
Capítulo 36
Assassino Atemporal
"Sabrina, traz uma folha em branco e uma caneta," Adrian ponderou, seus dedos batendo preguiçosamente contra a mesa de metal frio enquanto mantinha contato visual sem piscar com Leo.
Sem hesitar, Sabrina se moveu. Em questão de segundos, colocou uma folha branca e uma caneta à frente do médico, que imediatamente começou a trabalhar.
Leo observava, sua visão ainda turva pelos efeitos das drogas, enquanto a mão de Adrian se movia com precisão—rabiscando linhas, curvas e traços detalhados com uma velocidade assustadora.
Então, finalmente, a caneta parou.
Adrian virou o papel para ele.
"Olhe isto," disse, com tom casual—demasiadamente casual. "Reconhece este símbolo?"
O olhar desfocado de Leo desviou-se para baixo.
E seu batimento cardíaco desacelerou.
No momento em que o viu, sinos de alerta tocaram em sua cabeça.
O símbolo que Adrian havia desenhado—não era completamente desconhecido.
Não.
Era demais parecido com o que ele tinha sido instruído a memorizar na última rodada.
Exceto... havia diferenças.
Pequenas mudanças. Pequenas distorções. Ajustes sutis.
Leo esfregou os olhos, tentando focalizar, mas sua visão permanecia instável. As bordas do papel se misturavam, sua mente entorpecida distorcendo a realidade. Em sua percepção turva, a tinta preta parecia mexer-se, como se estivesse viva.
'Não é o mesmo,' percebeu, sua mente trabalhando através da névoa. 'Mas está perto… muito perto.'
Uma armadilha.
Esse foi o primeiro pensamento que surgiu em sua cabeça.
Isso não era um teste aleatório—Adrian sabia de algo. Ele estava sondando, procurando uma reação.
Se Leo dissesse que não reconhecia nada aquilo, seria suspeito?
Mas se confirmasse de imediato… estaria cavando sua própria sepultura?
Uma inspiração lenta. Então, numa voz deliberadamente arrastada e indecisa, ele murmurou:
"Parece familiar. Como algo que já vi antes. Mas…" ele piscou, balançando a cabeça como se lutasse para se concentrar. "Sinto… que não está certo. Errado. Alguns detalhes—" sua mão tremeu levemente enquanto apontava para o papel, "—não estão exatamente corretos."
As palavras saíram de seus lábios, medidas, cautelosas.
E então, ele observou.
Vigiou o menor brilho na expressão de Adrian.
Porque o que viesse a seguir… diria exatamente o quão perigosa era aquela conversa.
"Errado? Como assim? Pode me apontar o que você acha que está errado aqui?" perguntou Adrian, com expressão expectante, enquanto virava o papel um pouco para Leo.
Os dedos de Leo tremeram involuntariamente diante da pergunta.
A mente dele, entorpecida pelo efeito das drogas, estava lenta, mas seus instintos gritavam para que ele fosse cauteloso.
Ele não podia simplesmente dizer que não reconhecia, pois isso pareceria suspeito demais; contudo, admitir demais poderia cavar seu túmulo também.
Por isso, decidiu agir com cuidado—
Inclinado para frente, ele entrecerrou os olhos, como se tentasse focar através da névoa. Suas palavras vieram devagar e arrastadas, na medida certa para convencer.
"Deveria ter… três pontas na parte inferior," murmurou, levantando a mão tremendo para gesticular. "Não duas. E… a coroa no topo—" seu dedo subiu, "—deveria ter uma torre… e não três."
Ele piscou lentamente, sua visão distorcendo a tinta na página. "Sim… sim, está perto… mas não está certo."
Por um longo momento, Adrian simplesmente o encarou.
Depois—finalmente—os lábios dele se contorceram em um sorriso de compreensão.
"Um verdadeiro descendente do Clã Mu," sussurrou, recostando-se satisfeito. "Isso explica muita coisa."
A cabeça de Sabrina se virou abruptamente para ele, com expressão séria. "Mu?" ela repetiu, com incredulidade na voz.
"Ele é descendente de um dos Seis Grandes?" ela perguntou, olhando novamente para Leo, como se o estivesse reavaliando completamente.
"Como você pode ter certeza?"
Adrian soltou uma risada baixa, sacudindo a cabeça, divertido. "Olha só pra você," zombou, clicando a língua.
"Quando ouve a palavra Mu, de repente, quer devorar o rapaz." Ele zombou, com o sorriso se alargando. "Que fim levou aquela indiferença de cinco minutos atrás, hein?"
Sabrina lançou um olhar de irritação para ele. "Calado," ela murmurou, mas sua curiosidade já tinha sido despertada.
Adrian levantou as mãos em sinal de rendição falsa, antes de voltar seu foco para ela, explicando sua dedução diretamente.
"Aquele símbolo que ele lembra naturalmente?" Adrian bateu no papel novamente.
"É a marca do Clã Mu." Começou ele, enquanto Sabrina franzia as sobrancelhas.
"Então, o quê? Qualquer um pode lembrar esse símbolo!" ela retrucou, enquanto Adrian resmungou pelo nariz, balançando a cabeça.
"Quando o Clã Mu apaga a memória de um descendente, eles sempre deixam duas coisas para trás. Um nome falso… e o selo do Clã Mu, enterrado fundo no subconsciente."
Ele se inclinou levemente para frente, a voz ficando mais baixa e deliberada.
"É assim que eles funcionam. Enviam seus jovens ao mundo sem vínculos, sem memórias—nada além de seus Instintos e talento naturais. É a forma deles de garantir que seus herdeiros cresçam fortes, sem depender do prestígio familiar.
E, embora muitos clãs menores—e até mesmo o Culto do Mal—tenham começado a copiar seus métodos, a maioria nem percebe que a impressão do símbolo faz parte do processo."
Os lábios de Sabrina se abriram um pouco, compreendendo a situação.
Adrian sorriu ao ver sua reação antes de continuar. "E aqueles que realmente memorizam o selo do Mu? São farsantes, falsários—pessoas que apenas estudaram o símbolo, não pessoas que tiveram ele gravado na cabeça desde o nascimento."
Seus dedos batendo lentamente na mesa novamente, de forma deliberada.
"Apenas um verdadeiro descendente do Clã Mu conseguiria perceber as inconsistências. Mesmo sob forte efeito de drogas, seu cérebro reconheceu as diferenças—seus instintos disseram que algo estava errado. Isso não é algo que se consegue falsificar."
Sabrina respirou fundo, seu olhar desviando para Leo, que ainda permanecia ali, em silêncio de espanto.
Mas Adrian não havia terminado.
"E isso é só o começo," prosseguiu, com um sorriso mais profundo. "A circulação de mana dele? Mais fluida do que quase qualquer estudante que vi em anos. Esse nível de eficiência é genético. É um controle que está enraizado em linhagens poderosas."
Sabrina franziu o cenho. "Só isso não—"
Adrian interrompeu com um gesto de mão. "E o jeito que ele se move." Seus olhos brilhavam de diversão enquanto sinalizava para Leo.
"Ele caminha sem fazer barulho. Nenhum movimento desperdiçado. Isso não é coisa que um amador aprende em uma semana. São anos de treinamento de assassino, embutidos no corpo antes mesmo dele entender o significado."
Sabrina estreitou um pouco os olhos, considerando suas palavras.
Adrian riu. "E o corpo dele? Ágil, eficiente, feito para praticidade, não apenas força bruta. É exatamente assim que o Clã Mu treina seus assassinos. Eles não gastam tempo em ficar musculosos. Moldam matadores."
Ele recostou-se agora, com um sorriso mais largo.
"Mas a verdadeira diferença?" Ele virou o olhar para Sabrina, com expressão cheia de orgulho. "Ele resistiu à minha pressão como se fosse nada."
Sabrina pisca, surpresa.
Adrian bateu na têmpora, como se estivesse lembrando-a. "Minha habilidade de [Intimidação] não é só para parecer chamativa. A maioria dos recrutas hesita, suam, o pulso dispara. Até a maioria dos nobres fica desconfortável."
Seu sorriso virou uma lâmina afiada. "Mas ele?" soltou um som baixo, divertido. "Nem um tremor. Nenhum sinal de desconforto."
Como se tivesse passado a vida rodeado de guerreiros que transmitem pressão só por existir."
Ele inclinou a cabeça levemente. "E me diga, onde acha que alguém assim teria sido criado?"
Sabrina exalou lentamente, a compreensão se estabelecendo.
O sorriso de Adrian se expandiu ainda mais, enquanto ele finalizava sua dedução.
"Vamos resumir, então?" Ele bateu os dedos na mesa uma última vez, recostando-se na cadeira.
"O conhecimento subconsciente do símbolo do Clã Mu."
"A circulação de mana imbatível."
"Os movimentos silenciosos, treinados para assassinos."
"O físico refinado, pronto para combate."
"E a imunidade total à minha invocação de intimidação."
Seu sorriso se agudizou, brilho de satisfação nos olhos.
"Enquanto um desses parâmetros pode ser falsificado—todos eles juntos?" ele soltou uma risada pequena. "Só há uma conclusão lógica."
Ele olhou diretamente para Leo, com um olhar de entendimento final.
"Esse moleque é do Clã Mu."