Assassino Atemporal

Capítulo 10

Assassino Atemporal

Leo ficou no meio do corredor escuro, o peito subindo e descendo enquanto tentava recuperar o fôlego.

Seu olhar permaneceu na marca onde seus oponentes estiveram há poucos instantes; o espaço vazio era um lembrete severo do que acabara de acontecer e, lentamente, a realidade da sua vitória começava a se firmar na mente.

Leo apertou as lâminas com mais força, seu pensamento girando com perguntas sem resposta. A luta tinha sido... estranha.

Cada movimento, cada ataque, parecia lento, quase deliberado, como se o mundo ao redor estivesse se movendo na metade da velocidade normal. Não era normal. Não podia ser.

Ele fechou os olhos por um instante, concentrando-se na dor surda nos músculos, o cansaço se estabelecendo nos membros. Toda a clareza que havia sentido durante a batalha desaparecera agora, substituída por uma exaustão que fazia suas pernas tremerem.

'O que foi aquilo?' pensou, ao travar a mandíbula. 'Como consegui fazer aquilo?'

Parecia que seu corpo tinha assumido o controle completamente, movendo-se com uma precisão e um instinto que não conseguia explicar. E, agora, parado ali no que restou, sentia-se exausto ao ponto de parecer vazio, como se cada gota de energia tivesse sido espremida dele e cada músculo do corpo estivesse dolorido.

"Meu corpo está acabado... parece que acordei depois de correr uma maratona ontem, e agora cada músculo está clamando por atenção," murmurou Leo, enquanto mexia os ombros na tentativa de aliviar a tensão, mas o movimento só agravava as dores.

A tentativa de mover-se enviou uma rajada aguda de fadiga por ele, fazendo suas mãos tremerem incontrolavelmente.

'O que está acontecendo comigo?' A ideia impulsionou o pânico em seu peito.

'Qual foi aquela habilidade que acabei de usar?' pensou, sem saber qual habilidade utilizara ou quais seriam as consequências no seu corpo por isso, Leo se sentia completamente sem pista de como lidar com os efeitos posteriores.

Seus joelhos fraquearam e ele caiu no chão, agarrando as mãos trêmulas. A desesperança tomou conta enquanto entrelaçava os dedos, espremendo-os com força numa tentativa inútil de controlá-las. Mas os tremores não cessavam, seu corpo o traía enquanto sua mente buscava respostas.

'Seja lá o que essa habilidade for, meu corpo atual claramente não é forte o suficiente para usá-la por muito tempo. Quero dizer, 20 a 30 segundos, esse é meu limite até agora, mas se eu insistir além disso, provavelmente vou acabar em coma–' Leo percebeu, enquanto se deitava no chão, cada músculo do corpo espasmando e enviando ondas de dor por ele.

Durante um minuto inteiro, ele tremeu no chão, como se estivesse sofrendo um choque epilético, uma visão verdadeiramente dolorosa e patética.

E só após um minuto completo as convulsões começaram a perder intensidade.

Por fim, três minutos após o último espasmo, Leo conseguiu recuperar o fôlego suficiente para se levantar, mas a experiência deixou um sabor amargo na boca.

Qualquer orgulho que tinha por conseguir lutar bem e se manter firme entre esses assassinos impassíveis foi substituído por um forte desejo de nunca mais erguer uma adaga, pois as consequências de usar seus poderes não foram nada agradáveis.

'Cadê o Felix?' pensou Leo, assim que sua mobilidade foi restabelecida, já que o gordo não tinha se mostrado ou oferecido ajuda mesmo depois que a luta havia acabado.

"Está calmo..."

Uma voz fraca cochichou de trás da coluna onde Leo tinha visto Felix pela última vez, e, como previa, o gordo ainda parecia estar encostado ali, sem se mover sequer uma polegada desde o início do combate.

"Muito calmo. Isso significa… Leo morreu? Deve ter morrido. Não tinha habilidades," murmurou Felix, apertando ainda mais a cabaça na mão, seu corpo tremendo a cada respiração superficial.

Ele não ousou acompanhar a luta, nem ao menos olhou para ver o que estava acontecendo. Na cabeça dele, o resultado já estava claro: não havia como Leo ter sobrevivido.

"Por que eu me dei tão bem com ele?" Felix resmungou suavemente, balançando levemente enquanto falava consigo mesmo. "Deveria ter me juntado com alguém mais forte. Alguém confiável. Alguém que não morra na primeira competição."

Felix fungou, olhando na direção da extremidade do corredor, ainda assustado demais para se mover. "Bem, pelo menos vou tirar uma boa história disso: 'Felix o Traído', deixando o parceiro inútil para se virar sozinho—"

Um chute forte na sua perna o assustou e o tirou de seus pensamentos.

"Cale a boca," a voz de Leo cortou o ar, firme e severa.

Felix gritou, quase deixando a cabaça escapar de suas mãos enquanto se levantava às pressas. Seus olhos se arregalaram ao ver Leo, a boca se abrindo em surpresa. "Você… está vivo?"

Leo levantou uma sobrancelha, sua expressão indiferença. "Obviamente."

O olhar de Felix passou por ele, vasculhando o corredor. Os dois inimigos haviam desaparecido, deixando apenas as marcas de rachaduras na parede, onde a clava tinha atingido.

"Você… os venceu?" Felix gagueou, com um misto de incredulidade e admiração.

Leo não respondeu imediatamente. Encaixou uma adaga, apoiando a outra levemente na coxa enquanto se virava para olhar para Felix. "Sumiram."

A surpresa de Felix rapidamente se transformou em empolgação, seu rosto iluminando ao dar um passo à frente. "Mas como?! Você disse que não se lembrava de como lutar! Como foi… que você, sabe, não morreu?"

Leo suspirou, balançando a cabeça levemente. "Não sei."

Felix sorriu, sua disposição mudando completamente. "Ah, eu sabia! Você não é inútil afinal! Você tem habilidades—HABILIDADES escondidas! Você provavelmente é algum tipo de valentão secreto que esqueceu o quão incrível é!"

Leo rolou os olhos, passando por Felix. "Calma aí."

Mas Felix não estava ouvindo. "Isso é incrível! Vamos detonar nesse teste! Com meu gênio e seu…", ele gesticulou de forma vaga, "…o que quer que tenha sido, somos imbatíveis!"

Leo não respondeu. Sentia uma raiva silenciosa crescendo dentro de si, que o levava a pensar se deveria ou não fazer um croqui de Felix ali mesmo, mas acabou decidindo não fazer isso.

'Preciso que ele sobreviva a este teste…' Leo concluiu, e com um suspiro profundo, deixou de lado a covardia de Felix e seguiu em frente.

"Beba enquanto pode... a próxima luta não vai ser tão fácil," disse Leo, encostando-se na sua coluna, voltando ao seu esconderijo original.

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