Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia

Capítulo 41

Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia

A Triângulo não gostava de surpresas.

Era tolerante com talento. Tolerava violência. Aceitava ambição, desde que ela permanecesse dentro dos caminhos aprovados — classificações, méritos, facções, conflitos controlados.

Mas não tolerava imprevisibilidade.

E, recentemente, a imprevisibilidade começava a infiltrar-se na academia como rachaduras finas na fundação — silenciosas, invisíveis a princípio, até que você pisasse errado e sentisse o chão tremer sob seus pés.

Dreyden percebeu antes de qualquer outro.

Não porque tivesse algum sexto sentido instintivo ou uma intuição de herói.

Porque prestava atenção às coisas que não deveriam acontecer.

Um pedido que demorava demais para ser atendido.

Uma gaveta designada duas vezes.

Um sorteio de duelos que se rearranjava após confirmação.

E então — nesta manhã — o primeiro sinal real de que o Triângulo havia passado de observador a construtor de uma jaula.

Ele viu isso no setor de treinamento.

Os círculos de prática eram os mesmos. Os terminais eram os mesmos. As vozes dos instrutores eram as mesmas.

Porém, os arrays de barreira no chão estavam sutilmente alterados.

A primeira vista, pareciam idênticos: linhas limpas, anéis concêntricos, o padrão padrão de amortecimento anti-letal que impedia os alunos de se matarem facilmente.

Com seus Olhos da Verdade, Dreyden viu algo mais.

Uma segunda camada.

Uma tesselação tênue enterrada por baixo da geometria habitual — delicada e intencional, como as fiações ocultas sob uma parede polida.

Não era para impedir os alunos de se matarem.

Era para impedir outra coisa.

Era para impedir ele.

Dreyden não reagiu. Não hesitou tempo suficiente para que alguém percebesse que ele tinha notado.

Ele se aqueceu como de costume, mexeu os ombros, ajustou as luvas.

Mesmo assim, entrou na fila de duelo classificado.

Um número seguro. Um nome que ele não reconhecia.

Não lhe interessava o adversário.

Interessava a resposta do sistema.

O terminal tilintou.

A barreira se ergueu.

Assim que o duelo começou, ele avançou e deu um jab controlado — nada de especial, sem Fire Fists, sem padrão copiado, apenas um golpe básico.

A barreira reagiu.

Por menos de um suspiro, a tesselação sob o chão clareou como uma rede se tensionando.

Uma pulsação se espalhou, suave demais para o público perceber, sutil o suficiente para que a maioria dos instrutores descartassem como uma estabilização normal.

Mas Dreyden sentiu.

Uma resistência leve, como se o ar mesmo tivesse ficado mais pesado.

Ele retirou a mão.

Reajustou sua postura.

O adversário atacou. Dreyden terminou rapidamente — passos precisos, ângulos de pressão, um golpe decisivo quando a guarda se abriu.

Vitória.

Méritos atualizados.

Classificação ajustada.

E, ao abaixar a barreira, a tesselação escondida escureceu novamente.

Um teste.

Não de sua força.

De seu alcance.

Dreyden saiu do círculo sem demonstrar expressão, mas sua mente já catalogava tudo.

Eles estavam se preparando para duas possibilidades:

Ele era uma anomalia que poderia ser recrutada.

Ele era uma anomalia que precisava ser contida.

O recrutamento era prioridade.

A contenção vinha depois.

A contenção era sempre definitiva.

Ele cruzou um grupo de estudantes e captou fragmentos de conversas.

"—A supervisão instalou isso ontem à noite."

"—Disseram que é por 'segurança'."

"—não, é pra ele."

Uma risada.

Uma risada nervosa.

Daquelas que as pessoas fazem quando querem fingir que não estão com medo.

Dreyden não olhou para trás.

O medo é um ecossistema. Se você reconhece, ele cresce.

Seguiu para a aula.

A sala de aula tinha cheiro de pedra limpa e ar reciclado.

O professor Leon estava na frente, escrevendo fórmulas em um painel flutuante — razões de conversão de mana para magia, modelos de eficiência de canalização, aquele tipo de conteúdo que faz os alunos bocejarem até sangrar.

Dreyden sentou-se perto do centro, o assento ao seu lado vazio por um momento.

Então chegou Lucas.

Lucas não pediu permissão. Não hesitou. Sentou-se simplesmente como se o espaço fosse dele.

Ele vinha fazendo isso com mais frequência ultimamente.

Não por amizade.

Pela proximidade.

A proximidade dificultava Dreyden de cortá-lo sem aviso.

E Lucas tinha medo de ser cortado.

Dreyden não virou o rosto. Não reconheceu imediatamente.

Lucas falou de qualquer maneira, com voz baixa.

"Eles mudaram os barriers."

"Sei."

Lucas ficou tenso. "Como?"

Finalmente, Dreyden olhou para ele, com calma.

"Porque o cômodo ficou mais pesado."

Lucas piscou. Não gostou dessa resposta.

Porque isso implicava algo sobre Dreyden que não cabia na imagem mental de "estudante" de Lucas.

Lucas se inclinou um pouco mais perto. "Minha visão de sorte está… bugando."

O olhar de Dreyden voltou-se para a frente.

O professor Leon continuava falando. A turma fingia ouvir. O barulho do mundo seguia.

"Que tipo de bug?" perguntou Dreyden.

Lucas engoliu em seco. Não queria dizer isso em voz alta.

Não porque soasse idiota.

Porque falar faria isso virar realidade.

"…Branco," disse Lucas. "Mais do que de costume. Não só ao seu redor. Em lugares. Em pessoas. Em sistemas."

Os dedos de Dreyden batiam uma vez contra a mesa.

Um movimento pequeno. Controlado.

"Branco não deveria fazer isso," Lucas acrescentou rapidamente. "Deveria ser… singular."

Dreyden não respondeu.

Porque pensava exatamente a mesma coisa.

O proliferar do branco significava que a anomalia não estava mais ligada a uma pessoa.

Estava ligada a eventos.

Alguém tinha começado a mover peças de formas que distorciam probabilidade, narrativa e consequência tudo ao mesmo tempo.

A voz de Lucas diminuiu ainda mais. "Zagan não para de falar."

Isso chamou a atenção de Dreyden.

Ele olhou de verdade para Lucas agora.

A expressão de Lucas era controlada, mas a tensão na mandíbula dizia a verdade.

"Tenho… produzido algo mais próximo de mana," disse Lucas, como se as palavras lhe causassem dor. "Não só canalizando."

Dreyden manteve o olhar. "E é instável."

O silêncio de Lucas era confirmação.

A mente de Dreyden se encaixou.

As modificações na barreira do Triângulo. A instabilidade de Lucas. A propagação do branco. A interferência silenciosa de Maya.

Esses não eram problemas separados.

Eram linhas de falha convergindo para o mesmo terremoto.

A voz do professor Leon cortou a sala, agora mais aguda.

"—e lembrem-se," disse, virando-se para a turma, "tipos de energia não são apenas poder. São identidade. Deixam assinaturas. Deixam trilhas."

Seus olhos varreram a sala, parando por uma fração de segundo em Lucas.

Depois, quase como uma reflexão tardia, em Dreyden.

E Dreyden sentiu.

Não medo.

Não hostilidade.

Intenção.

Leon sabia algo. Ou suspeitava de algo. E a suspeita dentro do Triângulo nunca era passiva.

Dreyden virou-se primeiro.

Porque não gostava de admitir que alguém poderia estar olhando para ele da mesma forma que ele olhava para os outros.

No almoço, o refeitório parecia um palco.

Não porque as pessoas fossem barulhentas.

Porque todos estavam atuando.

Facções sentadas em grupos como reinos num mapa. Os fortes ocupando espaço como se fosse deles. Os fracos se movendo como se estivessem apenas emprestando oxigênio.

Dreyden escolheu uma mesa perto da parede, sozinho.

Comeu em silêncio.

Não ligava para rituais sociais.

Mas observava o fluxo.

Três membros de facção entraram, vasculharam, cochicharam, depois saíram.

Dois estudantes da Turma B passaram, com os olhos baixos, ombros tensos.

Uma garota da turma A — a mesma de antes, de classificação intermediária, eficiente — parou como se quisesse se aproximar.

Depois pensou melhor e se afastou.

O medo voltou a maturar.

Não era "Ele pode me machucar".

Era "Ele pode acabar comigo sem tocar".

Dreyden não sorriu.

Não fez careta.

Continuou comendo.

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