Assassino Atemporal

Capítulo 56

Assassino Atemporal

(Ponto de vista de Leo, enfermaria do Bloco C)

Leo virou-se, seus sentidos lentamente retornando ao foco.

Tudo doía.

Seus membros pareciam pesos mortos, seus músculos gritavam em protesto com qualquer movimento, e sua cabeça pulsava com uma dor surda e constante.

Era como acordar depois da pior sova da sua vida—exceto que ele não se lembrava de quando tinha levado um golpe.

*Suspiro*

Uma respiração profunda trouxe uma pressão aguda e desconfortável no peito. Não era dor, mas uma sensação de aperto, como se seus pulmões ainda estivesse se ajustando para funcionar normalmente novamente.

'O que diabos aconteceu…?' ele se perguntou, enquanto sua última memória era de correndo na pista—suas pernas ardendo, a respiração ficava mais curta, e o mundo lentamente escurecendo a cada volta.

Escuridão. Era tudo o que ele lembrava. Isso tinha invadido os cantos da visão dele, espalhando-se a cada passo até—

Até o quê?

Sobrancelhas franziram levemente enquanto ele olhava para o teto branco acima de si. Ele não se lembrava de ter caído. Não se lembrava de parar.

Tudo o que sabia era que, de um momento para o outro, ele estava correndo, e no próximo… estava aqui.

"Você está acordado."

Uma voz calma, autoritária, cortou seus pensamentos, e Leo virou levemente a cabeça para ver uma mulher madura ao lado da cama.

Cabelos escuros salpicados de prata, presos em um coque arrumado, e olhos afiados, avaliadores, que varreram ele com precisão clínica.

"Você nos deu um baita susto, rapaz," ela disse, colocando um pequeno frasco na mesa ao lado da cama. "Nem muitos estudantes conseguem acabar na enfermaria no primeiro dia—pelo menos, não por correr."

Leo piscou, sua garganta seca ao finalmente perceber o ambiente ao seu redor.

Era a enfermaria do Bloco C, ele tinha visto na orientação, de fora.

"Quanto tempo estive inconsciente?" ele perguntou, a voz saindo áspera, provavelmente porque não falava há horas.

"Um pouco mais de duas horas." respondeu a enfermeira, olhando para o relógio, enquanto Leo expirava com força ao ouvir a resposta.

Isso não era ideal. Ficar fora por duas horas significava que ele perdeu a maior parte do que aconteceu na aula de treinamento da manhã, e também sua chance de tomar café da manhã.

"Você precisa se mexer se não quer perder a próxima aula." avisou ela, enquanto pegava o frasco que colocara na mesa antes, pressionando o vidro em sua mão.

"Beba isso ao longo do dia. Devagar, pequenos goles, não tudo de uma vez. Vai ajudar seu corpo a se recuperar."

Leo franziu a testa, observando a poção.

Ela parecia turva e amarelada, como xixi, e assim que a ideia entrou na sua cabeça, não conseguia se imaginar bebendo aquilo.

No entanto, ao acenar firmemente para a enfermeira, Leo levantou as pernas da cama, os pés tocando o chão frio, respirando fundo antes de se obrigar a se sentar.

'Dói…' ele percebeu, enquanto cada parte do corpo doía, porém, embora a dor estivesse sempre presente, era estranhamente suportável.

Ele podia se mover apesar do desconforto, e isso era tudo que importava.

"Seu corpo ainda não está completamente recuperado, então não seja imprudente. Seus reservatórios de mana ainda estão baixos, então espere um pouco de fadiga. Mas, se tomar esse remédio e se alimentar bem, estará melhor amanhã," disse ela, enquanto marcava alguns pontos na sua ficha de paciente.

Leo mexeu os ombros, alongando a rigidez nos braços e pernas, antes de dar uma resposta breve com um aceno.

"Obrigado." ele disse, mas a chefe da enfermaria não respondeu.

Ela apenas lançou um olhar compreensivo antes de se virar, já se dirigindo ao próximo paciente.

"Certo, a próxima aula é Fundamentos de Percepção, tenho que ir para o bloco D—" Leo murmurou para si mesmo, sem ficar por aí também.

De forma rápida, começou a se dirigir ao setor D, enquanto pensava em como devia estar se tornando a maior chacota da turma.

"Desmaiar no primeiro dia… devem pensar que sou uma farsa… *Que sorte*. Vou virar alvo de piadas e bullying."

As pessoas vão zombar de mim, só porque sou o número um e não mereço nada disso," Leo refletiu, quase temendo ao pensar em ir para a próxima aula.

Ele nunca foi alguém facilmente influenciado pela pressão dos colegas, mas não era nada agradável ser o motivo das piadas.

No entanto, sem outras opções, seguiu em direção à próxima aula, onde a atmosfera ao chegar era completamente diferente do que ele esperava.

*********

Quando Leo entrou no Campo de Treinamento D-4, um silêncio pesado caiu sobre os estudantes que já estavam lá.

Ele tinha esperado cochichos, risadinhas, talvez até algumas provocações.

Esperava que chamassem atenção por desmaiar. Por colapsar no primeiro dia.

Mas o que recebeu…

Foi algo completamente diferente.

No momento em que sua presença foi percebida, as cabeças se viraram—devagar, quase com cautela.

Olhos foram direcionados a ele com um olhar indecifrável, desconfiado.

Uns arregalaram, outros cerraram os olhos, e alguns estudantes até recuaram meio passo, como se sua própria presença os incomodasse.

Foi sutil. Mas Leo sentiu.

Os olhares que o observavam tinham medo dele, como se o vissem como um monstro e não um colega, e Leo não conseguia entender o motivo.

'O que está acontecendo?' ele se questionou, ajustando os ombros.

Não diminuiu o passo. Não alterou a expressão, caminhou como se estivesse totalmente indiferente às olhadas que recebia.

Mas por dentro, estava confuso.

'Que reação é essa?'

Seu olhar percorreu os estudantes, vasculhando seus rostos, a linguagem corporal deles.

Capitou fragmentos de conversas baixas—não cochichos de zombaria, mas de cautela. De descrença.

"Ele já está acordado…?"

"Duas horas. Foi o bastante pra ele se recuperar disso?"

"Eu… Pensei que ia ficar fora o resto do dia, pelo menos…"

"Ele desmaiou, mas continuou correndo… o corpo dele não parou…"

Os passos de Leo hesitaram um pouco.

O quê?

Continuou correndo?

As palavras não faziam sentido. Ele tinha desmaiado, certo? Por isso estava na enfermaria. Por isso acordou lá.

Porém, os murmúrios continuaram.

"Ele estava sorrindo o tempo todo, como se fosse um louco."

"Por que ele parece tão calmo? Ele sabe que não engana mais ninguém com essa calma falsa, né?"

A sobrancelha de Leo se contraiu.

'Do que eles estão falando?'

Uma sombra passou rápida por seu campo de visão periférica, e Leo virou-se justo a tempo de ver Mu Shen entrando em cena, braços cruzados, expressão normalmente relaxada, totalmente diferente do que tinha visto antes.

"Você realmente é um doido, Skyshard," murmurou Mu Shen, não como uma ofensa, mas como alguém ainda tentando entender o que tinha visto.

Leo franziu o cenho. "O que diabos aconteceu?"

Os lábios de Mu Shen se abriram levemente, como se estivesse para responder—

Então—

"Cale a boca, vamos lá."

Uma voz firme e autoritária cortou o murmúrio dos estudantes, e instantaneamente trouxe foco ao ambiente.

Leo virou a cabeça para a fonte, fixando a atenção no instrutor que estava na frente do campo de treinamento.

Um homem alto, magro, de olhar penetrante e sorriso de predador. Sua postura era relaxada, quase preguiçosa, mas algo nele transmitia perigo.

Era o Professor Powell.

Instrutor de Fundamentos de Percepção.

Leo pôde perceber, só de olhar, que não era um homem para levar na leveza.

"Hora de ver se você realmente consegue enxergar," disse, ao piscar os dedos e convocar uma névoa cinza fina, que cobriu todo o campo de treinamento.

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