
Capítulo 73
Assassino Atemporal
(Academia Militar Rodova, Campo de Treinamento Tático, B-9)
A última aula do dia após o Treinamento Prático de Combate foi "Vigilância, Movimento e Planejamento", um curso exclusivo da Rama dos Assassinos que Leo precisava fazer junto com os estudantes regulares.
Era uma aula predominantemente teórica, com algumas demonstrações práticas conduzidas por Especialistas do Exército — nada muito extenuante fisicamente, o que foi um alívio, considerando que quase todo mundo que chegou para a aula parecia exausto após o primeiro dia de treinamento infernal na Academia Militar Rodova.
No primeiro dia, o Tenente responsável pela aula destacou a importância do planejamento de missões e apresentou três regras fundamentais que todo assassino devia seguir na preparação de uma operação:
1. Vigiar
2. Verificar
3. Planejar
A primeira regra de ouro — Vigilância — era a base de toda missão.
Antes que um assassino empunhasse uma lâmina, antes que um único passo fosse dado em direção ao alvo, a vigilância tinha que ser feita.
Uma missão mal vigiada era uma missão condenada ao fracasso.
Quanto mais um assassino soubesse sobre seu alvo — seus hábitos, rotinas, medidas de segurança e a disposição do ambiente — menor seria o espaço para surpresas inesperadas.
Vigilância não se resumía a observar um alvo das sombras. Era coletar cada detalhe possível que pudesse garantir o sucesso.
Quantos guardas estavam de plantão em determinado momento?
O alvo tinha uma rotina previsível?
Haviam saídas alternativas caso a rota principal de fuga fosse bloqueada?
Que terrenos ou estruturas poderiam ser usados para vantagem do assassino?
Essas eram perguntas que precisariam de respostas claras antes que qualquer plano fosse elaborado.
Um alvo bem protegido exigia uma abordagem diferente de um que fosse descuidado.
Um alvo cercado por figuras políticas demandava silêncio, enquanto um general inimigo no campo de batalha poderia ser eliminado de forma mais agressiva.
Cada missão tinha variáveis únicas — mas essas variáveis não significavam nada se não fossem consideradas antes da execução.
Por isso, vigilância não era apenas uma tarefa — era uma etapa obrigatória no planejamento da missão.
Um assassino que vigilasse corretamente entrava em qualquer batalha já com vantagem.
E quem não o fazia?
Caminhava para o desconhecido, cego, vulnerável.
Na sequência, era preciso verificar as informações obtidas e assegurar-se de que não estavam sendo enganados pelo inimigo com informações adulteradas ou falsas pistas.
Era o momento em que o assassino tinha que questionar tudo que via, toda inteligência acumulada e cada suposição feita — pois o menor detalhe negligenciado podia transformar um plano perfeito em um desastre.
E se os guardas que estavam sendo monitorados fossem apenas iscas, criadas para enganar os intrusos?
E se a passagem secreta descoberta fosse, na verdade, uma armadilha para atrair os invasores para uma emboscada?
E se a janela sem guarda tivesse sido deixada aberta deliberadamente, para atrair os inimigos para uma zona de morte?
Um inimigo habilidoso sabia que assassinos e vigias dependiam de informações. E os mais inteligentes usavam isso contra eles.
Por isso, verificar tudo era uma etapa sem margem para negociação.
Um assassino tinha que cruzar as informações, observar o comportamento do alvo em dias diferentes e horários variados. Anotar variações nas rotinas de segurança — não apenas em dias comuns, mas também em situações de alta vigilância.
Se uma oportunidade parecia fácil demais, provavelmente era uma armadilha.
E, por isso, a aula tinha uma frase simples para memorizar:
"Desinformação é mais mortal que ignorância."
Porque um assassino que entra numa missão sem informações tem uma chance.
Mas um assassino que entra com informações falsas?
Já morreu.
Após reunir e verificar as informações, a etapa final era criar um plano.
No entanto, um bom plano nunca é apenas um.
O Tenente reforçou que confiar numa única estratégia é um erro de principiante.
O assassino precisa operar sempre com pelo menos três planos:
1. Plano Principal — O método mais eficiente e limpo de execução. Se tudo correr como esperado, será esse que será seguido.
2. Plano de Contingência — Uma alternativa de reserva que contempla variáveis imprevistas. Se a patrulha mudar, se o sistema de segurança for atualizado ou se o alvo se mover inesperadamente, o assassino precisa de uma segunda opção pronta para uso.
3. Plano de Fuga — Por mais bem planejada que seja uma missão, a saída é tão importante quanto a execução. Se um assassino eliminar o alvo, mas for capturado ou morto na fuga, a missão será considerada fracassada. Um plano adequado inclui rotas de saída múltiplas, disfarces ou distrações.
Não existe missão perfeita. Existe apenas assassinos bem preparados.
Ao terminar a aula, a maioria dos cadetes se sentou ereta, atentos ao máximo.
Apesar do cansaço, eles entendiam o peso do que tinha sido ensinado.
Não era apenas teoria de livro-texto.
Era conhecimento forjado em missões reais. Mortes reais. Fracassos reais.
E Leo também tinha essa compreensão.
Ter uma rota de fuga planejada com antecedência e agir com cautela era provavelmente uma estratégia inteligente que seu arrogante traseiro precisava aprender, pois, como o próprio Tenente disse, não existem missões perfeitamente executadas — apenas assassinos preparados, que pensaram em todas as possibilidades.
Por isso, ao fim, Leo se levantou completamente satisfeito com o que aprendera naquele dia, indo até o refeitório para o jantar, acompanhado de Mu Ryan, que reclamava de dores.
"Meu Deus, Leo — tudo dói!" ela se queixou, segurando a cabeça.
"Minha cabeça dói, meu corpo dói, minha bunda dói... nem sei como pode a bunda doer, mas a minha dói depois de tantas horas sentada! E ainda é só o primeiro dia."
"O Professor Marvin, que é uma fera, espera que possamos chegar cedo amanhã e correr mais voltas como punição por não ter atendido às expectativas hoje, e esse inferno vai continuar de novo amanhã."
"E... e... tudo isso se eu conseguir dormir agora, mas não consigo."
"Ainda tenho que passar umas horas meditando, depois estudar a página do pergaminho dado na aula de percepção básica e também me preparar para a próxima palestra do Professor David, revisando as anotações dele hoje."
"Depois preciso fazer uma autoavaliação do meu desempenho em combate, como o Major Hen pediu, e ainda dormir e recuperar meu corpo cansado!" ela reclamou, batendo os pés de frustração como uma criança mimada.
"Não é tão ruim assim... você pode pegar umas poções de resistência extras no jantar, isso ajuda a ficar acordada por mais tempo," Leo tentou acalmá-la, mesmo que também achasse que a vida na academia aqui era muito mais difícil do que esperava, de alguma forma ele estava bem com isso.
Ele entendia, profundamente, que ficar mais forte não devia ser um processo fácil, porque se fosse, toda pessoa inútil do universo já seria poderosa por natureza.
Se tornar forte é difícil e exige sacrifícios, por isso os fortes são universalmente respeitados — nem todo mundo consegue chegar lá.
*Barulho de conversas*
*Barulho de conversas*
Quando Leo entrou no refeitório para jantar, encontrou o lugar completamente cheio, sem muitas cadeiras disponíveis. Mas, para sua surpresa, a mesa de canto onde ele costumava se sentar tinha algumas cadeiras vagas, com Su Yang e Mu Shen sentados juntos, parecendo que estavam esperando por ele.
Ao entrar, Mu Shen imediatamente fez um gesto para chamá-lo, e Leo deu uma risada diante dessa novidade inesperada.
Ele não tinha esperado fazer aliados na Academia — pelo menos, não tão rápido assim.
Mas agora? Parecia que ele ia fazer parte de um bloco de poder com os dois melhores estudantes da turma.