
Capítulo 86
Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia
No dia seguinte, alguém não apareceu.
Não atrasado.
Não atrasado.
Removido.
Seu nome era Corvin Hale.
Classe B.
Tipo escudo.
Medido. Silencioso. Confiável.
O tipo de estudante preferido pela Supervisão—resultado estável, desvio mínimo, sem picos ideológicos.
Às 07h10, seu dormitório registrou vaga.
Às 07h12, seu crachá de acesso foi desativado.
Às 07h15, seu nome desapareceu da fila interna de treinamento.
Não houve anúncio.
Até às 08h00, metade do setor já tinha ficado sabendo.
Até às 08h30, todos estavam informados.
A Triangle não explicou.
Não precisava.
A escassez não conseguiu fracturar a coesão rápido o suficiente.
Então, a escalada mudou de uma pressão por recursos—
Para a remoção de pessoas.
Lucas encarou a mesa vazia de Corvin durante a aula da manhã.
"Eles fizeram isso," ele falou baixinho.
A voz de Zagan não demonstrou surpresa.
Isto é uma correção estrutural. Quando os sistemas perdem conformidade comportamental, eles reduzem a interferência na população.
Lucas apertou a mandíbula.
"Ele nem era barulhento."
Exatamente.
Do outro lado da sala, o instrutor continuava a aula como se nada tivesse acontecido.
Sem reconhecer a cadeira vazia.
Sem pausa.
Sem arrependimento.
Aquele silêncio parecia mais alto do que sirenes.
Dreyden percebeu algo mais.
Corvin não tinha agrupamentos.
Ele não protestou.
Simplesmente participou da rotação voluntária no dia anterior.
Uma redistribuição silenciosa de prioridade no treinamento.
Nada extremo.
O que indicava que sua remoção não era punição.
Era uma medida dissuasória.
Oversight passou de um incentivo à engenharia—
Para a subtração.
O arquivo do Mandarim piscou uma vez às 09h03.
Começou.
Dreyden não respondeu imediatamente.
Em vez disso, checou os registros do sistema.
A saída de Corvin não foi marcada como disciplinar.
Estava listada em:
REALLOCAMENTO — AJUSTE PROGRAMÁTICO.
Frio.
Eficiência.
Linguagem invisível.
A Supervisão reuniu-se discretamente no setor administrativo superior.
"A contenção foi bem-sucedida?" perguntou um subordinado.
"Por enquanto," respondeu o observador.
"Reação pública?"
"Moderada."
"Índice de medo?"
"Em alta."
O observador cruzou as mãos.
"Bom."
Eles tinham avaliado as tentativas anteriores de forma errada.
A queda de Helin gerou empatia.
A desvio de Maren gerou solidariedade.
A escassez gerou adaptação.
A remoção—
Gera cautela.
Ou assim dizia o modelo.
Até o meio-dia, a cautela realmente emergiu.
Não como caos.
Como um afinamento.
Os grupos ficaram menores.
A coordenação ficou mais silenciosa.
Estudantes ainda rotacionavam o uso—
Mas menos de forma visível.
Alguns checavam duas vezes suas interfaces antes de sair da fila.
A Supervisão soltou um suspiro interno.
A curva de pressão se estabilizava.
Exceto—
Algo mais estava acontecendo.
Um tipo diferente de agrupamento.
Não ao redor dos pontos de acesso.
Não ao redor das câmaras.
Ao redor da informação.
Estudantes comparavam marcas de tempo.
Logs de crachá.
Atividades no dormitório.
A remoção de Corvin não foi violenta.
Foi processual.
O que significava que tinha documentação.
E documentação podia vazar.
Dreyden não fez movimento público.
Não abordou a remoção.
Não mencionou Corvin na conversa.
Ele treinou.
Conservou resultado.
Observou.
Naquela noite, Lucas o encontrou no corredor inferior.
"Eles podem simplesmente apagar alguém," disse Lucas.
"Sim."
"E você ainda está calmo."
"Sim."
Lucas se aproximou mais.
"Eles cruzaram a linha."
"Eles cruzaram uma linha interna," corrigiu Dreyden. "Ainda não uma linha pública."
Os olhos de Lucas se aguçaram.
"Então você está esperando."
"Sim."
"Por quê?"
"Por repetição."
Lucas respirou fundo.
"Você acha que esse não foi o objetivo?"
"Foi um teste," disse Dreyden calmamente. "Ver se a remoção produz silêncio."
"E se produzir?"
"Então eles repetem."
"E se não produzir?"
O olhar de Dreyden endureceu um pouco.
"Então eles escalonam ainda mais."
Zagan sussurrou na mente de Lucas.
É assim que o medo se torna normal.
Lucas engoliu.
"E se alguém se levantar?"
A voz de Dreyden ficou mais baixa.
"Então eles se tornarão a próxima subtração."
Lucas sentiu algo frio se instalar atrás das costelas.
Agora ele entendia.
A escalada não era sobre espetáculo.
Era sobre condicionamento.
Naquela noite—
O arquivo do Mandarim foi atualizado novamente.
Eles não vão parar na primeira.
Dreyden digitou:
Eu sei.
A resposta veio quase instantaneamente.
Então seja mais rápido.
Ele fechou o arquivo.
E começou.
00:43 — Logs de desempenho do treinamento arquivados de Corvin baixados.
00:51 — Classificação de reatribuição conferida com a política.
01:07 — Imagens do acesso ao dormitório revisadas.
Corvin não saiu voluntariamente.
Foi escoltado.
Três assinaturas administrativas aprovaram a mudança.
Cada uma dentro do protocolo.
Isto significava que a exposição exigia precisão.
Não indignação.
Precisão.
Às 02h14, Dreyden iniciou uma pequena pressão.
Ele não vazou a remoção de Corvin.
Vazou a política.
Um trecho limpo.
Nada inflamado.
Apenas uma cláusula destacada:
REALLOCAMENTO PROGRAMÁTICO PODE ocorrer sem marca disciplinar se a eficiência do sistema exigir realinhamento de resultados.
Sem comentários.
Sem acusações.
Apenas essa linha.
Propagou silenciosamente pelos canais estudantis antes do amanhecer.
Quando a manhã chegou, os estudantes não sussurraram sobre Corvin.
Fixaram o olhar naquela cláusula.
Realinhamento de resultados.
É isso que eles eram.
Resultados.
As aulas matinais pareceram diferentes.
Não medo.
Medido.
Os estudantes monitoraram seus próprios comportamentos com mais consciência.
Não para se submeter—
Para evitar serem anomalias estatísticas.
O que revelou algo sutil.
A Supervisão queria normalização.
Mas a normalização agora exigia obediência consciente.
E obediência consciente corroía a confiança.
Até o meio da tarde, a segunda remoção não aconteceu.
A Supervisão esperou.
Eles estudaram novamente as curvas de adaptação.
O índice de medo aumentou.
A probabilidade de conformidade subiu um pouco.
Mas algo mais também aumentou—
Tráfego de mensagens entre diferentes rangos de hierarquia.
Não rebelião.
Auditoria.
Estudantes revisando regulamentos por conta própria.
Verificação independente.
O observador franziu a testa.
"Estão lendo a política."
Um subordinado assentiu.
"Estão checando as linhas."
A expressão do observador ficou mais dura.
"Não deveriam precisar."
Mas precisavam.
E uma vez que os participantes começaram a ler as estruturas—
O controle mudou um pouco.
De aceitação cega—
Para consciência negociada.
Lucas percebeu essa mudança na percepção de sorte.
A estática branca se tornou mais espessa.
Não caótica.
Condensada.
Algo se aproximando.
"Ainda não acabaram," disse a Dreyden.
"Não."
"A próxima remoção será maior?"
"Sim."
Lucas engoliu.
"Quem?"
O rosto de Dreyden não mudou.
"Eles vão escolher alguém visível o suficiente para ferir."
Lucas piscou uma vez.
"Você?"
"Possivelmente."
"E você está de acordo com isso?"
"Não," respondeu Dreyden com firmeza. "Mas estou preparado."
O vento cortou mais forte na borda do balcão.
As luzes do campus ficaram mais frias.
Às 18h32, a Supervisão deu o passo final.
Não remoção.
Suspensão.
Congelamento temporário do acesso.
Desta vez, o nome foi exibidopublicamente.
Classe A.
Tipo striker.
Popular.
Influência de médio porte.
O sistema marcou como:
SITUAÇÃO DE AVALIAÇÃO—ANÁLISE DE VARIAÇÃO DE PERFORMANCE.
Ele não foi apagado.
Foi pausado.
Visível.
Isto era novo.
E mais perigoso.
Porque agora a dissuasão deixou de ser invisível.
Estudantes viram um nome.
Um crachá desativado em tempo real.
Sem explicação.
A Supervisão estava escalando de subtração—
Para demonstração.
Aquietaram-se as conversas no centro de recreação.
O metrô começou a piscar levemente.
Depois voltou ao normal.
A mão de Lucas se apertou na grade.
"Querem que alguém reaja."
"Sim."
E?
A voz de Dreyden permaneceu firme.
"Ainda não."
Lucas respirou fundo.
"Por quanto tempo vocês vão manter a linha?"
Dreyden olhou para a torre central.
"Enquanto puder."
"E depois?"
"Aí decidimos se absorvemos—"
"Ou atacamos," terminou Lucas em voz baixa.
Dreyden não confirmou.
Porque a escalada tinha camadas.
Remoção.
Suspensão.
Contenção.
O próximo passo—
Não seria administrativo.
O arquivo do Mandarim pulsou mais uma vez.
Pressão dura gera determinação ainda mais forte.
Dreyden digitou lentamente de volta.
Então eles calcularam mal.
Ele fechou o sistema.
Abaixo deles, estudantes já não estavam apenas assistindo.
Estavam aprendendo.
Até onde a escalada se estendia.
Onde estavam as costuras.
Quem ficava.
Quem desaparecia.
A Supervisão acreditava que o medo estabilizava as estruturas.
Mas cada ato de força diminuía as possibilidades de saída.
A Triângulo passou de escassez—
Para subtração—
Para suspensão.
Mais um passo—
E não poderiam mais fingir neutralidade.
E quando a neutralidade morresse—
A autoridade se reformataria—
Ou governaria com força aberta.
Os olhos de Dreyden se estreitaram suavemente.
"Vamos ver qual eles escolhem," murmurou.
Porque, assim que a pressão forte começasse—
Não haveria mais testes silenciosos.
Somente consequências esperando para se materializar.