
Capítulo 47
Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia
A Triângulo respondeu da mesma maneira que todas as instituições fizeram após uma demonstração fracassada de força.
Fingiu que nada tinha acontecido.
Sem anúncios.
Sem sanções.
Sem mudanças perceptíveis na política.
Na superfície, a vida no campus voltou ao ritmo habitual. As programações de treino foram reocupadas. Quadro de classificação atualizado normalmente. Instrutores retornaram às suas rotações com expressões cuidadosamente neutras.
Mas por baixo—
Toda interação mudou.
Dreyden percebeu de imediato.
O primeiro sinal foi a ausência de atrito.
Pedidos processados sem resistência. Transações de mérito aprovadas instantaneamente. Seu nome deixou de acionar verificações secundárias de segurança. Até infrações menores que normalmente gerariam advertências—acessar equipamentos restritos sem reserva, ultrapassar limites recomendados de produção—eram silenciosamente ignoradas.
Liberdade sem limites.
Jamais foi um presente.
Era um isca.
Eles estavam dando espaço para ele se movimentar.
E observando como ele usava isso.
Até meados da semana, a pressão indireta começou.
Não sobre ele.
Ao redor dele.
Um estudante de Nível 52, que treinara ao seu lado por meses, foi transferido para uma ala diferente "por motivos de programação".
Um instrutor de apoio silenciosamente avisou um grupo para evitar praticar próximo ao horário habitual de Dreyden.
Duas facções independentes que vinham se aproximando dele de repente ficaram em silêncio.
O ecossistema estava sendo afinado.
Isolamento por otimização.
Dreyden anotou cada ajuste, cada lacuna onde uma conexão existia antes. Ele não as preencheu. Não compensou.
Deixar um sistema corrigir-se excessivamente muitas vezes era mais valioso do que resistir a ele.
Lucas também sentiu isso.
Onde Dreyden atravessava espaço vazio, Lucas sentia a pressão se estabelecer ao seu redor. Supervisores apareciam com mais frequência. Perguntas se tornavam mais incisivas. Avaliações de treino se alongavam mais do que o necessário.
"Você estabilizou sua produção," observou um instrutor numa tarde. "Mas sua variação continua… reativa."
Lucas encarou-o de forma firme. "Respondo a ameaças."
O instrutor não anotou isso.
"Você considera Dreyden Stella uma ameaça?"
O ambiente ficou silencioso.
Lucas respirou fundo lentamente. "Não."
A resposta lhe rendeu um olhar—não hostil, mas avaliador.
Porque eles não tinham perguntado por curiosidade.
Estavam comparando.
Zagan falou naquela noite.
Estão testando linhas de falha, murmurou o demônio. Não força.
Lucas sentou-se na beirada da cama, com as palmas das mãos contra o colchão. "Entre nós."
Sim.
"E?"
A resposta de Zagan foi imediata.
Instituições não gostam de dúvidas duais. Uma vira alavanca.
Lucas cerrando a mandíbula. " Contra a outra."
Certo.
A implicação pesou no ar.
Pela primeira vez, Lucas questionou se ter recusado a alinhar-se mais cedo havia sido ingênuo—ou necessário.
Em outro lugar, a alavanca já estava sendo exercida.
Não de forma aberta.
Administrativamente.
Após três dias do incidente com a Ala de Testes Profundos, Dreyden recebeu uma nova tarefa.
Não obrigatória.
Convite.
COLABORAÇÃO OPICIONAL — APLICAÇÃO STRATÉGICA
DESIGNAÇÃO DE PARCEIRO: ABERTO
Opcional no papel.
Peso na consequência.
Ele leu os detalhes uma vez, depois fechou a interface.
Queriam que ele estivesse inserido.
Colocado em um contexto onde os resultados poderiam ser observados por meio das dinâmicas relacionais e não apenas pelo desempenho bruto.
Um teste social.
Ele aceitou sem comentário.
No dia seguinte, sua designação de parceiro apareceu.
LUCAS VÆRESBERG
Claro.
Eles se encontraram em um hall neutro usado principalmente para Briefings de simulação.
Sem observadores—oficialmente.
Lucas chegou primeiro, com postura relaxada, mas atento. Quando Dreyden entrou, Lucas se endireitou discretamente, como alguém recalibrando expectativas.
"Então," disse Lucas. "Nos emparelaram."
Dreyden assentiu. "Previsível."
Lucas franziu a testa levemente. "Você não parece incomodado."
"Eu estou," respondeu Dreyden. "Só não surpreendido."
A tela do briefing ativou-se.
Parâmetros da missão apareceram: cenário de avaliação conjunta, supervisão limitada, foco na eficiência da cooperação e na capacidade de adaptação sob pressão.
Lucas escaneou rapidamente. "Querem ver se nos desestabilizamos."
"Ou qual de nós cede primeiro," disse Dreyden.
Lucas olhou para ele. "E você?"
Dreyden encontrou seu olhar.
"Eu não cedo," disse calmamente. "Rearranjo as forças."
Lucas riu, de modo afiado e sem humor. "Ótimo. Vai ser tranquilo."
O cenário foi criado para pressionar a tomada de decisão, e não o combate.
Escassez de recursos.
Objetivos conflitantes.
Informações incompletas.
Um ambiente clássico de estresse.
Em minutos, padrões emergiram.
O instinto de Lucas puxava-o para uma intervenção decisiva—ação direta, resolução preemptiva. A abordagem de Dreyden era mais lenta, mais seletiva. Ele permitia que ineficiências se revelassem antes de agir.
Nenhum estava errado.
Juntos?
Eram voláteis.
"Corredor da esquerda," disse Lucas durante um dos primeiros contatos. "Alta probabilidade de desmoronamento, mas acaba com a ameaça."
"E elimina nossa rota de fuga," respondeu Dreyden. "Perdemos redundância."
"Não temos tempo para fazer apostas," Lucas interrompeu.
"Não temos tempo de improvisar depois," retrucou Dreyden.
Por uma fração de segundo, eles se olharam.
Então Dreyden se moveu.
Reprogramou o caminho.
Lucas reagiu.
O resultado foi bem-sucedido—mas por pouco.
O sistema registrou como vitória.
No fundo, ambos sentiram a tensão aumentar.
"Isso não foi eficiente," disse Lucas depois.
"Não," concordou Dreyden. "Mas foi esclarecedor."
Lucas expirou fundo. "Você fala assim o tempo todo."
"Mantém a emoção fora da equação."
Lucas olhou para ele com intensidade. "Sério?"
Dreyden não respondeu.
Supervisão revisou a sessão em sigilo.
"Compatibilidade é instável," disse um analista.
"Mas produtiva," rebateu outro. "O conflito gerou soluções que nenhum dos dois teria alcançado isoladamente."
O observador de antes cruzou as mãos. "E a alavanca?"
"Mútua," alguém afirmou.
O observador balançou a cabeça.
"Não," disseram. "Assimétrica. Ainda não perceberam qual lado é."
Maya acompanhava tudo de fora do sistema.
Não diretamente.
Pelas métricas de divergência.
Ela rastreava como os resultados agrupavam quando Dreyden e Lucas eram obrigados a se aproximar—e quão rapidamente esses grupos desestabilizavam os modelos preditivos.
"Estão usando ele como um ponto de apoio," sussurrou.
Não Dreyden.
Lucas.
Se Lucas quebrasse, a trajetória de Dreyden mudava.
Se Lucas se alinhava, o sistema recuperava controle parcial.
E se Lucas fosse removido—
Maya fechou a projeção.
Não.
Aquele caminho já estava cheio demais.
Ela fez uma pequena correção.
Não contra a Supervisão.
Contra a expectativa.
A segunda sessão conjunta foi diferente.
Antes mesmo de o cenário começar, uma anomalia percorreu o ambiente. Nada dramático—apenas o suficiente para desalinhar suposições iniciais.
Mapas foram renderizados incorretamente.
Indicadores de recursos atrasaram.
Avaliações de probabilidade se distorceram.
Lucas percebeu imediatamente.
"Isso não estava no briefing."
Olhos de Dreyden se estreitaram. "Alguém mudou o estado inicial."
Lucas hesitou. "Triângulo?"
O sorriso de Dreyden foi breve. "Não. Isso é… externo."
Eles se adaptaram.
Tiveram que.
Dessa vez, não discutiram.
Se sincronizaram.
Não porque confiavam um no outro—
Porque o ambiente punia hesitação.
No final, superaram em dezenove por cento o limite previsto.
A Supervisão alertou.
"Coesão inesperada," murmurou um analista.
O observador sorriu de leve.
"Ou adaptação sob sabotagem."
Depois, Lucas interceptou Dreyden antes de se separarem.
"Aquela mudança," disse Lucas. "Não foi você."
"Não," concordou Dreyden. "Não foi."
Lucas hesitou. "Acha que foi ela."
Dreyden o estudou com atenção.
Depois assentiu.
"Sim."
Lucas se recostou na parede, processando tudo. "Ela nos ajudou."
"Ela interrompeu o controle," corrigiu Dreyden. "Nos ajudar foi uma consequência."
Lucas olhou para ele. "Você realmente acredita nisso?"
A voz de Dreyden permaneceu firme. "Acredito que ela está escolhendo seus movimentos com cuidado."
"E os seus?"
Dreyden fez uma pausa.
"Por enquanto," disse, "estou aprendendo a língua usada contra mim."
Lucas franziu a testa. "Qual é?"
Dreyden sorriu levemente.
"Leverage." [1] - influência, vantagem estratégica
Nessa noite, a Supervisão recebeu uma orientação interna.
RECOMENDAÇÃO: SUSPENDER NOVOS ESQUEMAS COLABORATIVOS
JUSTIFICATIVA: SINERGIA IMPREVISÍVEL
Tarde demais.
A semente já tinha sido plantada.
Lucas permaneceu acordado, olhando para o teto, sentindo a atração de duas forças gravitacionais—uma institucional e outra pessoal.
Zagan sussurrou.
Escolha com cuidado.
E longe do Triângulo, Maya ajustou outro fio.
Não o suficiente para derrubar o tabuleiro.
Somente o suficiente para deixar as peças escorrerem onde não deveriam.
Dreyden, de pé sozinho numa sacada com vista para as luzes da cidade, sentiu o sistema hesitar.
Isso era novo.
E hesitação, ele sabia—
Era o primeiro sinal de que a alavanca tinha trocado de mãos.