Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia

Capítulo 48

Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia

O Triângulo não suspendeu os cenários colaborativos por acharem que era perigoso.

Eles os suspenderam porque os resultados deixaram de lhes pertencer.

Oficialmente, o aviso saiu como uma atualização administrativa tranquila — “sinergia imprevisível”, “integridade na avaliação”, “realocação de recursos”.

Não oficialmente, foi uma admissão silenciosa:

Duas anomalias interagindo criaram uma terceira variável que eles não conseguiam modelar.

Então fizeram o que as instituições sempre fazem quando suas ferramentas param de funcionar.

Precisaram mudar o teste.

Pararam de pressionar Dreyden.

E começaram a exercer pressão através dele.

Dreyden percebeu a primeira mudança no café da manhã.

Não a ausência de uma orientação.

A ausência de atrito.

Um corredor Classe C esbarrou nele na fila da cafeteria e não pediu desculpas — porque não percebeu quem tinha tocado até olhar para cima e ficar pálido.

Antes, um erro desse tipo ativaria três coisas:

Uma notificação de aviso.

Um oportunista de facção tentando transformar aquilo numa “incidente de respeito”.

E um membro da equipe “casualmente” observando o resultado.

Desta vez?

Nada.

Sem aviso, sem nota, sem olhares.

O estudante gaguejou, recuou e fingiu que o ar tinha empurrado ele.

Dreyden seguiu em frente, pegou sua bandeja, sentou-se sozinho e esperou.

A cafeteria era o lugar mais fácil para medir o Triângulo.

Porque a hierarquia ficava evidente quando havia comida envolvida.

Não por causa do sabor.

Por causa da permissão.

Quem sentava onde.

Quem podia ficar mais tempo.

Quem precisasse engolir o orgulho com as refeições.

Hoje, as pessoas não apenas evitavam sua mesa.

Elas evitavam o espaço ao redor dela — como se o próprio vazio tivesse peso.

Isolamento por geometria social.

Eficiente.

Limpo.

Projetado para fazer a pessoa olhar ao redor e perceber que estava cercada por ausência.

Ele não reagiu.

Comeu.

Devagar.

Deliberadamente.

Não deu ao sistema nenhuma reação emocional que pudesse ser registrada.

Do outro lado da sala, Lucas estava com Arlo e mais duas pessoas da Classe A1 — pessoas com quem era “seguro” ser visto.

A postura de Lucas era normal.

Os olhos, não.

A cada poucos segundos, eles mexiam-se sem intenção — varreduras rápidas, microverificações, o reflexo de alguém que sentia uma pressão que não via.

Percepção de sorte era uma maldição assim.

Ela ensinava a temer padrões.

Dreyden não olhou para trás.

Não precisava.

Sentia o Triângulo ajustando seu olhar como uma câmera focando novamente.

Não em direção a ele.

Para as distâncias ao redor.

Para os buracos na sua órbita.

Para quem permanecia próximo.

E quem não permanecia.


A segunda mudança chegou antes do meio-dia.

Uma mensagem, não de Supervisão.

Da interface da turma.

AVISO: AVALIAÇÃO DE CAMPO ESPECIAL

CATEGORIA: Combate Aplicado / Controle de Recursos

LOCALIZAÇÃO: Zona de Simulação do Subnivel

FREQUÊNCIA: Obrigatória (somente Classe A)

HORÁRIO: 16h00

Obrigatória.

Mas sem motivo declarado.

Sem assinatura do instrutor.

Sem objetivos além de palavras-chave vagas.

Um aviso que parecia rotineiro até você perceber o que não dizia.

Dreyden leu uma vez e fechou a janela.

Depois, abriu novamente.

Não porque precisasse reler.

Mas porque queria ver se algo mudava.

Uma correção de digitação. Uma linha reformulada. Um carimbo de horário atualizado.

Nada mudou.

O que significava que tinha sido elaborado com cuidado.

Bloqueado.

Aprovado.

E distribuído sem debate.

O que indicava que não era “um evento de classe”.

Era um ambiente controlado.

Uma caixa.

E ele estava sendo colocado dentro dela.


Às 15h58, estudantes da Classe A entraram na Zona de Simulação do Subnivel como voluntários relutantes.

O corredor estava excessivamente limpo.

A iluminação branca demais.

O ar frio de mais.

Cada detalhe transmitia a mesma mensagem:

Este lugar não foi feito para aprender.

Foi feito para observar.

Dreyden entrou sozinho.

Não porque não tivesse aliados.

Porque aliados eram, no momento, um problema.

No salão de preparação, os portões de simulação alinhavam-se — seis molduras pretas com um zumbido suave, cada uma cercada por finas circuitarias prateadas e runas de barreira.

Havia instrutores presentes.

Mas não seus instrutores.

Não eram as caras familiares que bradavam correções e escreviam avaliações padrão.

Era uma equipe com uniformes limpos e expressões que não pertenciam a uma ala de treinamento.

Olhos administrativos.

Adjacentes à Supervisão.

O tipo de pessoas que não ensinavam.

Registravam.

Um homem avançou e levantou uma mão — não para chamar atenção.

Para sinalizar que atenção já era necessária.

"Avaliação de Campo", disse, com a voz equilibrada. "Sem rankeamento. Sem glória. Sem espectadores."

Ele hesitou enquanto a sala se aquietava.

"Serão atribuídas equipes. Seu objetivo é recuperar três núcleos lacrados do ambiente de simulação e trazê-los de volta aos pontos de extração."

Alguns estudantes trocaram olhares.

Alguém murmurou: "Ih, isso é uma simulação de masmorra."

O homem não respondeu ao comentário.

"Os núcleos são protegidos. As zonas irão se deslocar. Os recursos são limitados. Os danos são reais."

Essa última frase provocou um leve aperto na sala — ombros se ajustando, mãos se flexionando, mentes recalibrando.

Dreyden não se moveu.

Danos reais significavam que o Triângulo queria consequências.

Consequências significavam dados.

Os painéis da missão acenderam-se.

Foram exibidos nomes.

Formaram-se equipes.

E, claro — porque o Triângulo não tinha senso de humor, apenas intenções —

Ele viu seu próprio nome aparecer ao lado de Lucas.

EQUIPE 3: DREYDEN STELLA / LUCAS VÆRESBERG / RAISEL SILVIUS / KAREL VOSS

Quatro pessoas.

Duas anomalias.

Um herdeiro.

Um escudo metódico do tipo que já tinha lutado contra Dreyden uma vez e saiu mais confuso do que irritado.

Equipe equilibrada no papel.

Volátil na prática.

Lucas olhou para o painel, depois para Dreyden.

Raisel não mudou de expressão.

Mas seus olhos estreitaram ligeiramente — suficiente para mostrar a Dreyden que ela entendia o que aquilo era.

Karel engoliu em seco, endireitou os ombros e tentou ao máximo parecer que pertencia ao lugar.

Dreyden caminhou até o Portão Três sem pressa.

Lucas o acompanhou.

Raisel moveu-se como sempre soube para onde ia.

Karel ficou uma passo atrás, mantendo a distância sem parecer óbvio.

No portão, Lucas falou em voz baixa, sussurrando só para a equipe ouvir.

"Eles nem fingem mais."

Dreyden assentiu. "Não."

O tom de Raisel foi seco. "Querem ver se protegemos ou sabotamos um ao outro."

Karel piscou. "Por que iríamos sabotar—"

Os olhos de Lucas se voltaram para ele. "Porque é isso que a pressão faz."

Dreyden não corrigiu Karel.

Melhor ele aprender logo — quanto antes.

O zumbido do portão aumentou.

Uma voz — não humana, automatizada — fez a contagem regressiva.

Três.

Dreyden sentiu o ambiente respirar.

Dois.

As runas brilharam mais intensamente.

Um.

Então, o mundo estalou.

A simulação não carregou como um ambiente de prática normal.

Não houve transição suave, nem buffer seguro.

Num instante, eles estavam sob luzes estéreis.

No outro, foram jogados em um bairro em ruínas sob um céu cinzento, o ar pesado de cinzas e poeira metálica.

Edifícios desmoronados formavam silhuetas pontiagudas.

Lúcidas, postes de luz semi-enterrados piscavam como se ainda se recordassem de eletricidade.

A terra rachada, cheia de detritos e vidro que não parecia vidro.

E, ao longe, algo se movia — lento, pesado, paciente.

Um movimento que definitivamente não era de uma “treinamento”.

Lucas respirou fundo de repente, abruptamente.

Raisel não.

Karel instintivamente levantou a barreira — fina e transparente, mais reflexo do que estratégia.

Dreyden observou as bordas do mundo.

Não os escombros.

Não o céu.

A costura.

Porque as simulações sempre tinham costuras.

E as costuras indicavam onde a mão do Triângulo terminava.

Ele descobriu em menos de três segundos.

Uma distorção sutil no horizonte à direita — como uma linha onde a realidade tinha sido costurada.

Demasiado perfeita.

Demasiado ordenada.

Significava que o ambiente tinha sido propositalmente comprimido.

E que o Triângulo queria que os encontros acontecessem rapidamente.

Sem dispersão.

Sem tempo para pensar.

Sem tempo para negociar alinhamento.

Apenas reação.

Lucas olhou para ele. "Você também vê?"

"Sim", respondeu Dreyden.

Karel olhou entre eles. "Ver o quê?"

Raisel respondeu sem olhar para ele. "A gaiola."

Karel ficou pálido.

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