
Capítulo 53
Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia
A fricção era útil.
A pressão, não tanto.
Dreyden aprendeu a diferença em quarenta e oito horas.
O Triângulo reagia à ineficiência da mesma forma que sempre tinha reagido—tentando corrigi-la. Quando suas métricas de treinamento despencavam, o sistema não o repreendia. Ele compensava.
Uma nova diretriz de circulação apareceu em sua interface antes do almoço.
Uma consulta "recomendada" com um instrutor sênior preencheu sua agenda.
Uma avaliação de acompanhamento substituiu silenciosamente uma sessão de treinos que ele nunca tinha solicitado formalmente.
Nada disso era hostil.
O que tornava tudo perigoso.
O sistema não punia a desvio. Ele o editava.
Dreyden compareceu à consulta.
Isso importava.
Ignorá-la teria transmitido resistência. Participar comportando-se de forma previsível teria transmitido conformidade.
Então ele fez nenhum dos dois.
O instrutor designado—Instrutor Hale—era especialista em teoria da otimização. De nível intermediário, sem linhagem famosa, sem facção política ligada. O Triângulo costumava usar pessoas como Hale quando queria evitar que resultados fossem contaminados por ambição.
Hale não começou com acusações.
Começou com curiosidade.
"Seu modelo de circulação está tecnicamente correto," disse Hale, tocando a sobreposição holográfica entre eles. "Mas é ineficiente por design. Por quê?"
Dreyden ponderou sua resposta cuidadosamente.
"Porque eficiência implica estabilidade," respondeu. "Acho que isso não se aplica mais."
Hale inclinou-se um pouco para trás. Interessado. Não defensivo.
"Essa é uma resposta estranha para quem tenta subir na classificação."
"Não sou," disse Dreyden, com calma.
Isso lhe rendeu um olhar longo.
"Todos aqui estão tentando subir," afirmou Hale.
"Não," corrigiu Dreyden. "Algumas pessoas são colocadas."
Hale não respondeu imediatamente. Seus olhos variaram entre a sobreposição, a parede e de volta para Dreyden.
"Esse tipo de linguagem pode fazer com que alunos sejam transferidos de turma," disse Hale.
"Somente se repetirem isso," retrucou Dreyden.
Uma pausa.
Depois, Hale sorriu levemente.
"Justo," disse. "Então me diga—o que a ineficiência te proporciona?"
Dreyden não hesitou.
"Tempo," respondeu. "E contraste."
Hale expirou pelo nariz. "Você está tentando obrigar o sistema a se mostrar."
"Sim."
"E quando ele se mostrar?"
O olhar de Dreyden era firme. "Eu me adapto mais rápido do que ele consegue."
Hale observou-o por um longo momento.
Depois, fechou a sobreposição.
"Vou marcar esta consulta como inconclusiva," disse ele. "Sem correções aplicadas."
Dreyden assentiu uma vez. "Obrigado."
Hale levantou-se.
Enquanto Dreyden se virava para sair, o instrutor acrescentou calmamente:
"Não estão errados em serem cautelosos com você."
Dreyden parou.
"Eles estão errados pelo motivo," respondeu.
Hale não discordou.
Contrapressão chegou naquela noite.
Não a ele.
Para todos ao seu redor.
Lucas percebeu primeiro.
A percepção de sorte não aumentou—ficou borrada.
Quando a probabilidade geralmente se cristalizava em cores, agora ela se espalhava. Os resultados chegavam atrasados. Os avisos pareciam retardados. O colar no peito dele não brilhava mais constantemente em ouro. Piscava.
Nunca antes isso tinha acontecido.
Ele parou no meio do trecho de treinamento e apertou dois dedos contra a joia.
Zagan mexeu-se.
Algo está interferindo na interpretação, murmurou o demônio. Não é o destino. É o contexto.
Lucas franziu o cenho. "Você quer dizer a Triangle?"
Parcialmente.
"E o resto?"
Uma pausa.
Alguém mais está alinhando variáveis.
Lucas não gostou do que ouviu.
Ele encontrou Dreyden numa área de observação com vista para um piso inferior de treinamento. Dreyden não estava treinando. Ele também não assistia às lutas.
Ele observava movimentos.
Quais estudantes se agrupavam.
Quais evitavam um ao outro.
Quais rotas se tornavam mais congestionadas sem motivo aparente.
"Seu truque de fricção funcionou," disse Lucas discretamente.
Dreyden assentiu. "Eles responderam cedo."
"Isso não é bom."
"Não," concordou Dreyden. "Significa que sentiram."
Lucas encostou-se na grade. "A sorte está ficando confusa ao seu redor."
"Ótimo."
Lucas fez uma expressão de cansaço. "Você fala como se fosse intencional."
"É."
Lucas olhou de lado para ele. "Você está dificultando a sua previsão."
Dreyden lançou-lhe um olhar. "Você percebeu."
"Vivo de previsão," disse Lucas secamente. "Você está rasgando ela em pedaços."
Dreyden não pediu desculpas.
Em vez disso, perguntou: "Você escolheu algo hoje que pareceu... empurrado?"
Lucas congelou.
Depois lentamente: "Sim."
"O quê?"
"Houve um pedido de batalha de Classe A," disse Lucas. "Não obrigatório. Mas o timing era ruim. O oponente estava errado."
"Errado como?"
Lucas franziu o cenho. "Estatisticamente. Tudo indicava escalada, não avaliação. Como se quisessem minha produção, não minha decisão."
"E?"
"Recusei," afirmou Lucas.
O olhar de Dreyden ficou mais afiado. "Você recusou?"
"Sim."
"Por quê?"
Lucas respirou fundo. "Porque parecia uma alavanca."
Dreyden ficou quieto por um momento.
Depois: "Isso é novidade."
Lucas encolheu os ombros, desconfortável. "Tudo isso também."
Ficaram ali em silêncio, assistindo a um combate de Classe B que terminou mal para ambos os participantes.
"Não se trata mais só de você," disse Lucas finalmente. "Eles estão ajustando o campo."
"Sim."
"E quanto mais você resistir à elegância, mais a pressão se desloca para fora."
"Sim."
Lucas olhou nos olhos dele. "Isso vai machucar pessoas."
Dreyden não desviou o olhar.
"Sei," respondeu.
Esse era o custo.
Raisel Silvius recebeu seu aviso de forma diferente.
Não por tarefas ou fricção.
Por família.
O pedido do canal chegou logo após a meia-noite—criptografado, marcado com prioridade, com linhagem travada. Ela imediatamente aceitou.
O rosto de seu tio apareceu, linhas marcadas pela pouca luz.
"O Triângulo identificou uma instabilidade," disse ele. "Focada em um estudante."
Raisel não perguntou quem.
"Acreditam que é possível conter," continuou ele. "Nós discordamos."
Seus olhos se estreitaram. "Como assim, discordam?"
"Estão tratando uma anomalia estrutural como se fosse comportamento," afirmou ele. "Isso é ineficiente. E perigoso."
"Então por quê me avisar?"
"Porque você já está dentro do raio de ação."
O semblante de Raisel não se alterou, mas seus dedos se cerraram levemente.
"Você está perto dele," disse o tio. "Perto o suficiente para observar a divergência de perto."
Raisel escolheu suas palavras com cuidado. "Observar não é controlar."
"Não," concordou ele. "Mas estar próximo influencia."
"E o que a família quer?" ela perguntou.
Uma pausa.
"Saber de qual lado ele cai," afirmou o tio. "E se é melhor reforçar… ou redirecionar."
Raisel encerrou a ligação sem responder.
Ficou ali, em silêncio, por um longo tempo.
Depois, abriu seus registros de treinamento pessoal e acrescentou uma nota—privada, sem compartilhar.
Dreyden Stella: não é um vetor. É um ponto de apoio.[1]
Na manhã seguinte, o Triângulo aplicou uma contra pressão.
Um aviso foi divulgado para toda a Classe A.
AVISO: SEMANA DE AVALIAÇÃO ROTACIONAL
FORMATO: DINÂMICO
COMPONENTES: COMBATE / ADAPTAÇÃO / TOMADA DE DECISÃO
NÍVEL DE OBSERVAÇÃO: ELEVADO
Essa última frase não pertencia aos avisos dos estudantes.
Todos sentiram.
Salas de treinamento se encheram mais cedo do que o habitual. Os estudantes se aglomeraram mais. Facções se reposicionaram, algumas de forma agressiva, outras cautelosas.
Dreyden não participou da primeira avaliação.
Ele não pôde.
Sua agenda se atualizou dez minutos antes—um override disfarçado de otimização.
SALA: TEATRO DE RESPOSTA PROFUNDA
PARTICIPANTES: DREYDEN STELLA (PRIMÁRIO)
FORMATO: INDIVIDUAL
Indivíduo.
Não avaliação.
Extração.
O teatro era circular, paredes foscas pretas, piso com linhas de grade silenciosas que pulsavam suavemente ao seu ingresso. Sem plateia. Sem instrutor visível.
Somente uma estação no centro.
Ela ativou ao se aproximar.
"Declare seu objetivo," pediu a voz automática.
Dreyden sorriu levemente.
"Observação," disse.
A estação hesitou.
"Objetivo inválido."
Dreyden deu de ombros. "Então escolha por mim."
A sala escureceu.
A grade se acendeu.
E o ambiente se curvou.
Não para uma arena de combate.
Para um corredor.
Longo.
Narrow.
Revestido de portas.
Cada porta não com nomes—mas com resultados.
PERDA DE RANK
ENREDAMENTO DE FACÇÃO
CENSURA DO INSTRUTOR
Selo de Habilidade
Isolamento
O Triângulo estava fazendo algo novo.
Não testava força.
Estava testando tolerância ao risco.
"Selecione," disse a voz.
Dreyden avançou.
Por entre as portas.
Todas elas.
O corredor se estendeu mais.
Mais portas surgiram.
ATENÇÃO EXTERNA
INTERFACE ANOMALOSA
SANGRIA DE PROBABILIDADE
BRECHA INSTITUCIONAL
Ele parou na última.
Não porque lhe desse medo.
Porque era honesta.
Confirmou a mão contra ela.
A porta não abriu.
Em vez disso, a grade pulsou violentamente.
"A seleção está trava," anunciou o sistema.
O corredor se dissolveu.
O teatro voltou ao normal.
E, pela primeira vez desde que chegou ao Triângulo, Dreyden sentiu o sistema hesitar.
Não por cálculo.
Pela percepção.
Sua interface piscou—mas nenhuma notificação apareceu.
Nenhum sucesso. Nenhum fracasso.
Apenas silêncio.
Esse silêncio lhe dizia tudo.
Eles não conseguiram os dados que queriam.
O que significava que escalariam de novo.
Bem longe da academia, Maya observava o pico da divergência.
A probabilidade não se dispersava desta vez.
Ela se coalescia.
Clusters se formaram ao redor de Dreyden como detritos orbitando em uma crescente força gravitacional.
"Isso é imprudente," sussurrou Wendy em seu interior.
"Sim," respondeu Maya suavemente. "Mas eficaz."
"Você está aumentando os vetores de atenção," advertiu Wendy.
"Eu Sei."
"E quando eles convergirem?"
Maya fechou os olhos.
"Então eu interferirei novamente."
Desta vez, Wendy não se opôs.
Isso preocupava Maya mais do que qualquer discordância jamais tinha feito.
Nessa noite, Dreyden recebeu uma resposta.
Não do Controle.
Não do Triângulo.
Do arquivo.
O arquivo Mandarin se abriu sozinho.
Uma única nova linha apareceu abaixo de sua pergunta.
Nós não temos um nome que você possa usar. Mas ainda não somos seu inimigo.
Dreyden demorou a digitar.
Deixou a mensagem ali.
Depois, lentamente, cuidadosamente, escreveu:
Então pare de invadir minha casa sem aviso.
A resposta veio mais rápido desta vez.
Quando as portas não nos impedem, permissão é uma cortesia—não uma regra.
Dreyden olhou fixamente para a linha.
Depois escreveu:
Cortesia também se treina.
O arquivo se fechou sozinho.
Sem resposta.
Mas quando Dreyden se levantou e olhou para a cidade, sentiu—sutil, inconfundível—
Que a pressão tinha se deslocado.
Não levantado.
Não quebrado.
Redistribuído.
Pela primeira vez desde que entrou no Triângulo, o sistema não tinha mais certeza de quem estava moldando quem.
E essa incerteza—
Essa hesitação—
Era exatamente onde Dreyden planejava atuar a seguir.