Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia

Capítulo 83

Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia

O dia chegou sem incidentes.

Isso, mais que qualquer outra coisa, confirmou a intenção da Supervisão.

Se eles tivessem entrado em pânico, se tivessem reagido cedo demais — repressões, declarações, correções visíveis — isso significaria que ainda acreditavam no impacto do susto. Na dissuasão. Na autoridade como algo que podia ser reafirmado pelo volume.

Em vez disso, o Triângulo acordou tranquilamente.

Os horários seguiram normalmente.

As aulas começaram.

A segurança não se intensificou.

E isso queria dizer que a pressão estava prestes a mudar de forma.

Dreyden sentiu isso em como as pessoas se movimentavam.

Não mais evitavam.

Era antecipação.

Estudantes não se dispersavam ao ver sua entrada. Também não se agrupavam. Faziam algo pior — permaneciam. As conversas desaceleravam. As decisões aguardavam até ele passar, como se sua presença alterasse as probabilidades sem que ele precisasse agir de fato.

Esse tipo de pressão não era medo.

Era atribuição.

Todo sistema acaba tentando explicar o que não consegue controlar. A Supervisão não era diferente. Quando a saída não correspondia mais à previsão, o erro precisava ser atribuído a algum lugar.

E Dreyden tinha se tornado a variável mais fácil de culpar sem precisar dizer seu nome.

Ele entrou no corredor de treinamento no fim da manhã e parou de repente.

Não porque alguém estivesse bloqueando a entrada.

Porque alguém não estava.

O perímetro informal que se formara ao redor dele após os treinos havia desaparecido. Sem espaçamento sutil. Sem espaço silencioso para permissão.

Em vez disso, três estudantes da Classe B estavam de pé, abertamente, nas estações próximas, treinando como se desafiando o ambiente a contradizê-los.

Um percebeu sua presença.

Olhou em seus olhos.

Não desviou o olhar.

Dreyden assentiu uma vez e passou.

O estudante exalou.

Não alívio.

Orgulho.

Aquela reação não era condizente com o modelo da Supervisão.

Dreyden registrou isso e seguiu em frente.

A primeira confrontação não foi violenta.

Elas aconteceriam depois.

Essa chegou como uma pergunta.

Aconteceu durante uma aula de Estratégia Aplicada ao meio-dia — uma sala enorme, com assentos em níveis e paredes de projeção exibindo sobreposições de cenários em camadas. Dreyden tinha se sentado perto do fundo, onde o controle de ângulo era mais importante que a visibilidade.

O professor — um tático experiente que sobreviveu a três mudanças institucionais — estava na metade de um exercício com múltiplas variáveis quando um estudante levantou a mão.

Classe A. Médio ranking. Confiante.

"Sob quais condições", perguntou o estudante, "a divergência de resultados otimizados pelo sistema justifica intervenção pós-fato?"

O silêncio tomou conta da sala.

Não porque a pergunta fosse proibida.

Mas porque era precisa.

O professor olhou para o estudante por um momento demais.

"A justificativa depende da intenção", respondeu finalmente. "Divergências maliciosas diferem de variações adaptativas."

O estudante assentiu educadamente.

"Então quem determina a intenção?", perguntou. "O sistema ou os participantes?"

Silêncio.

Não hostil.

Curioso.

O professor esclareceu a garganta.

"Isso", disse com cuidado, "está além do escopo desta disciplina."

Os estudantes tomaram notas.

Mas não do tipo que a Supervisão poderia auditar.

Dreyden não sorriu.

Não reagiu de jeito algum.

Mas sentiu a fratura se propagar.

Perguntas como aquela não eram rebeldia.

Elas eram uma reformulação.

Quando a tarde chegou, a Supervisão já tinha iniciado a terceira fase.

Engajamento seletivo.

Começou com convites.

Consultas individuais com estudantes de alto desempenho.

Não obrigatórias.

Não apresentadas como correção.

Enquadradas como apoio.

Lucas recebeu um.

Raisel também.

E outros cinco, cujos nomes agora apareciam frequentemente nas métricas de proximidade.

Dreyden não.

Aquela ausência foi intencional.

Se a Supervisão o convidasse, eles o legitimizariam. Se o ignorassem, permitiriam que a narrativa o colocasse como uma referência externa, em vez de uma autoridade interna.

Nenhum dos dois cenários era favorável a eles.

Por isso, tentaram outra abordagem.

No final da tarde, Dreyden sentiu a primeira restrição.

Estava circulando devagar — laços complexos e lentos, feitos para manter sua linha de base estável — quando sua interface piscou.

Não foi um alerta.

Uma demora.

Depois, aparece uma mensagem:

AVISO DE ACESSO A RECURSOS

Certaines áreas de equipamentos estão temporariamente indisponíveis devido à recalibração.

Ele checou o mapa.

Apenas as zonas que usava regularmente estavam marcadas.

Sem justificativa.

Sem duração.

Sem escalonamento.

Um teste.

Ele fechou a interface e terminou sua sessão com ferramentas reduzidas.

Essa resposta importava.

A Supervisão não medía conformidade.

Mediam improvisação sob negação.

Na universidade, outros receberam fricções semelhantes.

Nada dramático.

Só o suficiente para lembrar os estudantes de onde vêm as permissões.

Foi nesse momento que Lucas fez sua segunda escolha visível.

Ele recusou novamente.

Dessa vez, não foi uma oferta.

Foi um empurrão para conformidade.

Um aviso na interface perguntando se ele confirmava alinhamento com as novas estruturas de mentoria.

Ele deixou expirar.

Sem rejeição.

Sem justificativa.

Apenas… sem resposta.

O sistema registrou isso.

Em algum lugar, um tic vermelho apareceu ao seu lado.

Lucas notou e riu baixinho.

"Isso é novo," murmurou.

Zagan respondeu, com voz baixa e ácida.

Estão te marcando como alguém próximo à influência.

Lucas se alongou, com as juntas estalando. "Demoraram, mas finalmente."

Era o momento em que a maioria desaceleraria.

Lucas não.

Ele treinou com mais intensidade naquela noite.

Não loucamente.

Com exatidão.

Compartilhou equipamento com um estudante da Classe B, cuja mão ainda tremia após o colapso de Maren. Não deu conselhos, apenas ritmo.

Eles não conversaram.

Isso era mais importante que palavras.

Em outro lugar, Maya observava os padrões deslizando.

Não pico.

Deslizamento.

Isso não era mais ruptura.

Era cisalhamento.

O sistema não estava quebrando.

Estava deformando.

Essas eram mais difíceis de consertar.

Ela rastreou novamente a densidade de resposta e parou ao perceber.

Um ponto cego.

Não ao redor de Dreyden.

Entre Dreyden e Lucas.

A Supervisão acreditava que separar mantinha o controle.

Mas a separação criava algo diferente.

Autoridade paralela.

Du - as linhas de referência em vez de uma só.

Ela franziu ligeiramente a testa.

"Isso é arriscado", sussurrou.

Não para eles.

Para os demais.

De volta ao Triângulo, o movimento final do dia chegou silenciosamente.

Às 19h40, uma atualização geral do sistema foi lançada.

Sem anúncio.

Apenas uma correção de fundo.

As métricas de transparência foram ampliadas.

Anotações de decisões ficaram visíveis durante os treinamentos.

Atrasos, adiamentos, substituições — tudo contextualizado publicamente.

Parecia abertura.

Mas não era.

Era exposição.

A Supervisão decidiu afogar a iniciativa na documentação.

Se todos fossem visíveis, ninguém poderia se mover livremente sem ser rastreável.

Se tudo fosse medido, a responsabilização poderia ser usada novamente como arma.

Dreyden leu as notas da atualização uma vez.

Depois as fechou.

"É tarde demais", murmurou.

Porque transparência, depois que a confiança desaba, só endurece o ressentimento.

Nessa noite, estudantes se reuniram — silenciosamente — nos passarelas superiores.

Não eram protestos.

Nem assembleias.

Apenas conversas.

Observações compartilhadas.

Telas comparadas.

Padrões alinhados.

Quando a informação se move lateralmente, ao invés de verticalmente, as instituições perdem o controle do ritmo.

E a Supervisão percebeu isso.

Sintomaram na frequência com que os monitores se renovavam sem novos dados.

Na maneira como os modelos se estabilizavam sem conformidade.

No fato de a recusa deixar de aparecer como comportamento atípico.

O observador — mais velho, paciente, perigosamente calmo — assistiu às transmissões e finalmente falou.

"Eles estão aprendendo mais rápido do que o esperado."

Um subordinado hesitou.

"Qual é a orientação?"

O observador cruzou as mãos.

"Vamos restringir o campo", disse. "E escolheremos um momento."

"Quem?"

O observador não respondeu imediatamente.

Depois —

"Não o Dreyden", disse. "Nem o Lucas."

Uma pausa.

"Vamos escolher alguém que o sistema acredita que possui."

A garganta do subordinado apertou.

"Sim, senhor."

Bem acima do campus, a noite se instaurou.

Dreyden ficou sozinho na varanda de novo, as luzes da cidade se fragmentando abaixo.

Ele não se sentia vitorioso.

Sentia o momentum.

Isso era pior.

O momentum não pede permissão.

Só pergunta o que quebrou primeiro.

Logo atrás dele, passos se aproximaram.

Precisos.

Intencionais.

Raisel parou ao seu lado, com os braços cruzados.

"Eles estão reduzindo o campo", disse baixinho.

"Sim."

"E vão escolher alguém."

"Sim."

Raisel o observou. "Você tem certeza?"

Dreyden assentiu uma vez. "As instituições sempre fazem isso quando perdem a abstração."

"E se escolherem errado?"

O olhar de Dreyden permaneceu fixo adiante.

"Eles já fizeram."

Raisel não sorriu.

Mas também não foi embora.

Abaixo deles, o Triângulo continuava funcionando.

Acima, a Supervisão recalculava.

E entre eles —

Um sistema entrou na fase mais perigosa que poderia atingir.

Aquela em que todos sabiam que a mudança era inevitável —

Mas ninguém sabia quem seria o primeiro a sangrar por ela.

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