
Capítulo 24
Assassino Atemporal
Academia Militar Rodova, Planeta Rodova
A cápsula de transporte que carregava Leo desceu suavemente, seus propulsores emitindo um zumbido baixo enquanto se aproximava dos terrenos da academia.
Com precisão treinada, a nave pousou, causando uma leve trepidação no chão sob os pés de Leo. Logo após, tocou um sino mecânico, sinalizando a sequência de pouso concluída.
Pouquito tempo depois, as portas da cápsula se abriram com um chiado pressurizado, revelando o mundo lá fora.
Uma corrente de ar fresco entrou, trazendo o frio do ambiente.
Leo respirou fundo, firme, antes de dar um passo à frente.
No momento em que saiu, a primeira coisa que chamou sua atenção foi a grandiosidade do espaço aberto ao redor dele.
Do alto, ele pôde perceber que a Academia Militar Rodova foi construída como uma fortaleza, enorme em tamanho, mas foi só ao aterrissar que percebeu realmente o quão grande ela era.
Os campos de treinamento se estendiam ao seu redor até onde a vista alcançava, pareciam vastos e amplos, mas pareciam pequenos perto das muralhas da academia, que se erguiam impressionantes a 45 metros de altura.
As muralhas da academia eram feitas de tijolos de cor avermelhada quase preta, e no topo delas pendiam enormes banners pretos, cada um com letras grossas e prateadas que diziam: "Academia Militar Rodova".
Os banners balançavam suavemente ao vento, seu tecido reforçado e grosso dava uma aparência imponente, mais do que decorativa.
Não eram feitos de tecido comum, e mesmo de longe, Leo percebeu que eram de material resistente, de alta qualidade, durável contra os elementos e o tempo.
Os caracteres prateados brilhavam sob o sol da manhã, deixando qualquer um com calafrios.
O ambiente da academia gritava que aquilo não era apenas um local de aprendizado. Era uma herança.
E, ao mirar ao redor, até mesmo Leo sentiu uma ponta de intimidção pela aura e pela história daquele lugar.
Um frio sutil percorreu sua espinha, não por medo, mas pela certeza do que tinha entrado.
Esta academia não era apenas uma escola. Era um campo de prova.
Somente os que fossem verdadeiramente dignos poderiam se formar ali.
"Primeiro ano, sigam por aqui—"
Uma voz firme e autoritária rasgou o ar matinal enquanto uma instrutora militar feminina estava à frente dos recrutas reunidos. Sua postura era rígida, sua expressão impenetrável enquanto indicava para que os novatos seguissem.
Segurando seus recém-distribuídos uniformes de academia, roupas e o distintivo de identidade, Leo entrou na fila com os demais, seus olhos preocupados vasculhavam o entorno em busca de algum sinal de quem enviou a misteriosa carta — uma pista de como recuperar suas memórias agora que estava dentro da academia.
Infelizmente, até então, não havia contato externo, obrigando-o a seguir os outros como de costume.
A instrutora não perdeu tempo. Ao passarem por vários edifícios, ela falava com frases curtas, objetivas, passando rapidamente pelas principais instalações da academia.
"Este é o escritório da administração," ela apontou para um prédio moderno, com janelas reforçadas. "Se tiverem algum problema nos primeiros dias — moradia, troca de uniforme, documentação — resolvam aqui. Mas, nem pensem em depender de ajuda o tempo todo. Aqui é uma instituição militar, não uma creche."
Leo quase não prestou atenção no escritório, só deu uma olhada rápida, anotando sua localização no caso de precisar de algo.
O grupo seguiu adiante por uma estrada pavimentada, seus passinhos batendo no chão de pedra enquanto a instrutora indicava uma estrutura grande, com teto em abóbada.
"Este é o salão de orientação. Vocês deverão se apresentar aqui amanhã, exatamente às 07:00 horas. Em ponto. Uniformizados. Se atrasarem, é melhor virar as costas e sair do campus, porque não irão entrar na sala de testes."
Sua voz carregava toda a autoridade, mesmo sem elevar o tom, e a ameaça implícita era clara para todos.
Leo anotou mentalmente. Sem margem para erro. Confirmado.
Continuaram passando por um edifício maior, diferente dos demais — mais largo, mais baixo, perfumado com o aroma de comida.
"Refeitório," disse a instrutora com simplicidade. "Três refeições por dia. O horário está no cardápio interno. Se perder uma refeição, problema seu."
Leo viu alguns recrutas trocando olhares de desejo em direção ao prédio. Era bem possível que alguns não tivessem se alimentado bem há algum tempo. Ele mesmo não estava com tanta fome, mas sabia que logo precisaria reabastecer as energias.
Foram mais adiante pelos terrenos da academia, passando por linhas de dormitórios idênticos, cada um claramente destinado a um ano de estudante.
"Estes são os dormitórios do terceiro ano. Não mexam neles, pois são a orgulho desta academia."
Avançaram mais um pouco.
"Estes são os dormitórios do segundo ano. Fiquem longe aqui, a menos que queiram apanhar."
Por fim, chegaram à última fila de construções, um pouco afastada do restante.
"Estes," ela parou, virando-se para eles, "são os dormitórios do primeiro ano — onde vocês vão ficar."
Ela se virou de frente para os jovens, braços cruzados.
"Busquem seus nomes no quadro de avisos na entrada. Lá estará a lista do seu quarto. Não adianta reclamar, a escolha já foi feita."
Alguns recrutas trocaram olhares desconfiados.
Depois, como se percebesse a preocupação deles, ela completou:
"E, antes que perguntem—não, vocês não vão dividir o quarto. Assassinos moram em alojamentos particulares. Não queremos que vocês se matem enquanto dormem."
O franzir de sobrancelha de Leo se intensificou com a franqueza da fala, mas ele entendeu que fazia sentido.
"Por isso, fiquem felizes por viverem separados, tendo banheiros privativos. Profissões diferentes não terão esse luxo e terão que dividir banheiro com colegas suados," ela finalizou, seu olhar frio varrendo os recrutas. "Se tiverem dúvidas finais, sugiro que as resolvam agora. Está liberado."
E, com isso, ela virou-se rapidamente e foi embora, deixando os novatos por sua conta.
Porém, ao passar por Leo, ela desacelerou intencionalmente, por um instante — pouco mais que um segundo, mas suficiente para notar.
Seu olhar afiado deu um breve flashing nele, os olhos se cruzaram por um momento, e ela seguiu caminhando como se nada tivesse acontecido.
Leo nem teve tempo de processar direito quando sentiu algo estranho pressionado contra a palma da mão — uma textura leve, mas inconfundível, áspera porém flexível.
Papel.
Seus dedos se fecharam ao redor, instintivamente, antes que alguém percebesse. Seus olhos se arregalaram de surpresa.
A instrutora não virou cabeça. Seguiu seu caminho sem uma palavra, deixando Leo em pé entre os colegas com um mistério silencioso agora em suas mãos.