
Capítulo 42
Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia
Então sua interface piscarou.
Uma nova notificação.
Não era uma partida classificada.
Nem uma atualização de méritos.
Era uma mensagem.
Sem ID de remetente.
Sem carimbo de localização.
Apenas texto, curto e brutal.
PARE DE USAR OS SALÕES DE TREINAMENTO.
Dreyden encarou a mensagem.
A rede do Triângulo não permitia mensagens anônimas entre estudantes.
Essa era uma das "proteções".
E ainda assim—
A mensagem existia.
O que significava que tinha vindo de um ou de ambos:
Um administrador.
Um exploit de nível de sistema.
Alguém que não jogava pelas regras do Triângulo de jeito nenhum.
O polegar de Dreyden ficou suspenso sobre o ícone de exclusão.
Mas ele não deletou.
Arquivou.
Depois, surgiu outra linha, como se quem a enviasse soubesse que ele hesitaria.
ELES INSTALARAM UMA CAMADA DE CAPTURA. NÃO É PARA DUELAR. É PARA VOCÊ.
Dreyden não se mexeu.
No refeitório, Lucas se sentava com Arlo e mais alguns.
O olhar de Lucas piscou brevemente em direção a Dreyden, e depois se desviou.
Ele também tinha sentido a mudança.
Dreyden releu a mensagem.
A forma de escrever não era administrativa.
Não era educada.
Não parecia escrita por alguém que protegia o Triângulo.
Era escrita como alguém protegendo ele do Triângulo.
Agora sabia exatamente quem escrevia assim.
Maya.
Não Maya, a garota quebrada.
Não Maya, a simuladora de cultivadores.
Maya com a precisão da Wendy e as cicatrizes vividas do trauma dela.
Uma mente que aprendeu a parar de tremer.
Uma mente que entendia de sistemas.
O peito de Dreyden apertou.
Não por carinho.
Por cálculo.
Se Maya estava avisando, então ela tinha visto algo que ele não tinha percebido.
Ou ela tinha acesso a lugares que ele não tinha.
Ou pior—
Ela já estava dentro dos lugares onde ele não chegava.
Dreyden terminou sua refeição, levantou-se e saiu andando.
Calmamente.
Estável.
Sem pressa.
Pressa parecia medo.
E medo era sangue na água.
Ele não voltou ao salão de treinamento novamente.
Em vez disso, foi a um lugar que os estudantes raramente usavam, a não ser que estivessem desesperados.
As escadas de manutenção.
Os lugares entre as superfícies polidas da academia.
Haviam câmeras, mas menos.
Haviam drones de patrulha, embora mais lentos.
Haviam portas ocultas e painéis de acesso antigos.
E Dreyden tinha passado tempo suficiente invisível em outra vida para entender como se mover sem virar uma história.
Ele caminhou três lances de escada, virou-se para um corredor que cheirava a poeira e metal, e parou diante de um painel de acesso.
Ele não "invadiu" o sistema.
Simplesmente usou seus méritos.
Pois méritos não eram apenas pontos.
Eram permissão.
E permissão abria portas que ninguém pensava em proteger.
O painel deslizou para o lado.
Por trás dele, um estreito corredor de serviço serpenteava como uma veia sob a academia.
Ele entrou.
O ar mudou.
Ficou mais frio.
Mais seco.
Menos humano.
Ele caminhou até que as luzes se afinassem e o zumbido da academia acima se tornasse uma vibração distante.
Então parou.
Não chamou.
Chamar era para quem precisava de reforço.
Dreyden não precisaria disso.
Ele apenas disse, em silêncio:
"Se você quiser conversar, não manda mensagem."
Silêncio.
Então, de algum lugar mais profundo no corredor, uma voz respondeu.
Não alta.
Não emocional.
Controlada.
"Você está aprendendo."
Os olhos de Dreyden se estreitaram.
A voz não vinha de uma pessoa na sua frente.
Vinha de um alto-falante na parede.
Um relé escondido.
O que significava que Maya não estava ali fisicamente.
Ela estava perto o suficiente para controlar o ambiente.
Ele sentiu uma pontada de irritação.
"Você está no Triângulo," ele disse.
"Dentro dele," Maya respondeu. "Não ao alcance."
Dreyden não gostou disso.
Significava que ela tinha criado distância de propósito.
"Não vim aqui para lutar com você," Maya continuou.
"E também não vim te salvar."
A mandíbula de Dreyden se apertou levemente. "Então por que me avisar?"
Uma pausa.
Depois: "Porque eles vão fazer você mostrar algo. E se você mostrar a coisa errada, não vai sair do Triângulo como estudante."
A mente de Dreyden permaneceu fria.
"O que eles instalaram?"
"Geometria de captura," Maya disse. "Uma grade que pode bloquear sua expressão de energia. Não permanentemente. Temporariamente. O bastante para observar sua resposta central quando você for forçado a pressionar."
Dreyden respirou fundo lentamente.
"Então as barreiras não foram melhoradas. Foram transformadas em armas."
"Sim."
"E estão testando em mim."
"Sim."
A voz de Dreyden manteve-se plana. "Por que me avisou agora?"
Havia uma fração de algo no tom dela, algo humano, soterrado sob controle.
"Porque se você se tornar propriedade deles," ela disse, "você se tornará parte do desfecho."
Dreyden não respondeu.
Porque aquela frase tocou algo que ele não gostava de admitir:
O medo de Maya não era mais apenas medo dela mesma.
Era medo do rumo dos acontecimentos.
Medo da trajetória.
Medo de que a história—este mundo—se corrigisse destruindo tudo o que não se encaixasse.
A voz de Maya suavizou um pouco, mas só um pouco.
"Não vou voltar ao Triângulo," ela disse.
Dreyden enrijeceu o olhar. "Você não pode simplesmente—"
"Posso," ela interrompeu. "Porque já parei de ser só Maya."
Dreyden ficou imóvel diante do alto-falante como se ele pudesse sangrar verdades.
"Então o que você é agora?" perguntou.
Uma pausa.
Depois: "Um problema."
Dreyden quase sorriu.
Não era engraçado.
Mas era verdadeiro.
Maya continuou antes que ele pudesse falar.
"Eles vão te pressionar logo. A supervisão não espera para instalar novos brinquedos. Vão marcar uma 'partida de avaliação especial.' Vão apresentar como uma questão de honra."
O pensamento de Dreyden passou por várias possibilidades.
Um duelo forçado.
Um oponente mais forte.
Um instrutor presente.
Uma grade de captura ativa.
Uma sala preparada para medir quem você é.
Ele assentiu uma vez, mesmo ela não vendo.
"Vou evitar os salões deles," disse.
"Você não consegue evitar tudo," Maya respondeu. "No final, eles vão te forçar a uma avaliação."
"Então, eu vou forçar a volta do resultado."
Silêncio novamente.
Depois, a voz de Maya retornou, mais baixa.
"Não me procure."
O olhar de Dreyden se estreitou. "Não estava com isso em mente."
"Ótimo," ela disse, e havia uma estranha sensação de alívio nisso. "Porque se você me procurar, vai ficar previsível. E previsível é que vai ser morto."
Dreyden permaneceu em silêncio.
Pois havia dois sentidos nessa frase.
Um tático.
Um pessoal.
E ele não gostava de perceber o quanto entendia de ambos.
O alto-falante deu um clique.
Uma última frase apareceu na interface dele, sincronizada com a voz dela:
SE TE DEREM UM CERCO, MOSTRE UMA MENTIRA QUE NÃO PODERÃO PROVAR QUE É UMA MENTIRA.
Depois o relé cortou.
O corredor ficou em silêncio novamente.
Dreyden ficou ali por um momento, ouvindo o vazio.
Depois se virou e subiu de volta.
Nessa noite, chegou o convite.
Exatamente como Maya tinha previsto.
Uma partida de avaliação especial.
Sem sinal de urgência.
Sem sinal de perigo.
Com uma etiqueta de privilégio.
AVALIAÇÃO DE COMBATE ESPECIAL — CONVITE
LOCAL: SALÃO SEVEN
OPONENTE: ATRIBUÍDO
ASSISTÊNCIA: OBRIGATÓRIA
Obrigatório.
A palavra não combinava com "convite".
Dreyden olhou para ela.
Depois sorriu de leve.
Um sorriso sem humor.
"Eles vão aprender uma coisa," murmurou, repetindo sua promessa anterior.
Apenas não o que eles esperavam.
O Salão Sete era diferente.
Maior que os arenas padrão.
Mais limpo.
Mais novo.
As gradeças brilhavam.
Instrutores alinhados na borda como estátuas.
E acima deles, atrás do vidro, as silhuetas de observadores, sentados como sombras.
Não eram estudantes.
Nem plateias aplaudindo.
Pessoas que não aplaudem.
Pessoas que avaliam.
Dreyden entrou sozinho.
Cada passo medido.
Lucas não estava lá.
Raisel também não.
Sem aliados.
Sem rostos conhecidos.
Apenas olhos.
Um juiz central, com expressão neutra.
"Dreyden Stella," anunciou. "Esta é uma avaliação controlada. Você irá obedecer. Qualquer recusa será considerada desafio à autoridade do Triângulo."
Dreyden consentiu com um gesto de cabeça.
"Entendido."
O juiz levantou a mão.
"Oponente entra."
A porta oposta se abriu.
E quem entrou fez o ambiente se transformar.
Não pelo rank.
Pela presença.
Uma mulher alta, com cabelos curtos e pretos, postura limpa, olhos calmos.
Ela usava um casaco de instrutora do Triângulo.
Mas a aura ao redor dela não era de instrutora.
Era algo mais antigo.
Algo afiado.
Ela parou do outro lado de Dreyden e fez uma reverência educada.
"Candidata Stella," ela disse.
Candidata.
Não estudante.
O raciocínio de Dreyden permaneceu firme.
"Instrutora," respondeu.
O juiz levantou a mão.
"Comecem."
A barreira se fechou.
A grade de captura sob o piso brilhou como uma fera adormecida que acorda.
Dreyden sentiu novamente o peso se estabelecer.
Ele não ativou Fire Fists.
Ele não ativou Eyes of Truth.
Ele não chamou a Biblioteca Celestial.
Em vez disso, moveu-se.
Rápido.
Limpo.
Um golpe simples.
Um esquive simples.
Um teste de ritmo do oponente.
A instrutora respondeu com o mínimo de movimento.
Demasiado eficiente.
Demasiado treinada.
Um golpe de palma direcionado não às costelas, mas ao caminho central dele—focando no fluxo.
Dreyden recuou, mas a grade pulsou.
O ar ficou mais pesado.
Seu movimento desacelerou um pouco.
Os olhos da instrutora se agudizaram.
Ela também sentiu.
Então, isso é, pensou Dreyden.
Não é um duelo.
É uma demonstração.
Uma jaula se fechando até ele mostrar o que é.
Lembrou-se da mensagem de Maya.
Mostre uma mentira que eles não possam provar que é uma mentira.
Dreyden respirou fundo, devagar.
Depois—deliberadamente—ativou Action and Reaction.
Uma habilidade reativa "simples".
Um movimento plausível.
Uma defesa.
Seus movimentos ficaram mais precisos.
Suas respostas atingiram o alvo limpas.
A instrutora observava cuidadosamente, testando limites.
Ela aumentou a pressão.
Dreyden permaneceu dentro da mentira.
Sem explosões. Sem habilidades estranhas. Sem biblioteca celestial.
Apenas reações perfeitas.
Apenas combate refinado.
O suficiente para parecer talentoso sem parecer impossível.
A grade pulsou novamente.
Ela tentou alcançar mais fundo.
Dreyden sentiu a borda dela raspar o ritmo do seu núcleo, como dedos testando uma fechadura.
Os olhos da instrutora se estreitaram.
Ela sorriu sutilmente.
Não amigavelmente.
Interessada.
E Dreyden entendeu com clareza absoluta:
Não se tratava de ganhar ou perder.
Era se quebrar ou não.
Ele manteve a mentira intacta.
Ele lutou como uma arma que poderiam classificar.
Ele lutou como uma ferramenta que poderiam controlar.
E a parte mais assustadora?
Ele era bom nisso.
Porque passou toda a vida sendo aquilo que as pessoas precisavam ver.
Quando a avaliação terminou, foi abruptamente.
O juiz levantou a mão.
"Avaliação concluída."
A barreira caiu.
A grade de captura escureceu.
Dreyden permaneceu imóvel, respirando com calma.
A instrutora fez uma reverência novamente.
"Controlo impressionante," ela disse.
Dreyden retribuiu a reverência.
Depois acrescentou, suavemente, só para ela ouvir:
"Da próxima vez, vamos testar o que você está escondendo."
O sorriso de Dreyden não se moveu.
"Estou ansioso," mentiu.
E saiu do Salão Sete com uma certeza: o Triângulo deixou de duvidar que ele é uma anomalia.
Agora, ele decidia que tipo de anomalia.
E, além das paredes polidas da academia, uma garota de cabelo vermelho observava um sistema reagir a duas variáveis que ele não podia conter.
Cortes de falha.
Ainda não se quebraram.
Mas estão se alargando.
E, eventualmente—
O Triângulo descobrirá o que acontece quando o chão finalmente ceder.