
Capítulo 23
Assassino Atemporal
Assim que o Coronel saiu da sala, Leo se levantou rapidamente e seguiu em direção à saída.
Diferentemente de muitos dos demais que ainda estavam recebendo tratamento médico, ele precisou de pouca assistência.
A poção que lhe fora aplicada já havia feito seu efeito, recuperando sua resistência e atenuando as dores persistentes nos músculos.
Ao passar pela porta, entrou em um corredor longo, onde uma série de balcões provisórios havia sido montada.
Por trás de cada um deles, oficiais militares estavam sentados com uma postura rígida, semblantes inexpressivos enquanto registravam os novos recrutas.
Alguns estudantes já formavam filas nos balcões, alguns se movendo lentamente por causa do cansaço, enquanto outros se mantinham tensos, ainda desconfiados, apesar de o susto ter acabado.
O murmúrio de conversas silenciosas preenchia o ambiente, mas ninguém ousava falar alto demais.
Leo observou a cena e avançou em direção a um balcão livre, onde um oficial de meia-idade, com cabelos grisalhos, sentado com um grosso livro de registros à sua frente. O homem mal levantou o olhar quando Leo se aproximou.
"Nome?" perguntou o oficial, de tom seco e direto.
"Leo," respondeu sem hesitar.
O oficial passou o dedo pela lista de nomes, parando ao encontrar o que procurava. Com um breve aceno, estendeu a mão por baixo do balcão e puxou uma bandeja organizada cuidadosamente.
Os olhos de Leo imediatamente se fixaram no conteúdo.
No topo da bandeja estavam duas pilhas de uniformes militares dobrados. O tecido era resistente, com costura precisa, e o emblema de Soldado Raso estampado no peito.
Diferente do padrão de camuflagem verde que ele esperava de roupas militares, esses uniformes exibiam um desenho de camuflagem cinza, com uma paleta de cores discretas criada claramente para se misturar ao ambiente urbano, e não às florestas densas.
Seu olhar percorreu a insígnia acima do bolso do peito. Bordada em letras marcantes sobre o brasão da academia estavam as palavras: [Rama dos Assassinos].
Os dedos de Leo ficaram alguns segundos suspendidos sobre o material, depois se moveram para o segundo conjunto de traje na bandeja.
Era diferente do primeiro — preto absoluto, leve e fluido. Um conjunto de vestes especialmente desenhadas para treino de combate de assassino.
"Uniforme padrão," explicou o oficial em tom monótono. "Para uso diário nas aulas. Os pretos são capas de combate destinadas a cursos práticos. Use-os conforme as instruções."
Leo fez uma levehenchida de cabeça, pegando o último item da bandeja — uma pequena, mas bem trabalhada, medalha de identificação.
Era uma insígnia de metal sólido, surpreendentemente pesada pelo tamanho.
Reliefada na superfície polida estavam as palavras: Leo Skyshard – Academia Militar de Rodova.
Embora Leo ainda não compreendesse completamente o significado dessa medalha, algo lhe dizia que ela seria mais do que apenas uma identificação de estudante.
Num mundo onde a força ditava o status, ter uma prova de seu lugar na academia provavelmente abriria portas que ele ainda sequer imaginava.
Por ora, no entanto, ele simplesmente tomou o que lhe foi dado, assentindo silenciosamente enquanto se afastava do balcão, sua mente já pensando no que o aguardava.
Caminhando rapidamente, chegou à área do hangar onde navios de transporte modernos aguardavam para levar os estudantes ao seu novo lar.
Assim que um grupo suficiente de estudantes se reuniu, eles foram rapidamente carregados na nave, que partiu rumo à lendária Academia Militar de Rodova.
A viagem aérea até a academia foi curta, durando pouco mais de quinze minutos.
No entanto, a distância percorrida foi, sem dúvida, significativa — Leo tinha certeza de que havia visto eles cruzar um oceano inteiro, com base na paisagem fora da janela.
De cima, o contraste entre onde ele tinha estado e para onde estava indo tornava-se cada vez mais claro.
A área de teste da prisão tinha sido uma ilha isolada, cercada apenas por densas selvas e uma natureza implacável.
Isolada e esquecida, sua única função era servir de campo de batalha para aqueles desesperados o suficiente para tentar ingressar na academia.
Mas a verdadeira Academia Militar de Rodova não tinha nada a ver com aquilo.
À medida que a nave se aproximava do destino, a vegetação selvagem e indomada da ilha deu lugar ao coração pulsante da civilização.
Uma vasta metrópole se estendia em todas as direções, com arranha-céus imensos projetando longas sombras sobre as ruas movimentadas lá embaixo.
Grandes outdoors digitais piscavam com anúncios, exibindo rostos que Leo não reconhecia — influenciadores famosos, celebridades e guerreiros, cada um com textos em negrito promovendo produtos cosméticos, melhorias genéticas, armas ou serviços militares.
As ruas estavam cheias de veículos elegantes e de alta velocidade que se entrelaçavam entre os prédios de tamanhos variados.
Alguns transitavam por baixo, outros pilotavam pelo céu de forma caótica, assim como a cápsula voadora em que ele estava.
Leo, embora normalmente indiferente, se pegou admirando a vista.
O nascer do sol por trás do horizonte da cidade banhava tudo com um brilho intenso, colorindo as ruas de tons de vermelho e dourado.
Por um momento, apenas observou, apreciando a beleza surreal de tudo aquilo.
Então, seu olhar se voltou para o verdadeiro destaque da cidade — a Academia Militar de Rodova.
Mesmo em uma cidade cheia de maravilhas arquitetônicas, a academia se destacava como um titã entre elas.
Era enorme.
Uma fortaleza em todos os sentidos da palavra.
Seu tamanho colossal superava qualquer estrutura ao redor, fazendo até os arranha-céus mais altos parecerem insignificantes.
Muros gigantes cercavam o complexo da academia, ladeados por tourelles, postos de segurança e torres de vigilancia protegidas por soldados fortemente armados.
As edificações dentro do local eram monolíticas, construídas com metal reforçado e materiais de ponta, transmitindo sensação de poder absoluto.
Leo tinha pouco conhecimento de urbanismo ou de mercado imobiliário, mas entendia bem o que tudo aquilo significava.
Num centro populoso como aquele, uma academia desse tamanho em seu coração só podia valer uma fortuna.
Nenhuma academia comum poderia se dar ao luxo de isso, e, se a Academia Militar de Rodova ocupava um espaço assim, certamente era um lugar especial.