
Capítulo 88
Assassino Atemporal
Quando Su Yang e Minerva assumiram suas posições iniciais, um silêncio pesado tomou conta da arena.
A multidão, cheia de expectativa, inclinou-se para frente em suas cadeiras, ansiosa para testemunhar o confronto entre a orgulhosa primeira-year e a experiente segunda-year.
Su Yang permaneceu ereto, com a espada firmemente agarrada em suas mãos, seus olhos dourados fixos em Minerva com puro, inalterado ódio.
Do outro lado, Minerva permaneceu calmamente, seu arco descansando levemente em suas mãos, sua postura imperturbável, a respiração lenta e controlada—totalmente indiferente à tempestade de emoções que emanava de seu adversário.
O contraste entre eles era escancarado.
Su Yang era uma tocha selvagem, ardente, indomável e faminta por destruição, enquanto Minerva era uma montanha coberta de gelo—imperturbável, inalterada e intocável.
Por um tempo, parecia uma disputa para ver quem recairia primeiro, porém, antes que isso pudesse acontecer, o árbitro que estava entre eles elevou a mão.
—"COMEÇAR!"—ele declarou, e imediatamente Su Yang avançou como uma bala, sua força ao lançar-se levantando uma nuvem de poeira ao seu redor.
*Brilho*
Sua espada reluziu enquanto a erguia alto, pronta para despedaçar seu oponente antes que ela pudesse sequer reagir.
Mas—
WHOOOSH!
Uma flecha foi disparada do arco de Minerva antes mesmo que ele completasse cinco passos.
Não em direção a ele.
Mas ao chão à sua frente.
CRACK!
No instante em que a flecha atingiu o solo, uma enorme parede de gelo surgiu entre eles.
Uma barreira translúcida, espessa e sólida, bloqueando seu caminho instantaneamente.
—"O QUE?!"
As pupilas de Su Yang encolheram, porém sua reação foi instantânea.
Com um rugido furioso, ele balançou sua espada.
->Corte!
O gelo grosso se quebrou como vidro frágil sob a força de seu golpe, fragmentando-se em inúmeras lascas.
Mas—
À medida que o gelo desmoronava diante dele e seu caminho se abria—
Minerva já tinha desaparecido.
Quando seu olhar se ergueu, ela já não estava mais onde estivera há instantes.
E, ao invés disso—
Ela já se situava na extremidade oposta da arena, com o arco já armado e várias flechas encaixadas entre os dedos.
—"Como—"
Su Yang mal teve tempo de processar a impossibilidade de sua velocidade, quando—
FWISH! FWISH! FWISH!
Flechas começaram a chover sobre ele—
Rápidas. Precisas e implacáveis.
Seu corpo reagiu antes de sua mente, sua espada balançando pelo ar para defletir os projéteis.
CLANG! CLANG! THUD!
Conseguiu desviar de alguns—
Mas nem todos.
Uma flecha cortou sua face. Outra raspou seu ombro e uma terceira se alojou na terra ao lado do seu pé, passando por um cabelo.
—"Que diabos?"—pensou, mal conseguindo dar um passo à frente, quando—
FWISH!
Outro ataque de flechas veio em sua direção e seu passo vacilou.
'Droga!'—pensou, sendo forçado a defender-se novamente, enquanto se via sob uma chuva incessante de projéteis.
Sempre que tentava avançar, Minerva soltava outra onda de ataques, obrigando-o a recuar para uma postura defensiva, e para piorar, cada nova flecha era mais rápida que a anterior, zumbindo pelo ar em ângulos impossíveis e mirando todos os pontos fracos que ela poderia explorar.
Ele queria fechar a distância—precisava fechar a distância—
Mas não conseguia.
Toda vez que pensava em se mover, uma flecha já estava ali para pará-lo.
E não era só velocidade.
A precisão dela era sobrenatural.
Não havia tiros desperdiçados, e cada flecha que ela disparava carregava uma intenção letal.
'Como é que eu vou lutar contra ela?'—Su Yang se perguntava naquele momento, enquanto a única solução que vinha à cabeça era liberar seu ataque de espada, o [Corte do Raio Quebra-montanhas], na esperança de ganhar tempo suficiente para se aproximar.
No entanto, assim que tentou circulando a mana em seu corpo, de alguma forma não conseguiu conjurar nada, como se um campo externo estivesse impedindo a mobilização da mana.
—"Peguei você—"
disse Minerva naquele instante, enquanto Su Yang olhava ao redor para as flechas espalhadas pelo chão e percebeu que eram do tipo que absorvem mana.
Ele estava no centro de uma formação de flechas que tornava impossível mobilizar qualquer movimento de habilidade, a não ser que conseguisse sair dela; porém, Minerva simplesmente não deixava ele se mexer.
—"Que droga!"—brandiu Su Yang, apertando os dentes, seu corpo se mexendo, torcendo e se esquivando entre a enxurrada incessante.
A multidão assistia em silêncio atônito, a energia mudando drasticamente de entusiasmo para incredulidade.
Isso não era uma luta.
Era uma humilhação.
E todos podiam perceber isso.
—"Isso é brutal…"— sussurrou um espectador.
—"Minerva nem está suando."—comentou outro.
—"Droga… Eu pensei que o Su Yang fosse mais forte que isso."
As palavras doeram mais que as flechas em si.
Mas a pior parte?
Eles estavam certos.
Ele não conseguia tocá-la.
Nem chegar perto o suficiente para tocar nela.
Toda tentativa era inútil.
Todo movimento era neutralizado antes mesmo de começar.
E quanto mais tempo isso durava, mais exausto ele ficava.
Sua respiração ficou ofegante.
Seus músculos doíam.
Seus movimentos desaceleraram.
Mas Minerva—
Ela permanecia igual.
Calma. Firme. Imperturbável.
Cerca de doze minutos após o início da luta, a visão de Su Yang começou a ficar turva, gotas de suor escorrendo nos olhos.
Seus braços estavam mais pesados do que antes. Suas pernas gritavam de protesto.
E foi aí que realmente caiu a ficha.
A distância entre suas forças—
Era imensa.
Ela operava em um nível totalmente diferente.
Ele nem estava lutando contra ela.
Estava sendo troçado como um gato brincando com um rato capturado.
—"CHEGA!"—Su Yang rugiu, a voz grossa de cansaço.
Seu corpo estava machucado, machucado e ensanguentado com todas as flechas que escaparam de suas defesas, seu fôlego ofegante, seu uniforme antes impecável agora rasgado.
E, mesmo assim—seu aperto na espada permaneceu firme.
—"Pare de disparar flechas de longe como um covarde e encare de verdade!"
Sua voz ecoou na arena, carregada de frustração, fúria e desespero.
Por um momento, o mundo pareceu pausar.
Então—
Minerva inclinou a cabeça levemente, abaixando seu arco só o suficiente para encontrar o olhar dele.
E então—
Ela riu.
Um risinho silencioso, leve, que trouxe mais uma onda de humilhação sobre Su Yang.
—"Encarar você de frente?"—Ela ecoou, com uma nota claramente divertida na voz.
Então, com um sorriso de canto de boca, ela disse—
"Desculpe."
Ela levantou novamente o arco, a ponta de sua próxima flecha brilhando ao sol.
—"Como mulher, tenho medo de lutar contra homens de perto."
FWISH!
A próxima flecha acertou Su Yang no peito, derrubando-o de costas no chão, enquanto o árbitro imediatamente entrou para declarar o vencedor.
—"Fim da luta! Vencedora: Minerva!"
A arena explodiu em aplausos e gritos.
Uns celebraram loucamente. Outros riram. Alguns ficaram boquiabertos, em silêncio.
Mas o resultado não deu margem a dúvidas.
Su Yang havia perdido.
E havia perdido feio.