
Capítulo 5
Assassino Atemporal
Leo avançava com a marcha devagar e desajeitada dos concorrentes, suas botas deslizando silenciosamente sobre o concreto fissurado enquanto se movia sem fazer um único som.
Isso não era algo que Leo fazia conscientemente, mas sim uma graça reflexa que surgira por instinto e anos de treinamento, em vez de pensamento.
A instalação penitenciária abandona se estendia diante dele, imponente e opressora em sua glória decadente.
Se Leo tinha alguma dúvida de que estava em uma instalação parecida com uma prisão inicialmente, ela desapareceu no momento em que ele obteve uma visão mais clara do campo de testes — já que as cercas altas, o arame farpado enferrujado e as torres de vigilância imponentes não deixavam espaço para dúvidas.
O pátio onde ele estava era vasto e retangular, cercado de todos os lados por muros de concreto altos. Mancha de ferrugem escorriam como sangue antigo pelas fissuras, e marcas leves de queimaduras sugeriam fogueiras há muito extintas.
Acima, torres de vigilância se erguiam em intervalos regulares, suas estruturas de aço esqueléticas e desgastadas pelo tempo. Figuras sombrias se moviam por trás de janelas filmadas, suas silhuetas mal visíveis. Os canos de snipers ocasionalmente refletiam a luz, um lembrete aterrorizante de olhos invisíveis que observavam cada movimento seu.
O lugar parecia um cemitério de autoridade, despojado de vida, mas carregado de ecos de um passado brutal.
Os olhos afiados de Leo passearam por cada detalhe, mapeando a topografia, os pontos de esperar, as saídas. O instinto o impulsionava a procurar elevações, pontos cegos e locais onde alguém pudesse montar uma emboscada.
Mas antes que pudesse organizar seus pensamentos, o som estridente de um corno quebrou o silêncio.
SORRRO!
Seguindo o som, todas as cabeças se voltaram para a grande plataforma elevada que dominava o centro do pátio.
Acima dela, um enorme cronômetro digital pendia suspenso por cabos de aço grossos, seus números vermelhos brilhantes congelados em 20:00, iluminando como um aviso silencioso.
Pouco depois do som do corno, um homem alto, vestido com um uniforme militar impecável, avançou para a plataforma. Seu uniforme escuro trazia insígnias prateadas e, no peito, estava bordada, em letras precisas, sua patente:
Comandante Rourke – Instrutor Chefe de Táticas de Operações Secretas e Stealth.
Seus olhos cinzentos escanearam a multidão abaixo com uma frieza calculada, e quando falou, sua voz atravessou o pátio, firme e autoritária.
"Broto de Assassino de Elite. É assim que vocês são agora — nada mais, nada menos."
A multidão ficou congelada, prendendo a respiração, enquanto o olhar penetrante de Rourke varria todos eles.
"Vocês estão aqui hoje à beira de algo muito maior do que vocês mesmos. Além desta prova de entrada, está a oportunidade de ingressar na Academia Militar Rodova — um lugar reservado apenas para os guerreiros mais finos do universo. Aqueles que sobreviverem a esta prova hoje se juntarão às fileiras dos assassinos mais notáveis da história, enquanto os demais… serão esquecidos."
Rourke fez uma pausa, deixando o peso de suas palavras se estabelecer.
"Outros departamentos, como Esgrima e Arco, têm seus próprios testes — testes onde nenhuma vida é perdida. Mas vocês — assassinos — não têm esse luxo. Pois essa é a vida de um assassino. Cada passo que vocês dão, cada respiração que tomam, cada sombra na qual se escondem pode ser sua última. Vocês estão sempre pendurados por um fio, e por isso, seu teste de entrada foi feito também com essa mesma ideia."
Um leve movimento percorreu a multidão — alguns concorrentes se endireitaram, outras trocaram olhares desconfiados.
"São 2.500 de vocês selecionados para estar aqui hoje, exatamente o suficiente para formar 1.250 pares."
"No entanto, ao final deste teste, apenas 125 pares terão o direito de atravessar os portões da academia, sendo sua seleção tão dependente do desempenho do seu parceiro quanto do seu próprio."
"A morte do seu parceiro significa desqualificação. Não confundam isso com lealdade ou amizade — é sobrevivência. Se seu parceiro morrer ou abandonar o teste, você também estará fora. Simples."
Ao dizer essa mensagem sombria, Rourke levantou uma mão protegida por uma luva, e dois assistentes, com uniformes iguais ao dele, subiram na plataforma carregando pequenas caixas pretas.
"Cada um de vocês receberá dois dispositivos para ajudar neste teste."
Os assistentes percorriam a multidão distribuindo os itens. Leo pegou sua vez, aceitando os dois objetos e examinando-os:
O primeiro dispositivo, rotulado como 'Contador', tinha uma sensação lisa ao toque e exibia uma tela digital brilhante com o número 1250.
O segundo, uma esfera pequena, semelhante a um vidro, era rotulada como 'Orbe de Teletransporte' e parecia fria e frágil na palma da mão.
Quando Leo começou a perder o interesse pelos objetos em suas mãos, a voz de Rourke voltou a subir.
"O Contador informará quantos pares ainda restam. O Orbe de Teletransporte é sua saída — esmague-o e você será teleportado para fora do campo de testes imediatamente. Mas saiba: usá-lo significa desqualificação, tanto para você quanto para seu parceiro."
O olhar aguçado de Rourke permaneceu na multidão.
"Vocês têm 20 minutos para encontrar um parceiro. Após isso, o teste começa. Se não fizerem par, enfrentarão consequências antes mesmo da primeira fase começar."
Com um movimento brusco, Rourke recuou.
Acima dele, o cronômetro suspenso no palco acendeu-se, marcando o início da contagem regressiva.
20:00
19:59
19:58
E, como consequência, todo o pátio entrou em movimento.
*********
Os concorrentes dispersaram como insetos, lançando-se uns contra os outros, chamando, negociando e ameaçando.
Alguns agarraram as pessoas mais próximas, outros vasculharam a multidão, olhando por alguém forte, capaz ou — pelo menos — útil.
Brigas começaram em grupos isolados, enquanto os competidores empurravam uns aos outros para conquistar possíveis parceiros.
Leo permaneceu imóvel, seus olhos atentos cruzando a multidão, enquanto seus instintos gritavam para que ele escolhesse com sabedoria.
Alguns segundos após iniciadas as buscas, um brutamontes empurrava seu caminho entre concorrentes menores, sorrindo de canto de boca e com os olhos vermelhos. Mesmo assim, Leo o ignorou totalmente.
Seu olhar estava fixo em uma garota magra, com facas presas ao peito, mas, ao fazer contato visual com Leo, ela imediatamente se afastou, rejeitando-o tacitamente.
Os pensamentos de Leo aceleraram. Em quem poderia confiar? Quem não se voltaria contra ele assim que fosse conveniente?
Seu braço fechou firmemente o Contador em uma mão e o Orbe de Teletransporte na outra.
19:05
19:04
19:03
O tempo passava rápido, e cada tique do relógio parecia um martelo batendo contra seu crânio.
Leo rangeu os dentes e deu um passo à frente.
Ele tinha 20 minutos para fazer uma escolha que poderia significar vida ou morte.
Mas, prestes a tomar uma decisão profunda no seu peito, o mesmo instinto se reacendeu — afiado, frio e conhecido.
Sobrevivência. Não confie em ninguém.