Assassino Atemporal

Capítulo 25

Assassino Atemporal

Como ela conseguiu passar a mensagem para mim? Tenho certeza de que ela nem chegou a tocar em mim—pensou Leo, com os olhos se arregalando de surpresa.

A sensação o deixou inquieto. Ele vinha atento a cada detalhe ao seu redor, treinado para perceber até os menores sinais, e mesmo assim, a nota apareceu na sua mão sem que ele percebesse.

Seu raciocínio voltou ao momento da troca—

O olhar afiado da instrutora permanecendo um pouco mais tempo do que o necessário sobre ele, a maneira deliberada como ela passou por ele sem perder o passo…

Por mais que tentasse recordar, não conseguia identificar nenhum movimento óbvio, nenhuma mudança sutil ou artifício de mãos que pudesse explicar isso.

No entanto, de alguma forma, ela havia colocado a nota na sua mão sem que ele percebesse.

'Ela é habilidosa,' admitiu Leo, tentando esconder um franzir de testa. Se ela conseguiu colocar algo na sua palma assim, com tamanha facilidade, também poderia ter enfiado uma adaga entre suas costelas sem esforço.

Um arrepio percorreu seu corpo. 'Sou fraco demais.'

Essa ideia pesava no peito. Apesar de todos os seus instintos e reflexos, tinha sido completamente ultrapassado.

'Quem ela é?' tentou lembrar seu nome, mas não conseguiu.

Nunca se apresentou, nem ele conseguiu vislumbrar a placa de identificação dela.

No entanto, sua aparência ficou gravada na memória com clareza precisa.

Ela era alta para uma mulher, pelo menos 1,78m, com um físico atlético moldado por anos de treinamento de combate. Seus cabelos pretos como a noite estavam cortados acima dos ombros, cuidadosamente presos atrás das orelhas.

Maxilares marcantes e maçã do rosto elevada davam a ela um aspecto marcante, quase severo, enquanto sua pele clara de oliva era lisa e sem manchas—algo incomum, considerando a dureza da vida militar.

Não tinha nada particularmente chamativo—sem cicatrizes visíveis, sem traços que imediatamente se destacassem. E ainda assim, algo na presença dela tornava impossível ignorá-la.

Leo expirou forte, afastando esses pensamentos.

'Se ela é instrutora aqui, logo a verei novamente.'

Por enquanto, era melhor concentrar-se no que havia na sua frente.

Um olhar rápido ao redor revelou que os outros recrutas já estavam ocupados procurando seus quartos, demasiado preocupados com seus próprios problemas para notar sua permanência ali.

Percebendo que tinha ficado parado por tempo demais, Leo virou-se em direção ao quadro de avisos, onde estavam as listas de quartos, e escaneou rapidamente a relação.

Leo Skyshard – Quarto 316.

Memorizado o número, virou-se e caminhou na direção do seu quarto.

Seus dedos ficaram ligeiramente cerrados ao redor da nota na palma da mão.

Assim que ficasse sozinho, finalmente iria lê-la.

*************

(Quarto 316)

A hospedagem de calouros na Academia Militar de Rodova era simples, porém elegante.

Não havia excessos de luxo, nem decorações desnecessárias—apenas um espaço confortável, bem planejado, destinado a acomodar os estudantes sem distrações.

Ao entrar, a porta deslizou silenciosamente para fechar atrás dele com um clique suave. O quarto era amplo o suficiente para uma pessoa só, nem grande demais nem apertado. As paredes eram de um cinza discreto, o piso bem-polido, refletindo o estilo minimalista e militar da academia.

Contra a parede ao fundo, uma cama robusta, feita com lençóis pretos bem esticados e colchão firme. Do lado, uma mesinha pequena, funcional, com uma tela embutida—provavelmente para acessar recursos da academia e trabalhos acadêmicos.

À esquerda, um armário alto, com as portas entreabertas, revelando espaço para guardar uniformes fornecidos pela instituição e objetos pessoais. Uma seção separada parecia dedicada ao armazenamento de armas, reforçando que aquele não era um dormitório comum de escola.

No fundo, um banheiro privativo, bem organizado. Uma olhada rápida revelou um chuveiro moderno, uma pia simples e um espelho acima dela—prático, objetivo, como tudo na academia.

Leo colocou seus pertences na mesa e respirou fundo lentamente. A tensão dos desafios do dia ainda se fazia presente em seus músculos, mas, agora, pela primeira vez, ele estava verdadeiramente sozinho.

Seu olhar se dirigiu à nota que ainda segurava na mão. Sem perder tempo, puxou o pequeno pedaço de papel, desdobrou-o e começou a ler.

"Antes de tudo, parabéns por ter entrado na Academia Militar de Rodova. Tenho certeza de que o teste de admissão não foi tarefa fácil, especialmente levando em consideração o quanto você esqueceu de suas habilidades."

A expressão de Leo se aprofundou.

Ele não gostava de bajulação. Quem escreveu essa carta sabia exatamente o que tinha acontecido com ele—sabia que sua perda de memória não era natural, mas proposital. E, ainda assim, falavam como se fosse uma inconveniência menor.

As palavras soavam vazias. Calculadas.

"No entanto, tinha fé de que você iria superar, pois você é o que se poderia chamar de um 'talento de geração'."

Leo respirou fundo pelo nariz. Odiava esse tipo de elogio, aquele que parecia mais manipulação do que admiração genuína.

Talento de geração? Para ele, aquilo não significava nada. Se fosse mesmo um prodígio assim, por que se sentia tão perdido no teste? Por que toda luta o fazia duvidar de seus próprios instintos?

A carta seguiu, e à medida que seus olhos percorriam a página, seu desconforto só aumentava.

"Amanhã, você passará por testes de aptidão, nos quais sua origem será avaliada. É então que você entenderá o significado de perder a memória."

Leo apertou mais a folha, com força moderada.

Quer dizer que seu passado era algo perigoso? Algo que não resistiria ao escrutínio?

"Memorize o símbolo que desenhei na parte inferior desta nota e mostre-o ao instrutor na hora certa. Não faça perguntas. Apenas faça."

Seus olhos se dirigiram ao rodapé do papel.

Um símbolo lá estava—intricado, mas desconhecido. Parecia um brasão formado por linhas geométricas entrelaçadas.

Leo não sentiu boas vibrações com aquilo.

Todo instinto lhe dizia que quem quer que tivesse escrito aquilo estava brincando com ele, alimentando-o com informações suficientes só para mantê-lo sob controle.

"Sei que você está ansioso para recuperar suas memórias, mas agora não é o momento adequado para se lembrar delas.

Suas memórias retornarão quando for a hora. Por enquanto, seu foco deve ser em se sair bem na academia."

Leo apertou a mandíbula enquanto uma raiva lentamente crescia dentro dele.

Seus dedos se cerraram, e as bordas da nota enrugaram sob sua pressão.

Alguém controlava seus passos. Decidia o que ele poderia ou não saber, deixando seu próprio passado pendurado na ponta de um fio, como um presente.

Ele odiava isso.

E, no entanto…

Sabia que, por enquanto, não tinha outra alternativa senão cumprir as vontades daquele que manipulava.

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