
Capítulo 85
Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia
A escassez revelou-se silenciosamente.
Sem alarmes.
Sem telas de aviso.
Apenas atrito onde antes havia fluidez.
Às 07h30, o primeiro estudante percebeu no Pavilhão de Recuperação Leste.
As taxas de restauração de energia haviam sido reduzidas em doze por cento.
Nada catastrófico.
Apenas inconveniente.
Às 08h12, as Salas de Simulação de Combate passaram a exigir "autorização prioritária" para sessões prolongadas.
Às 09h05, armários de suprimentos em três setores diferentes ficaram bloqueados atrás de novos limites de méritos.
Nenhuma manchete.
Sem explicação.
Apenas aperto estrutural.
O Triângulo não estava atacando.
Estava rationando.
E a rationação mudava o comportamento mais rápido do que ameaças poderiam.
Até às dez horas, filas se formaram em lugares que nunca exigiram paciência antes.
Estudantes reavaliaram suas rotinas.
Turma C e níveis inferiores sentiram a pressão primeiro.
Turma B começou a verificar seus painéis com mais frequência.
Turma A percebeu algo mais—
As faixas de prioridade tinham se expandido.
Agora eles tinham mais acesso.
Não menos.
Esse foi o estopim.
Lucas olhou para seu painel de recursos e permaneceu imóvel.
"Eles aumentaram minha alocação", murmurou.
A resposta de Zagan foi imediata.
Dividir e filtrar.
Lucas cerrava a mandíbula.
Em todo o campus, Arlo recebeu o ajuste oposto.
Redução no buffer de restauração.
Prioridade menor para os equipamentos.
Nada dramático.
Mas suficiente para desacelerar o progresso.
Arlo encontrou Lucas no corredor, com a voz tensa.
"Cortaram meu tempo no compartimento."
Lucas não fingiu surpresa.
"Estão ajustando os níveis."
"Então agora estou em uma posição de menor valor?" Arlo retrucou.
Lucas manteve o olhar fixo.
"Não é isso."
"Então o que é?" Arlo exigiu uma explicação.
Lucas não respondeu de imediato.
Porque a verdade tinha gosto de ferro.
Era engenharia de incentivo.
Se a Classe A aceitasse acesso preferencial sem resistência—
a solidariedade se enfraqueceria.
Não por traição.
Por deriva.
Dreyden via as fissuras se formando em tempo real.
Padrões de picos de energia.
Mapas de densidade de treinos.
Até os tempos de permanência nos corredores haviam mudado.
No começo, ele não verificou sua própria alocação.
Já sabia a resposta.
Quando finalmente abriu seu painel—
Seu acesso tinha se expandido.
Mais do que Lucas.
Privilégios de prioridade estendida.
Direitos de travamento de compartimento prolongado.
Chaves de simulação ampliadas.
Era flagrante.
Estava sendo oferecida a gravidade central.
Se aceitasse—
Estudantes orbitariam ao seu redor por acesso.
A escassez o transformaria em um porteiro.
Supervisão não precisaria dividir a coesão.
Recentrariam tudo em torno de nós controláveis.
Dreyden fechou o painel sem expressão.
Raisel chegou dez minutos depois.
"Aumentaram sua alocação."
"Sim."
"Você não está usando."
"Não."
Seus olhos se afinaram levemente.
"Querem que você se torne institucional."
"Sim."
"E?"
"Eu não vou."
Ela estudou-o cuidadosamente.
"Por quê?"
"Porque centralizar o acesso é a forma mais rápida de ser dominado," Dreyden disse calmamente.
Raisel concordou com um aceno.
"Ótimo."
Na metade da tarde, a tensão atravessou a Turma B.
Dois estudantes brigaram agressivamente por uma vaga limitada no compartimento.
Gritaram.
Uma faísca menor de magia.
Instrutores intervieram.
Terminou rapidamente.
Mas provou o conceito.
A escassez funcionou.
Supervisão registrou o incidente com satisfação contida.
O conflito aumentou em onze por cento nos níveis inferiores.
Ajustes de prioridade se fortaleceram nos níveis superiores.
A curva de projeção estabilizou.
O observador recostou-se.
"Eles farão uma recalibração em dois dias," disse.
"A menos que?"
"A menos que a anomalia se recuse a consumir."
O subordinado franziu o rosto.
"Você acha que ele não vai?"
O observador não sorriu.
"Ainda não."
Dreyden fez uma jogada discreta às 16h40.
Reservou três blocos de simulação estendida.
Custos altos.
Nível alto.
Hora nobre.
O sistema aprovou instantaneamente.
Estudantes perceberam.
Supervisão percebeu.
Então, Dreyden fez algo inesperado.
Transferiu o acesso.
Não formalmente.
Não publicamente.
Mas por meio de uma brecha nas permissões colaborativas de sobreposição.
Ele abriu as simulações.
Libertou os portões.
Depois, foi embora.
Sem anúncio.
Sem discurso.
Retornou a um corredor de baixa produção no subsolo.
Acima, estudantes de Turma C e B descobriram os compartimentos destravados.
No começo hesitaram.
Depois, um entrou.
Depois, dois.
Em minutos, seis treinando.
Separados.
Individuais.
Mas utilizando espaço que deveria estar fechado.
Não houve brecha.
O acesso era legítimo.
Atribuído.
Destrancado.
Apenas não utilizado pelo seu titular.
Quando a Supervisão identificou a anomalia—
Ela já tinha sido testemunhada.
A voz do observador perdeu calor.
"Ele está redistribuindo."
Um subordinado puxou os registros.
"Em conformidade com a política."
O observador acenou lentamente.
"Isso é pior."
Lucas descobriu uma hora depois.
"Você abriu eles?"
"Sim."
"Vão fechar essa brecha."
"Sim."
"E depois?"
A expressão de Dreyden permaneceu firme.
"Então, escolhem entre apertar ainda mais ou admitir a redistribuição."
Lucas respirou fundo.
"Você está transformando escassez em exposição."
"Sim."
Zagan falou suavemente.
Ele está testando até onde eles estão dispostos a forçar.
Lucas apoiou-se na parede de treino.
"Isso é perigoso."
"Sim."
"Mas necessário," disse Dreyden.
Nessa noite, a escassez se intensificou.
As quotas de energia despencaram novamente.
Minimamente, mas de forma perceptível.
A supervisão fechou a brecha de sobreposição colaborativa.
Demorou demais.
O precedente agora existia.
O acúmulo de recursos foi rejeitado uma vez.
Isso importava mais do que a correção.
Do outro lado do campus, algo inesperado aconteceu.
Em vez de aumento na competição—
começou uma rotação voluntária.
Estudantes dividiram o uso.
Janela de tempos compartilhados sem falar.
Leve melhora na eficiência.
Não por estrutura.
Pela ajustagem mútua.
Ao invés de fragmentá-los—
a escassez—
estava afiando a percepção.
As projeções da supervisão atrasaram.
Modelos assumiram deriva egoísta.
Não tinham ponderado suficientemente a memória recente.
Helin.
Maren.
A prática.
Estudantes tinham visto demais para agir cegamente.
O arquivo Mandarim atualizado perto da meia-noite.
Eles estão avançando mais rápido do que o esperado.
Dreyden respondeu digitando:
Eu também.
Resposta:
Tenha cuidado. Quando as estruturas falham, colapsam para baixo.
Dreyden hesitou.
Escreveu:
Então ficamos de lado.
Ele fechou o arquivo.
No barandal, o vento trouxe um ar mais frio que o usual.
Lucas se juntou a ele.
"Cortaram o suministro de novo," disse Lucas.
"Sim."
"Você acha que as pessoas seguram?"
Dreyden olhou pelo campus escuro.
As salas de treinamento agora iluminadas de forma desigual.
Movimento mais lento.
Mas não disperso.
"Eles vão," ele disse calmamente. "Se entenderem por quê isso acontece."
"E se não entenderem?"
A leve sonrisa de Dreyden retornou.
"Então a Supervisão conseguirá sua fratura."
Lucas ficou em silêncio por um momento longo.
"Você realmente acredita que eles não vão escalar além disso?" perguntou.
A voz de Dreyden perdeu calor.
"Vão."
"Quando?"
"Quando a pressão suave falhar."
"E como é a pressão forte?"
Dreyden não respondeu de imediato.
Porque pressão forte não era escassez.
Não era erosão.
Era remoção.
Expulsão.
Contenção.
Rebaixamento permanente.
Algo que tornasse inviável um exemplo ser reinterpretado.
Os ombros de Lucas endureceram levemente.
"Eles não vão."
"Podem sim," Dreyden respondeu.
A presença de Zagan se agitou levemente.
Se optarem pela força, as linhas se intensificarão.
Lucas engoliu em seco.
"Você está preparado para isso?"
O olhar de Dreyden permaneceu na silhueta escura da torre central.
"Estou preparado para uma escalada."
Abaixo deles, as luzes do campus piscaram uma vez.
Quase imperceptível.
Recalibração do roteamento de energia.
A escassez se intensificava ainda mais.
A supervisão observava sinais de fratura.
Não admitiriam fracasso.
Ainda não.
Amanhã diria se a pressão por recursos fomentava competição—
Ou consciência.
Se a competição ressurgisse—
O Triângulo retomaria o equilíbrio.
Se a consciência se endurecesse—
A Supervisão abandonaria a escassez.
E escalaria.
Dreyden virou-se da grade.
"Vamos saber em vinte e quatro horas," disse.
Lucas franziu o cenho.
"Saber o quê?"
"Se acreditam em reforma," respondeu calmamente Dreyden.
Lucas sentiu um calafrio que não tinha relação com o vento.
"E se não acreditarem?"
A leve sorriso de Dreyden não chegou aos olhos.
"Então vão parar de fingir que isso é uma academia."
Acima deles, as lentes de vigilância recalibraram.
Logo abaixo, os estudantes se reorganizaram silenciosamente.
A escassez deixou de ser apenas recursos.
Passou a ser sobre linhas a serem reveladas.
E uma vez visíveis—
Todos teriam que escolher um lado.
O Triângulo começou a apertar.
O próximo movimento decidiria se ainda tentava controlar—
Ou se se preparava para quebrar algo.