Assassino Atemporal

Capítulo 17

Assassino Atemporal

(Metade de uma hora depois)

O tempo avançava lentamente, a contagem no relógio diminuindo aos poucos à medida que o número de pares restantes caía de 199 para 175.

Leo estava sentado próximo à borda da varanda, seus olhos aguçados vasculhando o horizonte enquanto sua mente lidava com a crescente tensão.

A cada queda no número da contagem, ele sentia uma pequena vitória, principalmente porque o ritmo de eliminações tinha acelerado perceptivelmente na última meia hora.

"Vinte e quatro pares em trinta minutos," murmurou Leo para si mesmo. "Isso não é nada mau."

Logo atrás dele, Felix gemeu, massageando as têmporas enquanto se contorcia de um lado a outro no piso de concreto.

O jeito ameaçador e a confiança inconsequente que exalava enquanto estava bêbado já tinha desaparecido por completo, substituído pela energia nervosa que Leo já conhecia dele.

"Ugh… minha cabeça tá doendo demais," reclamou Felix. "Por que eu bebi tanto?"

Leo olhou por cima do ombro, levantando uma sobrancelha. "Talvez porque achou que ser um louco bêbado fosse melhor do que ficar na sua forma de sempre, medroso?"

Felix lançou um olhar fraco para ele. "Medroso? Isso é pesado, cara. Não sou covarde. Sou… cauteloso."

"Claro," respondeu Leo com secura, voltando sua atenção para o horizonte.

Um Felix sóbrio não servia absolutamente para combater, e Leo sabia disso. Na próxima hora ou duas, se algum problema surgisse, caberia a ele sozinho resolver.

"Ei, Leo," começou Felix, com a voz carregada de culpa. "O que você quer que eu faça? Posso ajudar a vigiar também. Onde devo olhar?"

Leo respirou fundo, sinalizando para a escadaria que eles tinham usado para chegar até a varanda. "Fica de olho na escada. E, se vir algum sinal de perigo, corre."

Felix gemeu enquanto se arrastava pelo chão, segurando a cabeça e murmurando algo incompreensível. Mesmo assim, acomodou-se no lugar indicado por Leo e começou sua vigília — embora Leo não estivesse totalmente confiante de quão eficiente ele seria.

No entanto, ter Felix de guarda na escada lhe trazia alguma paz, pois pelo menos por ora, parecia que estavam seguros.

'Conseguiria encarar outra batalha?' Leo pensou silenciosamente, a resposta parecendo muito mais complicada do que esperava.

Como qualquer outro humano, ele tinha um instinto de autopreservação — um medo natural da morte enraizado fundo no cérebro.

Mas, enquanto a ideia de morrer o deixava inquieto, não era a luta em si que o assustava.

De forma estranha, ao imaginar-se sendo esfaqueado ou ferido, o medo era abafado, quase distante. Palidava em comparação ao pavor visceral que sentia só de pensar em se afogar — um medo irracional que permanecia na periferia de sua consciência.

'Por que isso me assusta mais do que ser esfaqueado brutalmente?' questionou, uma sensação desconfortável lhe percorrendo a espinha.

De algum modo, parecia que seu corpo já tinha suportado inúmeras feridas — tantas, que o medo de receber novas já não o afetava. Mas, sem nenhuma lembrança de quando ou como essas feridas poderiam ter acontecido, Leo se via mais uma vez incapaz de responder às perguntas que corroíam sua curiosidade.

*Tropeço*

*Tropeço*

Justamente nesse momento, Leo percebeu um som distante de alguém subindo as escadas. Olhando para a escada, viu imediatamente Felix agitando os braços freneticamente para chamar sua atenção.

'Sai daí–' Leo sussurrou sem emitir som algum, enquanto Felix recuava conforme suas instruções.

Seconds later, a figura feminina cambaleou na varanda, o corpo oscilando como se cada passo fosse um esforço titânico.

Sangue escorria de um corte profundo em seu lado, envolvendo sua túnica rasgada e deixando um rastro tênue atrás dela.

Ela estava gravemente ferida, ofegando rapidamente enquanto parecia desesperada por segurança.

Porém, infelizmente para ela, a varanda não era o local seguro que ela esperava, pois, no instante em que tropeçou nela, seus olhos foram direto para Leo e Felix, e seu coração afundou.

'Não… não agora. Aqui não,' pensou, uma sensação de pavor apertando seu peito como uma antecâmara de uma prisão.

Por um momento, suas pernas ameaçaram fraquejar. A visão de duas figuras já presentes na varanda — dois possíveis inimigos capazes de acabar com sua vida num instante — a fizeram congelar de terror, completamente paralisada.

Seu instinto gritou para ela recuar. Mas não havia pra onde fugir. Nenhuma cobertura, nenhum lugar para se esconder. Nenhum tempo para planejar. Tudo o que podia fazer era esperar por misericórdia, enquanto apertava a empunhadura de sua adaga com força.

"Não–" Murmurou fracamente, apontando a adaga na direção de Felix e Leo, quando uma nova onda de sangue jorrou de seu lado, obrigando-a a cair de joelhos e cuidar novamente do ferimento.

'Vão me matar,' pensou a mulher, enquanto o pulso acelerava em seus ouvidos.

Porém, com o passar dos segundos e nenhum dos dois, Leo ou Felix, tendo se movido para incapacitar-a, uma pequena luz de esperança começou a se acender em seu coração.

Ao observá-los novamente, ela começou a notar detalhes que tinha ignorado de início — como a forma corpulenta de Felix, que parecia uma porca desengonçada, e como os olhos de Leo tinham uma inocência perturbadora, como se nunca tivessem tirado uma vida antes.

Naquele momento, ela percebeu que seus oponentes, assim como ela, tinham ido à varanda para se esconder e não para matar, e que ela poderia sobreviver, se ao menos convencê-los de que estava se rendendo.

*Estrondo*

Decidida, ela largou suas armas no chão com um barulho metálico, levantando as mãos trêmulas ao ar.

"Por favor… me poupem," sussurrou, com a voz rouca e forte.

Leo não respondeu imediatamente, apenas estreitando os olhos enquanto a avaliava. Felix, por sua vez, cambaleou ao ouvir seu pedido, apertando a gripna na espada.

"Não sou ameaça!" ela gritou, com a voz trêmula. "Juro, só queria um lugar seguro. Por favor, não me matem!"

O olhar de Leo permaneceu firme. Sua voz foi calma, porém fria, ao dizer: "Onde está seu parceiro?"

Os ombros dela desmoeram, e lágrimas preencheram seus olhos enquanto ela balançava a cabeça. "Nos separamos," confessou.

"Estávamos sendo perseguidos por alguém mais forte… mais forte do que eu. Ele me mandou correr enquanto ele ficava para segurar eles. Não sei nem se ele ainda está vivo."

Seu olhar oscilava nervoso entre os dois homens. A expressão de Felix, de olhos bem abertos, não era exatamente tranquilizadora, mas foi o calma contida de Leo que a assustou ainda mais.

'Ele é o líder,' percebeu. 'É com ele que preciso convencer.'

Sorriu de leve, wincing de dor, enquanto sua ferida pulsava. "Se quiserem, posso ir embora agora," acrescentou rapidamente, com a voz diluída pelo desespero. "Só… me deixem viver. É tudo que peço."

Comentários