Assassino Atemporal

Capítulo 8

Assassino Atemporal

Durante os primeiros trinta minutos do teste, ninguém se esforçou para entrar no corredor.

Leo estava agachado próximo à parede, com a adaga repousando levemente na mão enquanto seus olhos afiados permaneciam fixos na passagem pouco iluminada que se estendia diante dele.

Ele esperava uma emboscada a qualquer momento, o que deixava seus nervos tensos, mas o silêncio aqui era profundo—de forma até artificial.

De vez em quando, surgiam sons suaves vindo de corredores próximos: passos apressados, gritos abafados, o som de metal colidindo com metal. Mas ninguém vinha por aqui.

A escolha de Felix tinha sido boa—melhor do que Leo esperava. Este corredor era aberto, exposto, e era fácil perceber alguém se aproximando de qualquer extremidade.

Não era um lugar favorável para emboscadas nem prometia mortes rápidas.

"Felix é um gênio," pensou Leo.

Predadores preferem sombras e cantos escondidos, o que fazia com que evitassem instintivamente esse lugar, que parecia uma passarela, com iluminação de ambos os lados.

Em sua palma, o Contador do Teste brilhava fracamente, com os números exibidos continuando a diminuir conforme os minutos passavam.

1250 → 1020 → 900 → 850

Oitocentas pessoas—quatrocentos pares—foram eliminadas em apenas trinta minutos.

Isso demonstrava o quão brutal realmente era esse teste de entrada, já que os assassinos descontrolados pareciam estar numa caça desenfreada.

*Suspiro*

Sentado em silêncio, Leo deixou escapar um suspiro profundo enquanto continuava a olhar para o Contador por um longo momento, antes de finalmente guardá-lo de volta no bolso.

Ao seu lado, Felix estava sentado de pernas cruzadas no chão empoeirado, segurando um de seus alambiques de álcool gigante como se fosse uma tábua de salvação. Suas bochechas redondas brilhavam com traços frescos de lágrimas, e seus lábios tremiam enquanto murmurava para si mesmo.

"Adeus, tio Terrance… Adeus, tia Magda… Adeus, Sir Swimsalot… você era um peixe tão corajoso…"

A sobrancelha de Leo se contraiu levemente, mas ele não disse nada.

"E adeus ao Gato Gravy… mesmo sabendo que você me odiava… eu ainda te amava, seu companheiro…" Felix fungou, limpando o nariz com o dorso da manga.

Leo arriscou um olhar para ele. O menino estava encarando o vazio, com os lábios tremendo como se estivesse fazendo seu testamento final.

"…e ainda nem consegui terminar meu prato de queijo ontem à noite. Uma tragédia. De verdade."

Um riso fraco escapou de Leo antes que ele se controle, cobrindo-o rapidamente com uma tosse. O melodrama de Felix era ridículo—mas tornava a pesada quietude um pouco mais suportável.

'Ele é barulhento. Muito barulhento. Mas… inofensivo.'

Leo retornou sua atenção às adagas nas mãos. Eram armas padrão, balanceadas e afiadas, mas pareciam familiares—confortáveis, como uma extensão de seu braço.

Sem pensar, seus dedos ajustaram a empunhadura, e seu pulso deu um leve movimento na lâmina. O gesto foi instintivo—sem esforço.

Não era algo que ele precisasse pensar; era algo que ele sabia fazer.

'Isso… isso parece certo.'

Leo girou a adaga uma vez, observando a lâmina refletir a fraca luz dos fluorescentes.

"Sei como segurar. Sei como usar. Mas… isso me torna um assassino?" Leo perguntou a si mesmo, franzindo um pouco a testa diante da dúvida.

A resposta deveria ser simples. Mas não era.

Em algum lugar dentro de si, Leo sentiu—a) uma barreira, uma linha que ele não conseguia imaginar cruzar. Ele não tinha a mesma fome no peito que os outros que tinha visto hoje.

Se fosse um assassino, não era motivado por loucura ou sede de sangue.

Se fosse um assassino, com certeza não mataria apenas por diversão.

Isso ele tinha certeza, mesmo sem recuperar suas memórias.

*Toc* *Toc*

Um som suave quebrou sua linha de pensamento.

Não era muito—apenas um leve arranhar de botas contra o piso de concreto—mas foi o suficiente. A cabeça de Leo se levantou abruptamente, seus olhos afiados se estreitaram enquanto seus sentidos se concentraram na direção do ruído.

"Fique quieto," sussurrou, quase inaudível, enquanto sua mão saía na direção de Felix, impedindo-o no meio de uma crise de choro.

Felix paralisou, com olhos arregalados, olhando nervoso para o fim do corredor.

O som suave foi ficando mais alto, mais distinto, enquanto dois passos se tornavam evidentes.

"Dois oponentes," Leo gesticulou para Felix, sem fazer barulho, enquanto Felix assentia nervoso.

Em breve, sombras parpadeavam contra as paredes enquanto as figuras se aproximavam, entrando na luz dos fluorescentes, suas vozes baixas, mas audíveis.

"Tem certeza que essa passagem é segura?" murmurou um deles, com tom de inquietação. Era um cara alto, magro, com uma queimadura de ácido atravessando o maxilar. Na mão, ele segurava uma lâmina longa, fina, que brilhava sob a luz oscilante.

A segunda figura, um homem mais forte, com pescoço grosso e um maço de maciçoo carregado sobre o ombro, bufou de forma desdenhosa ao preocupar-se com o parceiro.

"Relaxem. Aqui é o esconderijo perfeito, ninguém consegue nos emboscar sem que percebamos. Vamos descansar e nos recuperar aqui por pelo menos uma hora antes de voltar."

O homem marcado hesitou, seus olhos vasculhando o corredor. "Ainda assim… é arriscado. E se alguém mais estiver escondido lá no final, esperando para nos pegar na armadilha?"

O homem forte riu, o som cortando o silêncio opressivo. "Tô de olho faz tempo, e não vi ninguém passar por aqui nos últimos 20 minutos. Você tá paranoico."

Quando se aproximaram mais, Leo se pressionou contra a parede, respirando devagar e controladamente. A adaga na mão parecia inquieta, enquanto ele se inclinava um pouco para espiar ao redor da esquina.

As duas figuras estavam a pouco mais de vinte pés de distância agora. Seus passos ecoavam vagarosamente, acompanhados pelo rangido ocasional da estrutura decadente da prisão.

O olhar de Leo traçou seus movimentos, analisando as armas e posições deles. O magro caminhava com leveza, segurando a lâmina em um ângulo preparado para um golpe rápido. O mais robusto carregava-se com a confiança casual de alguém que acreditava que não poderia ser superado.

Eram predadores, sem dúvida—mas Leo também era. Ou pelo menos, assim esperava que fosse.

Enquanto Leo se preparava para atacar, um yelp suave e agudo escapou de trás dele, inesperado.

Era Felix.

O som quase não era mais do que uma respiração, mas ricocheteou pelas paredes do corredor como um disparo, fazendo as duas figuras pararem de repente.

Os olhos do homem marcado se estreitaram, sua lâmina se deslocando um pouco. "Escutou isso?"

O homem forte apertou o aperto no maço ao dar um passo cauteloso à frente. "Sim… ouvi."

O olhar deles se virou rapidamente para o canto escuro onde Leo e Felix estavam escondidos, sua abordagem descontraída anterior desaparecendo.

"Quem está aí?" perguntou o homem rude, com voz grossa, enquanto Leo amaldiçoava silenciosamente.

Seu maior ponto forte, a surpresa, agora tinha sido destruído.

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