Assassino Atemporal

Capítulo 13

Assassino Atemporal

A tênue luminosidade do Counter chamou a atenção de Leo, seus dígitos vermelhos marcando o tempo de forma constante e decrescente.

389 pares restantes.

O número já havia caído abaixo de 400, o que indicava que a corrida se aproximava de seu desfecho sombrio. Com apenas 125 pares a se classificarem, pouco mais de 260 ainda precisavam ser eliminados antes do término do teste.

Leo soltou uma respiração lenta, seus pensamentos girando enquanto fixava o olhar na tela brilhante.

'Vamos esperar aqui até o fim do teste? Continuar lutando como temos feito? Ou… será que é hora de nos mexer?'

O poça de sangue no chão, ainda fresca após a fúria de Felix, chamou a atenção de Leo. Era um lembrete macabro do que tinha acontecido ali, e tornou clara uma coisa dolorosamente evidente: esse corredor estava comprometido.

Qualquer um que entrasse agora veria as manchas de sangue, sentiria o cheiro do perigo e avançaria com cautela. Não era mais um esconderijo — era uma armadilha pronta para ser acionada.

"Felix," disse Leo, em voz baixa.

Felix estava encostado na parede, o rosto corado e uma cabaça de álcool firme na mão. As roupas estavam manchadas com sangue seco, a espada pendurada frouxa ao lado.

"O quê?" respondeu Felix, com a. voz arrastada, mas cheia de confiança.

Leo hesitou antes de perguntar: "Qual é o plano? Vamos esperar? Nos mexer? Nos esconder? Estamos chegando perto do limite. Precisamos pensar bem nisso."

Felix deu uma shrug exagerada ao se desprender da parede, com postura instável, mas de modo estranho ameaçadora.

"Esperar? Esconder? Você tá de brincadeira?" ele debochou. "A gente não é frouxo, Leo. A gente é caçador agora. Chega de ficar parado e vamos caçar."

Leo franziu a testa. "Caçar? Você acha que essa é uma boa ideia?"

"Claro que é!" Felix berrou, agitando a espada como maestro conduzindo uma orquestra. "Olha pra esse lugar! Você acha que alguém é burro o bastante pra entrar aqui depois do que eu fiz? Esse corredor não serve mais pra nada. Temos que seguir em frente. Encontrar uma nova presa. Mostrar pra esse arena quem manda!"

Por mais que Leo odiasse admitir, Felix não estava errado. Seu esconderijo havia sido comprometido. Permanecer ali significava esperar em vão—ou pior, correr o risco de ser surpreendido por alguém esperto o suficiente para descobrir o perigo.

"Tá bom," disse finalmente, guardando as adagas. "A gente se mexe. Mas não vamos andar sem rumo."

Felix tilintou a cabeça, sorrindo. "Hum? Tem algum plano, gênio?"

"Vamos subir," respondeu Leo. "Quero um ponto mais alto. Algum lugar onde possamos ver o que acontece ao redor. Preciso saber de onde vêm as ameaças."

Felix sorriu de canto, com uma confiança que beirava a arrogância. "Tanto faz pra mim. Vou liderar o caminho, e se alguém for burro o bastante pra atravessar, eu dou um jeito nele antes que chegue perto de você."

"Isso também serve pra mim. Se precisarmos, te dou apoio," disse Leo, de forma equilibrada.

Felix deu um tchau com o olhar, seu sorriso afiado e selvagem. "Combinado, parceiro. Vamos ver o que essa arena prisão tem a oferecer."

**********

A vontade de Leo de alcançar um ponto mais alto vinha apenas do instinto.

No começo do teste, quando ainda tinha dúvidas sobre suas próprias habilidades e as de Felix, esconder-se parecia a opção mais segura.

Mas agora, após compreender de forma superficial do que eram capazes, seus instintos insistiam em buscar um ponto mais elevado.

Algo sobre ter uma visão privilegiada—um local onde pudesse observar e controlar a situação—parecia intuitivamente certo, como um reflexo enterrado fundo em seus ossos.

No entanto, encontrar uma rota para subir mais alto não era tarefa fácil. Sem um mapa da prisão, localizar a escada certa para o terraço parecia quase impossível.

A maioria das escadas levava a salas de armazenamento ou terminava abruptamente em portas sem saída. A iluminação fraca só tornava tudo mais misterioso, jogando sombras longas e móveis que escondiam cada canto, mantendo a ameaça de inimigos escondidos sempre ao alcance.

Felix, no sua confiança embriagada, avançava com um swagger imprevisível. As botas pesadas ecoavam pelo chão de concreto, suas malditas provocações aumentando a cada passo.

"Essa droga de teste," rosnou Felix. "Quem foi que inventou essa palhaçada? Provavelmente algum idiota que nunca precisou levantar um dedo na vida. Aposto que estão lá em cima, nos vendo como ratos em um labirinto."

Leo permaneceu em silêncio, observando com atenção cada movimento ao redor. Cada sombra parecia viva, cada canto um potencial guia de emboscada.

"E os outros competidores?" Felix continuou, rindo alto. "Pfft. Um bando de wannabes. Você viu aquele com a manha de chutar a perna? Que piada!"

"Felix, abaixe a voz," disse Leo, com tom firme. "Não somos os únicos aqui."

Felix Bufou, balançando a cabeça de leve. "Relaxa, parceiro. Você tem comigo, lembra? Ninguém vai mexer com a gente."

A vista de uma escada à frente interrompeu a conversa deles.

"Lá," apontou Felix com a espada. "Ponto mais alto, do jeito que você queria."

O olhar de Leo foi até a escada. Alta e mal iluminada, com degraus de metal enferrujados que rangiam de forma ameaçadora a cada movimento. Ele hesitou, seu instinto alertando para ter cautela.

Mas Felix não esperou. Com um sorriso largo, subiu os degraus com passos barulhentos e descuidados.

"Felix, espera," sussurrou Leo.

Mas Felix já estava na metade, cantando uma melodia para si mesmo como se não tivesse preocupação alguma.

Leo apertou a mandíbula, reprimindo um suspiro enquanto o seguia, passos silenciosos e calculados.

A escada desembocou em um amplo balcão com vista para uma grande área da instalação. O ar aqui era mais frio, cortante, e o suave zumbido de conflitos distantes chegava de baixo.

De lá, Leo via pares se movendo pelos corredores abaixo. Alguns travavam combates brutais, seus gritos ecoando pelo espaço cavernoso, enquanto outros espreitavam nas sombras, seus movimentos certeiros e predatórios.

Felix encostou-se na grade, sorrindo como uma criança numa loja de doces. "Olha só," disse, apontando com a espada. "Como formigas, correndo pra lá e pra cá. Nem sabem que a gente tá aqui em cima."

O olhar de Leo varreu toda a área, seus olhos aguçados captando cada detalhe: um grupo perseguindo uma presa, uma figura solitária escondida na sombra, manchas de sangue arrastando-se pelo chão.

"Ótimo ponto de vista," admitiu Leo em voz baixa. "Dá pra ver tudo daqui."

Felix riu. "Sabia que ia te levar a um lugar bom. Isso aqui é perfeito!"

Mas mesmo com a confiança de Felix, Leo não conseguia afastar o desconforto que se enroscava no peito. Algo estranho nesse lugar dava a impressão de estar errado.

Esse balcão não era o ponto mais alto na prisão. O terraço ficava acima deles, a poucos metros de distância, sua sombra projetando um presságio ominoso sobre o local.

"Não é suficiente," murmurou Leo.

Felix franziu a sobrancelha. "O que houve agora?"

Antes que Leo pudesse responder, seus olhos afiados captaram um lampejo metálico cortando o ar. Era rápido—demais para ser coincidência—e vinha direto em sua direção.

"Saiam!" gritou Leo, com voz firme e urgente, lançando-se à frente e empurrando Felix com toda a força.

A lâmina cortou o ar em alta velocidade, rasgando o espaço onde Felix tinha acabado de estar. Bateu com força no corrimão de metal, produzindo um barulho ensurdecedor e fazendo faíscas brilharem ao impacto.

A arma tremia, fincada profundamente no corrimão, sua lâmina reluzente sob a iluminação fraca. Uma faca de arremesso—letal e precisa.

O coração de Leo disparou enquanto seus olhos se fixavam na direção de onde veio o golpe, seu corpo tenso e preparado. O ar agora parecia mais pesado, carregado com uma nova ameaça.

"Não estamos sozinhos," sussurrou Leo, já com a mão firmando-se na empunhadura de sua adaga, seus olhos atentos vasculhando as sombras em busca do perigo invisível.

Comentários