Assassino Atemporal

Capítulo 71

Assassino Atemporal

Quando o árbitro baixou a mão para sinalizar o início da luta, Leo imediatamente avançou, com um olhar ameaçador nos olhos.

WHOOSH—

Jiang Gu mal teve tempo de reagir antes que Leo estivesse bem sobre ele.

Leo não usou nenhuma técnica elaborada nesta luta, não porque não confiasse em executá-las, mas simplesmente porque não precisava.

Seu conhecimento e experiência em combate iam além de movimentos sofisticados e domínio de armas, já que seu QI de batalha também era bastante elevado.

Em seu melhor momento, ele não precisava confiar em movimentos impressionantes para derrotar o adversário, pois, na maioria das vezes, podia lê-los como um livro aberto.

"Hoje não vai—" Jiang Gu anunciou, ao ver Leo descendo em sua direção de cima, enquanto ele girava sua espada em um arco rápido e treinado, ativando uma golpe de mana direcionado às costelas de Leo—

Mas Leo leu como se fosse um livro aberto.

Ele não desviou. Não hesitou.

Pelo contrário, inclinou-se para trás enquanto ainda estava no ar e, calmamente, pisou na espada do adversário, no meio do golpe, para realizar uma cambalhota para trás.

"O quê?" Jiang Gu murmurou em descrença, enquanto seu cérebro não conseguia entender a velocidade de reflexos necessária para sincronizar uma cambalhota a partir de um ataque de espada em andamento. No entanto, aquele momento de distração se tornou sua ruína, pois Leo acertou um golpe na parte superior da cabeça dele antes de aterrissar.

"Guh—"

Jiang Gu falou atordoado, com a visão embaçada e o equilíbrio instável.

"Onde?" Ele murmurou confuso, balançando a espada freneticamente, sem conseguir localizar Leo em seu estado de confusão.

"Tô bem aqui, seu inútil!" Leo disse, batendo levemente nos ombros dele, até que Jiang Gu se virou apavorado, momento em que Leo o atingiu com um soco direto no nariz.

* BUM *

Jiang Gu recuou cambaleando, com o nariz partido pelo golpe, enquanto um fluxo constante de sangue começava a escorrer pelo rosto.

"Ai... ai... Aaaaaah—" Ele gritou, massageando o nariz com a mão livre, e mais uma vez, deixando de olhar para Leo, dando ao adversário a chance de atacar novamente.

Seu próximo golpe veio instantaneamente — um golpe de trás, varrendo o queixo de Jiang Gu e derrubando-o no chão.

Estalou!

Jiang Gu ficou estendido no chão, com a cabeça rodada de confusão, incapaz de compreender o mundo ao seu redor.

CHIADO!

Leo pisou impiedosamente no rosto dele, chutando seu nariz quebrado repetidas vezes, deformando-o completamente, até que o árbitro interveio forçosamente para acabar a luta e proteger a integridade do cadete.

"Luta encerrada... Vencedor, Cadete número um!... +2 pontos!" Ele declarou, enquanto Leo se afastava de Jiang Gu, mas não antes de escarro no chão ao lado do rosto dele.

"Nova campeã? Que nada."

Leo zombou, virando as costas para Jiang Gu e se afastando, garantindo que a humilhação pela derrota ficasse bem na memória do adversário.

De certa forma, Jiang Gu teve muita sorte.

Sortudo por a academia ter regras. Sorte dele por Leo ter sido forçado a se conter, pois, se não fosse pelas restrições da academia, Leo sabia no fundo que Jiang Gu não teria saído dessa luta—ele teria rastejado.

E a pior parte?

Leo agora entendia que não sentiria nem uma pontinha de culpa, mesmo se fosse além, até o limite.

Por mais que tivesse dúvidas sobre sua própria natureza—sobre quem ele era antes de perder a memória—a resposta estava se tornando cada vez mais clara a cada momento.

No fundo, Leo sabia a verdade.

Era como um reflexo que sempre esteve ali, olhando de volta para ele desde o início. Mas, na época, ele não estava pronto para admitir isso.

Porém, agora sentia que estava preparado para aceitar.

Ele não era um herói. Não era um guerreiro nobre.

No seu âmago, ele era um assassino—frio, calculista e implacável com tudo que o irritava.

Mas não era um assassino sem sentido, sem mente, sem razão.

Ele não matava apenas por prazer, nem buscava destruição por si só.

Mas paciência? Misericórdia?

Ele tinha muito pouco disso para dispensar. Especialmente contra pessoas que não gostava ou com quem não tinha apego.

E era surpreendente o quanto lhe era difícil se apegar a alguém, pois, embora Mu Ryan fosse agora uma espécie de amiga, de quem ele não disfarçava antipatia,

ainda assim, ele não tinha dúvidas de que, se amanhã ele encontrasse Mu Ryan numa luta em que só um pudesse sair vivo, ele a mataria sem hesitar, e dormiria tranquilo por isso.

Ele simplesmente não se importava o suficiente com ela para se preocupar com a vida ou a morte dela, e, embora o pensamento de matar alguém conhecido devesse assustá-lo, sendo honesto, isso não o assustava.

Na verdade, o pensamento o confortava, pois um lado sombrio de sua mente dizia para se orgulhar dessa apatia, pois isso o tornava um alvo mais difícil.

Por outro lado—

O lado racional dele reconhecia que esse nível de distanciamento, essa crueldade pura e inabalável, provavelmente não era algo bom.

Compaixão, empatia, solidariedade—essas eram as coisas que faziam um humano… humano.

Era o que diferenciava homens de monstros, guerreiros de bestas.

Mas quanto mais pensava nisso, mais difícil ficava convencer a si mesmo de que deveria se importar.

Porque a verdade era que ele não se importava.

Não havia mais culpa. Nenhuma hesitação sobre sua natureza na cabeça dele. E, ao invés de questionar, ele passou a aceitar.

Por que deveria se arrepender de quem ele era?

Ele era um caçador, não uma presa.

Um predador, não um tolo sentimental que finge ser algo que não é.

E quanto mais aceitava isso…

Mais gostava dessa sensação.

Ele ainda nem tinha retornado ao auge de suas habilidades.

Não tinha conquistas grandiosas para se vangloriar, nem uma reputação a se apoiar.

Mesmo assim—ele sentia sua arrogância natural voltando aos poucos.

Não por causa do que já tinha feito e conquistado na academia, mas pelo que sabia que era capaz de fazer.

"Droga… Acho que finalmente entendi por que Muiyan Faye chamou meu eu anterior de extremamente arrogante.

'O Chefe'? Esse nome me parecia meio brega quando ouvi pela primeira vez, mas agora até que tenho gostado…

Com meus instintos de combate de volta, me sinto realmente como o "Chefão". E se só com minhas memórias de combate já me sinto assim melhor? Imagino como deve ser quando recuperar todas as minhas memórias."

Leo pensou, enquanto cerrava a mão em um punho e olhava para ela com paixão.

* Batida * * Batida *

O pulsar forte em suas veias exigia que ele lutasse mais.

A diversão de humilhar seus oponentes… Ele queria sentir isso mais vezes.

A euforia de esmagar o nariz de um adversário!

ELE QUERIA SENTIR MAIS.

"Droga… Quanto tempo até a próxima luta começar? Tô até cansado de ficar olhando pra cara desse inútil—" Leo reclamou impaciente, enquanto o árbitro olhava para seu relógio esperando o tempo zerar, antes de dar o comando de "Vire—"

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