Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia

Capítulo 82

Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia

A Triângulo não emitiu resposta.

Nem um anúncio.

Nem uma negação.

Nem mesmo uma correção.

O que significava que o sistema tinha feito algo muito pior do que simplesmente reagir.

Decidiu absorver os danos.

Absorção era o que grandes sistemas faziam quando a força já não era mais uma opção. Eles se reinventavam, redistribuíam e, silenciosamente, transferiam a culpa para lugares onde ela não podia mais ser isolada. O exercício público tinha afetado a autoridade do Controle — mas não de forma fatal. Ainda não.

Então a Triângulo optou pelo método mais antigo disponível a qualquer instituição que tivesse sobrevivido tempo suficiente para aprender a se conter.

Ela normalizou a ruptura.

Na manhã seguinte ao término do Exercício de Alinhamento de Integridade, os estudantes acordaram e se depararam com um campus que parecia… melhor.

Pisos mais limpos.

Sinalizações novas.

Banners de interface recém-instalados anunciando Medidas de Apoio ao Estudante Aprimoradas.

Até o ar tinha cheiro diferente — sterilizado, levemente cítrico, como algo criado para sugerir renovação.

Isso por si só já deixou Dreyden em alerta.

Reconstruir após uma exposição era perigoso. Criava uma sensação de progresso sem solucionar a causa. Sistemas que faziam isso não curavam — eles fortaleciam.

Dreyden saiu do alojamento cedo, antes que os corredores se enchessem. Caminhava sem pressa, mas não sem rumo. Ele tinha parado de deixar seu caminho aleatório há três incidentes.

No caminho, passou por uma das câmeras de reforço abertas.

Dentro, um grupo de Classe C treinava em duplas — sem instrutor presente, mas também sem ficar sem supervisão. Painéis transparentes de monitoramento tinham sido instalados ao longo das paredes superiores, lentes acompanhando movimentos e hesitações em tempo real. Um compromisso silencioso entre liberdade e observação.

Dreyden não diminuiu o ritmo.

Ele não precisava.

Alguém dentro da câmara hesitou, mesmo assim.

Isso vinha se tornando comum.

A mina da cantina confirmou a mudança.

Os estudantes ainda se agrupavam — mas os padrões haviam mudado. Onde antes o medo de serem vistos criava espaço vazio ao redor da mesa habitual de Dreyden, agora a ausência se enchia… de pessoas.

Não diretamente.

Proximidade.

Estudantes escolhiam assentos próximos ao vazio, sem entrar nele.

Não tão perto a ponto de compartilhar oxigênio, mas também não tão longe a ponto de demonstrar intenção.

Dreyden pegou sua bandeja, olhou as opções e sentou-se.

Do outro lado da sala, Lucas chamou sua atenção com um olhar.

Lucas não acenou.

Não fez sinal de cabeça.

Apenas manteve o olhar por um segundo além do que a etiqueta social permitia — e, depois, deliberadamente, desviou o olhar.

Essa escolha tinha peso.

O Triângulo monitorava comportamentos, mas a significação surgia na resistência a essa monitorização. Proximidade sem declaração ainda era proximidade.

Um silêncio sutil ecoou pela sala ao alguém deixar cair um utensílio.

Ninguém riu.

Não era medo.

Era uma calibração.

Depois do café da manhã, os avisos começaram a surgir.

Não um só.

Vários.

De pequenos obstáculos.

Inofensivos.

Um sistema revisado de alocação de treinamentos.

Um novo processo de arbitragem para disputas de hierarquia.

Canais opcionais de mediação para "inconsistências cooperativas".

Cada anúncio, isoladamente, parecia inofensivo.

Mas juntos?

Uma rede.

Não criada para pegar o Dreyden.

Mas para garantir que nada ganhasse força ao seu redor novamente.

Ele leu cada aviso uma única vez. Depois, fechou a interface.

Em todo o campus, as reações variaram.

Alguns estudantes expiraram aliviados — o retorno à estrutura era reconfortante.

Outros franziram a testa, percebendo uma leve tensão se consolidando.

Alguns poucos, principalmente do nível B superior e A, perceberam outra coisa.

A linguagem tinha mudado.

O Controle não comandava mais.

Pedia.

E quando a autoridade começava a fazer perguntas, significava que tinha dúvidas.

Essa dúvida se irradiava para fora.

Pela tarde, o primeiro incidente ocorreu.

Não foi dramático.

Foi intencional.

Um estudante de Classe B — competente, querido, antes invisível — levantou-se durante uma aula de Logística Aplicada e fez uma pergunta que o professor não estava preparado para responder.

"Sob o novo modelo de cooperação", disse o estudante, com voz firme, "quem arbitra conflitos quando o nível de decisão causa dano sem violar regras?"

O professor fez uma pausa.

Pouco tempo.

Depois, respondeu cuidadosamente: "Precisaria consultar as diretrizes atualizadas."

O estudante assentiu.

Sentou-se de novo.

A aula seguiu.

Mas o ambiente tinha mudado.

Nessa mesma noite, Dreyden reencontrou Lucas — não por acaso, mas por gravidade.

Estavam na mesma escadaria, descendo de pisos diferentes, degraus alinhados sem palavras.

Lucas quebrou o silêncio.

"Estão testando a dissentir de forma controlada."

"Sim."

"Querem saber quem fala", continuou Lucas, "e quem observa."

"Sim."

"E quem faz os dois."

Dreyden não respondeu imediatamente.

Porque Lucas não estava perguntando.

Ele estava se posicionando.

"Não vou ficar em silêncio", disse Lucas.

"Sei disso."

Lucas parou no meio do degrau, obrigando Dreyden a parar também.

"Só isso?", perguntou Lucas. "Sem aviso? Sem conselho?"

Dreyden encarou os olhos dele.

"Fale com precisão", disse. "E nunca o primeiro a falar."

Lucas respirou fundo, de forma abrupta.

"Você realmente é péssimo em incentivar."

Dreyden deu de ombros. "Desencorajo erros."

E retomaram o caminho.

Ninguém mencionou Zagan.

Ninguém mencionou Maya.

Essas pressões existiam sem necessidade de linguagem.

Naquele dia seguinte, a escalação real chegou disfarçada de generosidade.

O Controle anunciou o Fórum de Representantes Estudantis.

Um painel rotativo.

Intercâmbio de níveis.

Participação voluntária.

Selecionados por "algoritmos de justiça ponderada".

Parecia progressista.

Transparente.

Seguro.

Para Dreyden, parecia uma gaiola com barras acolchoadas.

Lucas foi escolhido.

Raisel também.

E dois estudantes do nível B, cujos nomes Dreyden já tinha registrado após o incidente com Maren.

O Controle não escolheu rebeldes barulhentos.

Optou por inteligentes.

O fórum aconteceu numa câmara circular que já tinha sido usada para simulações estratégicas.

Nenhum assento na cabeceira.

Nem palanque.

Somente uma roda baixa de cadeiras e um facilitador que sorria demais.

"Este espaço é para diálogo", disse o facilitador. "Nada do que for dito aqui será punido."

Uma mentira.

Tudo que fosse dito, em qualquer lugar, importava agora.

A sessão começou devagar.

Tópicos banais.

Conflitos de acesso a recursos.

Cansaço de treinamentos.

Reclamações menores de arbitragem.

Até que alguém guiou a conversa — de forma suave, habilidosa.

Uma estudante de Classe B inclinou-se para frente.

"Após as avaliações recentes", disse ela, "como os estudantes devem interpretar o tempo de decisão como uma métrica?"

O facilitador piscou.

"É um parâmetro técnico", respondeu. "Sensível ao contexto."

A estudante concordou. "Então, não pode ser aplicado de forma geral?"

"Exatamente."

Raisel falou a seguir.

"Por que exibiram isso publicamente, então?"

Silêncio.

Uma quietude controlada.

Lucas observava a sala — não as faces, mas as mudanças na postura.

Micro-sinais.

O instante em que as pessoas percebiam que estavam deixando de participar de uma conversa e estavam se expondo.

O facilitador tossiu.

"Foi uma omissão."

Pronto.

A palavra.

Sem maiúscula.

Sem institucionalização.

Humana.

Erro.

A reunião terminou mais cedo.

Sem conclusões.

Sem resoluções.

Mas todos saíram com uma coisa clara na cabeça.

O Controle podia ser questionado.

Não desafiado.

Não desobedecido.

Perguntado.

O que era pior.

Porque perguntas espalhavam-se.

Dreyden não foi ao fórum.

Ele não precisava.

Sintonia essa que se propagou pelo campus, como uma frente de pressão mudando de direção.

Nessa noite, o arquivo Mandarim foi atualizado novamente.

Sem aviso.

Sem introdução.

Uma única frase.

Você não é mais a única referência.

Dreyden encarou por um longo tempo.

Depois, respondeu.

Isso sempre foi inevitável.

Dessa vez, a resposta não veio imediatamente.

Quando chegou, foi mais curta.

Agora ela se torna instável.

Dreyden recostou na cadeira.

Instável não significa colapso.

Significa impulso sem direção.

Perigoso.

Mas também… livre.

Ele fechou o arquivo.

Do lado de fora, as luzes diminuíram para o ciclo noturno. Estudantes se reuniam em pequenos grupos que não pareciam mais facções ou níveis — apenas pessoas conversando, trocando impressões, readaptando a confiança.

O Controle observava tudo isso.

Com cuidado.

E, pela primeira vez desde a fundação do Triângulo, a autoridade deixou de ser a coisa mais rápida na sala.

Era a adaptação.

Dreyden ficou na janela, com o olhar firme.

"Bom", ele disse suavemente.

Porque o sistema finalmente atingiu uma fase em que o controle passou a custar caro.

E coisas caras podem ser negociadas — ou quebradas.

Amanhã, alguém vai falar alto demais.

Amanhã, o Controle decidirá se silencia ou não.

E amanhã, Dreyden decidirá se permite ou não que isso aconteça.

Não como herói.

Nem como líder.

Mas como um ponto fixo em um sistema que esqueceu como se mover sem permissão.

E isso —

Isso é o momento em que tudo se torna realmente perigoso.

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