
Capítulo 55
Assassino Atemporal
Marvin avançou rapidamente assim que percebeu o que estava acontecendo.
O corpo de Leo continuava se movendo, suas pernas ainda impulsionando-o à frente, apesar dos sinais inequívocos de perda de consciência.
"Pare, garoto, você vai acabar se matando se não—" Marvin entrou em ação e o agarrou pelos ombros, levantando-o do chão de forma decisiva.
Mas mesmo enquanto Marvin levantava o corpo de Leo no ar, Leo ainda lutava e contorcia-se contra a restrição, seus músculos ticsando, seus membros sacudindo-se como se procurassem por terra firme.
Suas pernas chutavam fraco, desesperadas para continuar correndo, apesar de sua mente já estar há muito tempo desligada.
Marvinfranziu o cenho, observando os olhos de Leo, que estavam viraçoados e sem vida, buscando alguma centelha de consciência.
No entanto, nada podia ser encontrado.
Leo tinha desaparecido.
E ainda assim—seu corpo insistia em não parar.
'Que força de vontade monstruosa!… que tipo de treinamento transforma um garoto nisso?' Marvin pensou, sentindo-se impressionado ao exalar uma respiração curta pelo nariz.
Mudando o aperto, ele prendeu Leo em um abraço firme, cruzando seus braços contra o corpo dele, obrigando-o a ficar imóvel.
Só então—quando todos os movimentos foram brutalmente interrompidos—o corpo de Leo finalmente deixou de resistir, ficando relaxado contra a estrutura implacável de Marvin. E ali ele parou de vez.
Por um momento, o campo de treinamento ficou em silêncio absoluto.
E então, como se a realidade tivesse acabado de afundar, os sussurros começaram.
"…O que diabos a gente acabou de testemunhar?"
"Ele estava sorrindo, o tempo inteiro—enquanto corria, enquanto sangrava—ele estava sorrindo."
"Não… isso nem é a pior parte, a pior é que ele estava inconsciente. Ele nem sabia que estava sorrindo. Ele não escolheu continuar. Seu corpo simplesmente… continuou correndo e sorrindo, mesmo quando sua mente já tinha se apagado."
As palavras pesaram sobre o grupo de estudantes que ainda estavam correndo, como um peso sufocante.
"Quero acreditar que ele teria parado no final—"
"—Eu tenho que acreditar nisso. Mas… se o professor não o tivesse impedido, se o Marvin não o tivesse contido fisicamente…"
Ele hesitou, como se falar o pensamento aloud tornasse tudo real.
"…Ele teria continuado? Correria até o corpo realmente não aguentar mais?"
A pergunta surgiu como uma onda de arrepio na espinha dos estudantes que estavam ali perto da pista de corrida.
"…Eu achava que sabia o que era ultrapassar meus limites. Achava que entendia o que era força de vontade." Uma garota de uma das seis grandes clãs disse, ao virar o olhar para a forma inerte de Leo.
"Mas aquilo? Aquilo não era força de vontade. Era algo diferente."
"Algo desumano—"
Silêncio.
Então—
"Porra, eu tava planejando desafiá-lo depois disso." alguém comentou com uma risada seca, sem humor.
"Agora? Acho que nem quero estar no mesmo campo de batalha que aquele monstro." Concluiu, enquanto esfregava as mãos, que tinham ficado com a pele reptiliana por causa do arrepios.
"Esse cara… não é normal. Não é normal. Ninguém deveria conseguir fazer isso. Ninguém deveria continuar correndo quando o corpo pede para parar."
"Não é só talento ou treino… é como se ele não soubesse como parar."
"…Que tipo de vida você precisa ter pra virar algo assim?" Mu Shen perguntou, olhando fixamente para a forma imóvel de Leo.
"…Não," ele se corrigiu, balançando a cabeça. "Que tipo de pessoa você precisa ser? Pelo que ele deve ter passado para chegar nisso?"
O pensamento deixou todos desconfortáveis.
Todos eles tinham se esforçado muito para chegar onde estavam hoje.
Nenhum deles tinha uma vida fácil enquanto crescia.
Porém, qualquer inferno que tenham passado agora parecia uma praça de crianças ao lado do passado de Leo Skyshard.
*********
(Academia Militar Rodova, Enfermaria do Pavilhão C)
O professor Marvin levou pessoalmente Leo para a enfermaria assim que as convulsões dele cessaram, pois sentia o pulso de Leo enfraquecendo a cada segundo que passava.
A enfermaria estava relativamente tranquila, com apenas alguns casos menores sendo atendidos—escoriações, hematomas e ocasional esforço muscular.
Como o semestre tinha acabado de começar, ainda não havia muitos ferimentos graves, o que permitia à equipe médica se preparar para o que viria a seguir.
Então, quando Marvin entrou atropeladamente carregando Leo pelo ombro, o ambiente imediatamente se prontificou para a ação.
Meio duzia de assistentes e uma médica sênior, uma mulher calma porém autoritária, de cabelo escuro com fios prateados, correram até ele, com os olhos arregalados ao verem o estado de Leo.
"Coloque-o aqui," a médica instruiu, apontando para uma das mesas reforçadas, enquanto Marvin fazia o que foi mandado, baixando cuidadosamente Leo sobre a superfície acolchoada.
"O que aconteceu com ele?" a médica perguntou enquanto Marvin rapidamente explicava que Leo continuou correndo, mesmo após desmaiar, levando seu corpo além dos limites.
Com uma ideia geral do que tinha acontecido, os assistentes imediatamente começaram a trabalhar, com as mãos brilhando com mana de diagnóstico, realizando uma avaliação rápida.
Porém, em segundos, seus rostos ficaram sérios.
"Fibra muscular rasgada nas pernas e braços—" um deles relatou, com a voz carregada de incredulidade.
"Fraturas por estresse no tíbia, fíbula e metatársicos," outro acrescentou.
"Exaustão de mana detectada—suas reservas estão completamente esgotadas."
Mas o pior ainda estava por vir.
A médica sênior, ao lado da cama de Leo, colocou a mão pouco acima do peito dele, sua mana pulsando em ondas enquanto fazia uma avaliação mais aprofundada.
Num segundo, seus olhos arregalaram-se com algo parecido com choque.
"Há uma perfuração pequena no pulmão esquerdo," ela disse, com uma voz normalmente tranquila carregada por uma pontada de incredulidade. "Provavelmente causada por esforço extremo sob privação prolongada de oxigênio."
Um dos assistentes engoliu em seco. "Isso… não faz sentido. Aquele tipo de ferimento ocorre em combates de alta intensidade, não por correr."
A médica recuou, respirando fundo enquanto observava a forma inconsciente de Leo. Seu rosto ainda pálido, lábios ligeiramente separados, seu corpo jazia assustadoramente imóvel, completamente drenado de força.
Mas mesmo agora—apesar do dano—seus dedos tremeram, como se seu corpo ainda estivesse tentando se mover.
"Esse grau de autodestruição…" ela murmurou baixinho. "Como alguém pode fazer isso consigo mesmo?"
Marvin cruzou os braços, seu olhar fixo em Leo. Ele tinha visto muitos estudantes ao longo dos anos, muitos guerreiros de elite em formação, mas nenhum que tivesse causado tanto dano a si próprio sem estar numa batalha de verdade.
Deixou escapar um suspiro curto. "Esquece o como. Você consegue consertar ele?"
A médica sênior assentiu, embora com hesitação no olhar. "Sim. Os ferimentos são graves, mas podem ser completamente curados em poucas horas com o tratamento adequado."
"Vou tentar garantir que ele não perca sua próxima aula, que começa em 2 horas e meia, mas com certeza vai perder o café da manhã—" ela concluiu, enquanto os lábios de Marvin se curvavam levemente, sem humor algum.
"Está bem, arranje um jeito de consertar e, quando ele acordar, informe que falhou na minha aula de treinamento e terá que refazer as 100 voltas amanhã," Marvin ordenou, e então deixou a enfermaria.
Revirando os olhos, como se estivesse desapontado com o professor cabeça de músculo, a médica-chefe preparou um soro, dando instruções às suas assistentes.
"Prepare a solução de regeneração de mana. Ele precisa de cura de tecidos profundos e de um ciclo completo de desintoxicação."
"Tasha, lance uma magia de cura nos pulmões dele, o buraco é pequeno, você consegue fechar rápido."
"Daryn, remova o sangue vazado, desentupa as artérias menores."
"Heldi, cure os ossos fraturados."
"Vamos lá! A próxima aula é daqui a 2 horas e meia—"
ordenou a médica-chefe, enquanto toda a equipe trabalhava na recuperação do corpo de Leo com velocidade dupla.