
Capítulo 7
Assassino Atemporal
Boa sorte—
As palavras de Rourke ainda pairavam no ar frio enquanto os portões de aço rangiam ao se abrir, suas dobradiças enferrujadas protestando com um grito estridente.
Imediatamente, os competidores reunidos entraram em ação. Como uma represa se rompendo, eles avançaram de forma frenética, dispersando-se na boca escura dos terrenos abandonados da prisão.
Botas batendo contra o concreto rachado, sombras se alongando e pululando sob os faróis fracos, enquanto o som distante de passos apressados ecoava no vazio.
Felix ficou assustado quando a multidão ao seu redor entrou em caos. Seu rosto arredondado já parecia nervoso e corado, com gotas de suor brilhando de forma destacada na testa.
"Leo… a gente deveria—" Felix começou, com a voz tremendo.
Mas Leo não escutava. Seus olhos afiados já cruzavam o topo dos edifícios em ruínas, as torres de guarda esquecido e as entradas do bloco da prisão que pareciam abertas como bocas de uma fera à espera.
Para cima.
Seus instintos gritavam para que ele subisse, procurasse um ponto de vantagem—um poleiro de predador onde pudesse ver tudo.
Nesta caça desenfreada, a altura significava controle. A altura significava sobrevivência.
Porém, ao olhar para Felix, cujo olhar nervoso varria o pátio, ele percebeu que Felix não era feito para subir em árvores. Também não era de lutar.
Por um breve instante, seus olhos se encontraram. O olhar de Felix se Volveu para a entrada mais próxima de um dos blocos da prisão—um corredor aberto envolto em trevas.
Leo hesitou. Segurou a ponta de sua adaga com mais força… e então assentiu.
"Mostre o caminho."
Felix não esperou. Virou-se rapidamente e correu em direção à entrada, seus passos pesados ecoando alto contra os azulejos rachados, um contraste forte com Leo que seguia em silêncio, ágil e discreto.
Os dois sumiram no corredor escuro e os portões do campo de teste se fecharam imediatamente atrás deles, pois foram os últimos a se movimentar.
O ar dentro do corredor da prisão era pesado e fedido, carregado com o cheiro de ferrugem e decadência.
Para iluminar o caminho, luminárias fluorescentes piscavam no teto, emitindo luz fraca e pálida sobre o chão, iluminando algumas áreas, mas a maior parte do interior da prisão permanecia escura e perigosa.
*Crach*
Vidros quebrados amassando sob os pés de Felix enquanto ele liderava o grupo para dentro, sua respiração ofegante e alta no silêncio opressor.
Leo o seguia bem próximo, com a adaga na mão, os olhos atentos a cada porta, cada sombra, cada movimento ligeiro.
Após alguns minutos em silêncio, Felix parou de repente na esquina de um T—uma interseção de dois corredores vazios e iguais em comprimento.
Ele se virou para Leo, o peito subindo e descendo rapidamente. "Aqui. É bom. Podemos ver quem vem de qualquer lado. Não podem nos pegar de surpresa."
O olhar afiado de Leo varreu a junção. Duas linhas de visão abertas, sem cantos onde emboscadores possam se esconder, e espaço suficiente para reagir se alguém se aproximasse.
Não era o poleiro de predador que ele teria escolhido—mas era inteligente. Era lógico.
"Boa escolha," disse Leo em voz baixa, dando um leve aceno para Felix.
Felix respirou fundo, como se estivesse aliviado, e relaxou um pouco, apoiando-se na parede de concreto frio.
"Você cobre uma passagem, eu cubro a outra. Se alguém vier de um lado, aviso você," disse Felix, com a voz surpreendentemente firme, apesar do suor escorrendo na testa. "Só precisa segurar firme por uma ou duas horas. Depois… eu cuido do resto."
Leo ergue uma sobrancelha. "Cuidar do resto? O que quer dizer com isso? Vai se transformar em um lutador de elite em uma ou duas horas?"
Felix abriu um sorriso largo, batendo num dos cantis presos à cinta com orgulho. "Exatamente! Sólido, eu posso parecer assim, mas bêbado? Bêbado, sou uma ameaça."
Leo o encarou, sem piscar.
"Não sou fraco, Leo. Sou o que você chamaria de um assassino bêbado," disse Felix, seu sorriso se alargando ainda mais. "Quanto mais bebo, mais fico forte. Geralmente, leva uma hora ou duas pra eu pegar o ritmo, mas quando estou lá em cima—ah, rapaz, você não vai me reconhecer."
Por um momento, Leo apenas o olhou, com uma expressão impossível de decifrar.
'Um assassino bêbado? Que tipo de assassino ridículo era esse?' pensou Leo, mas manteve o ceticismo para si mesmo. Pelo menos, Felix tinha um plano, e isso já era melhor do que nada.
Felix deu uma leve recuada, cruzando os braços. "E você? Qual é a sua especialidade? De qual clã você vem? A sua maneira de se mover silenciosamente… não é normal. Você deve ter treinado com alguém de elite, né? Mas não consigo descobrir quem."
O corpo de Leo ficou tenso. Sua mão na adaga apertou um pouco mais enquanto sua mente tentava encontrar uma resposta nas bordas do esquecimento.
Quem foi seu mestre?
A pergunta ecoou em sua cabeça, mas, ao invés de clareza, só veio uma dor — uma dor aguda, cegante, que paralisava seus pensamentos. Ele cerrando a mandíbula, a respiração presa na garganta.
"Eu… não sei. Não lembro," disse Leo, finalmente, com a voz baixa e tensa.
Os olhos de Felix se estreitaram. Sua expressão, antes brincalhona, agora refletia preocupação. "Como assim não sabe? Tipo… ele usava máscara na hora de treinar você? Escondia a identidade dele ou algo assim?"
Leo balançou a cabeça lentamente. "Não. Eu só… não consigo me lembrar."
Por um breve momento, nenhum dos dois falou. O leve zumbido das luzes piscando preenchia o silêncio.
"Bom… não importa," disse Felix, forçando um sorriso de volta ao rosto, embora mais fraco agora. "O que importa é que você sabe lutar, né? Consegue se virar se alguém vier atrás da gente, né?"
Leo hesitou, seus olhos afiados fixos no olhar esperançoso de Felix. "Posso tentar."
Felix congelou. Seu sorriso vacilou, e o rosto arredondado ficou pálido. Uma lágrima surgiu no canto do olho e escorreu pela bochecha.
"Você… está brincando, né? Por favor, diga que está brincando. Você é forte, não é? Era pra você me ajudar a sobreviver! Você tem habilidades baseadas em mana ou técnicas secretas, né? Você… consegue matar com suas habilidades, né?"
A resposta de Leo veio suave, mas firme. "Não. Não lembro de ter nenhuma habilidade."
Felix respirou fundo, os ombros caindo, e por um breve momento, pareciam completamente derrotados.
O silêncio entre eles ficou mais pesado do que antes.
Mas então, Felix fungou, esfregou o rosto com força com o dorso da manga e ofereceu uma oração silenciosa aos seus antepassados.
"Vamos morrer aqui… vamos morrer como cachorros… cachorros bonitos… cachorros inteligentes," disse, abrindo um pote de bebida e começando a beber em velocidade sobre-humana.
"Vamos morrer, e meu espírito vai te assombrar pra sempre, Leo Sem Habilidades, numa multidão de assassinos impiedosos, você me enganou e me fez confiar num homem comum," falou Felix, enquanto Leo esboçava um sorriso largo ao ouvir suas palavras.
Era verdade: neste momento, ele não era diferente de um homem comum.