
Capítulo 49
Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia
Dreyden voltou sua atenção para a frente.
"Vamos andar," ele disse. "Pegamos os núcleos e saímos."
Mandíbula de Lucas se apertou. "Sem discussão?"
"Podemos discutir depois que estivermos vivos."
Isso lhe valeu um olhar breve, quase de surpresa, de Lucas.
Depois, Lucas assentiu uma vez, como se aceitasse a lógica mesmo odiando a sensação.
Eles se moveram como uma unidade, não coesa, mas funcional—quatro vetores forçados a avançar em paralelo.
À medida que avançavam, o primeiro guardião emergiu.
Não era um monstro.
Um constructo.
Surgeu de trás de uma parede tombada—com oito pés de altura, feito de camadas de pedra e placas de metal, juntas com brilho suave de energia azul pálido.
A cabeça dele não tinha olhos.
Somente uma abertura vertical que pulsava.
Ele se virou em direção a eles.
E o ar ficou mais pesado.
A espada de Lucas empunhou-se imediatamente.
O vento de Raisel se concentrou ao redor de seus dedos como um fio invisível.
A barreira de Karel se intensificou.
Dreyden não ativou nada.
Ainda não.
Ele observou o fluxo de energia do constructo.
Não mana.
Não energia mágica.
Algo adjacente—estruturado, mecânico, rítmico.
Ele sentiu sua Biblioteca Celestial responder, levemente, como um livro que se desloca na estante.
Ignorou.
Informação primeiro. Ação depois.
O constructo avançou com um salto.
Rápido.
Quase rápido demais para seu tamanho.
Era alvo de Lucas.
Não aleatoriamente.
Seleção do alvo.
Dreyden intervenha—not com fogo, nem com técnica copiada.
Com sincronização.
Ele captou o ângulo, moveu-se de modo a forçar a trajetória do constructo a se ajustar.
Aquele meio passo criou uma brecha.
Lucas agarrou a oportunidade instantaneamente, com a lâmina reluzindo.
O vento de Raisel cortou no ar, torcendo ligeiramente a articulação do joelho do constructo, em polegadas.
A barreira de Karel bateu no torso dele, como um empurrão.
O constructo cambaleou.
Dreyden atacou uma vez—controlado, curto, visando a junta brilhante.
Um estalo.
A energia vacilou.
O movimento do constructo atrasou-se por uma fração de segundo.
Lucas pegou sua cabeça.
A fenda metálica se abriu como algo respirando para fora.
O corpo caiu.
Silêncio voltou.
Karel exalou com dificuldade. "Conseguimos."
Raisel olhou para o constructo caído. "Esse foi o primeiro."
Lucas olhou para cima.
Mais movimento.
Mais perto agora.
Várias silhuetas se movendo entre os destroços.
Dreyden assentiu uma vez. "Continuamos andando."
Encontraram o primeiro núcleo em uma câmara semi-enterrada, selada atrás de uma barreira que respondia a uma saída coordenada.
Não foi difícil.
Somente pensada para forçar o trabalho em equipe.
O segundo núcleo era pior—guardado por dois constructos e por uma mudança de zona que rearranjava o terreno no meio da luta.
Uma mecânica de estresse.
Uma forma de testar se a cooperação resistia quando o chão mudava.
Resistiram—por pouco.
Não por confiar uns nos outros.
Porque não tinham escolha.
E então, o terceiro núcleo simplesmente não apareceu.
Não onde devia.
Não na zona marcada.
O ambiente mudou novamente, e de repente a rua à frente desapareceu—substituída por uma praça ampla, com um cratero ao centro.
No fundo do cratero, algo pulsava levemente.
O terceiro núcleo.
E, acima dele—
Uma figura.
Com forma humana.
Still.
Demasiado imóvel.
Não era um constructo.
Nem um estudante.
Nem um instrutor.
Dreyden parou.
Lucas fez o mesmo.
O vento de Raisel congelou ao redor de seus dedos.
A barreira de Karel se ergueu instintivamente, mais espessa do que antes.
A figura levantou a cabeça.
E a pele de Dreyden ficou mais tensa—not from medo.
De reconhecimento.
Não da pessoa.
Do sentimento.
Pressão narrativa.
A sensação de estar sendo observado por algo que não pertencia à sala.
A figura falou, com voz calma, quase educada.
"Pegue-o," disse ela. "E você passa."
Os olhos de Lucas se estreitaram. "Quem é você?"
A figura inclinou a cabeça levemente.
"Uma pergunta que não importa," respondeu. "Uma pergunta que te atrasa."
O olhar de Dreyden travou no fluxo de energia da figura.
Estava errado.
Não como um demônio errado.
Não como uma besta errada.
Como… editado.
Como um parágrafo reescrito várias vezes até a tinta vazar.
Raisel falou baixinho, para Dreyden, não para a figura.
"Isso não faz parte do exercício."
"Não," concordou Dreyden. "É o verdadeiro ponto."
As mãos de Lucas apertaram forte a espada. "Então eles usam um ator vivo."
Dreyden não respondeu.
Porque não tinha certeza se era um ator.
A figura deu um passo à frente.
O ar se distorceu.
Não mana.
Não energia mágica.
Uma distorção, como se a própria realidade decidisse se tornar mais fina.
A barreira de Karel brilhou de reflexo—e se quebrou com um único estalo silencioso, como vidro tocado por um dedo preciso.
Karel recuou, com os olhos arregalados. "O que—"
Dreyden se moveu.
Não para atacar.
Para reposicionar.
Ele não queria que o primeiro ataque real da figura atingisse Lucas.
Pois isso ensinaria ao sistema algo que queria saber.
Ao invés disso, ele forçou o ângulo de modo que a figura tivesse que escolher.
Lucas ou Raisel.
Um teste de prioridades.
A figura escolheu Raisel.
Porque Raisel representa estrutura.
Um futuro pilar conhecido.
Herdeira.
Arma.
Ativo.
Lucas era caos.
Dreyden era uma anomalia.
Raisel era um valor previsível.
A figura avançou em direção a ela.
O vento de Raisel explodiu para fora em uma rajada cortante.
Ela cortou detritos ao meio.
Não tocou na figura.
O vento simplesmente… redirecionou.
Como se o espaço à frente da figura recusasse a interação.
Os olhos de Raisel brilharam. "Então ela edita os resultados."
Dreyden sentiu seu pulso se estabilizar.
Essa expressão importava.
Editar resultados.
Não bloquear ataques.
Não absorver energia.
Ela muda o que acontece.
Isso era uma função próxima a um Livro.
Não uma habilidade comum.
Lucas avançou com força, espada brilhando com mana densa.
A presença de Zagan pressionou o ar como uma sombra.
A lâmina desceu—
E a figura levantou uma mão.
O golpe não parou.
Não desviou.
Não errou.
Ele atingiu.
Na direção do ombro da figura.
Mas—
O corte não existia.
A espada de Lucas atravessou o ombro como se ele tivesse decidido que o ombro não precisava ser ferido.
Lucas parou, prendendo a respiração.
"Isso é impossível," murmurou.
A figura olhou para ele, quase gentil.
"Tudo é possível," disse. "Algumas coisas simplesmente não são permitidas."
Os olhos de Dreyden se estreitaram.
Permitidas.
De novo essa palavra.
Linguagem institucional.
Não de combate.
Lucas deu um passo atrás para recalibrar.
E Dreyden finalmente abriu a Biblioteca Celestial—not fully.
Somente o suficiente.
Olhos da Verdade deslizaram no lugar como uma lente clicando sobre a realidade.
O mundo se clareou.
As linhas de energia tornaram-se visíveis.
E o fluxo da figura—
Não era um único fluxo.
Era sobreposto.
Fios sobre fios.
Como múltiplas identidades empilhadas.
Como… assimilação.
A mente de Dreyden se conectou a Maya.
Não porque a sentisse.
Mas porque o padrão era familiar.
Ele não disse o nome dela.
Não precisava.
Lucas olhou pra ele com atenção. "Você acha—"
"Não sei," interrompeu Dreyden. "Mas não é padrão do Triângulo."
A voz de Raisel ficou plana, mais fria do que antes. "Então por que ela está aqui?"
Porque o Triângulo quis ver se podiam contê-la.
Ou se ela poderia contê-los.
Dreyden não respondeu em voz alta.
Ao invés disso, deu um passo à frente e falou com calma e clareza para a figura.
"Você não está guardando o núcleo," disse. "Está guardando uma decisão."
A figura fez uma pausa.
Tempo suficiente para Dreyden confirmar:
Ela reagia à interpretação.
A ao significado.
Não apenas a ameaças físicas.
Dreyden prosseguiu.
"Se nós pegarmos, você aprende algo. Se fracassarmos, o Triângulo aprende algo."
A cabeça da figura inclinou-se de novo.
"E o que vocês aprendem?" ela perguntou.
Dreyden sorriu sutilmente.
"As regras que vocês usam."
Depois, ele se moveu.
Não em direção à figura.
Em direção ao cratero.
Em direção ao núcleo.
Uma linha direta.
Uma recusa em jogar o jogo da conversa.
A figura se moveu instantaneamente para interceptar.
E aí foi a abertura.
O vento de Raisel não atacou a figura.
Ele atacou o espaço atrás dela—uma força de vácuo, repentina e afiada, puxando detritos numa colisão.
Lucas seguiu com um golpe de mana, mirando não na figura, mas no chão sob ela.
Karel, ainda abalada, fez o que pôde:
Jogou uma barreira ampla—não espessa, não forte.
Apenas grande.
Uma folha.
Uma cortina.
Um momento de ruído visual.
Dreyden atravessou o caos e chegou ao núcleo.
Segurou-o com a mão.
Estava quente.
Quente demais.
E no instante em que o tocou, sua interface piscou—
Não uma notificação de sistema.
Uma frase.
Em texto simples.
Sem cabeçalhos.
Sem formatação.
Apenas uma linha.
NÃO TOQUE
A respiração de Dreyden parou.
Não por causa do aviso.
Mas porque reconheceu o tom.
Não institucional.
Nem do Triângulo.
Nem mesmo de Maya.
Era alguém que entendia o poder de uma única palavra.
Ele não soltou o núcleo.
Não hesitou.
Levante-o.
E a simulação tremeu.
O céu cinza ondulou.
A praça se distorceu.
Por meia fração de segundo, a rachadura na horizonte se abriu como uma ferida.
A figura não atacou.
Observou.
E, nesse observar, Dreyden compreendeu:
Não era um guardião.
Era um sensor.
Uma medição viva.
Uma ferramenta construída para perceber o que aconteceria se um núcleo fosse removido de um roteiro "permitido".
O ponto de extração iluminou-se.
Um farol no escombro.
Lucas puxou o ombro de Dreyden. "Vaza!"
Correm.
Não porque temam a figura.
Porque o ambiente está desmoronando.
A simulação não termina limpidamente.
Estabiliza-se.
O Triângulo esperava pressão.
Não fratura.
Chegaram à zona de extração com o núcleo na mão, corpos em sincronia por necessidade, não por confiança.
Um flash de branco.
Depois, luz estéril de novo.
Estão de volta na sala de preparação.
Estudantes saem cambaleando por outros portões, alguns com hematomas, outros sangrando, alguns furiosos.
Instrutores agem rapidamente para conter as reações.
E os rostos de Fiscalização continuam neutros.
Excessivamente neutros.
Dreyden não olhou para eles.
Olhou para sua interface.
Sem aviso de recompensa.
Sem atualização de mérito.
Sem ajuste na classificação.
Apenas uma nova linha piscando silenciosamente em um log privado que não abria há semanas.
Um registro escrito em mandarim.
Seu próprio.
O que usava como escudo.
Uma frase solitária ali, recém-inserida.
Gramaticalmente perfeita.
Sem erros de digitação.
Sem hesitações.
Pare de usar mandarim. Você não é o único que consegue lê-lo.
A expressão de Dreyden não mudou.
Por dentro, algo ficou bem parado.
Lucas falou ao seu lado, com voz baixa.
"O que foi?"
Dreyden fechou a interface com um movimento tranquilo.
"Nada," disse.
Lucas o encarou. "Mentira."
Dreyden olhou nos olhos dele.
Nem frio.
Nem hostil.
Apenas factual.
"É um problema," corrigiu. "E não é seu."
Raisel se aproximou, olhos estreitados. "O que aconteceu lá dentro não foi exercício."
"Não," concordou Dreyden.
Karel engoliu em seco. "Passamos?"
Dreyden não respondeu.
Porque passar não era o ponto.
O ponto é que alguém invadiu sua camada privada.
Não o Triângulo.
Nem uma facção.
Nem um estudante.
Alguém que podia ler o que ele escondia atrás de palavras.
Alguém que podia escrever dentro de seu escudo sem deixar rastro.
E isso significava que o Triângulo não era a única instituição observando.
Significava que a presença "mais antiga" que o comerciante sugerira não era metáfora.
Era ativa.
E agora ela tinha falado.
Dreyden saiu do salão sem esperar pelo aviso de dispensa.
Ninguém o impediu.
Claro que não.
Liberdade sem limites.
Um convite.
Em seu quarto, trancou a porta e sentou-se.
Não abriu a Biblioteca Celestial.
Não revisou habilidades.
Não planejou sua próxima escalada de classificação.
Reabrindo o arquivo em mandarim.
Olhando para a nova frase.
Depois escreveu abaixo—devagar, cuidadosamente, como se estivesse colocando uma lâmina em uma mesa.
Quem é você?
Salvou o arquivo.
Fechou.
Esperou.
Nada aconteceu.
Sem resposta.
Sem faísca.
Sem confirmação.
Apenas silêncio.
O que significava uma coisa:
Eles não estavam conversando.
Eles estavam sinalizando.
Um lembrete.
Um aviso.
Uma mão na nuca dele dizendo:
Podemos te alcançar em qualquer lugar.
Dreyden respirou fundo uma vez.
Depois sorriu—fraco, sem humor.
"Tudo bem," sussurrou para a sala vazia.
"Se você consegue ler meus escudos…"
Seus olhos se aguçaram, a tranquilidade transformando-se em algo mais afiado sob a superfície.
"…então vou começar a escrever armadilhas."
Do lado de fora, o Triângulo continuou fingindo que nada tinha acontecido.
Por dentro, Dreyden Stella—Jack—começou a atualizar seu mapa.
Não de facções.
Não de escalões.
Não do submundo.
De observadores.
E daqueles que não queriam ser nomeados.
Pois agora ele finalmente entendeu o que era essa fase.
Não era treinamento.
Não era escalar.
Não era sobrevivência.
Era uma guerra silenciosa pelo acesso.
E alguém acabara de provar que podia entrar na sua casa sem abrir a porta.
Então ele ia aprender a fazer o mesmo.