
Capítulo 4
Assassino Atemporal
Por um tempo após o incidente, Leo permaneceu em silêncio.
Seus dedos queimados ainda formigavam onde o papel em chamas havia queimado sua pele, mas ele tentou não se concentrar demais nisso.
Em vez disso, sua mente ficava repetindo uma frase incansavelmente — "Não confie em ninguém."
As palavras da nota ecoavam incessantemente em sua cabeça, como um martelo batendo contra o vidro, cada repetição ameaçando destruir sua frágil calma.
Seu olhar permaneceu baixo, a expressão impassível, como se fosse uma escultura de pedra. Ele não ousava encarar os olhos dos outros passageiros, nem reconhecer o homem de olhos de serpente que jogara o veneno na nota.
Ao invés disso, optou por escutar.
A carroça trepidava e cambaleava, o metal rangendo contra o metal, mas por baixo do ruído de atrito, sussurros deslizaram por dentro do espaço sombrio como cobras venenosas.
"O veneno de basilisco age mais rápido quando entra direto na corrente sanguínea. Um arranhão na garganta, e é fim em segundos."
"Ah, chega rápido demais. Você quer a tinta de viúva. Faz a pessoa engasgar com a própria bílis. Devagar. Dolorido."
Um riso fino e cortante seguiu-se, como uma lâmina de adaga.
Na frente de Leo, um homem de olhos amarelos, semelhante a um gato, examinava sua lâmina com uma reverência inquietante. Um líquido espesso e oleoso pingava da ponta, chiando suavemente ao tocar o chão.
"Não desperdice," murmurou o homem, passando a língua lentamente ao longo da aresta da adaga envenenada, suas pupilas escissas se estreitando de prazer.
O estômago de Leo virou.
Eles estavam francamente falando — discutindo morte, sofrimento e toxinas como se fossem receitas culinárias. Não era apenas crueldade; era algo normal para eles.
Seus dedos se contorceram contra a coxa. O instinto de agir — de fazer algo — corroía sua calma. Mas Leo se forçou a ficar imóvel, respirando lentamente e com calma pelo nariz.
Sobrevivir. Observar. Esperar.
Todo músculo do seu corpo estava tenso, como um fio puxado até o ponto de ruptura, mas seu rosto permanecia uma máscara impassível.
Por ora, o silêncio era sua proteção.
A carroça continuava sua jornada violenta, balançando seus ocupantes, mas o foco de Leo permanecia afiado. Ele não estava apenas ouvindo as conversas; ele as catalogava — as toxinas mencionadas, os tons de voz, a maneira como suas mãos tremiam sobre as armas.
Em algum canto profundo de sua mente, uma voz fraca surgiu — um sussurro no vazio nebuloso onde suas memórias deveriam estar.
Ele já tinha ouvido essas conversas antes.
Já estivera cercado por assassinos antes.
Mas antes que pudesse seguir aquele fio fugaz, a carroça gritou ao parar bruscamente, com o metal protestando em ruído agudo.
A calmaria repentina soava mais forte do que qualquer trepidação anterior, enquanto lá fora, o som de botas pesadas e comandos abafados ecoava fracamente pelas paredes de metal delgadas.
Os passageiros ficaram em silêncio, a bravata anterior evaporando como fumaça, enquanto as lâminas eram guardadas e os venenos recolhidos em um movimento rápido.
O queixo de Leo se apertou enquanto um único pensamento se destacava na sua mente: 'Começou.'
Com um ranger suave, a porta da carroça Rangeu ao se abrir, permitindo que a luz branca invadisse o interior e projetasse sombras longas e agudas contra o chão de metal.
De pé na porta, havia um homem alto, de ombros largos, vestido com um uniforme militar impecável, os tecidos escuros adornados com insígnias prateadas que refletiam a luz.
Seus olhos frios e calculistas percorriam os passageiros, escaneando cada rosto como se pudesse ver até a alma deles.
"Todos os oito ainda vivos. Ótimo." A voz dele era firme e autoritária, cortante como uma lâmina contra a pele. "Pelo menos vocês não são idiotas a ponto de desrespeitar as regras da universidade. Caso contrário, teria que eliminar todos aqui."
Um silêncio arrepiante seguiu-se, quebrado apenas pelo som de alguém engolindo em seco. A mensagem do homem era clara: se algum deles tivesse quebrado a regra contra matar durante o transporte, todos sofreriam a consequência.
Mas, em vez de medo, surgiram sorrisos de escárnio e olhares de cumplicidade, como se ignorassem a ameaça do homem e a tratassem como algo trivial.
Eles começaram a sair da carroça, um a um, alguns com aparência de confiança, outros com nervosismo à flor da pele.
Leo foi o último a se mover, com os membros rígidos ao se reajustar após horas de imobilidade, mas conseguiu seguir os demais, avançando cautelosamente em direção à borda da carroça.
Justo ao se preparar para pular, uma mão áspera agarrou sua cintura, impedindo que saísse, puxando-o de volta ao seu lugar.
O fôlego de Leo ficou preso na garganta enquanto o homem uniformizado o levantava com facilidade, como uma criança que tenta furtar-se de uma área proibida.
"Não pode ter arma escondida aqui, pirralho," rosnou o homem, com os olhos penetrantes fixos nos de Leo, que arregalou ainda mais os olhos. "Você usa a cinta de utilidades SOBRE sua túnica."
Leo congelou por um momento, a mente vazia. Cinta de utilidades?
Seus olhos foram até a cintura, e, de fato, escondido sob a túnica preta grossa que usava, havia uma cinta de couro bem ajustada ao redor do corpo.
Como não tinha percebido isso antes?
"Desculpe… eu não percebi—" gaguejou Leo, enquanto mexia na cinta, puxando-a para fora e prendendo-a visivelmente na cintura.
O homem com uniforme o soltou com um bufar, recuando enquanto Leo olhava para a cinta que agora ostentava abertamente.
Estava bastante usada, mas cuidadosamente conservada, com compartimentos e fendas que abrigavam um arsenale:
Doze punhais elegantes dispostos em bainhas simétricas.
Dois pequenos orbes de metal que brilhavam suavemente à luz.
Algumas tampas de vidro com líquidos estranhos e cintilantes.
O ar de Leo ficou preso ao ver um dos frascos, os dedos pairando próximas a ele. O que eram aquelas substâncias? O que eram aqueles orbes?
Mais importante…
Por que essa cinta parecia tão familiar?
Ele rangeu os dentes, sacudindo a sensação de desconforto que lhe lambia a mente. Não era hora de fazer perguntas — não agora.
"Vamos lá, anda!" o homem ordenou com firmeza, apontando com a cabeça para os outros já formando uma fila frouxa do lado de fora da carroça.
Leo saiu do veículo, tocando o chão empoeirado com leveza. Enquanto ajustava sua cinta, seus olhos atentos vislumbraram o ambiente ao redor — cercas de metal altas com arame farpado no topo, torres de vigia sobressaindo no horizonte, e sombras distantes se movendo por grandes pátios iluminados com holofotes.
"Será que isso é uma prisão?" pensou Leo, sentindo que o ambiente realmente parecia uma, pesado de expectativa… e de medo.
"Cara, o teste deste ano vai ser SÓ diversão," comentou alguém na sua frente na fila, com sotaque embriagado de entusiasmo e nervosismo misturados.
De repente, o líder da fila começou a se mover, incentivando todos a avançar juntos, em uníssono.
O teste ia começar.