, nem efeitos físicos após uso." Severus explicou, em tom sedoso.
"O que ele faz," continuou, "é enfraquecer."
Seus dedos batiam ritmicamente na mesa.
"Ele se conecta à essência do corpo—músculos, cérebro, circuitos de mana—e reduz sua eficiência em impressionantes cinquenta por cento." Severus explicou, enquanto Leo permanecia em silêncio, mas já imaginava o uso notório de um veneno como esse.
"Imagine," Severus refletiu, "um guerreiro entrando na batalha, só pra descobrir que seus reflexos estão mais lentos, seus golpes mais fracos, suas reservas de mana pela metade."
Ele deu uma risada.
"E a melhor parte... Nem perceberiam que aconteceu." Severus falou, rindo como um louco, apoiando o queixo na mão.
"Você vai competir nas Correntes algum dia, não vai?" ele murmurou, de modo cúmplice. "Se existe uma ferramenta para garantir a vitória... essa é ela."
Severus ofereceu, enquanto Leo permanecia em silêncio, simplesmente olhando fixamente para a fórmula.
Um veneno que poderia incapacitar o oponente sem que ele percebesse.
Um veneno que poderia transformar qualquer batalha numa matança desigual.
Se fosse realmente intraceável e não deixasse efeitos colaterais visíveis, então certamente seria a ferramenta perfeita para trapacear. Mas a questão era: por que Severus estaria dando um veneno assim para ele?
"Se você está se perguntando por que estou te dando um veneno desses? Nem vale a pena pensar nisso."
"Sou um maníaco, Skyshard, e você nunca vai entender o que passa na minha cabeça—"
Haha, hahaha.
"O que você precisa saber é que você conquistou isso com seu bom desempenho na minha aula!" Severus disse, batendo violentamente na porta.
*Batida*
*Batida*
*Batida*
"Abra, seu filho da mãe, já chega por aqui—" Severus falou, enquanto a porta se abria novamente, permitindo que Leo saísse com a folha amarelada dobrada com firmeza nas mãos.