
Capítulo 12
Assassino Atemporal
Leo percebeu a presença de dois oponentes novos caminhando pelo corredor.
Desta vez, era um duo: um homem de ombros largos com armadura descompensada e uma foice pontiaguda e brutal carregada no ombro, e uma mulher de olhos verdes penetrantes e com uma série de lâminhas arremessáveis presas firmemente na frente do peito.
Leo a reconheceu imediatamente — ela era a perigosa que havia avistado do lado de fora da prisão na fase de formação de duplas. Aquela que ele tinha considerado brevemente como potencial parceira.
O olhar frio e calculista dela havia se destacado para ele até então, e agora, ao vê-la de perto, ele sabia que ela não era só perigosa; ela era mortal.
Seus passos ecoavam suavemente, suas vozes baixas, mas aumentando de volume à medida que se aproximavam.
“…Tô te dizendo, escutei alguém murmurando aqui embaixo,” disse a mulher, com a voz aguda e breve.
“Provavelmente só uns frouxos se escondendo no escuro,” respondeu o homem com uma risada. “Isso vai acabar rapidinho.”
O queixo de Leo se tightou. Ele se virou para Felix, que ainda estava inclinado contra a parede, meio doidão e resmungando baixinho.
“Felix,” Leo sussurrou, a voz afiada, mas silenciosa. “Fica quieto. Eles vêm aí.”
Porém, Felix ou não ouviu ou não se importou. Ele resmungou mais alto, algo ininteligível sobre odiar aquele maldito teste.
“Cala a boca!” — explodiu Leo, quase sussurrando.
Mas já era tarde demais.
O duo parou de repente, suas cabeças se virando para a origem do som.
“Viu?” — disse a mulher, com os lábios formando um sorriso malicioso. “Achei que tinha te avisado.”
O homem sorriu, levantando a foice com uma mão. “Acho que vamos aproveitar a brincadeira, hein.”
Os dedos de Leo se apertaram ao redor das adagas. Ele tinha esperança de evitar outra luta tão cedo, especialmente com o corpo ainda dolorido da última. Mas agora, não tinha mais escolha.
‘Ótimo. Parece que vou ter que meter a mão de novo,’ pensou, preparando-se para sair das sombras.
Antes que pudesse se mover, Felix se levantou.
Leo parou, congelado, olhando com choque enquanto Felix cambaleava até ficar de pé, o rosto vermelho e expressão contorcida de fúria alcoólica.
“Ei!” — gritou Felix, apontando um dedo vacilante para o duo. “Quem vocês pensam que são, hein? Descendo pelo nosso corredor, agindo todo convencido e por aí?”
A mulher levantou uma sobrancelha, claramente divertida. “Bem, isso foi inesperado.”
O homem gargalhou, sua voz profunda ecoando. “Olha só pra esse porco bêbado. Achando que é valentão.”
O instinto de Leo gritou para que puxasse Felix de volta, fizesse alguma coisa, mas ele hesitou.
‘O que diabos ele está fazendo? Será que ele consegue lutar mesmo?’ — pensou Leo, querendo ver do que Felix era capaz, mas também sem querer ser eliminado pela estupidez dele.
Antes que pudesse tomar uma decisão definitiva, os olhos de Felix se estreitaram, a expressão se tornando uma carranca de zombaria.
“Valente? Ah, você nem conhece a metade, sua vadia enorme.” — retrucou, surpreendendo até o grande homem, que ficou de careta com a resposta inesperada.
Então, para a surpresa total de Leo, Felix partiu pra cima.
Felix se moveu com velocidade e precisão que desafiavam seu estado de embriaguez. O primeiro alvo foi o homem, cujo riso zombeteiro virou um grunhido assustado assim que Felix avançou mais rápido do que o esperado.
O homem balançou a foice num arco amplo, mas Felix se abaixou por baixo dela com facilidade, os movimentos erráticos, mas intencionais.
“Tá devagar, seu grandão!” — rosnou Felix, cortando a coxa do homem com sua adaga curta.
O homem gritou de dor, cambaleando para trás com sangue jorrando da ferida. Mas Felix não parou. Arrancou a adaga e furou o ombro do homem com força, girando a lâmina com violência.
“Gostou?” — sibilou Felix, com voz baixa e ameaçadora. “Que tal isto aqui?”
Ele puxou a espada da ferida e a cravou no pescoço do homem, o sangue jorrando em um arco horrendo enquanto o homem engasgava e desabava no chão.
A mulher, que não sorria mais, lançou uma lâmina com pontaria mortífera contra Felix. Mas Felix se desviou cambaleando, a lâmina passando por centímetros de seu corpo.
“Perdeu, querida,” — zombou Felix, com um sorriso selvagem. “Tenta de novo.”
A mulher não hesitou. Tirou suas duas adagas e se lançou contra Felix, com golpes rápidos e implacáveis.
Mas Felix foi mais rápido.
Defendeu o ataque com sua espada, o som do aço ressoando pelo corredor. Sua outra mão se estendeu, agarrando o pulso dela e torcendo até ela soltar uma exclamação de dor.
“Você acha que é assustadora?” — rosnou Felix, gotinhas de veneno na voz. “Você não sabe o que é assustar de verdade.”
Com um rugido selvagem, ele bateu a cabeça dela contra a parede, o som de osso quebrando reverberando pelo corredor.
Sangue escorreu por seu rosto, mas ela não parou. Contra-atacou com a lâmina restante, cortando um profundo rasgo no braço de Felix.
A ferida foi feia, uma lasca brutal que espalhou sangue pelo chão. Mas Felix mal piscou.
“Sua vadia,” — rosnou, agarrando ela pelo pescoço e lançando contra o chão.
Ela arfou, tentando rasgar sua mão enquanto ele a prensava, a espada pairando sobre o peito dela.
“Pede” — sussurrou Felix, com o sorriso ainda maior. “Pede pra eu te deixar viver.”
Ele parecia extrair um prazer sádico ao deixá-la impotente, mas a mulher não seguiu as regras dele.
“Vai pro inferno.” — respondeu com desafiança, olhos verdes ardendo de paixão, fazendo o sorriso de Felix desaparecer.
“Resposta errada.” — disse Felix, e com uma estocada brutal, enfiou a adaga curta no peito dela, torcendo até seu corpo ficar imóvel.
Foi um fim brutal para a mulher, mas, felizmente, para o homem que lutava no chão, a morte da parceira levou à sua instantânea teletransporte para fora da área de teste, onde, esperançosamente, os médicos poderiam tentar salvá-lo, apesar do sangue que já tinha perdido do pescoço.
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À medida que a adrenalina da luta o deixava, Felix ficou de pé sobre a poça de sangue que extraiu dos oponentes, sorrindo de forma maníaca com sua obra.
Seu peito arfava enquanto ele se voltava para Leo, com o sorriso se abrindo ainda mais.
“E aí?” — disse, com uma voz descontraída. “O que achou? Bem sinistro, né?”
Leo o encarou, seu cérebro girando. O Felix que havia se escondido atrás de uma coluna na última luta tinha sumido. Isso era alguém completamente diferente — alguém descontrolado, perigoso e aterrorizante。
“Você… matou eles,” — disse Leo, com a voz baixa.
Felix encolheu os ombros. “Pois é. Que, achou que eu ia deixar eles nos matarem?”
Leo não respondeu. Não podia.
Felix riu, limpando o sangue da espada com a manga. “Relaxa, parceiro. Tô aqui pra te proteger.”
Mas enquanto Felix se virava, Leo não conseguia tirar a sensação de que estava olhando para um estranho.
Felix bêbado não tinha nada a ver com o Felix covarde de sempre, e embora a versão bêbada dele fosse útil em combate, Leo sentia no osso que não podia confiar nesse assassino enlouquecido da mesma forma que confiava no Felix covarde.