Assassino Atemporal

Capítulo 18

Assassino Atemporal

"Só… deixe-me viver", a mulher contou, sua voz trêmula enquanto as mãos permaneciam levantadas em sinal de rendição.

Ela olhava para Leo implorando, o rosto cheio de lágrimas, machucado e pálido, retratando uma verdadeira imagem de desespero.

Mas, apesar de sua atuação convincente, Leo não se deixou convencer completamente.

Evaluando-a, ele permanecia atento para o combate, enquanto sua mente fervilhava de suspeitas.

Algo em seu pedido de socorro lhe incomodava, despertando todos os alarmes em sua cabeça. Suas palavras eram muito calculadas, seus movimentos demasiado pensados.

Ela era uma sedutora, uma mentirosa ardisosa, se Leo já tinha visto alguma semelhante, e embora não pudesse lembrar se já tinha encontrado alguém assim antes, algo dentro dele dizia que ela não era confiável.

'Devo deixá-la sair?' ele pensou momentaneamente, até que uma voz profunda dentro dele despertou—uma sussurração fria e primordial que dizia:

Não confie em ninguém.

Não era a primeira vez que essa voz surgia durante o teste, e com o tempo, Leo aprendeu uma coisa sobre ela: essa voz nunca se enganava.

Ele apertou ainda mais seu aperto na adaga, o corpo ficando ainda mais tenso.

Se ela estava desesperada, era perigosa, pois o desespero costuma fazer as pessoas mentirem, trapacearem e matarem sem hesitar.

"Se você quer viver", Leo finalmente disse, com uma voz firme e sem emoções, "puxe lentamente seu cristal de teletransporte e quebre-o. Assim, você será teleportada para fora da prova—viva."

A mulher piscou, ofegando como se não esperasse por essa resposta.

Era uma proposta inteligente. Se ela realmente não tinha seu parceiro ao lado e só queria sair viva do terraço da prisão, quebrar o cristal de teletransporte era o caminho mais rápido e simples para fugir.

No entanto, a relutância no rosto dela em fazer isso deu a Leo toda a certeza de que sair do teste não era sua verdadeira intenção.

Ela provavelmente esperava encontrar seu parceiro após escapar, planejando se reunir e voltar mais forte. Ela não tinha a intenção de abandonar o teste de entrada tão cedo.

Leo observou cuidadosamente sua linguagem corporal, percebendo como os ombros dela caíram e seu corpo afundou à mínima expressão de aceitação, como se o peso de sua demanda tivesse acabado com sua última força.

No entanto, ao invés de protestar, ela astutamente concordou, atuando como se a proposta dele fosse totalmente sensata.

"Eu… tudo bem", ela disse suavemente, assentindo enquanto movia a mão trêmula em direção ao bolso da túnica.

Apesar de parecer que ela estava pronta para cumprir, Leo não relaxou.

Seus olhos afiados permaneciam fixos em cada movimento dela, observando a lentidão deliberada de sua mão como um falcão.

Foi nesse momento que ele percebeu uma leve faísca em seus olhos—uma faísca que traía suas verdadeiras intenções.

Ela está ganhando tempo.

A constatação veio como um chicote. Seus nós dos dedos ficaram brancos ao redor do cabo da adaga, enquanto seus instintos gritavam mais alto.

Sua hesitação, seus olhares discretos—não eram ações de alguém derrotado. Ela estava calculando, procurando uma brecha.

Finalmente, ela revelou o cristal de teletransporte e o segurou como se estivesse pronta para seguir as instruções dele. Mas, justo quando seus dedos aparentaram apertar mais ao redor dele, um sorriso suave apareceu em seus lábios, e ela murmurou as palavras "Névoa Sombria".

Num instante, trevas explodiram ao redor dela, uma névoa espiral que engoliu o terraço em segundos.

O ar ficou denso, sombras espessas serpenteando ao seu redor como tentáculos vivos, obstruindo toda a visão.

Leo recuou cambaleando, a adaga levantada e o coração acelerado. "Felix!" ele gritou, sua voz cortando a neblina artificial. "Fique atento!"

"Que porra é essa?!" respondeu Felix, sua voz tomada pelo pavor, ecoando do outro lado, carregada de medo.

Ele recuou tropeçando, a névoa se fechando ao seu redor, sufocando sua visão enquanto ficava ainda mais espessa.

Os lábios da mulher se curvaram num sorriso malicioso enquanto ela se movia silenciosamente pela névoa. Seu pulso batia forte nos ouvidos, a respiração ofegante e irregular. Ela tinha uma última chance, um movimento desesperado para virar a situação a seu favor.

'Só tenho mana suficiente para usar uma habilidade—essa Névoa Sombria. Preciso fazer valer a pena,' pensou, apertando ainda mais a empunhadura de sua lâmina.

'O maior. Ele é o elo mais fraco. Tira dele, e o outro vai desmoronar.'

Seu corpo ardiam de dor, a ferida gritando a cada passo, mas ela continuava avançando, impulsionada por uma força de vontade feroz.

Com uma arrancada, ela correu em direção a Felix, a lâmina pronta para um golpe final e desesperado.

Mas, antes que pudesse alcançá-lo, uma dor aguda e ardente atravessou suas costas. Seus olhos se arregalaram de choque, e seu corpo ficou tenso.

Sonoro estampido.

Ela caiu, paralisada da cintura para baixo, sentindo a pontada de uma adaga cravada firmemente na espinha.

'Mas como? Como ele conseguiu me atingir através da névoa?' ela pensou, a mente em branco de dor, um grito escapando de seus lábios.

Ela tinha certeza de que sua habilidade [Névoa Sombria] tinha bloqueado efetivamente a visão de Leo, tornando impossível para ele localizá-la.

Mas ela subestimou Leo.

Desde o começo, desconfiado dela, Leo tinha observado de perto seu olhar e sua linguagem corporal, antecipando suas intenções antes mesmo que ela traísse seus planos contra Felix.

Mesmo na névoa, Leo tinha uma ideia geral de onde ela poderia estar e arremessou algumas adagas nessa direção, e a segunda acertou seu caminho na espinha dela.

Se estivesse na posição dela, também teria escolhido focar no Felix, na esperança de sobreviver, e foi essa mesma lógica que facilitou a sua derrota agora.

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