
Capítulo 72
Assassino Atemporal
Leo passou pelos próximos combates com facilidade, dominando seus oponentes com pura superioridade.
Ele não precisou usar nenhuma técnica chamativa ou movimentos elaborados— na verdade, nem considerou usá-los após a segunda luta. Não porque não quisesse testar seus movimentos recém-recordados, mas simplesmente porque achava seus adversários estar abaixo do seu nível.
Seus oponentes eram habilidosos e fortes.
Sim.
E a diferença entre eles não estava na potência bruta.
Na verdade, a maioria dos alunos da Classe de Elite estavam no mesmo nível que ele em termos de velocidade, força e resistência, com alguns até sendo mais fortes em certas áreas.
Mas a disparidade na compreensão do combate? Essa era uma fenda que os estudantes daquela turma não poderiam atravessar em pouco tempo.
Leo tinha uma quantidade imensa de informações sobre combate em sua mente.
Uma experiência tão profunda e rica que lhe dava alternativas para quase qualquer situação de luta perceptível neste nível.
O que contrastava totalmente com a maioria de seus oponentes, que eram jovens elites, criados em famílias nobres, que, embora treinados desde a infância com rigorosos treinamentos físicos, ainda tinham pouco conhecimento de combate prático real.
Eles tinham experiência em sparring, técnicas aprimoradas e postura perfeita de livro.
Mas nunca lutaram por suas vidas.
E isso era evidente.
Seus movimentos, embora tecnicamente corretos, careciam de instinto assassino. Ainda tratavam o combate como uma luta de treino— controlada, previsível, hesitante.
Nenhum deles sabia como usar adequadamente sua vantagem de armas, como um guerreiro experiente de verdade deveria fazer.
Leo usava adagas—a arma de combate corpo a corpo mais curta do campo de batalha. Portanto, logicamente, seus oponentes, com espadas mais longas e lanças, deveriam ter vantagem no alcance. Mas eles não sabiam como explorar essa vantagem.
Pois lhes faltava o entendimento fundamental de como funcionava a anatomia humana e qual exatamente era o alcance mais letal de suas armas.
Cada arma tinha uma 'Zona de Morte'.
A região onde podia causar o máximo de dano, e era fundamental que um guerreiro soubesse fightar e manter seu adversário dentro dessa 'Zona de Morte', de modo que, ao surgir uma abertura, pudessem avançar para o golpe fatal.
No entanto, os nobres não compreendiam esse conceito tão bem quanto Leo.
Embora Leo não se lembrasse do nome de seu mestre ou do tipo de vida que levava até então—
ainda assim, entendia como inutilizar a vantagem de alcance de seus oponentes.
Sabia que, se conseguisse passar pela guarda deles e lutar a uma distância extremamente próxima—não mais que meio braço—suas armas de longo alcance se tornariam inúteis.
O cotovelo humano não consegue se inclinar para trás.
Isso tornava uma espada inútil naquela distância, simplesmente porque não havia espaço suficiente para balançar com força real, causando dano.
E Leo não lhes dava espaço.
Fazia-se colar neles como uma sombra, lutando em um espaço tão apertado que as próprias armas deles se tornavam um prejuízo.
Enquanto isso, suas adagas—pequenas, compactas e feitas para combates corpo a corpo—eram instrumentos de pura destruição.
Era uma jogada simples. Básica.
Mas para esses nobres mimados, que nunca haviam lutado de verdade, era um enigma sem solução.
Eles não sabiam criar distância. Não sabiam reiniciar a luta e retomar o controle.
E por causa disso, todos perderam.
TODOS. SEM EXCEÇÃO.
**********
(1 hora depois)
Uma hora depois, Leo derrotou seu décimo e último adversário sem nem suar, tornando-se um dos quatro estudantes que terminaram o dia sem derrota na cabeça, ao lado de Su Yang, Mu Shen e Teevo Drakos.
Para ser justo, ele só enfrentou hoje os alunos do percentile mais baixo da Classe de Elite, com lutas consideradas as mais fáceis na teoria.
No entanto, terminar o dia invicto ajudou a consolidar seu legado como um dos estudantes mais fortes daquele ano, e se alguém ainda tinha dúvidas sobre seu verdadeiro potencial, essas dúvidas agora estavam dissipadas.
"Caramba— olha para Skyshard, nem está respirando com força... Ele está completamente bem depois de ganhar 10 batalhas!"
"Não há suor na testa dele, nem um arranhão no corpo. Até o Su Yang tem uma marca no rosto, mas o Skyshard está intacto."
"Fera... Skyshard é um monstro de verdade, enfrentei ele na minha sétima luta e ele me dominou completamente sem precisar ativar nenhuma habilidade."
"Lutar com ele foi como tentar enfrentar uma parede inamovível, ele é um autêntico monstro, algo que nunca tinha visto antes."
Começaram a se espalhar boatos na turma sobre o desempenho de Leo nesta primeira aula, pois, olhando ao redor, não havia um único estudante que saísse ileso, exceto ele.
A maioria tinha sofrido ferimentos consideráveis…
Ossos quebrados, costelas machucadas, articulações deslocadas, olhos inchados—
Porém, até mesmo aqueles que se defendiam bem, sem grandes ferimentos, pareciam exaustos após dez lutas, caindo no chão, o peito arfando forte, enquanto Leo permanecia ereto, tranquilo.
Diferente desses idiotas que entregaram tudo em cada luta, gastando toda a energia e mana, Leo nunca usou seu máximo, nem ativou muitas habilidades, preferindo lutar com a cabeça, conservando energia ao evitar movimentos inúteis.
Sentia que poderia passar facilmente mais uma hora assim, sem ficar ofegante, pois essa quantidade de ação não era suficiente para mexer com seus ossos.
"Ok, turma, é isso por hoje. Espero que tenham aprendido bastante enfrentando seus colegas."
"Vamos repetir esse treinamento amanhã, no dia seguinte e também no próximo, antes de uma partida de exibição com rankers no domingo."
"Se acharem que o desempenho hoje ficou aquém, recomendo que, antes de dormir, reflitam sobre as lutas, como aconteceram e o que poderiam ter feito de diferente para evitar uma derrota."
"Autoavaliação é fundamental para melhorar, mas é algo que não se ensina, só se aprende com experiência e insight."
"Enfim, é isso por hoje, vocês estão dispensados." — disse o Major Hen, virando-se nos calcanhares e saindo dos campos de combate prático, deixando os estudantes por conta própria.
"Irmão mais velho! Você estava incrível hoje! Não sabia que conseguia se mover assim—" disse Mu Ryan, assim que a aula terminou, correndo até Leo e segurando seu braço.
"Você vai me enfrentar amanhã, então, por favor, vai com mais calma comigo... Não quero ficar com a bochecha machucada—" ela falou fazendo cara de pidona, tentando parecer fofa e pedir clemência.
"Se não quer acabar com a cara machucada, é só jogar sua arma no chão assim que a luta começar, declarando desistência."
"Se não, não me culpe pelo que vem a seguir."— respondeu Leo, rindo, lançando-lhe um olhar malicioso.
""Mau! Irmão mais velho é malvado—" reclamou Mu Ryan, dando uma cotovelada fraca nele, o que fez Leo explodir em risos.
Uma interação que não passou despercebida pela turma.