Assassino Atemporal

Capítulo 20

Assassino Atemporal

A jogada de Leo ao permanecer na varanda deu resultado.

Nas meia hora finais do teste, ninguém teve coragem de pisar na varanda, dando a Leo e Felix uma chance de garantir a classificação.

Se foi por medo, cansaço ou simplesmente porque a maioria dos concorrentes restantes estavam muito envolvidos em suas próprias lutas, a varanda permaneceu intacta e sem interferências.

125 Pares Restantes.

Assim que o número no Contador atingiu 125, um alto apito resonou pelos terrenos da prisão, marcando o fim do brutal teste de classificação.

O coração de Leo pulou uma batida ao ouvir o som do apito, o barulho repentino o assustando.

No entanto, assim que o choque inicial passou, um alívio imediato o invadiu, como um peso que saía do peito.

Consegui. Sobrevivi.

"Eu realmente sobrevivi", pensou, a realização dominando-o como um calmante suave.

Mas, enquanto o alívio dava lugar à reflexão, outro pensamento surgiu: 'E agora?'

O olhar de Leo caiu sobre o Contador preso à sua cintura, seus dígitos vermelhos presos no número 125. Esse número representava seu triunfo, seu progresso. Mas, além disso, não dizia mais nada.

"Será que finalmente vou descobrir as respostas que procuro? Sobre este lugar? Sobre mim mesmo?" ele se questionou, mas antes que pudesse aprofundar-se na questão, sua atenção foi interrompida por um grito de excitação.

"Conseguimos! A gente conseguiu mesmo, Leo!" exclamou Félix, com a voz cheia de alegria descontrolada.

Antes que Leo pudesse reagir, Félix correu em sua direção, com os braços abertos para um abraço entusiasta.

"Não, não! Ainda não estamos nessa fase de abraço–" tentou Leo, tentando impedir que Félix o abraçasse, mas o gordo parecia sem jeito.

Ele continuou avançando, apesar da resistência de Leo, até que o cristal de teletransporte brilhou intensamente no último segundo, teleportando os dois para fora da varanda da prisão num instante.


Quando o brilho do cristal de teletransporte desapareceu, Leo se viu de pé numa sala estranha, estéril, com Félix ao seu lado a alguns passos de distância.

A confusão de ter sido teleportado repentinamente parecia tê-los impedido de seguir com o plano do abraço, enquanto Félix cruzava os braços e observava, com cautela, o novo ambiente ao seu redor.

O espaço era enorme, uma vasta área coberta por lajotas brancas, cada uma marcada por um círculo preto no centro.

Enquanto Felix inspecionava a sala, conseguiu contar 125 lajotas, cada uma com um par de concorrentes, todos aparentando igual de confusos com a teletransposição repentina.

"Que lugar é esse?" murmurou Felix, passando as mãos na testa.

"Por que todo mundo fica só… parado? O que está acontecendo?"

Leo não respondeu imediatamente, seu olhar fixo ao redor, atento.

A sala estava inquietantemente vazia—sem saídas visíveis, sem indicações claras do que viria a seguir. Apenas o branco absoluto e o peso opressor da incerteza.

"Leo?" pressionou Felix, sua voz mais alta agora, carregada de preocupação.

"O que a gente faz agora?" perguntou novamente, mas antes que Leo pudesse responder, um clique agudo ecoou do alto, seguido de um sonsinessa mecânico.

Leo virou a cabeça na direção do som justo a tempo de ver painéis de vidro transparentes descendo do teto.

O som era assustador—abertura de uma batida baixa, ritmada, enquanto cada painel se encaixava com precisão e uma eficiência inquietante.

Clique.

Zunido.

Os painéis de vidro se fixaram no chão, formando cubos perfeitamente selados ao redor de cada par, isolando-os uns dos outros.

As reverberações leves do vidro se assentando pelo piso correram pelo corpo de Leo, causando um calafrio.

"O quê…?!" gritou Felix, colocando as mãos contra a parede de vidro que os cercava. Ele bateu nervoso, a voz subindo em pânico. "Leo! O que é isso?! Por que estamos presos numa caixa?!

Leo permaneceu calado, com a mandíbula contraída enquanto observava as grades de células de vidro ao seu redor. Os reflexos tênues das expressões confusas dos outros concorrentes refletiam sua própria apreensão.

Bzzz~~

Naquele momento, uma onda de estática cortou o silêncio tenso, seguida por uma voz que ecoou de alto-falantes escondidos.

"Parabéns a todos os concorrentes por chegarem até aqui," anunciou uma voz profunda e autoritária, silenciando a sala.

A voz era inconfundível: era Major Silver Paige.

"A primeira fase foi projetada para avaliar como vocês funcionam em equipe. Se conseguem proteger um alvo fraco ou colaborar com um aliado forte. Mas o trabalho em equipe só leva vocês até certo ponto."

As palavras do Major tinham um peso frio, sua entonação era tanto medida quanto implacável.

"A segunda fase determinará se vocês têm o que é preciso para se tornar assassinos."

A barriga de Leo se contraiu ao sentir aquelas palavras no ar, uma sensação de apreensão tomando conta. Ele achava que o teste de entrada já tinha acabado, mas aparentemente não.

"A academia aceita somente 125 candidatos por ano," continuou o Major. "E não pretendemos quebrar essa tradição agora."

"Dos 125 pares diante de mim, apenas um candidato de cada par será autorizado a se matricular. Os outros 125 terão que perder suas vidas."

Um suspiro coletivo percorreu a sala, abafado pelas paredes de vidro, enquanto Felix recuava assustado, pálido como uma folha de papel.

"Isso não pode estar acontecendo," murmurou Felix, a voz trêmula. "Eles não estão falando sério, né?"

Leo permaneceu em silêncio, seu olhar fixo na voz do Major enquanto ela continuava.

"Este é um confronto até a morte," declarou o Major, com tom frio e firme.

"Vocês têm 25 minutos..."

"Falhem e ambos os integrantes de um par serão desqualificados."

"Conquistem, e terão a chance de se tornar um dos maiores assassinos do universo."

Mais uma vez, a estática se fez ouvir enquanto a voz do Major desaparecia, deixando apenas o silêncio opressivo da sala.

Felix virou-se para Leo, com as mãos tremendo. "Leo… o que a gente faz?!" perguntou, a voz quase um sussurro.

Mas Leo não respondeu. Seu olhar fixo e afiado permanecia na adaga na mão, enquanto sua mente já pulsava com a dura realidade que enfrentavam.

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