Assassino Atemporal

Capítulo 9

Assassino Atemporal

— Quem está aí? —

O ar de Leo deu um curto suspiro ao ouvir a pergunta, seu coração acelerado no peito.

Os oponentes tinham focalizado exatamente o esconderijo deles, tudo graças a Felix e sua gordurinha, que não conseguia ficar quieto por mais de trinta segundos de jeito nenhum.

Estavam prestes a cair de cabeça na armadilha — um emboscada perfeita em formação — até que o grito de Felix quebrou o silêncio e transformou tudo em uma bagunça.

‘O que eu faço agora? Espero eles entrarem no canto mesmo assim?’ A ideia passou pela cabeça de Leo, mas a resposta veio quase instantaneamente, cortante e deprimentemente clara: ‘Não!’

Esperar que eles tropeçassem na armadilha por causa do erro de Felix era pura burrice. Eles já tinham sido alertados, estavam com a guarda alta. Esperar só iria dar mais tempo para eles planejar o ataque — e isso era uma luxúria que Leo não podia permitir.

Seus olhos se moveram rapidamente para Felix, que estava agachado inutilmente atrás de uma coluna, respirando ofegantemente, paralisado pelo medo, sem conseguir fazer mais nada. Foi então que Leo percebeu, de forma dolorosa, que Felix não ia ajudar em nada.

Que ele estava completamente sozinho.

'Tenho que sair. Tenho que encarar eles na cara dura. Não há outro jeito.' Leo pensou, enquanto o medo apertava seu peito, uma sensação gelada e voraz que fazia seus dedos fecharem instintivamente ao redor das adagas nas mãos.

Ele não tinha certeza se conseguiria vencer — não contra adversários habilidosos, nem com sua memória fragmentada e confiança trêmula. Mas esperar não era uma opção. Esperar significava morrer, e isso ele tinha certeza absoluta.

— Que se dane — concluiu Leo, ao sair das sombras, o coração pulsando de forma ensurdecedora, enquanto encarava os oponentes fixamente.

— Pois bem — zombou o homem marcado pelas cicatrizes, com uma expressão de desgosto, observando Leo de pé, com duas adagas na mão.

— Parece que o coelhinho resolveu sair da toca para brincar… Onde está seu companheirinho? Ainda está escondido? — perguntou, mas Leo não respondeu.

Seus olhos pontiagudos varriam os dois adversários, observando seus movimentos, percebendo como eles se distribuíam instintivamente para lhe cercar.

Com força, sua mão apertou as adagas, o aço frio trazendo um pouco de calma.

O homem forte riu com uma voz baixa e grave. — Se seu parceiro não aparecer logo, está fodido, garoto. Dois contra um e você não tem chance nenhuma.

O coração de Leo disparou ao ouvir a ameaça; seu peito ficou apertado, mas seu olhar permaneceu firme. Sentia seus músculos serem consumidos pelo medo, ameaçando paralisa-lo. Ainda assim, seu corpo não traduziu isso. Sua postura era firme, seus movimentos, calculados.

Então, o homem marcado deu o primeiro passo, avançando com uma estocada rápida e precisa direcionada ao peito de Leo.

Mas, instintivamente, Leo reagiu, levantando a adaga direita para desviar o golpe. O aço cruzou com um estrondo estridente, a vibração se espalhando pelo seu braço.

O homem forte logo em seguida, balançando seu maço em um arco brutal, com a intenção de acertar a cabeça de Leo de uma só vez, mas Leo se abaixou com agilidade, a arma passando por cima da cabeça dele e atingindo a parede atrás, que rachou sob o impacto.

Por um instante, tudo que Leo conseguiu foi se defender. Seus braços se moveram por conta própria — bloqueando, desviando — enquanto os pés se ajustavam para mantê-lo fora do alcance dos golpes. Sua batida no peito ecoava em seus ouvidos, cada segundo mais rápido que o anterior.

Porém, então, algo mudou.

O tempo parecia desacelerar, o caos da luta se dissolvendo em momentos nítidos e deliberados, fazendo Leo perceber claramente cada detalhe.

O ombro do homem marcado se inclinou ligeiramente antes de atacar, sinalizando seu próximo movimento, enquanto o peso do homem forte mudava para o pé de trás antes de cada golpe com o maço, dando a Leo uma fração de segundo para se preparar.

São lentos... Tudo ao meu redor é lento.

A descoberta lhe atingiu como um choque elétrico. Ele podia ver tudo — a tensão nos músculos deles, os ângulos de seus golpes e as falhas na movimentação. Apesar de sua memória fragmentada, seu corpo parecia saber exatamente o que fazer. Cada ataque, cada finta de seus oponentes parecia se mover na metade da velocidade normal, permitindo reação em tempo real.

Era uma sensação indescritível. Uma sensação de estar completamente no controle de si mesmo e do ambiente, mas ao mesmo tempo sem entender o porquê disso.

Seus adversários claramente não estavam se movendo devagar de propósito, mas, para ele, tudo parecia lento, como se estivesse lutando contra crianças, e essa sensação ajudou a acalmar seus nervos um pouco.

O homem marcado avançou novamente, desta vez com um corte elevado justamente na direção do pescoço de Leo, mas Leo se esquivou com uma movimentação fluida e precisa, levantando sua adaga esquerda para bloquear a lâmina.

Ele não contra-atacou ainda. Não estava preparado para revidar — não até ser forçado a isso — mas, agora, a esquiva e o bloqueio pareciam naturais, quase sem esforço. Como se manter vivo não exigisse tanto esforço assim.

O homem forte rugiu, correndo com o maço erguido, e Leo esperou até o último instante, rolando para o lado enquanto a arma pesada atingia o chão onde ele tinha acabado de estar.

Poeira e estilhaços subiram ao ar, mas Leo mal os notou. Seu foco estava afiado, cada nervo do corpo sintonizado na luta.

O homem marcado rosnou de frustração, sua lâmina reluzindo na direção das costelas de Leo num golpe rápido, mas Leo recuou, levantando as adagas em uma cruz defensiva, que bloqueou facilmente a estocada.

*Impacto*

A força do choque sacudiu seus braços, mas ele resistiu firme, com os olhos se estreitando.

— Tem uma brecha — pensou. Seus olhos focaram na garganta do homem marcado.

Aquele ângulo era perfeito. Um golpe rápido, limpo, na traqueia, e a luta acabaria ali mesmo.

Uma oportunidade difícil de deixar passar, pois o instinto de matar pulsava forte dentro dele.

Com força, a mão apertou a adaga, seus músculos tensos como uma mola.

Porém, algo nele tremeu. A ideia de tirar a vida, mesmo em legítima defesa, apertou seu peito de forma sufocante.

Ele sentiu o peso disso, uma pressão que o paralisou por um instante.

Não.

Em vez de mirar na traqueia, Leo deslocou o foco. Fintou para cima, fazendo com que o homem marcado levantasse a guarda, e, naquele instante, atacou por baixo. Sua adaga cortou limpo o cristal de teleportação que estava preso ao cinto do adversário.

*Estouro*

Os olhos do homem marcado se arregalaram de espanto. — O quê—?

Uma luz brilhante o envolveu, interrompendo suas palavras, enquanto ele desaparecia num instante, sua figura dissolvendo-se em partículas cintilantes.

O homem forte parou no meio do movimento, os olhos fixos no próprio cristal, que brilhou intensamente em resposta. Pânico invadiu seu rosto também.

— Não! Espera— — tentou gritar, mas, antes que pudesse terminar, a magia entrou em ação. Seu corpo pisca, brilhando fracamente antes de desaparecer numa explosão de luz, enquanto o corredor repentinamente fica em silêncio.

Leo ficou ali, respirando com dificuldade, as adagas tremendo levemente em suas mãos. A luta tinha acabado, mas a tensão no peito ainda permanecia. Observou o espaço vazio onde seus adversários estiveram, sua mente correndo.

Ele não os matou. Não precisava — porém, deixá-los viver não parecia certo também.

A sede de sangue que queimava dentro dele parecia insatisfeita com a sua escolha, pois, pela primeira vez, o olhar em seus olhos mudou.

De um homem que parecia racional e sob controle de suas emoções, ele passou a parecer completamente louco, sua expressão refletindo a selvageria dos outros assassinos na prova. Contudo, o semblante insano passou tão rápido quanto apareceu, dando lugar a uma calma composta e equilibrada, mais uma vez.

A ameaça imediata tinha passado. Sua vida não estava mais em risco.

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