
Capítulo 21
Assassino Atemporal
A anúncio do Major provocou uma tempestade de emoções complexas dentro de Leo.
Ele não queria matar Félix—não depois de tudo o que haviam suportado juntos nas últimas horas. Mas as regras da segunda rodada eram brutalmente claras: de cada dupla, apenas um poderia avançar, enquanto o outro tinha que morrer.
Não havia espaço para negociações, nem opção de misericórdia.
Enquanto Leo permanecia na provenção imaculada, com paredes de vidro, sua mão segurando a adaga ao lado, os ecos da violência ao redor só aumentavam sua inquietação.
Muitos dos outros pares já haviam começado a lutar sem hesitar.
Os sons de metal batendo, gritos de desespero e shouts frenéticos reverberavam pelo ambiente estéril, um lembrete sombrio do que era esperado dele.
Mas Leo não se moveu.
Algo em atacar Félix parecia intrinsecamente errado para ele.
Embora não conhecesse Félix por muito tempo, e mesmo que não pudesse chamá-lo de amigo, Félix não era seu inimigo. Era um homem que estivera ao seu lado na confusão, e matá-lo parecia uma traição.
"A gente não precisa fazer isso, sabe," disse Félix de repente, sua voz tremendo enquanto recuava em direção à parede oposta da cela. Seus olhos se moviam nervosamente ao redor, mas sempre retornavam para Leo.
"A gente pode só… esperar. Deixar o tempo acabar. Os dois ficamos desqualificados, mas pelo menos ainda estamos vivos. Não parece melhor do que se matar um ao outro?"
Leo não respondeu. Deixou o olhar baixar até a adaga na mão, cuja lâmina brilhava sob as luzes artificiais. Sua expressão estava vazia, seus pensamentos confusos.
As regras da Academia eram absolutas, mas a sugestão de Félix trouxe uma questão incômoda à frente da mente de Leo.
'Será que eles realmente nos deixariam ir se não lutarmos? Ou iriam simplesmente matar os dois?'
O pensamento o corroía, aprofundando-se a cada segundo. Ele não conseguia se livrar da sensação de que a crueldade da Academia ia muito além do que já haviam vivido. E que poderiam facilmente quebrar a palavra e matar os dois ao invés de deixá-los partir.
Mas algo ainda mais perturbador do que isso era uma questão pessoal e profunda.
'Se eu não lutar… se eu não ganhar… será que algum dia recuperarei minhas memórias?'
A carta que recebera antes de tudo isso tinha sido clara: seu único caminho para recuperar o passado estava dentro da academia. Desistir significava abandonar a única chance que tinha de descobrir quem realmente era.
O peso dessa realização pressionava seu corpo como uma força física, e seu aperto na adaga se tornou ainda mais firme.
Em seu interior, emoções conflitantes guerreavam—dúvida, culpa, medo—e sua expressão vazia ficou ainda mais atordoada.
Porém, justo quando ele se via mergulhado numa profunda indecisão, uma voz fria e primal sussurrou na profundidade de sua consciência.
Matar.
Não era uma sugestão. Nem mesmo um impulso. Era uma verdade, crua e inegável.
Para sobreviver, seguir em frente, ele teria que matar.
O cronômetro na parede marcava cada vez mais perto do fim, cada segundo que passava parecia uma contagem regressiva para o inevitável.
Felix, ficando mais desesperado com o silêncio de Leo, deu um passo cautionoso adiante, as mãos levantadas como a tentar acalmá-lo.
"Fale alguma coisa, pelo amor de Deus! Você tá me assustando!", exclamou Felix, a voz tremendo sob o peso do pânico, enquanto Leo finalmente levantava o olhar para encara-lo.
"Em vinte segundos, vou atacar você, Félix," disse Leo com uma voz fria e sem emoções. Seu tom calmo, firme.
O queixo de Felix caiu em choque, mas Leo continuou sem pausas.
"Não quero exatamente que você morra. Mas não vou me segurar, então sugiro que tente ao máximo me matar também."
As palavras soaram como um golpe de martelo. Eram desprovidas de maldade, mas isso só as tornava mais impactantes. Felix recuou, respirando com dificuldade.
"O quê?", gaguejou, a voz quase um sussurro. "Você não... Você sabe que não consigo lutar sem minha bebida, cara! Isso não é uma luta justa! Por favor, não faça isso!"
A voz de Felix ficou mais alta, mais frenética, lágrimas começando a escorrer pelo rosto. "Vou fazer qualquer coisa, Leo! Qualquer coisa! Só não me mate!"
Mas a expressão de Leo não mudou. Sua determinação permanecia firme, o foco deslocado para outro lado. Ajustou sua pegada na adaga, mudando um pouco sua postura enquanto seu corpo tencionava.
A voz de Felix se quebrou, o desespero voraz de suas palavras se espalhando como uma represa se rompendo. "Sobrevivemos juntos, cara! Éramos uma equipe! Como você pode simplesmente jogar isso fora?!"
Leo não respondeu. Não vacilou. Sua mente estava consumida pela única, inegável verdade: esse era o único caminho adiante.
"Acabou o tempo", disse calmamente, sua voz cortando através dos soluços de Felix como uma lâmina.
E então, ele se moveu.
Leo avançou, sua adaga apontada direto ao peito de Felix.
Felix gritou, os olhos arregalados de terror enquanto tentava se defender. Seus braços se mexiam inúteis, as lágrimas em seus olhos confundindo sua visão e seus movimentos desajeitados e descoordenados.
Por um instante breve, seus olhares se encontraram—o frio e implacável de Leo, o de Felix cheio de pânico e traição.
E naquele instante, o vínculo frágil que tinham como parceiros se quebrou completamente.
Ao olhar nos olhos de Leo agora, Felix já não via mais o companheiro gentil que o havia resgatado de uma multidão de assassinos implacáveis. Em vez disso, via um criminoso, decidido a acabar com sua vida.
*Facada*
*Corte*
A luta acabou antes mesmo de começar, quando Leo cortou sua garganta e perfurou seu coração da forma mais indolor que conhecia.
"Desculpe por isso… grandão, não queria que terminasse assim..." disse Leo, sendo essas as últimas palavras que Felix ouviu antes que seus olhos se apagassem para sempre.