Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia

Capítulo 84

Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia

A supervisão não anunciou o esvaziamento do campo.

Eles programaram isso.

Primeiro, mudanças sutis.

Dois instrutores redistribuídos sem explicação.

Um administrador de nível médio temporariamente colocado na rotina voltada aos estudantes.

Três convocações de aconselhamento canceladas em turmas B e C, após demonstrarem "tendências de coordenação lateral".

Nada dramático.

Apenas fios sendo puxados discretamente.

Dreyden percebeu porque o ritmo do campus perdeu o sincronismo.

Não visivelmente.

Mas matematicamente.

A congestão na sala de treinamento mudou em 7%.

As curvas de densidade na cantina ficaram achatadas, ao invés de atingirem o pico.

Até as reservas na câmara de recuperação apresentaram agrupamentos incomuns entre diferentes níveis de classificação.

As pessoas não estavam em pânico.

Estavam se preparando.

A supervisão não podia esmagar a preparação sem admitir que tinha medo dela.

Então, mudaram de estratégia.

O anúncio veio às 11h47.

Não durante uma pausa.

No meio da aula.

Em todas as turmas ao mesmo tempo.

AVISO TRIANGULAR – REVISÃO DE EFICIÊNCIA ESTRUTURAL

A partir de agora, todas as formações de equipes, formais ou informais, estão suspensas.

Os estudantes passarão por verificação de capacidade em isolamento por um ciclo limitado.

A participação é obrigatória.

O direito ao treinamento coletivo está temporariamente suspenso.

Silêncio tomou conta de todas as salas.

Nem revolta.

Nem suspiros.

Reconhecimento.

Eles tentavam quebrar a aglomeração.

Forçar uma calibração individual novamente.

Restabelecer a autoridade na linha vertical.

Na Sala de Estratégia, o instrutor parou de falar e olhou para sua interface.

Seu maxilar se fechou.

Ele não retomou a aula.

Ele dispensou a turma, ao invés disso.

Esse detalhe importava mais do que o aviso.

Um instrutor tinha acabado de decidir não fingir que isso era coisa acadêmica.

Lucas leu o alerta enquanto estava no corredor.

Arlo olhou para ele como quem recebe a notícia de que o oxigênio agora será racionado.

"Então… ciclo de isolamento?" Arlo perguntou hesitante.

"Sim," respondeu Lucas.

"Isso é ruim, né?"

Lucas expirou lentamente. "Significa que não conseguiam prever o comportamento do grupo."

Zagan falou.

Eles vão tentar redefinir o quadro.

Os olhos de Lucas ficaram mais afiados. "Quadros não se redefinem. As peças lembram."

Em todo o campus, Dreyden fechou sua interface sem comentar nada.

Era esperado.

A supervisão não podia atacar a união diretamente.

Então, negariam o reforço.

Sem treinamentos coletivos.

Sem exercícios colaborativos.

Sem sessões sobrepostas transparentes.

Cada estudante avaliado individualmente.

Medido individualmente.

Classificado individualmente.

Esse era o jogo.

Raisel encontrou Dreyden cinco minutos depois de a aula terminar.

"Você sabia," ela disse.

"Sim."

"Eles estão nos isolando."

"Sim."

Olhos dela se estreitaram. "Você não parece preocupado."

"Estou," ele respondeu.

Ela esperou.

Ele continuou calmamente: "Mas eles não podem fazer o que os estudantes já viram desaparecer."

Raisel cruzou os braços. "Você acha que memória é mais forte que estrutura?"

"Acredito," disse Dreyden, "que a estrutura depende da memória permanecer em silêncio."

Isso não era conforto.

Era análise.

E Raisel entendeu a diferença.

À tarde, começou a fiscalização.

As salas de treinamento ficaram silenciosas.

Estações normalmente usadas por duplas foram segregadas.

Métricas de recursos ajustadas para que treinos individuais consumissem mais resistência — o isolamento punia a eficiência.

Esse era o toque oculto.

Se as pessoas treinassem sozinhas, cansariam mais rápido.

Se cansassem mais rápido, teriam desempenho pior.

Se o desempenho piorasse, as classificações caíriam.

A ansiedade voltaria.

O medo surgiria.",

p>O sentimento de dependência se restabeleceria.

A supervisão não precisava de violência.

Precisava criar um clima de desânimo.

Mas isso levava tempo.

E algo mais estava acontecendo.

Estudantes não estavam voltando ao isolamento completo.

Não estavam infringindo regras.

Não treinavam juntos.

Mas ocupavam o mesmo horário.

Em estações diferentes.

Na mesma hora.

No mesmo hall.

Sem coordenação direta.

Apenas presença.

Era uma resistência silenciosa.

Um tipo de desafio que as instituições tinham dificuldade em punir.

Dreyden optou por não ocupar espaços compartilhados.

Treinou em isolamento total.

Corredor do subterrâneo.

Câmara desativada.

Com baixa intensidade.

A supervisão registrou sua conduta como em conformidade.

Eles estavam errados.

Ele estava preservando recursos.

Porque alguém seria selecionado em breve.

E, quando isso acontecesse—

O momento da intervenção faria diferença.

Nessa noite, o arquivo do Mandarim foi atualizado novamente.

Sem saudação.

Sem floreio.

Apenas uma linha.

Eles bloquearam a camada superficial. Você não verá a terceira tentativa vindo.

Dreyden leu sem reação.

Respondido digitando:

Então, fica abaixo da superfície.

Um momento depois:

Sim.

Era uma confirmação.

Não um aviso.

A pessoa que escrevia dentro do seu escudo agora não falava mais como um estranho.

Falava como um analista paralelo.

A supervisão agiu mais rápido na manhã seguinte.

Às 09h12, um estudante da turma C chamado Erien Tol foi chamado.

Públicamente.

Não arrastado.

Chamado.

Na frente da sua aula.

Sem explicação.

Ele se levantou.

Saiu.

A sala ficou em silêncio.

Os estudantes observaram a porta por mais tempo do que o necessário.

Erien não era fraco.

Estava num nível alto, ameaçando uma trajetória ascendente.

Depois de ser visto nos mesmos blocos de treinamento que dois coordenadores de turma B.

Ele não era o centro.

Mas tinha conexões.

Candidato perfeito.

Dreyden sentiu isso.

Um aperto na densidade do padrão.

Lucas também percebeu.

Zagan não falou.

O que indicava que esse não tinha sido sutil.

A supervisão retornou com Erien duas horas depois.

Sem ferimentos.

Sem colapsar.

Mas alterado.

Seus dados de projeção foram revisados.

Marcadores de autoridade removidos.

Privilégios de solicitação de equipe revogados.

Nada dramático.

Apenas uma diminuição silenciosa de influência.

Essa era a nova estratégia.

Não a destruição.

Erosão.

Raisel soube em poucos minutos.

"Eles estão removendo nós de rede," ela disse, direta.

"Sim," respondeu Dreyden.

"Eles não vão escolher alguém chamativo."

"Não."

"Vão tirar os conectores."

"Sim."

Olhos dela se dirigiram a ele. "E você?"

"Eles não podem tirar o que eu não peço."

Esse era o erro da estratégia da Supervisão.

Dreyden não mantinha redes oficiais.

Ele não fazia solicitações.

Ele não formava equipes registradas.

Ele existia adjacente à estrutura.

E isso tornava a eliminação mais difícil.

Lucas, entretanto, agora já claramente marcado.

Risco de dependência elevado.

Recusa de mentoria registrada.

Proximidade frequente a anomalias.

A supervisão não atacaria frontalmente.

Primeiro, enfraqueceriam a órbita ao seu redor.

Nessa tarde, Arlo recebeu um aviso.

Aviso de uso excessivo de recursos.

Retroativo.

Validado tecnicamente.

Com timing estratégico.

Arlo mostrou a Lucas com mãos trêmulas.

"Nem cheguei ao limite."

Lucas leu cuidadosamente.

"Eles estão ajustando suas métricas de forma suave."

Voz de Arlo diminuiu. "Devo... recuar?"

Lucas olhou para ele.

Olhou realmente.

"Essa é sua decisão."

Arlo engoliu em seco.

Aquela hesitação se refletia em dezenas de pequenas ações pelo campus.

Estudante da turma B pulando uma hora.

Estudante da turma C remarcando sozinho.

Estudante da turma A permanecendo neutro durante debates pós-treino.

A estratégia de erosão funcionava.

Devagar.

Dreyden percebeu o ponto de inflexão quando o espaçamento na cantina voltou a acontecer.

Não totalmente.

Mas parcialmente.

Grupos menores.

Conversas mais curtas.

Estudantes recalibrando o risco.

A supervisão não precisava de uma obediência dramática.

Precisava de exaustão.

Nessa noite, Dreyden fez algo inesperado.

Entrou em uma sala de nível médio durante uma hora compartilhada.

Sem anúncio.

Sem interação.

Escolheu uma estação central e iniciou treinos de baixa intensidade.

Outros já estavam lá.

Perceberam.

Ninguém se aproximou.

Mas também ninguém saiu.

Por quarenta e dois minutos, a sala permaneceu ocupada.

Treinamento individual.

Ar livre compartilhado.

Silêncio compartilhado.

Recusa compartilhada em dispersar.

Isso importava.

A supervisão monitorou.

Registraram a densidade de presença.

Não por violação.

Mas por padrão.

O observador se recostou na cadeira.

"Eles não vão se dividir por medo," ele disse, em tom calmo.

Um subordinado perguntou: "Escalar?"

O observador arregalou os olhos.

"Não."

"Então, o que?"

O observador sorriu levemente.

"Escalamos a escassez."

A escassez era mais limpa do que punição.

Se os recursos se apertassem em tudo, a competição voltaria.

A competição desintegraria a confiança mais rápido que o medo.

A orientação foi transmitida antes da meia-noite.

Sutil.

Alocações de energia reduzidas para exercícios não classificados.

Priorização de equipamentos direcionada às elites.

Os níveis inferiores silenciosamente pressionados.

O amanhecer revelaria.

Dreyden sentiu a mudança se aproximando antes de dormir.

Não por intuição.

Pela constatação de que padrões de escassez começaram a aparecer em anomalias de agendamento de bastidores uma hora antes do aviso oficial.

Ele ficou na janela, olhando o campus ao longe.

O Triângulo não estava mais testando indivíduos.

Estava testando coesão.

E coesão sob escassez é volátil.

Lucas se juntou a ele na varanda sem convite.

"Estão cortando o abastecimento," Lucas comentou.

"Sim."

"Querem que a competição volte."

"Sim."

Lucas se recostou na grade.

"E se der certo?"

A visão de Dreyden permaneceu nas luzes tênues do campus.

"Então, a solidariedade era condicional."

Lucas franziu a testa.

"E se não der?"

A leve sorriso de Dreyden voltou.

"Então, o sistema cometeu um erro fundamental."

"Qual?"

"Que as pessoas," disse Dreyden em tom baixo, "não esquecem quem as deixou com fome."

Logo abaixo, as luzes apagaram-se, setor por setor.

Acima, a vigilância ajustou o foco.

O isolamento não funcionou completamente.

A erosão desacelerou, mas não quebrou a coesão.

A escassez testaria a última camada.

E, em algum lugar sob a camada superficial que Maya tinha alertado—

Algo mais se movia.

A terceira tentativa não era mais sobre punição.

Era forçar a escolha sob recursos cada vez menores.

E, nesse tipo de ambiente—

Ninguém permanecia neutro.

Amanhã, o Triângulo pararia de fingir paciência.

Começaria a fabricar pressão.

Dessa vez, não pelo medo—

Mas pela necessidade.

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