Assassino Atemporal

Capítulo 22

Assassino Atemporal

Coração de Leo pulsava violentamente no peito enquanto aguardava a onda de culpa invadi-lo… mas ela nunca veio.

Depois de assassinar brutalmente seu companheiro de equipe, Leo tinha esperado sentir vergonha, até mesmo nojo de suas ações—mas, ao contrário, uma estranha sensação de satisfação se instalou nele.

“O que há de errado comigo?”

“Que tipo de monstro eu sou?”

Os pensamentos giravam em sua cabeça enquanto ele encarava a sangue na pele, confuso.

“Significou alguma coisa a minha companhia?” Leo se perguntou, olhando para o corpo de Felix aos seus pés. Mesmo tentando ao máximo sentir remorso, não conseguiu encontrar nenhum.

Nem uma fagulha de arrependimento pulsava nele. Apenas um vazio oco onde sua humanidade deveria estar.

"Pois é, sou um assassino frio como pedra. Talvez tão ruim, ou até pior, do que os outros aqui... Talvez eu realmente pertença a este lugar," Leo murmurou levemente, sentindo, mesmo após ter perdido a memória, que sua identidade como assassino estava firmada após esse incidente.

Ele instintivamente sabia exatamente onde atingir um homem para perfurar seu coração, e também conhecia o método preciso de cortar a garganta para causar uma dor mínima e uma morte instantânea.

Esses movimentos estavam enraizados em seus ossos, e a facilidade com que os executava dizia tudo que precisava sobre si mesmo.

Ele era um assassino.

Um comerciante da morte.

"Dei uma chance pra ele lutar. Esperei vinte segundos e ataquei de frente.

Para mim, tudo a partir daquele momento foi justo—" Leo murmurou, percebendo a razão de por que não sentia nenhum remorso.

Ao fazer uma retrospectiva, sentiu como se, ao dar o aviso a Felix antes de atacá-lo, Leo tivesse se isentado de toda culpa.

O que acontecesse a seguir era meramente destino, e se Felix tivesse coragem de reagir, talvez pudesse ter sobrevivido.

Não era culpa dele ser um covarde quando está sóbrio, e por isso ele não podia carregar o peso da morte de Felix nas costas.

"Monstro... Leo Skyshard, você é um monstro. Mas tudo bem, ao menos não é um monstro sujo," concluiu Leo, sentado de pernas cruzadas ao lado do corpo de Felix, esperando o fim do segundo teste.

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(18 minutos depois)

Depois de 18 minutos, enquanto o cronômetro na parede marcava 00:00, todas as restrições de parede de vidro foram levantadas simultaneamente.

Uma parte da parede branca imaculada da sala brilhava e se dissolvia, revelando uma porta oculta pela qual os médicos invadiram rapidamente o ambiente.

Os curandeiros trabalharam com agilidade, lançando feitiços e aplicando poções para estabilizar os vencedores, com mãos treinadas movendo-se com urgência.

Enquanto isso, os derrotados eram carregados em macas, seus corpos sem vida tratados com uma eficiência fria, sendo jogados em plataformas de transporte como sacos de batatas.

Leo permaneceu sentado sobre seu azulejo, observando a cena com um olhar distante, até que um curandeiro de aparência gentil se aproximou, oferecendo-lhe uma ampola de líquido verde cintilante.

"Para sua resistência," disse o curandeiro, com o tom firme e gentil, enquanto Leo aceitava a poção sem dizer uma palavra.

*POP*

Ao abrir a ampola, Leo deu um gole cauteloso, o líquido queimando um pouco sua língua e garganta ao descer até o estômago.

'Delicioso—' pensou, enquanto a poção começava a fazer efeito instantaneamente.

Uma onda de calor percorreu seu corpo, expulsando a fadiga que se alojara profundamente em seus ossos.

Porém, justamente quando ele inclinava a ampola para beber mais, o som de botas pesadas batendo contra o piso de azulejo chamou sua atenção.

Os médicos ao redor dele se endireitaram, seus movimentos desacelerando ao entrar na sala o Major, acompanhado por um pequeno grupo de militares.

A entrada do Major imediatamente chamou a atenção de todos, enquanto os sobreviventes se preocupavam se haveria ou não uma rodada secreta 3 aguardando-os ao final do discurso do Major.

Felizmente, parecia que não, pois o Major começou seu discurso parabenizando a todos por finalmente chegarem à academia.

"Parabéns," disse o Major, sua voz firme e decidida. "Vocês provaram seu valor. Entre os cem mil que se inscreveram, vocês são as 125 pessoas que conquistaram o direito de ingressar na nossa prestigiosa Asa dos Assassinos da Academia Militar de Rodova."

"Vocês enfrentaram testes que desafiaram sua força, seus instintos e sua determinação. Fizeram sacrifícios—alguns mais difíceis que outros. Mas quero deixar uma coisa clara: isso foi só o começo." O Major prosseguiu, com tom de congratulação, mas também de aviso.

"Fora desta câmara," continuou, gesticulando em direção à porta de saída recentemente revelada, "navios de transporte estão esperando para levar cada um de vocês ao campo da academia. Lá, receberão seus distintivos de estudante e os uniformes oficiais. Esses não são apenas trajes cerimoniais—marcam vocês como parte da elite."

A menção aos uniformes e distintivos provocou alguns murmúrios entre os sobreviventes, mas a maioria permaneceu em silêncio, demasiado esgotada para fazer mais do que ouvir.

O olhar do Major percorreu a sala, pousando brevemente em Leo e seguindo depois. " Amanhã, começará o teste de aptidão e a orientação. Cada um de vocês deve comparecer vestido com os uniformes da academia e nada mais. O não cumprimento resultará na expulsão imediata."

A sobrancelha de Leo se franziu levemente com a última declaração. Ainda nem tinha entrado oficialmente na academia e já estavam ameaçando expulsar?

Mesmo ali, parecia que não havia espaço para erros.

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