
Capítulo 51
Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia
Numa tarde, Lucas o encontrou.
Não diretamente.
Não com uma confrontação.
Com proximidade.
Lucas se sentou a duas cadeiras dele, na teoria mágica, fingindo que tudo era normal.
Não era.
O ambiente inteiro sentiu isso.
Raramente Lucas se posicionava perto de alguém, a não ser que houvesse uma intenção por trás.
Dreyden não olhava para ele.
Lucas falou baixinho enquanto o instrutor rabiscava equações no quadro.
"Eu vi o observador na cafeteria."
A caneta de Dreyden não parou de se mover.
"Sei."
Lucas hesitou. "Aquela simulação ontem…"
"Não foi uma simulação," disse Dreyden.
O maxilar de Lucas se apertou.
Ele ficou olhando para frente, como se tentasse parecer normal diante de todos.
Então: "Depois disso, algo aconteceu com você."
A caneta de Dreyden fez uma pausa.
Só por um segundo.
A percepção de Lucas sobre a sorte era aguda o suficiente para perceber micro-movimentos.
"Sua cor mudou," disse Lucas calmamente. "Não completamente. Mas… piscou."
Finalmente, Dreyden lançou um olhar pra ele.
Lucas não desviou o olhar.
"Como você sabe disso?" perguntou Dreyden.
Os lábios de Lucas se apertaram. "Porque eu nunca vi branco… sobrepor-se a algo mais."
Dreyden voltou o olhar para o quadro.
Ele não negou.
Negar alimentaria um enigma para Lucas.
Em vez disso, deu a ele uma fronteira.
"Não tente me decifrar," disse Dreyden.
Lucas soltou um suspiro que quase soou como uma risada.
"Não estou tentando te decifrar," disse ele. "Tô tentando entender o que o Triângulo está fazendo comigo através de você."
Isso foi mais inteligente.
A boca de Dreyden tremeu levemente.
"Então, finalmente, está prestando atenção," disse ele.
Os olhos de Lucas se aguçaram. "Então admite."
"Não admito nada," respondeu Dreyden. "Mas você não está cego."
Lucas recostou na cadeira.
"E ela?" Lucas perguntou baixinho.
A expressão de Dreyden não mudou.
Mas o ar ao redor do seu foco mudou.
Uma tensão microscópica.
Lucas percebeu.
"Não diga o nome dela," disse Dreyden.
Lucas franziu o cenho. "Você acha que eles estão ouvindo?"
Dreyden não respondeu imediatamente.
Depois: "Acho que algo sim."
Lucas engoliu em seco, com a garganta apertada.
A presença de Zagan roçou a sua percepção como uma mão gelada.
Não, murmurou o demônio.
Lucas ignorou.
"Se você está comprometido," disse Lucas, "por que ainda está se movendo como se estivesse tudo bem?"
O olhar de Dreyden deslizou em direção a ele.
Calma.
Frio.
Sincero.
"Porque se eu agir como se estivesse comprometido," explicou, "o sistema muda de forma."
Lucas ficou parado, encarando.
"Você está deixando eles acharem que já ganharam," sussurrou Lucas.
A voz de Dreyden era baixa.
"Estou deixando eles se comprometerem," corrigiu.
De repente, o instrutor virou-se abruptamente.
"Lucas Væresberg," disse ele. "Repita o último princípio."
O rosto de Lucas ficou vazio.
Ele respondeu perfeitamente.
Claro que respondeu.
Mas o instante passou como uma lâmina.
Porque o instrutor não tinha feito uma pergunta aleatória.
Ele perguntou porque Lucas tinha se envolvido na conversa.
Alguém estava ouvindo.
Nessa noite, Dreyden voltou para o seu quarto e trancou a porta.
Ele não se sentou imediatamente.
Não abriu o arquivo logo de cara.
Ele verificou os cantos.
As saídas de ar.
As costuras ao redor da porta.
Não porque esperasse um dispositivo físico.
Porque controle significava não deixar nada passar sem inspeção.
Depois, sentou.
Abriu o arquivo em inglês "Notas de Estudo".
Desceu até a linha de mandarim embutida.
E esperou.
Passaram-se dois minutos.
Nada.
Cinco minutos.
Nada.
Dez minutos.
Seu pulso não mudou.
Então — aos quinze minutos — seu cursor se moveu.
Não por ele.
Uma highlight lenta, deliberada, passou sobre a linha de mandarim.
Como alguém sublinhando com o dedo.
Dreyden não tocou no teclado.
Não piscou.
Observou.
Uma nova linha apareceu sob a questão embutida.
Em mandarim perfeito.
Sim. E você está aprendendo devagar.
A respiração de Dreyden não acelerou.
Mas algo dentro dele ficou bem silencioso.
Eles não estavam apenas lendo.
Eram interagindo.
Isso significava que a barreira entre observação e influência já tinha sido ultrapassada.
Ele digitou.
Com cuidado.
O que é você?
O cursor não se moveu por um bom tempo.
Depois, uma resposta apareceu.
Não uma resposta.
Uma recusa disfarçada de instrução.
Não peça nomes. Peça limites.
Os dedos de Dreyden ficaram no ar.
Então ele digitou novamente.
Quais limites você tem?
Uma pausa.
Depois:
Mais do que você pensa. Menos do que você espera.
Os olhos de Dreyden se estreitaram.
Sentiu a vontade de insistir—mais forte, mais afiado—para prender quem responde na lógica e extrair a identidade por contradição.
Mas não fez isso.
Porque aquilo não era uma pessoa digitando casualmente.
Era uma presença usando a linguagem como uma navalha.
Ele escreveu:
Por que me avisar?
A resposta veio mais rápido desta vez.
Porque você está construindo escudos errados.
A mandíbula de Dreyden se fechou.
Explique.
O cursor ficou em suspense.
Depois:
Você está escondendo o conteúdo. Deveria estar escondendo a intenção.
Dreyden olhou fixamente para esta frase.
Porque era verdade.
Conteúdo pode ser copiado.
Intenção pode ser interpretada de errado.
Intenção pode ser guiada.
Intenção pode ser transformada em arma.
Ele digitou lentamente.
E então: o que você quer?
A resposta apareceu uma caractere de cada vez, quase como se o sistema estivesse decidindo se podia completar a frase.
Para ver se você vira uma ferramenta… ou uma ferida.
Os dedos de Dreyden pararam.
Ferramenta.
Ferida.
Duas categorias.
Dois resultados.
O tipo de etiqueta binária que instituições adoram.
Mas essa não era a fala do Triângulo.
O Triângulo queria ferramentas.
Não queria feridas.
Feridas são imprevisíveis.
Feridas infectam sistemas.
Feridas se espalham.
Dreyden fechou o arquivo sem responder.
Ficou ali por um tempo, olhando para a tela escura.
Depois se levantou.
Foi até a janela.
Olhou para o campus do Triângulo.
Luzes piscando.
Estudantes treinando.
Fileiras subindo.
Uma máquina fingindo ser uma escola.
E em algum lugar além dela—
Uma presença mais antiga tinha acabado de confirmar que não o observava como estudante.
Estava olhando para ele como um problema de variável.
Um teste.
Um futuro.
Ele sussurrou para o vidro, baixo e firme.
"Tudo bem."
Depois voltou para dentro da sala.
Pegou o caderno que tinha deixado na mesa—aquele com frases falsas.
E começou a reescrevê-lo.
Não com planos.
Com uma nova categoria.
ESPIÕES
Ele escreveu:
Acompanhamento do Triângulo
Fações (Rede de Rumores)
Submundo (Maximus)
Nó Externo (Intrusão Mandarim)
Depois, sublinhou a última duas vezes.
E escreveu abaixo:
Desconhecido — interativo — prefere limites — modelo de permissão
Colocou o caderno de lado.
E, pela primeira vez desde que chegou neste mundo, aceitou algo sem resistência:
Deixou de lutar contra o Triângulo.
O Triângulo era apenas a camada visível.
Ele lutava pelo controle da própria narrativa.
Respirou fundo lentamente.
Depois abriu a Biblioteca Celestial.
Não para copiar.
Não para ganhar poder.
Para catalogar.
Porque bibliotecas não são apenas armazenamento.
Eram classificação.
E classificação é controle.
Seus olhos se aguçaram.
"Medidas de proteção," murmurou.
Não como título de capítulo.
Como um voto.
E em algum lugar, em um lugar que ele não conseguia mapear, a presença por trás da tela leu seu silêncio—
e aguardou para ver que tipo de armadilha ele iria montar a seguir.