
Capítulo 16
Assassino Atemporal
Quando Leo pisou na sacada da prisão, seu olhar naturalmente se dirigiu ao céu noturno, e o que ele viu paralisou-o no lugar.
Sete luas.
Eles pendiam como sentinelas silenciosas na vastidão escura lá em cima, com sua luz pálida mal rasgando as sombras opressoras da noite.
Cada lua era diferente—algumas pequenas e ténues, outras maiores e mais evidentes—mas todas pareciam pairar em ângulos estranhos, seu brilho desigual projetando manchas fragmentadas de luz sobre a varanda rachada e em ruínas.
"Sete? Só deveria haver uma lua no céu à noite. Uma só," pensou Leo, a certeza do fato o perturbando.
Era estranho. Ele lembrava tão pouco do seu passado, e ainda assim esse detalhe parecia importante, quase ingrâneo ao seu ser. Ver sete luas parecia zombar dessa certeza, deixando-o momentaneamente desorientado.
Mas, apesar de sua beleza de outro mundo, não havia consolo na noite alienígena de Rodova. A escuridão era fria, pesada e opressiva, pressionando-o como um peso invisível.
O olhar de Leo permaneceu no alto por apenas um instante antes de desviar o foco de volta para a varanda. Qualquer sensação de admiração foi rapidamente substituída por um desconforto ao observar a paisagem desolada ao seu redor.
A varanda se estendia larga e vazia, oferecendo uma visão desimpedida dos arredores da prisão. Era um ótimo lugar para identificar ameaças potenciais, mas péssimo para evitá-las.
"Ótimo para ver problemas chegando. Horrível para fugir deles," pensou Leo com gravidade, seus olhos afiados procurando qualquer sinal de perigo.
Não havia um único pilar ou bloco de concreto grande para oferecer abrigo. Nenhuma sombra para escondê-los caso alguém se aproximasse. O espaço estava completamente exposto—um mirante de predador, não um refúgio.
O aperto na empunhadura da adaga se intensificou enquanto seu desconforto aumentava. Depois da experiência de quase morrer na última luta, a confiança de Leo diminuiu. A fragilidade de suas habilidades estava clara, e a compreensão disso o deixou hesitante em entrar em mais batalhas naquela noite.
"Chega de luta," decidiu silenciosamente. "A menos que não tenha outro jeito."
"Vamos só esperar passar," murmurou. "Sem mais lutas, a não ser que seja impossível fugir."
Logo atrás dele, Felix soltou um suspiro exagerado, como se tivesse acabado de se cansar de uma peça dramática. Virou seu último odre de álcool de cabeça para baixo e o agitou desesperadamente. Uma única gota caiu, fazendo um leve plop ao atingir o chão.
"Droga," reclamou Felix, seu tom misturando frustração e resignação. "Deu, acabou o álcool."
Leo franziu o rosto, seu olhar se fixando em Felix. "Como assim, 'acabou'?"
Felix sorriu torto, com as bochechas ainda vermelhas do álcool. "Quer dizer que, em uns quarenta minutos, esse bêbado genial vai voltar a ser um idiota sóbrio. E confie, você não quer Felix sóbrio numa briga."
Leo piscou, momentaneamente atordoado. O idiota gordinho tinha começado o teste com vários odres de álcool, e já tinha conseguido esvaziá-los em poucas horas.
"Isso... ótimo," resmungou Leo com sarcasmo, o peito se apertando ao perceber as palavras de Felix.
Seus olhos se voltaram para o contador brilhante preso na cintura.
219 pares restantes.
'Ainda estamos longe do fim,' percebeu Leo, uma inquietação infiltrando seus pensamentos. Com mais de cem pares por eliminar, o teste ainda não tinha acabado.
Sabia que, à medida que os últimos poucos pares permanecessem, as próximas horas seriam ainda mais longas, difíceis e perigosas. E, com Felix se tornando inútil e sua própria confiança abalada na batalha, suas chances de sobreviver pareciam diminuir a cada minuto que passava.
"Pois é, sem dúvida, não vamos mais lutar," concluiu Leo, seu olhar cauteloso se voltando para Felix para garantir que o bobo bêbado não fizesse algo irresponsável que entregasse a posição deles.
Para seu alívio, Felix estava deitado de bruços na varanda, olhando preguiçosamente para o céu. Pela primeira vez, parecia contente de ficar quieto, dando a Leo a segurança de desviar sua atenção para outro lugar—pelo menos por enquanto.
Com um suspiro silencioso, Leo virou seu olhar para fora, vasculhando o caos abaixo de seu ponto de vista na varanda.
Daqui, os arredores da prisão se estendiam como um vasto campo de batalha, cada canto contando uma história diferente de violência.
Em alguns lugares, Leo via faíscas suaves, como fagulhas de metal batendo contra metal, sinalizando um duelo intenso. Em outros, ouvia grunhidos guturais e o barulho sordo de corpos se chocando contra paredes, revelando a brutalidade do combate corpo a corpo.
Ele absorvia tudo, seu aperto na arma de teste que carregava na cintura se apertando ainda mais.
"Matar… matar! Eliminar um ao outro mais rápido," pensou, seus dedos pressionando a superfície do contador como se o simples força de vontade pudesse fazer os números despencarem mais depressa.
A desesperança se apossava de seu peito, cada segundo se estendendo como uma tortura. Tudo o que ele queria era que o caos se resolvesse sozinho—sem puxá-lo para dentro—e, por enquanto, parecia que dava certo.
199 pares restantes.
Alguns minutos depois, os pares restantes despencaram para 199, encerrando oficialmente a rodada de classificação nas últimas lutas.
"Mais umas horas e acabou…," pensou Leo, rezando para que o tempo restante passasse o mais rápido possível.