Assassino Atemporal

Capítulo 108

Assassino Atemporal

(Academia Militar Rodova, Quarto de Leo na Moradia – Emergência da Meia-Noite)

BEEP! BEEP! BEEP!

Um alarme estridente e mecânico rasgou o silêncio da academia, despertando Leo de um sono profundo.

Seus instintos aguçados imediatamente entraram em ação, seu corpo ficou tenso enquanto ele sentava, os sentidos em alerta máximo.

E então—

"Criminoso à solta—"

"Atenção, criminoso à solta—Todos os estudantes devem permanecer dentro de suas moradias até novo aviso."

Uma voz metallicamente alta ecoou pelo comunicador, enquanto o estômago de Leo se contorcia.

Uma sensação profunda e desconcertante se instalou em seu peito, uma que ele não conseguia afastar.

'Não pode ser…' pensou, com o pulso firme, porém atento.

'Severus?' questionou, desconfiado, pois o timing parecia demasiado perfeito.

A forma como Severus tinha sorrido, a maneira casual como entregou a fórmula do veneno hoje—tudo era demasiado conveniente.

Ele sabia de algo?

Planejou tudo desde o começo?

Leo virou as pernas para fora da cama, apoiando os antebraços nos joelhos enquanto passava a mão pelos cabelos, procesando a situação.

'Aquele bastardo… ele deve ter planejado a fuga para hoje.' Leo percebeu, ao pensar bem, que toda a postura de Severus na última reunião tinha parecido um pouco relaxada demais.

A troca da tinta, as teatralizações quase em tom de brincadeira, a forma como tinha sussurrado "Shhh…" depois de encher a garrafa com veneno—

Ele não era um homem que planejava ficar por aqui.

Era uma despedida.

E talvez por não saber se sairia vivo, Severus tinha passado a Leo a fórmula do veneno, pois era sua única chance de passar seu legado adiante, quem sabe, para alguém que usaria de notoriedade algum dia.

*Suspiro—*

Leo respirou fundo lentamente, seus dedos cerrados em punho enquanto se recostava na cabeceira da cama.

'Aconteça o que acontecer… isso não é problema meu,' concluiu.

Não tinha intenção de se envolver na tentativa de fuga de Severus.

A segurança da academia era impecável, e quem achasse que poderia driblá-la, estaria ou sendo suicida ou completamente insano.

E conhecendo Severus…

Ele provavelmente era os dois.

'Tomara que o sono me encontre de novo—' pensou Leo, fechando os olhos mais uma vez.

Os alarmes continuaram a soar alto, as defesas da academia, sem dúvida, mobilizadas ao máximo para lidar com a situação.

Mas isso não era questão dele.

Não era luta dele.

Não era problema dele.

Com esse pensamento final, Leo se esforçou para bloquear tudo ao redor—os alarmes, o caos lá fora, as perguntas ardentes na cabeça—antes de deixar o corpo afundar de novo na cama.

O que quer que acontecesse naquela noite—ele descobriria só de manhã.

E assim, voltou a dormir.


(Academia Militar Rodova – Quarto de Leo, Manhã Bem Cedo)

PUM! PUM! PUM!

Um knock rápido e impaciente sacudiu a porta dele, assustando Leo pela segunda vez na mesma noite.

Ele franziu a testa, forçando os olhos a se abrirem, ainda sonolento, mas já intuindo que quem estivesse ali não vinha para conversa fiada.

Com um suspiro silencioso, rolou para fora da cama, alongando-se preguiçosamente antes de caminhar até a porta.

Quando abriu, sua expressão permaneceu neutra—até perceber quem estava lá.

Professora Davi.

A simples visão do homem instantaneamente azedou o humor de Leo.

A expressão de Davi era exatamente como ele imaginava— torcida de desprezo e desdém, com os lábios arqueados como se tivesse pisado em lixo.

"Skyshard," Davi zombou, o tom carregado de desprezo.

"Você foi chamado à diretoria."

Leo levantou uma sobrancelha, impassível.

"E por quê?" perguntou, a voz completamente neutra, enquanto Davi torcia ainda mais os lábios, os olhos estreitos com ressentimento disfarçado.

"Acho que você sabe o motivo, Skyshard, não tente se fazer de inocente comigo, não vou cair na sua festa—" ele cuspiu, fazendo um gesto para que Leo o seguisse.

"Vaza logo." instruíu, enquanto Leo não se movia imediatamente.

Em vez disso, ele lançou um olhar longo e lento para Davi, escaneando sua expressão.

O homem parecia extremamente irritado. Mais do que o normal.

'Devo até perguntar do que se trata?' pensou Leo por um momento, mas então decidiu não perguntar, pois, no fundo, já sabia a resposta.

Severus provavelmente tinha feito alguma coisa.

E agora, Leo estaria envolvido na sequência dos fatos.

—--------

(Academia Militar Rodova, Escritório do Diretor Alric)

Leo entrou no escritório do diretor Alric com Davi logo atrás, como quem parecia pronto para agarrá-lo pelo pescoço, se necessário.

Ao entrar, seu olhar caiu sobre o diretor, que estava sentado atrás de uma mesa longa e grande, assinando várias dezenas de documentos.

Ele parecia calmo—demasiado calmo para alguém cujo academia acabou de sofrer uma violação de segurança, porém, em contraste com seu humor tranquilo, Davi parecia estar furioso.

Logo atrás de Leo, Davi ficava rígido, os braços cruzados, a expressão torcida de desprezo profundo.

Leo nem precisou ouvir as palavras para saber exatamente o que estava por acontecer.

E ele não errou: assim que ficaram sozinhos, Davi começou a despejar seu descontentamento.

"É muito suspeito, Diretor." Davi afirmou, sem perder tempo, encarando Leo como se ele fosse uma praga que precisava ser exterminada.

"Severus tenta fugir na mesma noite em que convoca esse garoto? Não acha isso conveniente?" Davi perguntou, apontando com desgosto para Leo.

"Este aluno está escondendo alguma coisa."

A voz de Davi ficou mais afiada, mais insistente.

"Ele deve passar por avaliação psicológica imediatamente. Precisamos descobrir do que ele e Severus falaram. Se houver qualquer chance dele ter ajudado na fuga, não podemos ignorar—"

Davi continuou, quando um *BAQUE*, Alric bateu a caneta na mesa com força.

"Isso não vai acontecer, Professor," decretou Alric, enquanto a boca de Davi se abria—e depois se fechava frustrado.

"Leo Skyshard é um dos nossos colegas mais promissores e não vou mandá-lo para avaliação psicológica por paranoias infundadas."

Davi cerrava a mandíbula, parecendo pronto para discutir, mas o olhar de Alric se tornou firme.

"A menos que você tenha provas concretas de envolvimento dele—which you don't—essa discussão terminou." Alric deu um ultimato, enquanto os punhos de Davi se cerravam ao lado, a face escurecendo de frustração.

Leo, por sua vez, permanecia em silêncio absoluto, assistindo à troca como um espectador, mais do que o focus da conversa.

'Então é assim que eles lutam por poder na academia.' Leo pensou, desfrutando do espetáculo de ver Davi perder.

Era evidente na expressão de Davi que ele odiava Alric, porém, não tinha escolha a não ser aceitar a decisão dele, pois após alguns segundos tensos, o professor finalmente soltou um suspiro irritado pelo nariz, recuando com uma risada de desdém.

"Que seja," murmurou, a voz carregada de insatisfação.

Mas Leo já percebia—Davi não iria esquecer isso tão cedo.

Pelo menos por um bom tempo.

—--------

Depois que Davi se recolheu em seu silêncio, Alric voltou a atenção para Leo.

Sua expressão continuava impassível enquanto falava.

"Severus foi neutralizado." Ele informou, enquanto Leo mantinha seu olhar, completamente indiferente.

"Ele matou sete guardas de nível Grande Mestre tentando fugir." Alric falou, a voz ficando profunda e carregada de remorso, enquanto o silêncio preenchia o ambiente.

Leo não disse nada, seu rosto não revelando emoção alguma.

Mas por dentro—

'Sete, hein?'

Ele não ficou surpreso.

Severus era muitas coisas—louco, imprevisível, teatral—mas fraco? Jamais.

O fato de ter conseguido derrubar sete guardas treinados antes de serem finalmente dominados só mostrava o quão letal ele realmente era.

Severus nunca pertenceu a uma cela.

E não tinha intenção de morrer em uma.

"Me diga, Skyshard—" Alric falou, com a voz controlada.

"O que Severus discutiu com você quando te convocou?" A resposta de Leo veio sem hesitação.

"Nada de especial," disse Leo com tranquilidade.

"Ele me deu alguns conselhos sobre como me sair bem nas Circulações e entregou uma fórmula de poção que considerava seu legado, como recompensa pelo meu bom desempenho na aula dele hoje," disse Leo com uma voz calma, que não revelava nada.

E, pelo jeito que o olhar de Alric permaneceu, Leo soube que estava sendo cuidadosamente avaliado.

Depois de alguns segundos, Alric finalmente se recostou na cadeira.

"Entendi." Disse antes de dar de ombros e não falar mais sobre o assunto.

Sem novas perguntas. Sem mais investigações.

"Muito bem, Skyshard," finalmente disse Alric, retomando a caneta, sinalizando o fim da conversa.

"Você está dispensado." Disparou, e Leo, acenando com a cabeça, virou-se em direção à porta sem dizer mais nada.

No entanto, Davi parecia ter perdido a cabeça.

"O QUÊ? É SÓ ISSO? VOCÊ NÃO VAI PEDIR PARA VER O QUE SEVERUS ENTREGOU? NÃO VAI PRESSIONÁ-LO POR MAIS RESPOSTAS?"

"QUAL É O SEU PROBLEMA?"

"VOU REPORTAR ISSO À COMISSÃO DE ÉTICA—" Davi disparou, enquanto Alric ria na cara das queixas.

"Faça o seu jogo, Davi... Você não vai assumir meu cargo, por mais que tente." Alric retrucou, e os olhos de Leo se arregalaram diante do teatrinho divertido, antes de ele sair do escritório de Alric.

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