
Capítulo 89
Assassino Atemporal
(Ponto de vista de Leo)
Ao contrário dos espectadores neutros na arena, que viam a luta de Su Yang e Minerva apenas como entretenimento, Leo enxergava tudo por uma perspectiva totalmente diferente.
Ele não era apenas um observador.
Ele era o próximo lutador.
E tudo o que tinha acabado de presenciar o deixara perplexo até o âmago.
Do momento em que Minerva disparou sua primeira flecha até o instante em que Su Yang quebrou sua Muralha de Gelo, pouco mais de meio segundo havia se passado.
Meio segundo.
E mesmo assim, nesse lapso minúsculo de tempo — ela já tinha se deslocado quase vinte metros de sua posição original.
Leo não conseguiu entender exatamente como ela fez aquilo.
Tudo o que percebeu foi um borrão.
Um lampejo de movimento — tão rápido, tão fluido — que parecia desafiar a lógica.
Seria uma habilidade de movimentação? Uma técnica avançada de pés? Ou seria apenas velocidade natural dela?
Ele não tinha resposta.
Mas uma coisa ele sabia — que aquilo era assustador.
E se isso não fosse o suficiente, a consciência de combate dela era ainda mais aterrorizante.
Cada flecha que ela disparava era intencional. Calculada.
Algumas tinham como objetivo restringir os movimentos de Su Yang.
Outras eram para feri-lo.
E o restante — tinha como alvo forçá-lo a cair em uma armadilha.
A princípio, Leo pensou que as flechas que caíam ao redor de Su Yang eram apenas tiros dispersos. Mas agora, isso ficou claro de forma dolorosa.
Ela tinha arquitetado tudo cuidadosamente.
A posição dos ataques, o ângulo de deflexão, o jeito como aterrissavam ao redor dele —
Não era aleatório.
Era uma formação de supressão de mana meticulosamente planejada — uma estratégia que perturbava totalmente a capacidade de Su Yang de canalizar suas habilidades.
E o pior de tudo?
Ela claramente tinha planejado toda essa movimentação antes mesmo do combate começar.
Ela entrou na arena com flechas de absorção de mana específicas, antecipando exatamente como Su Yang reagiria, e o contra-atacou antes mesmo que ele desferisse um golpe.
Ou seja — Su Yang tinha perdido a luta antes mesmo de lutar, simplesmente porque seu oponente o tinha lido como um livro aberto.
"Que coisa assustadora..." Leo refletiu, engolindo em seco.
Não era só questão de força bruta.
Os membros do time da segunda série não eram apenas mais rápidos, mais fortes ou mais habilidosos do que os de primeiro ano.
Eram também mais experientes.
Já lutaram contra colegas de equipe, contra adversários de outras academias militares, enfrentaram estratégias e táticas inimagináveis — e, por isso, tinham uma resposta para tudo.
Seus movimentos não eram apenas instinto.
Era conhecimento.
Era execução.
*Suspiro—*
Leo exalou lentamente, a cabeça pulsando de pensamentos frenéticos.
'Se meu adversário for sequer metade tão inteligente quanto ela, tô ferrado.' Ele pensou, sentindo um calafrio percorrer sua espinha.
Ele observou frio enquanto a equipe médica retirava Su Yang do campo de batalha, após a estabilização de seu estado.
Assim que fizeram isso, o árbitro principal se adiantou, elevando a voz acima do burburinho que ainda permanecia na arena.
"Leo Skyshard. Khyaal. Avancem." Ele ordenou, enquanto a arena explodia em aplausos mais uma vez, com todos os olhos voltados aos novos combatentes que saíam.
"Bora fazer o bicho compute, mano!"
"A honra dos calouros está nas suas mãos!"
As vozes de Mu Ryan e Mu Shen ecoaram no meio do barulho, mas Leo mal as registrava.
Seu coração batia tão forte que parecia um tambor na cabeça, impedindo que ele ouvisse qualquer coisa com clareza.
TRA-TRA-TRA.
Era tudo o que conseguia ouvir, ao passo que suas mãos começavam a tremer violentamente.
Medo —
Ele estava assustado, enquanto seu corpo parecia uma massa de calor e frio ao mesmo tempo.
Senti o sangue pulsando na cabeça, seus nervos se tensionando como aço enrolado, ao perceber que a pior consequência dessa luta não era perder a vida, mas ser humilhado como Su Yang, e ter que suportar a vida na academia depois disso.
'Não... Por mais que eu não lembre quem sou, definitivamente não quero ser um perdedor patético,' pensou Leo, dando um tapa no rosto, pulando de um pé para o outro quase por instinto profundo, tentando relaxar os músculos e se preparar para um movimento explosivo.
"Haha. Tinha que ser você mesmo, né? Olha só a sua agilidade... bicho pequeno!" disse Khyaal, enquanto se posicionava na linha de partida e mexia na enorme espada de duas mãos na mão.
Leo não respondeu, tentando controlar a respiração e a trepidação nos braços.
Para isso, fechou os olhos e tentou silenciar todas as emoções que sentia, buscando entrar num estado de calma pura e foco total.
"Tá tranquilo, moleque, não trema. Não vou te matar —
Posso quebrar seus braços, suas pernas, algumas costelas, mas vai sair vivo —" disse Khyaal, com sua voz grossa, quase de gigante, tornando sua ameaça ainda mais assustadora do que o normal.
No entanto, Leo manteve-se calmo.
Focado apenas em acalmar os nervos, mesmo que precisasse de alguns segundos para recuperar a compostura, ele conseguiu fazê-lo bem a tempo do início da luta.
"Lutadores, preparados?" chamou o árbitro assim que Leo abriu os olhos, alternando seu olhar entre os dois combatentes.
"Preparado—"
"Preparado!"
Khyaal e Leo responderam ao mesmo tempo, enquanto o árbitro lhes deu um aceno curto.
"Comecem—" finalizou, e com um movimento rápido da palma da mão, o combate oficialmente começou —
*Aplausos*
No sinal de início, toda a arena explodiu em aplausos, com a maioria dos espectadores esperando que Leo avançasse na hora, partindo para cima de Khyaal com uma ofensiva agressiva e rápida, que seria a jogada óbvia.
Porém —
Leo não fez isso.
Em vez disso, permaneceu parado.
Com os pés firmemente no chão e a postura solta, mas controlada, ele observava cada movimento de Khyaal.
Por alguns segundos, ambos ficaram imóveis, até que uma tensão estranha tomou conta da arena.
"O que ele tá tentando fazer?"
"Por que ele não ataca?"
Os murmúrios de dúvida percorriam a plateia.
E então—
Khyaal sorriu de lado.
"Ahhh? Sem movimentos elaborados? Sem uma abertura impressionante?" Sua voz grave ecoou forte o suficiente para todos ouvirem.
Ele inclinou a cabeça, seu corpo imenso relaxado enquanto apontava para Leo com a palma aberta.
"Por que tanta hesitação, Skyshard? Ficando tão longe assim — não devia estar correndo pra cima já?"
Para um olho treinado, suas palavras podiam parecer uma afronta.
Um deboche, feito para induzir Leo a se lançar de forma imprudente.
Mas Leo percebeu exatamente o que aquilo era… Uma provocação desesperada!
Khyaal tinha se preparado para uma investida.
Ele esperava que Leo avançasse de imediato para um combate corpo a corpo, a ponto de ter planejado toda sua estratégia inicial ao redor disso.
Fazia sentido, já que a arma principal de Leo é uma adaga.
E se ele mandou espiões para acompanhar seu treino, como Leo suspeitava, baseado na forma como a luta de Su Yang terminou?
Ele saberia que Leo não tinha habilidades como [Adaga Explosiva], que ajudariam a lutar de longe.
Isso significa que — seu oponente já sabia que não tinha escolha a não ser partir para o combate próximo ao começo da luta, tornando provável que ele avançasse no instante em que tudo começasse.
'Não... não hoje—' pensou Leo, percebendo a estratégia do adversário agora.
Khyaal provavelmente passou os últimos dias planejando uma estratégia que destruísse Leo assim que ele avançasse contra ele.
Mas agora—
Leo não se mexia.
E isso?
Isso desestabilizava tudo.
Era uma estratégia boa, e Leo provavelmente teria caído na armadilha se não tivesse visto a luta de Su Yang acontecer ao vivo, mas, por ter assistido, percebeu que tinha algo estranho.
Minerva leu Su Yang com tanta perfeição que parecia uma coincidência.
Como se ela já soubesse exatamente do que ele era capaz ou não.
E se Minerva espioneou seu adversário, Leo tinha que presumir que Khyaal fez o mesmo com ele.
Ele não sabia exatamente quando ou como Khyaal fez isso —
Mas tinha certeza de que seu inimigo sabia todos os movimentos que tinha sob controle, tornando impossível surpreendê-lo.
A partir de agora, se quisesse vencer a luta, tinha que jogar de uma forma extremamente fora do comum.
Pois essa era sua única chance de vitória.