Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia

Capítulo 43

Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia

O Triângulo não comemorou a avaliação de Dreyden.

Aquele silêncio importava mais do que aplausos poderiam algum dia demonstrar.

Não houve anúncios públicos. Nem parabéns. Nem aumento repentino na atenção de estudantes de classificação inferior. A academia absorvia os resultados como uma máquina absorvia dados—silenciosamente, de maneira eficiente, sem emoções.

O que significava que ela estava processando.

E quando o Triângulo processa, otimiza.

Dreyden percebeu a mudança na manhã seguinte.

Não nos treinos.

Nem na aula.

Nas regras.

O primeiro sinal veio durante as classificações.

Ele não foi desafiado.

Isso por si só já era estranho.

Para estudantes dentro do seu nível, desafiar para cima ou para baixo era rotina—uma forma de testar força, obter méritos ou simplesmente avaliar reputação. Dreyden esperava ao menos algumas lutas oportunistas depois da avaliação.

Não veio nenhuma.

Em vez disso, ele recebeu algo diferente.

Um aviso formal.

Nem obrigatório.

Nem opcional.

OFERTA DE ROTA AVANÇADA — PROVISÓRIA

A redação era cuidadosa. Sanitizada. Feita para parecer uma oportunidade.

As rotas avançadas eram especializações reservadas a estudantes considerados "direcionais"—aqueles cujo desenvolvimento se encaixava perfeitamente em categorias pré-definidas: quebrador de linha de frente, comandante tático, âncora de suporte, atacante de precisão.

Eram criadas por uma razão:

Para definir um estudante.

Antes que ele se definisse.

Dreyden não aceitou.

Ele também não recusou.

Deixou o aviso expirar sem responder.

Isso irritou o sistema.

Até o meio-dia, os instrutores começaram a emparelhá-lo com novos parceiros de treinamento—sempre diferentes, sempre um pouco desalinhados com suas preferências habituais. Tipos de defesa pesada quando ele queria velocidade. Tipos rápidos quando buscava controle.

Pressão sem escalada.

Isso o irritava.

Mas irritação era administrável.

O que o preocupava era Lucas.

Lucas estava se desvendando.

Não de forma dramática.

Nem ainda.

De maneiras pequenas e feias.

Começou na aula de combate.

Os golpes de espada de Lucas ainda eram precisos—a técnica intacta—mas as transições entre movimentos atrasavam, o suficiente para Dreyden notar. Onde Lucas antes fluía instintivamente, agora hesitava, como se seu corpo estivesse esperando por instruções em que não confiava totalmente.

O instrutor também percebeu.

"Foque," ela falou brusca após Lucas errar uma parábola. "Você está pensando demais."

Lucas forçou um aceno.

Dreyden viu a tensão nos ombros dele. A forma como sua empunhadura se apertava sempre que mana aumentava. Como ele se encolhia—não por medo, mas por resistência interna.

Rejeição de mana.

Estágio inicial.

Perigoso.

Depois da aula, Lucas não saiu imediatamente.

Ficou perto dos racks de equipamentos, limpando sua lâmina por mais tempo do que o necessário.

"Diga logo," ele murmurou sem se virar.

Dreyden parou no meio do alongamento. "Dizer o quê?"

Lucas finalmente olhou para ele. Seus olhos cansados. Não de sono—sobrecarregados.

"Você não está dizendo nada, e isso é pior."

Dreyden observou-o por um momento.

O protagonista da narrativa original.

Aquele destinado a portar a bandeira da humanidade.

Desabando sob um peso que ele não escolheu.

"Você está forçando," Dreyden disse com calma. "Incluindo mana."

Lucas expirou com força. "Você acha que eu não sei disso?"

"Saber não impede."

O silêncio se alongou.

Lucas trincou a mandíbula. "Zagan diz que é preciso."

Os olhos de Dreyden endureceram um pouco.

"Zagan se beneficia da necessidade," ele respondeu. "Mas isso não torna correto."

Lucas deu uma risada sem humor. "Fácil falar quando não há um demônio sussurrando na sua cabeça."

Dreyden não respondeu.

Porque essa era a verdade—e também não era.

Lucas deu um passo mais perto, abaixando a voz.

"Estão me pressionando," Lucas continuou. "Supervisão. Instrutores. Minha família. Todo mundo quer que eu seja mais afiado, mais forte, mais rápido. Você acha que quero essa instabilidade?"

Dreyden cruzou o olhar com ele.

"Acredito," disse com cuidado, "que você está sendo moldado."

A expressão de Lucas se contorceu. "Não é isso que o Triângulo faz com todos nós?"

"Sim," respondeu Dreyden. "Mas algumas formas estão destinadas a se quebrar."

Lucas o encarou.

Depois, fez algo inesperado.

Ele recuou.

"…Se ficar ruim," Lucas falou baixinho. "Se eu perder o controle."

Dreyden esperou.

"…Você vai me parar, né?"

A pergunta não foi heróica.

Nem orgulhosa.

Era nua.

Dreyden não respondeu imediatamente.

Então: "Se você não me der outra opção."

Lucas assentiu lentamente, como se tivesse esperado por nada mais.

E foi embora.

Dreyden não sentiu alívio.

Sentiu a inevitabilidade.

Naquela noite, o Triângulo voltou a escalar sua pressão.

Dessa vez, socialmente.

Líderes de facções começaram a se aproximar—não diretamente, mas por intermediários. Convites para "observar", "compartilhar insights", "coordenar recursos".

Nenhum deles mencionou aliança.

Falavam em posicionamento.

Dreyden recusou todos.

Não de imediato.

Ele adiou.

Adiantar gerava incerteza.

A incerteza gerava cautela.

Isso lhe convinha.

Mas a academia não era a única força exercendo pressão.

O submundo não ficou quieto.

O nome de Maximus Sagaza reapareceu—não falado em voz alta, mas implícito por meio de transações que não deveriam ter cruzado a vida de Dreyden.

Um contato nunca usado antes lhe deu um aviso.

Uma frase simples.

"Fica de olho. Não é das ruas. É lá de cima."

Lá de cima.

Do Triângulo.

O que indicava que até o submundo via a postura da academia mudando.

Essa noite, Dreyden fez algo que não fazia há semanas.

Abriu a Biblioteca Celestial.

Não para copiar.

Nem para adquirir.

Para inventariar.

Revisou o que tinha acesso. O que usou. O que deliberadamente evitou revelar.

A Biblioteca não era infinita—mas era flexível.

E flexibilidade é poder.

Fechou novamente sem fazer mudanças.

Planos ainda não precisavam de revisão.

Eles precisavam de paciência.

A verdadeira ruptura aconteceu três dias depois.

Não por causa de Dreyden.

Por um terceiro.

Um estudante de Rank 27—nome sem importância—desmaiou durante o treinamento de circulação de mana. Sem combate. Sem aviso. De repente, estava de pé, convulsionando enquanto seus caminhos internos se travavam.

Instrutores interviram rapidamente.

Quase demais.

Barreiras de contenção foram derrubadas.

Equipes médicas chegaram.

O relatório oficial classificou como "esforço excessivo".

O boato não oficial contava outra história.

"Feedback de núcleo."

"Inversão de caminho."

"Algo forçou ele além da tolerância."

Dreyden leu o relatório e franziu a testa.

Porque o estudante tinha algo em comum com Lucas.

Exposição acelerada à mana.

Treinamento experimental.

Otimização patrocinada pela supervisão.

Estavam testando limites.

E as pessoas estavam se partindo.

Nessa noite, Dreyden recebeu outra mensagem.

Por um canal diferente.

Com codificação diferente.

Menor.

NA PRÓXIMA, ELES NÃO VÃO PARAR.

Dreyden não perguntou quem enviou.

Ele já sabia.

Respondeu pela primeira vez.

Não com palavras.

Com ação.

Na manhã seguinte, Dreyden pediu uma luta ranking voluntária.

Não de alto perfil.

Nem de baixo risco.

Rank 12.

Uma ascensão controlada.

A academia aprovou em poucos minutos.

Exatamente rápido demais.

Mais uma vez no Hall Sete.

Mesmos observadores.

Mesma rede.

Dessa vez, Dreyden não se escondera.

Mas também não revelou a verdade.

Mostrou algo novo.

Uma variação.

Ele mesclou Ação e Reação com um micro-padrão copiado—sem nada óbvio, nada chamativo, apenas um leve desvio que tornava suas respostas demais para serem categorizadas claramente.

A rede pulsou mais forte.

Os observadores se inclinarem à frente.

Estavam intrigados.

O que era perigoso.

Dreyden encerrou a luta de forma decisiva.

Sem ferimentos.

Sem brutalidade.

Apenas domínio incontestável.

Quando saiu do arena, sentiu claramente.

O interesse virou intenção.

O Triângulo não iria esperar muito mais.

Iriam pressionar ainda mais.

Encurralá-lo.

Forçar a revelação.

E isso significava que ele precisava de uma vantagem que não pertencesse à academia.

E essa vantagem chegou antes do esperado.

Dreyden encontrou Lucas sentado sozinho na plataforma superior de observação naquela noite, olhando para as luzes da cidade além do perímetro do campus.

Lucas não virou quando Dreyden se aproximou.

"Eles me ofereceram um caminho," Lucas disse calmo. "Treinamento exclusivo. Otimização compatível com demônios. Sem interferência de supervisão."

Dreyden parou ao lado dele. "E?"

"…Eles querem resultados."

Sempre.

"E Zagan?" Dreyden perguntou.

Lucas sorriu levemente. "Ele está empolgado."

Dreyden não falou nada.

Lucas exalou com dificuldade. "Não sei mais quem estou me tornando."

Dreyden olhou para a cidade.

"Eu também não," ele disse. "Essa é a diferença."

Lucas se virou para ele. "O que vai fazer?"

A resposta de Dreyden foi imediata.

"Vou fazê-los se arrependerem por forçar a clareza."

Lucas riu suavemente. "Parece uma ameaça."

"É um aviso."

Para o Triângulo.

Para a história.

Para o destino.

Em algum lugar longe da academia, Maya observava os fios de probabilidade se apertarem em torno das próximas ações de Dreyden. O sistema gemia sob o peso dos desfechos convergentes.

Duas variáveis que não se moviam mais em paralelo.

Eles estavam entrando em espiral.

E o Triângulo estava exatamente no centro.

O teste de pressão começara.

Comentários