
Capítulo 15
Assassino Atemporal
Vamos, Felix, precisamos nos mexer", instou Leo assim que a luta terminou.
Ele não ia ficar no terraço, especialmente depois de sua posição ter sido tão completamente comprometida.
"Mexer? Mas a gente acabou de chegar," resmungou Felix, cambaleando levemente enquanto limpava o sangue da espada. Seu tom misturava irritação e incredulidade alcoolizada.
Leo não se deu ao trabalho de discutir. Pegou o braço de Felix e puxou com força, afastando-o do terraço e levando-o de volta pelos corredores sombrios da prisão.
Felix cambaleou, mas acabou seguindo, murmurando baixinho que Leo "não valorizar o esforço" e que ele estava sempre "se lançando na próxima confusão".
Uma vez dentro, os dois continuaram a busca pela escada que levava ao terraço, mas desta vez, a cabeça de Leo começou a divagar.
Seus olhos aguçados percorriam os corredores escuros por hábito, mas seus pensamentos ficaram presos na luta que tinha acabado de terminar e em como ele quase morreu ali mesmo, em questão de segundos.
'Por que o tempo não desacelerou desta vez? O que eu fiz de errado?' Leo se perguntou, a confiança que tinha ganho na primeira batalha começando a escapar, à medida que lutava para entender por que não conseguiu reproduzir o mesmo efeito.
Após sua vitória inicial, ele tinha assumido que o efeito de desaceleração do tempo era algo inato—uma habilidade natural que ativaria sempre que entrasse numa luta. Mas essa suposição agora parecia ingênua, até tola.
Provavelmente era mais uma "Habilidade", assim como a habilidade de Varra de dividir suas adagas no ar, claramente uma "Habilidade". No entanto, o problema para Leo era que, ao contrário de Varra, ele não fazia ideia de como ativar sua própria habilidade.
O conhecimento de como usá-la, assim como muitas outras coisas sobre ele mesmo, permanecia trancado nos fragmentos de memórias perdidas, o que o deixava hesitante em procurar problemas futuros.
"Ei, Felix, você tem 'habilidades especiais', né? O que pode me contar sobre elas?" perguntou Leo, na esperança de extrair alguma informação crucial do parceiro bêbado. Mas esperar uma resposta coerente de Felix parecia tão absurdo quanto pedir para um macaco ensinar cálculo.
"Minha habilidade especial é minha beleza natural! Eu sou definitivamente o homem mais bonito neste teste. DNA 100% natural, sem mistura de DNA de animal estranho para efeitos superiores. 100% humano—" declarou Felix, sorrindo de canto, com uma expressão de superioridade.
Leo bateu a mão na testa, frustrado, soltando um suspiro forte. Era exatamente o tipo de absurdo que esperava.
Por mais ridículas que fossem as palavras de Felix, algo por baixo delas despertou o interesse de Leo—uma fagulha de informação que ele não podia ignorar.
"Você está dizendo que os outros neste teste—aqueles com olhos de cobra e chifres saindo das cabeças—são humanos geneticamente modificados?" questionou Leo, estreitando o olhar.
Felix estufou a língua e mandou um floreio de areia de saliva. "Claro que não! Nem todos eles são humanos. Alguns são anões, bestas, elfos, mestiços. Mas, sim, se não têm pelos corporais significativos e têm traços animais, com certeza programaram o DNA com alguma criatura para melhorias."
Aquela informação encaixou na cabeça de Leo. Parecia que, neste mundo, adquirir traços de animais por meio de aprimoramento genético não era apenas possível—era comum. Pensando nos indivíduos do transporte, ele agora entendia o quanto essas modificações eram difundidas.
"Sabe," continuou Felix, cambaleando um pouco, "ainda respeito aqueles que fazem isso para melhorar como guerreiros. Tipo, olhos de águia para visão de longe como arqueiro, ou olhos de gato para visão noturna. Isso é inteligente."
O rosto de Felix escureceu, e sua voz virou um murmúrio irritado. "Mas o que eu não respeito são os homens que modificam o pênis com o de porco só para conseguir foder melhor."
Leo piscou, completamente surpreso. "O quê?"
"Uma garota que eu gostava foi fodida por um daqueles idiotas com pênis de porco," continuou Felix, com a voz carregada de amargura. "Claro que ela nunca ia ficar satisfeita comigo depois disso. O meu tem uns 6,3 cm, mas não foi reforçado geneticamente como o dele."
Leo sentiu o rosto escurecer de horror com a depravação que Felix insinuava. Se fosse verdade, esse mundo era muito mais perverso do que ele imaginava.
"Mas, por outro lado… mulheres com... aquelas coisas pegajosas—"
"PARA!" Leo gritou, interrompendo Felix antes que ele terminasse. "Por favor. Basta."
Felix parecia ofendido. "O quê? Nunca sonhou em fazer a festa com uma dessas gatas melhoradas? Quero dizer, ooo lalala." Ele fechou os olhos e lambeu o ar, com uma expressão de alegria degenerada.
O estômago de Leo virou, e ele se virou, engolindo uma onda de náusea. 'Provavelmente nunca vou esquecer a cara que ele fez hoje,' pensou com tristeza. 'Isso vai me assombrar pelo resto da vida.'
Felizmente para ele, até então, os dois tinham caminhado o suficiente para encontrar mais uma escada que parecia levar ao terraço, encerrando sua conversa absurda.