Assassino Atemporal

Capítulo 11

Assassino Atemporal

Ao longo da próxima hora, o ritmo das eliminações deu uma desacelerada significativa.

Leo fixava o olhar na contador que brilhava na palma da mão. Os números haviam diminuído implacavelmente no começo, um borrão de movimento constante. Mas agora, avançava lentamente.

Faltavam 490 pares.

489.

488.

A queda era agonizante, quase imperceptível, eliminando apenas um ou dois pares a cada cinco minutos.

Comparado ao frenesi dos primeiros trinta minutos—quando as eliminações eram constantes, brutais e rápidas—parecia um teste completamente diferente.

Leo respirou fundo, o ar vindo devagar e deliberado enquanto se apoiava na parede. Olhou novamente para o contador, como se esperasse que ele acelerasse, mas os números permaneciam inalterados.

“A confusão se acalmou,” pensou, com o olhar mais fixo. “Os fracos já foram embora. Agora, só sobraram os predadores.”

Era uma constatação séria. Aqueles que eram lentos demais, inexperientes ou covardes já haviam sido eliminados. Restaram os melhores concorrentes: experientes, calculistas e perigosos.

Leo largou o contador no colo, com os dedos tremendo levemente ao flexionar as mãos. Uma dor aguda percorreu a palma de sua mão, resultado do esforço, fazendo-o retrair-se com um suspiro de dor forte.

Seus músculos ainda doíam, mesmo após uma hora de descanso, como se alguma habilidade que usara tivesse causado um bom estrago em seu corpo.

“Vai cicatrizar em tão pouco tempo?” pensou Leo, ao erguer a mão até a altura dos olhos, observando enquanto abria e fechava lentamente os dedos. Cada movimento trazia uma nova onda de desconforto, um lembrete claro do quanto a luta tinha pesado nele.

Todo o corpo parecia exausto, como se tivesse passado por um calvário de sofrimentos. E, de certa forma, tinha passado mesmo.

“Mais uma batalha assim, e não vou sair daqui vivo,” pensou com uma pitada de gravidade.

Leo deixou a mão cair sobre a coxa, apoiando-a lá enquanto inclinava a cabeça contra a parede. A fadiga puxava por ele, como um peso constante que ia baixando suas pálpebras a cada segundo.

Por um breve instante, considerou deixar o corpo descansar, dormir um pouco. Sua mente implorava por isso, cada nervo e músculo clamava por alívio. Mas a ideia foi rapidamente descartada.

“Não posso me dar ao luxo de–”

Se relaxasse agora, talvez não acordasse mais. A dor que percorria seu corpo não era só de cansaço; era um alerta.

Qualquer habilidade que usara na luta, tinha deixado seu corpo destruído. Se se esforçasse novamente sem uma recuperação adequada, as consequências poderiam ser ainda piores.

Seus olhos se voltaram para Felix, que estava a alguns metros de distância, enquanto ele exalava lentamente.

“Felix precisa assumir o próximo desafio,” pensou, observando cuidadosamente os movimentos do amigo, na esperança sincera de que, agora que Felix tinha tempo suficiente para ficar bêbado, finalmente fosse levantar a poeira por aqui.

Felix estava encostado na parede, com uma cabaça gigante no colo, como se fosse uma tábua de salvação. As bochechas vermelhas e os olhos vidrados deixavam claro—ele estava bêbado.

Mas não era só a aparência que tinha mudado. Felix tinha virado uma ventania de reclamações murmuradas, gestos exagerados e energia errática que preenchia o corredor silencioso.

Era como noite e dia. As mesmas pessoas que ele alegava sentir falta e amar antes, quando não estava bêbado, eram exatamente as mesmas que ele amaldiçoava e reclamava agora. Leo sentia-se incerto sobre o que fazer com essa mudança repentina.

“Essa prova idiota,” resmungou Felix, chutando uma pedrinha aleatória pelo chão fracamente. “Que tipo de psicopata doentio coloca as pessoas numa brincadeira mortal dessas? Hein? Somos gladiadores? Não assinei essa porcaria!”

Ele deu mais um gole na cabaça, o líquido balançando com barulho ao limpar a boca com a manga. “E meus pais! Ah, eles são os culpados. ‘Felix, você tem potencial,’ eles disseram. ‘Felix, entra na academia,’ disseram. ‘Vai te deixar mais forte,’ disseram. Mais forte?! Nunca estive tão assustado na minha vida!”

A voz dele tremeu, e ele soltou uma expressão dramática, com a cabeça caindo contra a parede.

“E nem quero falar dos meus ancestrais,” murmurou, apontando um dedo trêmulo pro teto, como se estivesse encarando-os diretamente. “Vocês deviam estar me protegendo, não é? Não é seu trabalho? Então, estão fazendo um trabalho péssimo! Qual o sentido de bênçãos ancestrais se estou aqui, quase sendo morto por psicopatas armados de espadas?”

Ele gemeu alto, cobrindo o rosto com uma mão. “Juro que, se sair vivo daqui, vou me transferir pra um planeta agrícola tranquilo. Nada de assassinos, nada de provas, só eu, umas vacas e uma vida simples.”

Felix deu mais um gole, parando apenas para lançar um olhar furioso ao ar vazio à sua frente. “E nem pense em me mandar pra outra missão, mãe. Chega. Chega mesmo. Você me entendeu?”

Ele acenou com a cabaça como se fosse uma bandeira, elevando a voz. “Vou viver como um rei! Sem mais provas! Sem mais—”

Seu olhar se voltou para Leo, que o observava em silêncio, com uma expressão difícil de interpretar. Felix parou no meio da totalidade, os olhos se estreitaram enquanto seu ar de bravata aumentava.

“O quê? Você tem algum problema?” exclamou Felix, se levantando inseguro. Apontou um dedo para Leo, com o rosto avermelhado, numa careta exagerada. “Não gosto da sua cara de julgamento! Achou que eu tava com medo? Hein? É isso?”

Leo ergue uma sobrancelha, recostando-se na parede. “Não disse nada.”

“Ah, claro, mas você tava pensando,” retrucou Felix, cambaleando um pouco enquanto tentava manter a postura. “Quer bater? Hã? Quer um pedaço dessa mão também?”

Leo suspirou, tão exausto que não conseguia gerar qualquer irritação real. “Felix, sente-se.”

Felix bufou, cruzando os braços com indignação, mas acabou encostado novamente na parede. “Ah, tanto faz. Eu não tava levando a sério mesmo. Você é sortudo por eu não estar afim de te dar uma lição agora.”

Leo fez um gesto com a boca, mas não falou nada, já com o olhar voltado para o som de passos leves ecoando no corredor.

“Tem alguém aqui… Outra presa pra matar,” disse uma voz feminina, enquanto dois passos apressados ecoaram na passagem.

Comentários